“Há dois modos de subjugar e escravizar uma nação. Um é pela força.  O outro é pelas dívidas.” (John Adams – 1753 – 1826 )

Zeitgeist Addendum aprofunda as idéias apresentadas no primeiro Zeitgeist.  E é nele que conhecemos John Perkins, autor do livro “Confessions of an Economic Hit Man”  (2004) (“Confissões de um assassino econômico”). John Perkins trabalhava como consultor de negócios e foi contratado como agente secreto da National Security Agency (NSA).

Aqui, tomamos a liberdade de citar trecho transcrito do vídeo Zeitgeist Addendum.  Aliás, a transcrição completa está disponível aqui.

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Os grifos (em negrito/vermelho) são nossos, e eles visam a assinalar trechos onde podemos, claramente, encontrar similaridades, paralelos, traçar relações ou analogias com fatos ocorridos no Brasil.

Com vocês, John Perkins:

“Nós, assassinos econômicos, de fato fomos os responsáveis pela criação desse império realmente global. Trabalhamos de muitas maneiras diferentes. Talvez a mais comum seja identificar um país que tem recursos, como petróleo. E em seguida conseguir um empréstimo enorme para esse país através do Banco Mundial ou uma de suas organizações irmãs. Só que o dinheiro nunca vai realmente para o país. Ele acaba indo para as nossas grandes corporações para criar projetos de infra-estrutura nesse país. Usinas de energia, parques industriais, portos… Coisas que beneficiam uns poucos ricos desse país e também as nossas corporações, mas não a maioria das pessoas. Entretanto, essas pessoas, o país inteiro acaba ficando com uma enorme dívida. A dívida é tão grande que eles não conseguem pagá-la, e isso é parte do plano… Eles não podem pagá-la! Então num certo ponto, nós assassinos econômicos, vamos lá e dizemos: “ouça, você perdeu muito dinheiro, não vai conseguir pagar sua dívida, então…” “Venda seu petróleo bem barato para nossas petroleiras” , “deixe-nos construir uma base militar no seu país…” ,  “envie tropas para apoiar uma das nossas, em algum lugar do mundo como o Iraque, ou vote na gente na próxima cúpula da ONU”. Pedem pra privatizar sua companhia elétrica e vender seu sistema de água e esgoto para corporações americanas ou outras corporações multinacionais. Então é uma coisa que só cresce, e é muito típico, esse modo como o FMI e o Banco Mundial operam. Eles colocam um país em uma dívida, aí eles se oferecem para refinanciar a dívida, e feito isso, se cobra mais juros. E eles exigem esse “escambo” que é chamado de condicionalidade ou boa governança, que basicamente significa que eles têm que vender seus recursos , incluindo muitos serviços sociais, suas empresas de serviços básicos, às vezes seus sistemas educacionais, seus sistemas penitenciários… para corporações estrangeiras. Isso é um ganho duplo, triplo, quádruplo!”

IRÃ, 1953

“A introdução do Assassino Econômico, começou mesmo, no começo dos anos 50, quando o Dr. Mohammad Mossadegh, escolhido democraticamente, foi eleito no Irã. Ele era considerado “A esperança da Democracia” no Oriente Médio ou no mundo. Ele foi o Homem do Ano da Revista Time. Porém…  Uma das questões que ele trazia e queria implementar era a ideia de que as petroleiras internacionais deveriam pagar muito mais Ao povo iraniano pelo petroleo que estavam retirando do Irã e de que o povo iraniano deveria se beneficiar de seu próprio petróleo. “Política estranha”? Claro que não gostaríamos disso, mas tivemos medo de fazer o que estávamos fazendo, que era enviar os militares… Em vez disso enviamos um agente da CIA, Kermit Roosevelt, parente de Teddy Roosevelt , e com alguns milhões de dólares, ele mostrou-se muito eficiente e em pouco tempo Mossadegh foi deposto e foi substituído pelo xá do Irã, que sempre foi favorável ao petróleo,  e isso funcionou muito bem. (um noticiário de TV, da época, diz) : ‘Bombas explodem por todo o Irã, um oficial do exército anuncia que Mossadegh se rendeu e seu regime como ditador virtual do Irã acabou. Fotos do xá são exibidas pelas ruas à medida que os sentimentos mudam. O xá é bem-vindo em seu lar.’ Aqui nos EUA, em Washington, as pessoas olharam aquilo e disseram “uau, aquilo foi fácil e barato!” Então se estabeleceu um modo novo de manipular países e criar impérios. O único problema de Kermit é que ele era um agente da CIA identificado e se ele tivesse sido pego, as implicações poderiam ter sido muito sérias. Então naquele momento tomou-se a decisão usar consultores privados para canalizar o dinheiro através do Banco Mundial ou uma das outras agências que treinam pessoas como eu, que trabalham para empresas privadas.  Assim, se fossemos pegos, não haveria conseqüências governamentais.”

GUATEMALA, 1954

“Quando Jacobo Árbenz Guzmán virou presidente da Guatemala, o país estava sob jugo da empresa United Fruit e grandes corporações internacionais e,   Árbenz  abraçava o seguinte discurso: “Queremos devolver a terra para as pessoas”.   E assim que  assumiu o poder ele estava implementando políticas que fariam exatamente isto, devolver o direito à terra ao povo. A United Fruit não gostou muito disso, e então contratou uma empresa de relações públicas para realizar uma grande campanha nos EUA, para convencer o país, o povo, os cidadãos dos EUA, a imprensa e o congresso dos EUA,  de que Árbenz era uma marionete soviética. Se permitissem que ele continuasse no poder, os soviéticos teriam uma brecha neste hemisfério. Naquela época havia um grande temor na cabeça de todos, do terror vermelho comunista… Para encurtar a história, a partir dessa campanha de relações públicas surgiu um comprometimento da parte da CIA e dos militares, de derrubar esse homem.  E de fato conseguimos! Enviamos aviões, enviamos soldados, enviamos chacais, enviamos tudo o que podíamos para derruba-lo. E conseguimos. Assim que ele deixou seu gabinete, o sujeito que o sucedeu basicamente devolveu tudo para as mãos das corporações internacionais, incluindo a United Fruit.”

EQUADOR, 1981

“O Equador, por muitos anos havia sido governado por ditadores a favor dos EUA, normalmente muito violentos. Decidiu-se que haveria uma eleição realmente democrática e Jaime Roldós se candidatou declarando que sua meta como presidente seria garantir que os recursos do país fossem usados para ajudar o povo. E ele venceu com folga, com uma vantagem jamais vista no Equador, e começou a implementar suas políticas para que os lucros do petróleo fossem para ajudar as pessoas. Bem, nós nos EUA não gostamos muito disso. Fui enviado com outros assassinos econômicos  para “dar um jeito” em Roldós, corrompê-lo, cerca-lo,  para dizer a ele: “bem, você sabe, você e sua família podem ficar muito ricos se você jogar nosso jogo, mas se você continuar  com essas políticas, promessas… você vai ter que sair”. Ele não quis nos ouvir. Ele foi assassinado. Assim que o avião em que estava caiu, toda a área foi cercada e as únicas pessoas autorizadas no local foram os militares dos EUA que vieram de uma base próxima dali., e os militares do Equador. Quando começaram uma investigação, duas das testemunhas chave morreram em acidentes de carro antes de dar depoimento.  Aconteceram muitas coisas estranhas em relação ao assassinato de Jaime Roldós. Quem investiga o caso como eu não tem dúvidas de que ele foi assassinado e, claro, na minha posição de assassino econômico eu sempre imaginava que algo aconteceria com Jaime, fosse um golpe ou assassinato, mas ele seria tirado de cena porque, ele não era corrupto, ele não se deixava corromper da forma que queríamos.”

PANAMÁ, 1981

“Omar Torrijos, presidente do Panamá, era um dos meus favoritos, eu realmente o admirava. Ele era um homem que realmente queria ajudar seu país. Quando eu tentava suborná-lo, corrompê-lo, ele dizia: ‘Olha, John – ele me chamava de Juanito – Olha, Juanito, eu não preciso do dinheiro,  o que eu preciso é que o meu país seja tratado com justiça. Preciso que os EUA paguem as dívidas que possuem com meu país, por toda a destruição que vocês causaram aqui. Preciso estar em uma posição onde eu possa ajudar outros países latino-americanos a se tornarem independentes e se libertarem desta presença terrível do norte, com a qual vocês vêm nos explorando tão terrivelmente.  Preciso que o Canal do Panamá esteja de volta às mãos do povo, é disso que eu preciso’. ‘Me deixem em paz, parem de tentar me subornar’.  Isso foi em 1981, e em maio daquele ano Jaime Roldós foi assassinado. Omar sabia muito bem o que era isso, então juntou sua família e disse: ‘provavelmente sou o próximo, mas tudo bem, porque eu fiz o que vim fazer, renegociei o canal, agora ele estará em nossas mãos’. Ele tinha acabado de fazer um acordo com Jimmy Carter. Em junho de 1981, apenas dois meses depois, ele também morreu em um acidente aéreo, que certamente foi realizado por chacais apoiados pela CIA. Há evidências de que um dos agentes entregou ao presidente quando ele embarcava, um pequeno gravador que continha uma bomba.”

VENEZUELA, 2002

É interessante ver como esse sistema continua, e mesmo através dos anos, com a diferença de que os assassinos estão ficando cada vez “melhores”. Temos também o que aconteceu recentemente na Venezuela em 1998, Hugo Chávez foi eleito presidente,  depois de uma longa seqüência de presidentes muito corruptos, que haviam basicamente destruído a economia do país. Chávez foi eleito nessa época. Ele enfrentou os EUA, exigindo que o petróleo venezuelano fosse usado para ajudar ao povo venezuelano. Bom, nõs não gostamos muito disso nos EUA. Então, em 2002,  foi organizado um golpe e para mim e outras pessoas, não há dúvida de que a CIA estava por trás desse golpe em um nível ou outro, e novamente as políticas do governo basicamente são criadas pela CORPORATOCRACIA e apresentadas pelos líderes políticos,  criando uma relação muito profunda. Isso não é uma teoria de conspiração, essas pessoas não se reúnem e ficam tramando. Todos eles trabalham a partir de uma premissa básica, que é a maximização de lucros sem considerar os custos sociais e ambientais. Maximizar lucros, independente do impacto social e ambiental.”

Zeitgeist Addendum retoma a narrativa, e sintetiza:

Esse processo de manipulação corporativa  através de dívidas, corrupção e golpes também é chamado de GLOBALIZAÇÃO. Assim como o Federal Reserve (FED) mantém o povo americano em uma posição de servidão incondicional através de dívidas infinitas, inflação e juros, o Banco Mundial e o FMI cumprem esse papel em nível global. A farsa  é simples: Coloque um país em dívida, seja por sua própria imprudência ou seja pela corrupção do líder desse país. E então imponha “condições” ou “políticas de ajuste estrutural” que frequentemente consistem em:

Desvalorização da moeda: Quando o valor de uma moeda cai, o mesmo vale para tudo avaliado através dela.  Isso torna  os recursos nativos disponíveis para países predadores, por uma parcela de seu valor real. Cortes no financiamento de programas sociais que normalmente incluem Educação e Saúde,  comprometendo o bem-estar e a integridade da sociedade e deixando as pessoas vulneráveis à exploração.

Privatização de empresas públicas: Isso significa que sistemas com importância social podem ser comprados e controlados por corporações estrangeiras que visam lucro. Por exemplo; em 1999 o Banco Mundial insistiu que o governo boliviano vendesse o sistema de água e esgoto da terceira maior cidade, à uma subsidiária da americana Bechtel. Assim que isso aconteceu, as contas de água dos moradores locais já empobrecidos dispararam. Foi só depois de uma intensa revolta popular que o contrato com a Bechtel foi anulado.

E existe também a liberalização do comércio ou a abertura da economia: Isso dá margem a uma série de manifestações de abuso econômico, como; corporações transacionais trazerem seus produtos de fabricação em alta escala, prejudicando a produção nativa e arruinando economias locais. Um exemplo é a Jamaica, que depois de aceitar empréstimos e condições do Banco Mundial, perdeu seus maiores mercados de safras por causa da competição com importados ocidentais. Hoje muitos agricultores estão sem trabalho porque não podem competir com as grandes corporações.

Outra variação é a criação aparentemente desapercebida, de várias exploradoras desumanas e não-fiscalizadas, que se aproveitam das dificuldade vigentes. Além disso, devido à produção descontrolada, a destruição do meio ambiente é contínua, uma vez que os recursos de um país são frequentemente explorados por corporações diferentes, que também emitem enormes quantidades de poluição proposital.

O maior processo em Direito Ambiental da história mundial está ocorrendo em favor de 30 mil pessoas do Equador e da Amazônia,  contra a Texaco, agora propriedade da Chevron, logo, é contra a Chevron, mas sobre atividades realizadas pela Texaco. Estima-se que a quantidade de poluição seja 18 vezes o que o Exxon Valdez depejou na costa do Alasca.   No caso do Equador, não  se tratou de um acidente; As petroleiras agiram de propósito, eles sabiam que estavam fazendo isso para ECONOMIZAR em vez de fazer o escoamento correto.

Indo além, uma rápida observação do histórico de desempenho do Banco Mundial, revela que a instituição que declara publicamente ajudar países e reduzir a miséria, não fez nada além de aumentar a pobreza e as diferenças sociais enquanto os lucros corporativos só sobem. Em 1960, a desigualdade de renda entre o quinto país mais rico e o mais pobre do mundo era de 30 para 1. Em 1998, era de 74 para 1. Enquanto o PIB global cresceu 40% entre 1970 e 1985,  a margem de pessoas na faixa de pobreza cresceu 17%.  Entre 1985 e 2000, o número de pessoas vivendo com menos de um dólar por dia cresceu 18%. Mesmo a Comissão Conjunta de Economia do congresso americano, admitiu que a taxa de sucesso dos projetos do Banco Mundial é de meros 40%.    No fim dos anos 60, o Banco Mundial interveio no Equador, com grandes empréstimos. Nos 30 anos seguintes a pobreza cresceu de 50% para 70%.  O desemprego foi de 15% para 70%.  A dívida pública saltou de 240 milhões para 16 bilhões, enquanto a parcela de recursos destinados aos pobres caiu de 20% para 6%.

Em 2000, 50% do orçamento nacional do Equador estavam  sendo alocados para pagamento de dívidas.

É importante entendermos que o Banco Mundial é na verdade um banco americano, atendendo a interesses americanos, pois os EUA têm poder de veto sobre as decisões, já que é o maior fornecedor de capital. E de onde eles tiram esse dinheiro? Acertou: Ele foi criado do nada pelo sistema bancário de reservas fracionadas.

Das 100 maiores economias do mundo, com base no PIB, 51 são corporações, das quais 47 ficam nos EUA.  A Wal-Mart, a General Motors e a Exxon têm mais poder econômico que a Arábia saudita, a Polônia, a Noruega, a África do Sul, a Finlândia, Indonésia e muitos outros.    E à medida que as barreiras comerciais são quebradas, moedas são unificadas e manipuladas nos mercados de especulação, e as economias dos governos. Poucos têm sido capazes de controlar ao “ajustes estruturais” e “condições” do Banco Mundial, ou do FMI, ou das decisões da Organização Mundial do Comércio, que mesmo inadequados determinam o significado de globalização econômica… O poder da globalização é tão grande que durante nossas vidas provavelmente veremos a integração, mesmo que desigual, de todas as economias nacionais do mundo, num único sistema de mercado livre global.   O mundo está sendo dominado por um punhado de negócios poderosos que controlam os RECURSOS NATURAIS que precisamos para viver, enquanto controla o dinheiro que precisamos para obtê-los.  O resultado final será um monopólio mundial, baseado não na vida humana,  mas em poder corporativo e financeiro. Conforme a desigualdade cresce, claro, mais e mais pessoas se desesperam. Então o sistema foi forçado a criar um novo modo de lidar com quem desafia este sistema. Assim nasceu o “TERRORISTA”.

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