A partir do editorial de Luiz Carlos Azenha, no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui, e está em recuo.  Os grifos são nossos, bem como os comentários, em amarelo e sem recuo.

Um dos motivos pelos quais os comentaristas da grande mídia brasileira podem se esborrachar nesta temporada eleitoral resulta do fato de que, ao longo dos últimos meses — para não falar desde 2002 — eles se negam a estabelecer uma relação de causa e efeito na economia brasileira. Alguns, por conveniência ideológica. Outros, por preconceito de classe.

O pressuposto deles é de que o governo Lula seria um desastre econômico. Quando não foi, passaram a adotar três explicações, adequadas à ojeriza despertada pela presença do metalúrgico no Planalto: 1) Lula apenas administrou as virtudes de Fernando Henrique Cardoso; 2) Lula deu certo por não fazer nada; 3) Lula deu sorte e foi ajudado pelo cenário internacional favorável. Eis que uma crise financeira internacional pipocou no meio do caminho, o Brasil sofreu menos que outros países com ela, saiu antes da recessão e crescerá em 2010 numa taxa considerável.

O leitor se recorda o quanto a imprensa, usando e abusando das aspas, ironizou a “marolinha”, expressão do Lula sobre o que seria a crise financeira mundial no Brasil?

E não é que foi uma marolinha mesmo?

Prossigamos.

Ainda assim, a negação de que o governo Lula possa ter alguma virtude ainda impera. A cobertura jornalística exprime isso. O crescimento é um “dado”, como se fosse resultado de alguma intervenção divina. O fato é que a população, sim, faz relação entre o governo e o crescimento. E é daí que nasce um imenso golfo entre a opinião dos jornais — para os quais foi “sorte” — e a realidade eleitoral.

Finalmente, há a questão do público a que se destinam as principais publicações brasileiras. Os jornalistas miram apenas nos que podem pagar pelos jornais e fazem uma apreensão não contextualizada da realidade.  O Valor, por exemplo, na reportagem que reproduzo abaixo, trata dos “problemas” dos empresários com a falta de material de construção, mas não explica o que está na outra ponta: são os imóveis populares, as reformas, os puxadinhos, os condomínios de classe média, a expansão imobiliária no Nordeste?  Se o jornal tivesse feito isso teria prestado não só um serviço aos leitores, talvez tivesse conseguido estabelecer uma relação entre a fantasia dos colunistas e a realidade dos eleitores.

Fornecimento de material de construção já preocupa

Falta de mão de obra limita capacidade de expansão do setor

Daniela D’Ambrosio, Murillo Camaroto, Sergio Bueno e Paola Moura – Valor Econômico – 13/08/2010

Além da dificuldade em encontrar mão de obra treinada, as construtoras enfrentam agora a escassez na oferta de materiais, também provocada pelo ritmo intenso de atividades do setor. Fornecedores de produtos básicos e de materiais de acabamento estão operando a plena capacidade. As construtoras dizem que os casos de falta de produtos são exceções, mas já são comuns os relatos de atraso em entregas e o aumento dos preços é visto como um entrave. As maiores dificuldades parecem estar no fornecimento de tijolos, mas cimento, ferro, concreto e cerâmica também foram apontados como problemáticos.

Memória: foi há 7 anos, em 2003, que a imprensa ironizou a afirmação de Lula sobre o “espetáculo do crescimento” – assim mesmo, entre aspas, como é típico da imprensa manipuladora.  Você pode perceber isso neste artigo da Folha de São Paulo.  A reportagem ainda diz que “Lula se utilizou de suas tradicionais metáforas para pedir paciência para os resultados das últimas medidas. Ele mencionou novamente que ‘um pé de feijão leva 90 dias para nascer e um filho durante os nove meses de gestação’ “.

Apesar da ironia do folhetim… dito e feito: hoje estamos colhendo feijões! Lula de fato foi eficaz ao preparar o país para o crescimento.  Como se diz popularmente: dando uma no cravo, outra na ferradura.  Por exemplo: de 1909 a 2002,  ultimo ano do mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foram construídas 140 escolas técnicas no país.  Todavia, desde que Lula assumiu o poder, em 2002, até nossos dias, foram construídas mais de 200 Escolas Técnicas, totalizando cerca de 360 em todo país.  Em outras palavras: o governo Lula criou sozinho mais Escolas Técnicas do que todos os outros presidentes da história do Brasil juntos!

Mesmo assim, sabemos que esse numero ainda é insuficiente, haja vista a escassez de mão de obra qualificada em alguns setores – principalmente na construção civil, como pudemos ver acima.  Isso vale uma moção de desagravo – poderia ser pior, se Lula nada tivesse feito -, mas, também, uma crítica: de fato, é preciso avançar mais.  Todavia, nunca sob a batuta do PSDB, que não fez quando pôde, e não é agora que faria – por mais que seu candidato tente, inutilmente, convencer-nos do contrário.  Essa, sim, é a percepção popular.  É isso o que se ouve nos trens, no trabalho, nos pontos de ônibus, nas rodas de bar.  Também é disso que fala o Azenha, quando nos explica sobre o distanciamento da realidade de que sofre a mídia.  Dissemos isso antes: eles falam de si para si, conversam com o próprio umbigo.  A única diferença em relação a nós, é que gritam – por isso são escutados (e não mais ouvidos).  De qualquer forma, eles têm esse direito: são os 4% de insatisfeitos com o Governo Lula.  Azar o nosso que sejam donos da mídia e concentrem boa parte da renda.  Mas isso também levará pouco tempo, pois a renda já começou a ser redistribuída (felizmente para nós, povo).

Construtoras de todos os portes e das mais distintas regiões do país são unânimes: a escassez de mão de obra é o grande gargalo enfrentado pela construção civil atualmente. A falta de empregados preparados para erguer as obras, a concorrência com projetos de infraestrutura e a pressão da contratação nos custos já começa a afetar os resultados das companhias e a obrigá-las a revisar suas estratégias. A saída vai desde aumentar o uso de tecnologias industrializadas na construção a elevar o preço do imóvel, “importar” trabalhadores de outros Estados e até o uso de mão de obra alternativa, como a de presidiárias em regime semi aberto. O problema já causa atrasos de cerca de três meses nas entregas.

Que prazer que dá imaginar um trabalhador voltando para sua terra, no Nordeste, reencontrando sua família, justamente porque dezenas de empreiteiras na região precisam desesperadamente, de mão-de-obra!  Ele, justamente ele, que de lá saiu, fugindo da sêca e da completa ausência de oportunidades e de atenção do Estado!  Mas que ninguém leia nossas palavras com preconceito (algo do tipo “já vão tarde”).  É inestimável o valor do nordestino, bem como de todo o nosso povo, na região em que se estabelece – qualquer que seja ela.  Mas é muito justo que eles não precisem deslocar-se para ter direito a um mínimo de dignidade e à atenção do Estado.  Esse processo, continuadamente, irá contribuir para a desconcentração da renda, visto que o trabalhador, em sua terra natal, também é fonte de riqueza para seu município de origem, engordando o PIB per capita da região.

E é, de novo, muito feliz o resultado dessa escassez de mão-de-obra, no sentido de gerar oportunidades para  a polulação carcerária brasileira.  O Conselho Nacional de Justiça empreendeu recentemente uma campanha nos rádios e redes de TV no qual pretende estimular a contratação de presidiários, dando novas oportunidades a quem sai das prisões e precisa recomeçar a vida.   Mas sabemos o quão difícil deve ser para o preconceito das pessoas, assoladas por esse capitalismo atroz, esse egoísmo, esse individualismo estúpido,  dar nova oportunidade a  quem errou e precisa de uma chance de reintegração à sociedade.  Claro que sabemos, também, que cada caso é um caso.  De qualquer forma, no fim das contas, mais uma vez… ponto para Lula, que entendeu perfeitamente que o papel do Estado não era o de mero coadjuvante dos mercados, e sim um indutor do processo de crescimento.  O Mercado nada sabe, o mercado é uma entidade ao sabor dos ventos do lucro.  Uma hidra.  É ao Estado, esse ente a quem nós outorgamos nosso poder, que deve cuidar de nós.  Lula foi lá, no Planalto, lembrar aqueles que estavam no poder, dessa realidade, dessa verdade – até, então, apenas ideal, mas que hoje é realidade.

Entre janeiro e junho, a construção civil gerou 230 mil novos empregos no país – quase o triplo do mesmo período do ano passado, quando foram abertas 79,4 mil novas vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Nos últimos cinco anos, a construção civil, sozinha, foi responsável por 40% das novas contratações no país. “A pressão existe, é numérica e é fato”, afirma Luis Largman, diretor financeiro e de de relações com investidores da Cyrela.

Bom, depois dessa, ainda somos obrigados a aturar José Serra, ajudado por seus assessores e por uma pá de matérias, artigos e reportagens do PIG (Partido da Imprensa Golpista – será que alguém não conhece?) gritando, por exemplo, que “Dilma está maquiando os números”, “as obras do PAC estão paradas”, “o país não está investindo”, etecetera! Ainda bem que, como dizia o seriado Arquivo X, a verdade está la fora, e ela grita e brilha aos nossos olhos. É como diz um pensador: a verdade não tem álibis.  Ela aparece, de um jeito ou de outro, se impõe e permanece.  Simples assim.

A Cyrela foi a primeira – e única até momento – a divulgar o impacto do aumento dos custos nos resultados. Ela reviu os custos em 244 empreendimentos, mais de 90% do que tem em construção e lançamento. Houve um aumento de 2,2% acima do INCC no segundo trimestre. A margem bruta teve queda de 3 pontos percentuais, para 32,6%.

Só no período, de acordo com a Cyrela, a mão de obra aumentou 11% na média. Segundo Largman, os empregados especializados passaram a cobrar mais. “Estamos pagando mais caro por uma mão de obra menos qualificada e produtiva.” A empresa elevou o preço dos lançamentos em 20% para compensar os custos maiores. Mas demora algum tempo para que o balanço capture esse aumento. Para contornar o problema, a Cyrela investe em treinamento e testa métodos construtivos alternativos, mas são soluções de médio e longo prazo. “Por isso, os preços não vão parar de subir.”

“Estamos pagando mais caro por uma mão de obra menos qualificada e produtiva.” O leitor precisa entender o que está por trás dessa afirmação.  O Governo Lula vem batendo recorde atrás de recorde na geração de empregos.  Especialistas determinaram recentemente que, se a curva de geração de empregos continuar ascendente do jeito que está, em alguns meses, teremos a situação inversa: o desemprego negativo, ou o pleno emprego.  Mais exatamente, Luiz Mendonça de Barros, e justamente na Folha de São Paulo, em artigo publicado em 16/04/2010.  De novo, a Elite falando para a Elite:

“A maior parte da oferta na economia brasileira é constituída por bens e serviços que não podem ser importados. O mais importante deles é o mercado de trabalho e nele é que está a componente mais ameaçadora que vejo para a frente. […] Poderemos chegar ao fim deste ano com uma taxa de desemprego da ordem de 6%, mantido o crescimento atual da geração de postos de trabalho. Em março, o número de empregos formais aumentou em 266 mil, número muito forte para o mês.

[…] A pressão sobre os salários desse segmento dos trabalhadores já está ocorrendo e deve se acelerar. […] São evidências de instabilidade grave. Dou um exemplo: a produção de caminhões da Mercedes-Benz brasileira em março foi o dobro da matriz na Alemanha. Mesmo com a crise na Alemanha esse número é um aleijão para mim.”

E Artur Araújo, na Carta Maior (em 28/04/2010), analisou:

“Trocando em miúdos: crescer rápido é um “problema”, porque pode gerar aumentos salariais para os trabalhadores e reduzir a taxa corrente de lucros. A ótica do imediatismo salta aos olhos; nem mesmo de relance, o articulista se refere a um ciclo virtuoso, em que o crescimento real da massa salarial implica ampliação da demanda efetiva, cria as condições para expansão da capacidade produtiva (e da formação de mão-de-obra) e para a expansão da própria acumulação de capital, pelo crescimento do volume produzido e realizado.

O seu negócio é o aqui e agora, é o lucro já; e o futuro, provavelmente, nem a Deus pertence. O espantalho que agita é o da inflação de demanda, que se recusa a atacar pela via do choque de oferta, do mercado interno de massas e da expansão das exportações de maior valor agregado. Sua panacéia é o aumento dos juros.

(…)

O FMI, que não é daqui, ecoa a lógica de Mendonça. Seu mais recente relatório, diz a FSP em manchete, “vê economia brasileira ‘no limite’”. Forçado pelos fatos a revisar – para cima – sua estimativa de crescimento da economia do Brasil, o Fundo “aponta demanda ‘em estágio avançado’ e espera medidas para desacelerar crescimento de 5,5% neste ano para 4,1% em 2011.” Tanta coincidência, até nas palavras, é sintoma de um alinhamento automático, de um modo de ver e conduzir o país.

O PSDB de hoje, por vezes até mais que os “demos”, olha a economia e o Brasil com esse viés. O que o orienta é o mundo internacional das finanças e a propensão a pensar em pedaços, em satisfazer-se com políticas que incluem só um terço dos brasileiros – os mais ricos – e só uma parte de nosso território – o sul-sudeste. É a turma dos 30%.

Expansão de consumo, crescimento de salários, ampliação da produção, desenvolvimento da infraestrutura, inclusão e capacitação das pessoas, todos esses são temas ausentes de suas formulações – ou vistos como “aleijões”. Aumento continuado e real do salário mínimo, instituição de pisos salariais nacionais, redução de jornada de trabalho, diminuição de desemprego, PAC, PROUNI, são pautas que os levam à beira do pânico. Tudo que seja para todos é risco, não oportunidade.

Esse alinhamento automático pode ser percebido também e principalmente no candidato José Serra (clique aqui para entender).  E sobre o FMI, não há muito o que dizer: leia aqui sobre os Assassinos Econômicos, e você entenderá o alcance dessa instituição, seu modus operandi e a quem ela serve.

Resumindo tudo em outras palavras: o desemprego favorece os donos do capital, não os trabalhadores.  Não estamos aqui nos pronunciando contra as centenas e milhares de empresarios do país, que são responsáveis pela massa de empregos gerados no país; mas sim, e especialmente, contra os donos do capital meramente especulativo, para quem somos números.  Ou dos que favorecem as políticas imperialistas americanas, com sua corporatocracia cruel.  E, de forma geral, falamos dos 4% de insatisfeitos com o Governo Lula, que têm uma mentalidade tosca a ponto de preferir frear o crescimento do país em prol de seus lucros, mesmo que isso favoreça outras nações.  Falaremos disso mais adiante.

O uso de tecnologias construtivas que reduzem o uso intensivo de mão de obra é uma saída adotada por boa parte das empresas de grande porte, como Rossi, Direcional e Gafisa. Enquanto na construção civil convencional o trabalho é mais artesanal e exige o emprego de profissionais especializados, como carpinteiros, no sistema industrial o processo é de montagem, como em uma fábrica. O uso dos chamados serventes – profissionais com pouca experiência e que nesse caso são chamados de montadores – passa de 40% em uma obra tradicional para até 85% no sistema de construção industrializada. “O sistema garante uma economia de custos importante”, diz Cásio Audi, diretor financeiro da Rossi, que investe em fábricas de casas com paredes pré-moldadas.

A questão é mais grave em determinadas regiões. A escassez de mão de obra treinada é grande no Nordeste, mas há um agravante na Bahia. Terceiro maior empregador do setor durante o primeiro semestre, o Estado não dispõe sequer de instrutores para os cursos de qualificação. No início do próximo mês, o Sinduscon local começa uma verdadeira caça ao tesouro nos canteiros de obras de Salvador, na busca de profissionais que reúnam características mínimas para dar treinamento.

O Nordeste teve o melhor desempenho em contratações no primeiro semestre – alta de 588% em relação ao mesmo período de 2009. “A questão por aqui está muito difícil. Essa velocidade de crescimento prejudicou a qualificação da mão de obra. Temos um problema sério de produtividade em nossos canteiros”, queixa-se o presidente do Sinduscon baiano, Carlos Alberto Vieira Lima. Segundo ele, os gargalos estão gerando aumento de custos e atrasos nas entregas de imóveis no Estado.

No Ceará, onde o emprego na construção subiu 770% em comparação ao primeiro semestre de 2009, a situação não é diferente. De acordo com o presidente do Sinduscon local, Alberto Sérgio Ferreira, há dificuldade em se encontrar mestres de obras, carpinteiros e ferreiros. “Não tem ninguém desempregado e isso fica inflacionando o mercado. Fica um tomando do outro. É guerra.”

Quem, afinal, em sã consciência, consegue esquecer do desemprego e da luta que era encontrar e manter um bom emprego, por alguns meses, na era FHC?  Que o trabalhador comum possa entender: atacam o Governo Lula especialmente nesse particular, porque ele gera mais empregos.  Como vimos isso põe os trabalhadores em situações de vantagem: o capital dependendo do trabalho.  Na verdade, essas duas forças nem precisam ser tão antagônicas assim.  É a lógica especuladora do capital que quer essa luta.  Referimo-nos ao capital sem pátria, volátil, especulativo.  Das corporações americanas, por exemplo.  Interessa a eles um Brasil eternamente no terceiro mundo, com farta mão-de-obra barata, com milhões de trabalhadores desempregados lutando por vagas cuja remuneração é estabelecida a seu bel-prazer, dado o desespero por emprego.  Explicamos; é só acompanhar o exemplo a seguir:

Brasil de ontem: João, dono de uma empreiteira, tem uma vaga de secretária, e quer pagar o menor salário possivel.  Fácil: anuncia num jornal, 100 candidatas aparecem. 70% delas não têm a qualificação necessária, (pois não têm renda para seu sustento, que dirá para sua qualificação), e ele pode enfileirar todas as 30 restantes oferecendo, entrevista a entrevista, um salário menor.  Diante da oferta, a candidata da vez sabe: sua recusa pode representar a chance para as outras da fila.  Pressionada por essa situação, e por sua necessidade de sustento, ela aceita. (Nota: o leitor já passou por isso, não? Nós também!)

Brasil de hoje: João anuncia num jornal, e ninguém aparece.  Melhor dizendo: aparecem 5 candidatas.  Dessas, 3 estão empregadas e estão apenas procurando uma oportunidade melhor, e elas levantam-se alguns minutos após o início da entrevista, logo que têm chance.  Agradecem e explicam que “a vaga não atende ao perfil da oportunidade esperada” (doce vingança!), despedindo-se educadamente.  Restam 2 candidatas: a primeira delas espera ser chamada em breve para um dos 3 concursos públicos que participou, e João resolve não arriscar, ficando com a última: Marta, que está recebendo a última parcela do Seguro Desemprego, por opção, e tem a qualificação necessária – Graças a Deus!  Mas explica que precisa ganhar, no mínimo, 3 vezes mais do que João ofereceu.  Não há alternativa: João aceita!!  E vai tratar a nova funcionária muito bem, pois Augusto, da empresa de Advocacia que ocupa a sala próxima à sua, também está reclamando que não consegue arrumar uma secretária.  O João não teria ninguém para indicar?

Se o leitor é empresário, dependendo de seu segmento, logo reconhecerá essa situação; ela tem sido cada vez mais frequente.  Temos ouvido e lido várias experiências do tipo.  Mas não é o fim do mundo, empresários: é apenas o início de um novo paradigma – a parceria do Capital com o Trabalho,  do dinheiro com o talento.  Veremos  isso mais adiante.

Perdão pela longa disgressão; voltemos ao texto.

No Rio Grande do Sul, a disputa por profissionais começou a apertar há cerca de um ano e desde então o setor busca alternativas, desde a “importação” de trabalhadores até a recente assinatura de um convênio com o governo estadual para recrutamento de presos que cumprem pena no regime semiaberto.

Há dois meses, o Sinduscon gaúcho fechou parceria com o governo do Estado para a contratação de presos que cumprem pena em regime semiaberto. Segundo a diretora de tratamento penal da Superintendência de Serviços Penitenciários do Estado (Susepe), Tatiana La Bella, a primeira turma, de 12 mulheres, deve se formar em setembro. Até o fim do ano serão treinadas mais 600 pessoas que hoje estão recolhidas em 19 presídios. Os salários serão iguais aos pagos aos demais trabalhadores, mas as empresas não vão arcar com encargos sociais, conforme prevê a lei de execuções penais.

Segundo o presidente do Sinduscon-RS, Paulo Garcia, seis mil unidades habitacionais devem ser lançadas em 2010 só em Porto Alegre, o dobro do registrado até 2006, e esse crescimento pode gerar atrasos nas entregas de obras iniciadas há dois ou três anos. “São construções que começaram sob cenário diferente.”

“Ainda não tivemos a necessidade de ajustar cronogramas, mas atrasos podem ocorrer”, admite Marcelo Carraro, gerente-regional da Goldfarb, que até setembro inicia a construção de duas mil unidades habitacionais na região metropolitana. Para reduzir os riscos (as casas e apartamentos devem ser entregues no fim de 2012), a empresa contrata construtoras locais e trabalha com painéis de alvenaria moldados nos canteiros de obras, o que reduz a necessidade de mão de obra e o desperdício de materiais, explica o executivo.

Para Marcelo Moacyr, diretor da Bairro Novo, em várias cidades onde a empresa está trabalhando há outros empresas que atraem mais ou competem com a construção. “Em Camaçari, por exemplo, o trabalhador é absorvido pela indústria do polo”, conta. Até em Porto Velho, a própria Odebrecht está competindo com sua subsidiária. “A usina tira mão de obra da construção.”

“Mesmo assim, o novo trabalhador leva tempo para ganhar produtividade, aumentando o custo.” Carraro diz que importar mão de obra chega a dobrar o custo, porque a empresa fica tem de fornecer alojamento e arcar com as despesas de alimentação e transporte. “Mas já houve casos, como em Blumenau, que trouxemos do Maranhão.”

O diretor de operação da João Fortes, Wagner Lofare, diz que mesmo o trabalhador que recebe treinamento acaba trocando muito de emprego em busca de um salário maior e é necessário treinar outro. “Não há comprometimento.”

“Não há comprometimento”.  Lofare uma essa interessante expressão, que define o que poderá ser, em breve, uma nova meta do empresariado brasileiro: gerar no empregado a sensação de pertencimento, de parceria, consequentemente, visando obter o comprometimento.  Estamos falando de um novo tempo, de novas práticas.  Mais benefícios?  Participação nos Lucros e Resultados?  Estrutura hierárquica horizontal?  Plano de Cargos e Salários?

Sonho?  Estamos sonhando  Não!  As empresas brasileiras já estão de readequando.  O Capital tanto pode fazer as pazes com o Trabalho… que já fez!!  Tais práticas, antes exclusivas de grandes empresas, já começaram a fazer parte do rol de medidas de médias e pequenas empresas no país, dada a necessidade de reter talentos.

Conclusão: o Povo já percebeu que Lula, Dilma e o PT foram/vão (Graças a Deus) na contramão de FHC, Serra e o PSDB.  Isso, sem necessidade de tantas palavras quanto a que empregamos aqui; o Povo não precisa delas; Ele percebe isso nos seu dia-a-dia, na esperança, no Novo Brasil que já temos presente em nossas vidas.  Nas vidas de todos nós.

Bom, de quase todos – só 96% do país.  A conclusão do artigo de Artur Araújo, na Carta Maior, é mais expressivo do que pretendemos ser:

“Ainda que se dê a José Serra o benefício da dúvida, do quanto ainda preserva de seu suposto desenvolvimentismo, não é despropositado indagar como ele “resistiria” à pressão combinada do tucanato econômico, do udenismo paralisante e elitista e da banca mundial, falando pela boca do FMI. A experiência FHC não traz muitas esperanças quanto a isso. Um jornalista arguto qualificaria a pergunta que abre este texto e questionaria o que o candidato fará com a turma dos 30%, aqueles que, há décadas, estiveram do seu lado e sempre quiseram que o Brasil pudesse menos.”

Paralelo XIV

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