Um dos trabalhos sujos que a mídia faz é o de contribuir para a ampliação da sensação de impotência  de um povo.  Sinalizando subliminarmente através da divulgação de escândalos, corrupção, desvio de recursos públicos, violência, degradação moral e problemas sociais de forma geral, o cidadão, seu refém, que a ela (mídia) recorre para se manter informado, ao término do telejornal conclui, diariamente, que o mundo está perdido, o Brasil não tem jeito, e não vale a pena se preocupar, não vale a pena se importar, nada posso fazer.

Nada tão distante da verdade.

Prezado leitor: essa sensação experimentada por todos nós, é proposital!  Mas entenda: não estamos aqui dizendo que tudo que exista de mal deva ser ocultado; não se trata disso.  Se trata, primeiramente, de entender que a liberdade de imprensa tão pretendida, na verdade, é a liberdade de empresa – ou seja, da empresa de comunicação concessionária, que decide, ao seu bel prazer, filtrar a informação a que tem acesso e mostrá-la – ou não – a seus telespectadores/leitores/ouvintes.  Ao fazê-lo, atua de forma seletiva e subliminar.  Uma empresa concessionária de um serviço público tem, no mínimo, o dever de informar e o de entreter – e não o direito de manipular.

Infelizmente, na maioria dos casos, Liberdade de Imprensa não representa Liberdade de Informação!

O principal problema não é o que se diz, e sim o que não se explicita – o não dito, a linguagem não verbal, que induz  à conclusões estudadas.  Em nenhum momento você ouvirá uma rede de televisão dizer, com todas as palavras: gente, o mundo está perdido; não vale a pena se meter.  Isso – e muito mais – é dito sem palavras, começando com a escolha das notícias e a forma como elas são apresentadas.

Estendendo o exemplo, vemos que na mídia impressa – e, no caso em questão, na “mídia virtual” – um dos velhos truques utilizados é a disparidade entre a manchete – seja de capa, ou não – e o conteúdo imediatamente associado.  Nascida no seio dos jornais impressos – quando ainda não havia internet – as manchetes funcionam como a mensagem que um veículo de imprensa deseja expressar.  É um resumo, e são vistas pelos leitores como uma síntese do que está acontecendo de mais importante no dia.  E são percebidas como a imprensa – não como O Globo, Zero Hora ou Notícias Populares.

Uma das funções primordiais das manchetes são o de atrair o leitor para a aquisição do impresso (seja jornal ou revista).  Faz parte da chamada de capa, também, as fotos – e, em tempos recentes, infográficos e ilustrações.  É uma forma – quando mal utilizada – ainda mais perniciosa de passar informação, pois o que se vê atua de forma diferente do que se lê.  As imagens atuam como símbolos, arquétipos, se fixando no fundo de nossas mentes.  Não se diz que uma imagem vale mais do que mil palavras?  Vale, sim, estimado leitor, porque as imagens são emblemáticas; elas falam e significam coisas, por si só.  Não é a toa que se faz faculdade de jornalismo  – que inclui o fotojornalismo.  As notícias são coroadas por fotos memoráveis, escolhidas a dedo, que transmitem a mensagem que se deseja.  Não é a toa, por exemplo, que nunca se vê a imagem do candidato José Serra nos jornais, com o dedo no nariz – uma das suas atitudes mais estranhas e mais comuns.  Procure na internet, prezado leitor, e a encontrará em blogs, somente.  A grande mídia, que o defende, não deseja mostrar essa face.  É o filtro, estúpido!

Pois bem: quantas vezes não vemos uma manchete de capa apontando um fato grave, importante ou apenas interessante para, minutos depois, decepcionar-nos com o conteúdo, após a compra do jornal, descobrindo que a notícia não era exatamente aquela que se alardeava?

Como por exemplo numa manchete um pouco mais antiga, da época da chamada crise nos aeroportos, dada em uma publicação dedicada a concursos públicos: “Vagas para controladores de vôo – contratação imediata”.  Alguns reais depois, descobre-se que é necessário inscrever-se em um concurso público para a Força Aérea – concurso esse, cuja inscrição estava apenas prevista, a julgar pela dezena de anúncios de apostilas e cursinhos intensivos que tomavam a parte inferior da página.

Dando um fictício (?) exemplo, funciona da mesma forma, quando uma manchete alardeia: “Petrobrás opera com várias plataformas enferrujadas”.  Ao lado, a foto de uma estrutura caindo aos pedaços, sobre o mar.  O leitor passante – aquele que não vai comprar o jornal, só lerá a manchete e, se estiver na internet, não clicará sobre ela para ler o corpo da matéria -, já recebeu a mensagem que o dono do jornal quer passar (sim, o dono: é ele quem decide a linha seguida pela pauta!).  Dessa maneira, várias mensagens espoucam na mente dos leitores, de forma não verbal – ou seja, são percepções que ficam gravadas no nosso subconsciente através da associação da manchete e das imagens: O Governo é ineficiente; a Petrobrás é mal-administrada; meu Deus, eles operam com esse material podre?  Isso não existe nas empresas privadas; Poxa, que chato, nada muda; Ainda bem que existe esse jornal, que me conta a verdade…

Comprando o jornal e lendo a matéria, nota-se, com algum esforço e prática, o filtro atuando: um sindicato fez a denúncia (não foram informações apuradas diretamente), e a quantidade de plataformas que justifica o termo várias da reportagem são… duas! (entre, quem sabe, oitenta plataformas!).   Contudo, a reportagem omite que ambas encontram-se… desativadas!!

São esses pequenos truques de quem considera que tem o direito e o dever (sim, eles pensam assim) de intermediar e filtrar a informação a que temos acesso.  Sim, repetimos – eles pensam assim.  Inclusive estão incomodados com a idéia do Estado – esse ente a quem outorgamos o nosso poder – falar diretamente a nós, cidadãos, sem intermediação.  Pretendem eles atuar como intermediários do que deve ser a expressão do poder popular?

Não prezado leitor; não pretendem.  O fazem, há séculos. Mas agora gritam e esperneiam, porque a Petrobrás, o Palácio do Planalto, nós e você, leitor, temos blogs.  Afinal, quem precisa da imprensa?  Mais especificamente, desse tipo de imprensa, que ofende nossa inteligência?  Para quê?  Apenas para nos manipular?

Que todos possamos, através da internet, reaprender e exercitar a capacidade de pesquisa, de filtro, de garimpar a verdade através do cruzamento de múltiplas referências.  Isso feito, poderemos tirar nossas próprias conclusões – e não as conclusões que querem que tiremos!

Por fim, saiba, estimado leitor: vale a penas se importar, sim.  Vale a pena não só sonhar, mas lutar para ver o sonho realizado.  Foi com uma pequena mudança de direção que o nosso amado Brasil chegou onde chegou, e temos tudo para não apenas prosseguir no mesmo caminho, mas como ajudar a corrigir sua rota, através da democracia representativa e das informações transparentes, por meio da rede, que o governo Lula nos apresenta, e que certamente será continuado através de um eventual – mas cada vez mais provável, obrigado – governo Dilma.

As perspectivas para nosso futuro são fantásticas.  Com cada vez mais pessoas conectadas à internet, o comércio eletrônico irá certamente explodir, gerando mais e mais empregos.  As informações deverão circular livremente, e teremos muito trabalho ao instruir os recém chegados.  Os cidadãos deverão ter o hábito de pesquisar e fiscalizar, eles mesmos, as ações de seus governos, em cada uma das esferas (Federal, Estadual, Municipal), e acompanhar seus representantes.  Uma previsão mais que óbvia: haverá um boom na área de logística.  É melhor nos prepararmos, todos nós.

É o sonho brasileiro, tão longamente atrasado por interesses escusos, que bate à sua porta!  E ele é feito por nós – todos nós, sem excluir ninguém, sem deixar ninguém para trás! O estimado leitor é chamado à ação: tente! Se interesse! Se informe – e informe!  Diga alô para o mundo, compartilhe, dialogue, pergunte – e pergunte de novo, se necessário -, entenda, explique.

Vale a pena!

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