Archive for março, 2010


Hoje é a final do Big Brother Brasil, na Rede Globo.  Infelizmente, mais tempo perdido com entretenimento alienante.

Nada temos contra o programa, que sem sombra de dúvida é tecnicamente feito de forma competente, por profissionais sérios.

Todavia, é o problema que traz o capitalismo com seus interesses, meramente econômicos.  Nesse sistema atual, as empresas não podem se nortear por principios éticos, tais como a produção e veiculação de programas educativos. Aparentemente, isto não daria audiência.

Apenas aparentemente.  No fundo, no fundo, todos nós agradeceríamos por encontrar, na tevê aberta, programas informativos, educativos e esclarecedores; contudo, o problema chama-se: rentabilidade.  Sim, estes programas não são viáveis, rentáveis a curto e médio prazo.  E são caros; a relação custo benefício é inferior à de produções com reduzido custo e alto retorno.

Nessa hora, o ser humano deixa de agir no interesse da coletividade, da humanidade, da disseminação do conhecimento.  Guiado pela necessidade de lucro, não importa mais saber se está se contribuindo para emburrecer o telespectador.

Mas somos somente uma voz, nesse mundo perdido; nessa hora, ninguém nos faz companhia:

Preferem descobrir se o Dourado será o vencedor…

Há tempos espalha-se pelo mundo a teoria de que democracia forte, precisa de uma imprensa livre.

Para alguns, o papel de uma imprensa livre é o de proporcionar transparência e informação ao cidadão, para facilitar, a esse cidadão, a fiscalização do Estado, dos Governos, dos representantes que elegeu.

A chamada “imprensa livre”, assim, passou a ser chamada de “o quarto poder”.  Um poder que seria temido, transparente, amante da democracia, correto, investigativo, sempre ético.

Será?

Ainda que isto fosse verdade; ainda que a imprensa não fosse defendida por inúmeros autores em obras controversas, como instrumento de manipulação do povo; como poderia o povo decidir por meio de empresas privadas, que escolhem quais notícias devem ser divulgadas?  Que escolhem como essas notícias devem ser interpretadas?  Que manipulam as informações?

Estaremos errados ao afirmar isso?

O Quarto poder

Você já ouviu falar nessa expressão? Conforme a Wikipédia:

“O quarto poder é uma expressão criada para qualificar, de modo livre, o poder da mídia ou do jornalismo em alusão aos outros três poderes típicos do Estado democrático (Legislativo, Executivo eJudiciário).

Essa expressão refere-se ao poder da mídia quanto a sua capacidade de manipular a opinião pública, a ponto de ditar regras de comportamento e influir nas escolhas dos indivíduos e por fim da própria sociedade.

Sobre o tema existe um filme assim nomeado em português, mas com título original “Mad City”. O filme discute o poder da mídia sobre a opinião pública, fazendo uma espécie de jogo com as emoções. O filme fala do poder e da farmácia de manipulação da mídia para favorecer os interesses de terceiros, e em busca da conquista de audiência.

No Brasil, por exemplo, já é possível perceber que a sociedade, em muitas situações, já confia mais nessa instituição do que nos 3 (três) poderes do Estado.

Uma boa leitura para entender como isso funciona no Brasil é através da série de artigos escritos pelo jornalista Luis Nassif, sobre a revista Veja.”

Bom, quem desejar conhecer o excelente blog do Luis Nassif, clique aqui, ou veja as referências ao fim do post.  Tendo conhecido, então, o significado da expressão “O Quarto Poder”, podemos retomar nosso raciocínio.

A imprensa conta com técnicas, modelos e métodos consagrados, profissionais, técnicos.  Mas a imprensa não é detentora, por si só, do ofício jornalismo.  A imprensa, portanto, é uma instituição composta por empresas do segmento de informação; portanto, de jornalismo.  E o que é jornalismo?  Novamente com a palavra, a Wikipédia:

“Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais. Jornalismo é uma atividade de Comunicação.”

Nota-se aí que, entre a informação pura, simples e crua, e os leitores, ouvintes ou telespectadores, há um profissional que “lida” com “notícias, dados factuais e divulgação de informações”.  Cabe aos jornalistas, também, “(…) redigir, editar (…)” informações sobre eventos atuais.

Em outras palavras: um intermediário.  Traduzindo de forma mais simples, a Imprensa poderia ser caracterizada como: “Empresas privadas que coletam, redigem, editam e divulgam informações”.

A questão principal, é que aceitar esse modelo significa aceitar a existência de intermediários, que têm acesso a todas (ou quase todas) as informações; contudo, decide quais, e de que forma, devem ser publicadas.  A informação não chega às mãos do leitores de forma crua, isenta, pura; ela passa por edição, diagramação, cortes e acréscimos.  Os leitores, por sua vez, não têm o menor controle do que desejam e precisam saber; dependem desses “intermediários”.

Derruba-se, dessa forma, a tese do “quarto poder”, e outras mais falsas ainda, como “uma democracia forte necessita de uma imprensa livre”.  Se o cidadão, de fato, precisa ter acesso a todas as informações para formar opinião e decidir, enquanto eleitor, sobre o governo que elegeu, ele não pode depender de intermediários que decidirão o quê ele precisa saber, e quando ele precisa saber.

Os cidadãos, os eleitores, primeiramente precisam ter acesso a meios de comunicação que lhe permitam escolher, no momento mais adequado para eles, quais informações desejam ter acesso.  E os Governos, precisam ser transparentes.

O meio de comunicação mais adequado para essa finalidade, não é outro, senão a internet.

Por meio da internet, você está tendo acesso a esta opinião, emitida por pessoas comuns, iguais a você.  Terá acesso, ainda, a centenas de milhares de outros blogs, sites e portais.  Muitos com informações corretas, muitos com mentiras, muitos com informações erradas, inverídicas.

Aumenta, portanto, sua responsabilidade: é você, e não um intermediário (jornal, empresa jornalística, revista, TV, rádio), que tem que decidir se deve ou não confiar nas informações a que está tendo acesso.  Você, então, obriga-se a cruzar dados, pesquisar em locais diferentes o mesmo assunto, e mesmo consultar sua própria razão, para saber se o que lê lhe parece mesmo razoável.  Descobre, então o que é preciso: criticidade.

A internet, então – ela sim – é um instrumento imprescindível para a democracia.  Desde que, claro, todos os cidadão tenham acesso a ela.  O que ainda está longe de acontecer em nosso país.  Apenas pessoas de um determinado poder aquisitivo têm computadores com internet em sua própria residência.  Outra parcela menor tem acesso à internet no trabalho, na escola ou mesmo em “lan-houses” e tele-centros criados pelo Governo e algumas empresas públicas e privadas. e espalhados pelo país.

Por outro lado, a expansão da internet depende do aumento da infra-estrutura (cabos, fios, redes, antenas) em vários locais distantes do país, locais estes onde o acesso não existe, pelo fato de depender de empresas privadas de comunicação, que não se interessam por desenvolver e disponibilizar a internet em vários lugares.  Alegam, para isso, que essa expansão, em alguns lugares, é inviável (economicamente, é claro).

É por isso que o Governo lançou o PNBL – Plano Nacional de Banda Larga.  Sua intenção é facilitar e garantir o acesso da internet a todas as pessoas do país.  Ao Governo, enquanto promotor da verdadeira democracia, interessa que todos os cidadãos tenham acesso a internet, de forma facilitada.  Onde as empresas privadas não puderem ou não quiserem investir, lá estará uma empresa estatal, para investir e facilitar a chegada da internet.

Somente então poderemos comemorar não a desnecessária liberdade de imprensa, e sim a desejada liberdade de informação.  Garantindo a todos, o acesso a internet.

Apoiamos o PNBL, do Governo Federal.  Que venha, e venha rápido!

Essa matéria tende a ter mais desdobramentos.  Fiquem atentos.

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Links Relacionados:
Blog do Luis Nassif
Wikipédia Brasil