Category: Brasil


Do Óleo do Diabo, indicado pelo Vi o Mundo.

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O texto original, como de praxe, aparece destacado por recuo.  Os grifos (em negrito) e os comentários (em alinhamento normal, sem recuo) são nossos.

Lula: O carnaval e não a guerra

Por Juan Luis Cebrián

“Tem que mudar a ONU. Se continuar assim não servirá ao governança mundial.”

Lula, em seu gabinete, em entrevista ao jornal estrangeiro "El País": o mal que o PIG faz ao país, nos afastando do saudoso 'jornalismo de verdade', com críticas pertinentes e visão equilibrada.

“Prefiro carnaval à guerra.” Pousa sua mão de operário sobre meu joelho, num gesto de cumplicidade, de camaradagem, de evidente franqueza, porque essa é a sua força e a sua convicção, a de comportar-se como é, como verdadeiramente lhe vêem os brasileiros, “sou um deles, um como eles”, vem de onde eles vêm, fala como eles falam, “não sou um estranho no ninho”, e até chegar ao poder se vestiu como eles se vestem, “ainda que trabalhei durante vinte e sete anos com um macacão, nunca me senti à vontade; com dois meses de gravata não tive dificuldade em acostumar-me a ela, é um belo adereço”. Me vêm à mente a reflexão de Sancho Panza sobre como será seu reinado sobre uma ilha, “vistam-me como quiserem, que de qualquer maneira que esteja vestido serei Sancho Panza” porque a batina não faz o cura, e Lula é Lula qualquer que seja seu traje, “me comunicaram que teria de ir de fraque ao jantar no palácio com o rei da Espanha, mandei dizer a Juan Carlos que eu não usava isso e aqui no Brasil muitos me criticaram, que falta de elegância!, de capacidade de exercer a presidência!, até que o rei me chamou, venha como queira, de terno e gravata, porque não quero ser visto como um estranho em meu povo, o que acontece é que a liturgia do poder está toda preparada para te distanciar do povo, quando és candidato caminha ao ar livre, cumprimentando as pessoas, mas uma vez que chega a presidente te botam num carro blindado e nunca mais vês o rosto dos cidadãos”.

Me pergunto a que se parecem mais as greves, se a guerras ou a carnavais. Luiz Inácio Lula da Silva estreou sua carreira política em mobilizações populares, na agitação das ruas e na luta nas portas de fábrica em defesa dos direitos dos trabalhadores. Quase um milhão e meio de operários foram a greve, liderados por ele, durante o ano de 1979, e a partir dessa data este corajoso dirigente sindical empreendeu uma carreira política cheia de altos e baixos que o levariam, um quarto de século depois, à presidência da república. “É notável que nem eu nem o meu vicepresidente, um empresário de êxito, tenhamos diploma universitário”, assinala com certo tom de orgulho que irrita a oposição pela ambigüidade que essa mensagem pode representar em um país em que a educação é uma meta fundamental do governo e empenho necessário para acabar com as desigualdades e a pobreza. Mas o que ele deseja transmitir é que a democracia funciona no Brasil, que não os méritos profissionais, acadêmicos ou de qualquer outro gênero, e sim a vontade dos eleitores o que é decisivo para chegar ao poder. Um poder que Lula não terá mais, ao menos formalmente, a partir do próximo mês de dezembro, após oito anos de exercício no cargo, do qual sai cercado de tal popularidade que alguns esperam vê-lo levitar a qualquer momento, como fazia o gorila de Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão, só que a base de ingerir café brasileiro, que ele consome a cada instante com avidez, em vez de xícaras de chocolate.

O momento mais extraordinário do poder é o período entre o dia da vitória e a posse. Logo se vê que as coisas não são tão fáceis, que se está diante de uma série de obstáculos. Eu teria motivos de sobra para dizer que a mim o poder me deu mais alegrias que tristezas, porque poucas vezes na história do Brasil aconteceram coisas tão importantes como durante o meu governo, mas continuaram lamentando pelo que não pude fazer, a reforma do Estado, por exemplo. Não fomos capazes de lhe dar maior agilidade; desde que tomamos uma decisão até executá-la, topa-se com quinhentos obstáculos em nome da democracia. Aí está o Congresso Nacional, com suas duas câmaras, a administração pública, os sindicatos, a justiça, as questões ambientais, onde as Ongs são muito ativas… Ou seja, que passam dois ou três anos antes que um projeto se cristalize. Faz falta um consenso que nos permita eliminar tantas dificuldades e atrasos. Não podemos renunciar à fiscalização, mas tampouco é aceitável usá-la para impedir que se façam as coisas que o Brasil necessita.”

Seu pragmatismo, sua cordialidade, seu bom senso, tudo nele me lembra o governador de Barataria. Quase oito anos após ocupar o principal cargo da república, suas maneiras pessoais, seu método de trabalho, seu ar decidido e astuto são os mesmos do Lula jovem que, fugindo da burocracia sindical, reunia-se às tardes no bar da Tia Rosa em São Bernando do Campo, onde ele ainda mantém sua residência familiar. Ali, com seus companheiros de luta, um grupo de amigos antes de ser um comitê organizado, preparavam, entre um copo e outro, as mobilizações em defesa de melhores salários para os trabalhadores. Nenhuma ideologia alimentava suas ações, que em seguida foram apoiadas, todavia, por movimentos católicos de base. “O PT não existiria sem a ajuda de milhares de padres e comunidades cristãs do Brasil, deve muito ao trabalho da Igreja, à teologia da libertação, aos sacerdotes progressistas. Tudo isso contribuiu para minha formação política, a construção do PT e a minha chegada ao poder. Minha relação com a Igreja católica foi e continua sendo muito forte, mas somos um país laico, tratamos todas as religiões com respeito”.

Interrompe-o por um momento Gilberto Carvalho, seu chefe de gabinete, “este era seminarista, ia ser padre, mas abandonou para entrar no PT, para construir comigo”, e despacha alguns assuntos à sombra de um crucifixo gigantesco que preside sua mesa de trabalho, enquanto eu imagino que para alguns militantes da época a agitação política era também uma espécie de sacerdócio. A influência religiosa (“esta é a Igreja mais progressista da América Latina, provavelmente do mundo”) é evidente também no tratamento das leis de aborto no Brasil, ainda que o presidente busca manter equidistância. O Vaticano “tem uma atitude muito conservadora sobre o ponto. No Brasil, o aborto está proibido, salvo em caso de estupro da mãe. Eu, como cidadão, sou contrário ao aborto, e não creio que haja nenhuma mulher que seja favorável a ele porque gera um grande sofrimento a quem o pratica. Mas como chefe de Estado penso que se trata de uma questão de saúde pública. Devemos proteger as meninas que decidem abortar por si mesmas metendo-se agulhas no útero e coisas assim. O Estado tem obrigação de atender a essas pessoas”.

Para os progressistas europeus, que adoram Lula, uma declaração deste gênero pode resultar decepcionante, tanto como a que ele já fez muitas vezes no sentido de que não se considera de esquerda. “Minha trajetória, meu perfil político, minha vida no sindicato, a criação do PT, me caracterizam, desde logo, como um esquerdista. Mas o próprio PT é uma novidade na esquerda mundial. Nasceu contra todos os dogmas dos partidos marxistas-leninistas, que obedeciam fielmente à Rússia ou China. No início era algo parecido a uma torcida de futebol; um grupo de trabalhadores que, junto ao movimento social, a Igreja Católica, e alguns intelectuais que havia acreditado e participado da luta armada, decidiram criar um partido político. Não tínhamos então um programa definido e eu nunca gostei que me enquadrassem, menos ainda ao assumir a presidência. Um chefe de Estado não é uma pessoa, é uma instituição, não tem vontade própria todo santo dia, tem que levar a cabo os acordos que sejam possíveis. Aprendi isso no poder e creio que foi bom para o Brasil. Não pode ser que eu goste de um presidente porque é de esquerda e de outro não, por ser direitista. Me dei bem com Aznar, e me dou bem com Zapatero; tenho que me relacionar com Piñera, do Chile, da mesma forma que com Bachelet. No exercício do poder sou um cidadão, como diria?, multinacional, multiideológico, não?”

Com seus olhos brilhantes, inquietos, reclama minha aprovação para esse pragmatismo, e se transforma instantaneamente num agitador de torcida de futebol; levanta-se, senta-se, volta a se erguer, sorri primeiro, logo se derrama, te olha no olho, busca a proximidade, o carinho, sou apenas um brasileiro, um cidadão desse país capaz de contagiar pela alegria, de esse país com trezentos dias de sol por ano, desse país imenso, autossuficiente, pacífico, “do qual estamos tratando de eliminar cinqüenta ou sessenta anos de atraso, de desconfiança, anos em que ninguém queria investir aqui. E por isso estamos construindo um capitalismo moderno, o Estado de bem estar. Quando entrei no governo, o Brasil não tinha crédito, não tinha capital de trabalho, nem financiamento, nem distribuição de renda. Que raios de capitalismo era esse? Um capitalismo sem capital. Resolvi então que era preciso primeiro construir o capitalismo para depois fazer o socialismo; é preciso distribuí-lo antes de fazê-lo. Se o Brasil não tem nada, não há nada para distribuir, e os empresários tem que saber que é preciso pagar salários um pouco maiores para que as pessoas possam comprar os produtos que fabricam. Isto é o que dizia Henry Ford em 1912”.

Estamos em plena campanha eleitoral e Lula aproveita para fazer propaganda de seu partido, deixando escapar críticas duras, provavelmente injustas, a seu antecessor, o socialdemocrata Fernando Henrique Cardoso, tempo atrás companheiro seu na luta contra a ditadura e com o qual agora não se mostra em absoluto generoso. Mas o milagre brasileiro começou precisamente com Cardoso, um professor respeitado e um democrata exemplar, que saneou as contas públicas e venceu a inflação. Lula faz um balanço diferente. “Hoje só o Banco do Brasil tem mais crédito que todo o país quando eu cheguei ao poder. De modo que quando eu deixar a presidência, teremos criado mais de 14 milhões de postos de trabalho em oito anos. Só a China e a Índia podem competir com uma realidade assim”. Pergunto se isso é um triunfo do capitalismo e logo ele se apressa a esclarecer que é um triunfo de seu governo “porque teve coragem de enfrentar a crise, em vez de se queixar: fazendo investimentos, destravando a atividade de setores chave da economia, empreendendo muitas obras públicas. Se o Brasil mantém nos próximos cinco anos uma política fiscal e monetária séria, investiementos e controle da inflação, tem tudo para se transformar numa potência respeitada no mundo. Se a economia continuar crescendo entre 4,5% e 5,5%, em 2016 pode ser a quinta economia mundial”.

Não sei se descubro vestígios de herança portuguesa nessa fantasia um pouco hiperbólica do presidente, que o faz distanciar-se por momentos da sisuda prudência de Sancho para assemelhar-se mais à loucura idealista de Don Quixote, porque enquanto Lula fala, as pesquisas, lá fora, continuam dando como provável vencedor, ainda que por margem apertada, à José Serra, candidato do PSDB, partido de Cardoso. “Ganhe quem ganhar, ninguém fará nenhum disparate; o povo quer andar para frente e não voltar atrás. Mas permita-me dizer que não vejo a possibilidade de que percamos as eleições”. Muitos pensam que, se assim acontecesse, não seria por mérito de Dilma, a candidata do PT, uma ex-guerrilheira e política competente, mas sem o carisma que eleições presidenciais pedem, e sim pelo formidável apoio que lhe empresta o próprio Lula, cuja personalidade impregna tudo de lulismo, “sim, já sei que muita gente, para justificar-se, diz que não gosta do PT, gosta do Lula; gente da direita, claro. Isso acontece com outros líderes políticos, Felipe González, por exemplo. Normalmente as figuras públicas estão menos ideologizadas que os partidos, e temos capacidade individual de congregar em nosso entorno gente que de nenhuma maneira se sentem próximas de nossas formações. Mas não creio que exista um ‘lulismo’, prefiro acreditar que vamos fortalecer a democracia e os partidos políticos saberão se organizar e ser fortes”.

Em qualquer caso, parece descontada a continuidade da política econômica, que Lula salvaguardou desde o princípio nomeando um antigo militante do partido de Cardoso presidente do Banco Central. A conseqüência dessas políticas foi a prosperidade que permite situar o país entre as potências emergentes agrupadas em torno do que se conveniou chamar BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Junto a eles, Lula fez valer a sua voz afirmando sua independência como protagonista de uma política internacional singular e inclassificável. Está seu país no caminho de se tornar uma superpotência? Poderia sê-lo sem possuir – é o único dos BRIC nesta circunstância – uma arma atômica? “A Constituição proíbe as atividades nucleares para fins não pacíficos, quer ver?”, aponta com sua mão mutilada o artigo 21, inciso 23, “o presidente não decide em questões nucleares, é o Congresso, e não temos interesse em ser uma potência militar se não é do tamanho da nossa soberania. Necessitamos de Forças Armadas adequadas para garantir a segurança do povo, manter uma política de defesa respeitável. Não queremos invadir nenhum país, mas tampouco queremos que nos invadam…”, interrompo-o, entre irônico e risonho, invadir o Brasil me parece difícil, presidente, uma tarefa quase titânica, e ele impassível, “não se pode menosprezar a loucura de alguns seres humanos, é preciso se cuidar”. Cuidar de quem? Não creio que seja Chávez (“um homem muito inteligente, ainda que às vezes comete equívocos, e ele o sabe”) nem Evo (“um retrato de seu povo, ninguém o representa melhor que ele; no assunto do petróleo, entendi que o Brasil tinha que pagar melhor à Bolívia, não briguei com Evo, porque ele tinha direito”), nem Colômbia, Argentina ou Uruguai (“o Brasil trabalhou muito com eles para consolidar a democracia em sua plenitude. Temos que gerar uma política de confiança. A doutrina usada pelas grandes potências era considerar o Brasil como inimigo da América Latina a grande ameaça; nós estamos destruindo essa visão negativa e demonstrando que, ao contrário, podemos ser seu grande aliado”).

O lulismo, se é que existe, tem suas raízes no sindicalismo, na luta como pressão e o acordo como resposta. “O chamado mundo desenvolvido tem que compreender que a geopolítica mudou. A democratização da África e o crescimento de países como China, Índia e alguns da América do Sul, sugerem uma nova dimensão. Eu não quero a guerra, sou um homem de diálogo, e na questão nuclear o Brasil tem uma política muito definida. Quero esgotar até o último minuto as possibilidades de um pacto com o presidente do Irã para que seu país possa continuar enriquecendo urânio, tendo nós a tranquilidade que ele só o usará para fins pacíficos. Meu limite são as decisões da ONU, a qual, aliás, pretendo mudar porque tal como está representa muito pouco. Por que o Brasil não é membro do Conselho de Segurança? Por que não é a Índia? Por que não há nenhum Estado africano? Se a ONU continua assim débil, sem representatividade, com países com direito de veto, nunca vai servir corretamente à governança global que precisamos”.

Felipe González disse que expresidentes são como vasos chineses. Todo mundo em casa sabe que se trata de peças valiosas que valem a pena conservar, ainda que não necessariamente apreciam sua beleza e não sabem onde colocá-los: estejam onde estejam, sempre são um estorvo. A partir do próximo mês de dezembro, Luiz Inácio Lula da Silva, um dos políticos mais carismáticos, admirados e surpreendentes do último meio século, engrossará a coleção das grandes porcelanas. Os visitantes dos museus de cera venerarão sua imagem, como a de Lincoln, a de Mandela, a de tantos grandes nomes capazes de surge do nada. Cheio de vida, desbordante de idéias, não o imagino retirado em seu apartamento de São Bernardo, partilhando com seus vizinhos as nostalgias de qualquer tempo passado. “O melhor serviço que um expresidente pode prestar à república é ficar calado, deixar governar quem ganha as eleições e permanecer em silêncio”. Este silêncio resignado combina com Sancho, mas eu não o imagino para Lula, quando há tanto para denunciar, tanto para exigir, tanto para propor. Então, talvez se limite a estar ausente, ou distante. “Vou sair do governo havendo colhido um montão de políticas exitosas e quero partilhar essa aprendizagem, essa autêntica lição de vida, com países mais pobres da América Latina e África. Não sei se o farei através de uma fundação, porque em nenhum caso quero empreender nada que não esteja em consonância com o governo. Só quero transmitir aos demais a experiência que adquiri, porque os pobres não tem acesso aos governantes, os pobres não vão aos coquetéis, claro, e olha que não há político que ganhe eleição falando mal deles, pode insultar os banqueiros, os grandes empresários, mas os pobres… de nenhuma maneira, em campanha o pobre é a coisa mais extraordinária do mundo. Isso sim, uma vez que o candidato ganha a eleição ele vai terminar seu mandato sem reunir-se com um pobre uma única vez, só sabe que existem pelo que lê nos jornais, não há interação, não há vínculo. Eu, nos próximos Natais, quando minha gestão chegar ao fim, quero convidar de novo aos catadores de papel de São Paulo, há oito anos que me reúno com eles no palácio nessas datas (também o fiz com os sem-teto e os sem-terra), e comprovamos que essa gente não quer parar de catar papel, mas aspira uma existência mais digna, ou seja, que organizemos cooperativas, centenas delas em todo Brasil, financiadas pelo Estado, que as permitam trabalhar, centenas de milhares de pessoas, capazes de levar todos os dias para casa algo que começar, graças ao resultado de seu trabalho”.

Quando tudo isso acontecer, o palácio presidencial já terá sido reconstruído. De momento, Lula aloja-se em escritórios emprestados pelo Centro Cultural Banco do Brasil, enquanto os operários se esforçam para recuperar as estruturas danificadas do Palácio do Planalto, que não pode participar da celebração do cinqüentenário de Brasília. Mas no próximo dia 23 de dezembro, o presidente se despedirá dos catadores paulistas nos aposentos elegantes e sóbrios da sede do primeiro magistrado da nação. Talvez o faça pensando, como Sancho em sua partida, que “saindo eu nu como saio, não é preciso outro sinal para dar a entender que governei como um anjo”. Seguro estou, ao menos, que o cronista deste momento vindouro poderá relatá-lo novamente com as palavras de Cervantes: “abraçaram-no todos, e ele, chorando, abraço a todos, e os deixou admirados, tanto de suas razões como de sua determinação, tão resoluta e tão discreta”. É isso.

(Tradução: Miguel do Rosário, do Óleo do Diabo).

Do Conversa Afiada:

Do Viomundo e Folha de São Paulo

Fernando Ferro(*) e a comparação inevitável

Comparação entre Lula e FHC é inevitável (Fernando Ferro*, na Folha, em 20/04/2010)

DE MANEIRA pretensiosa, a oposição decidiu que vai fugir às comparações entre os governos Lula e Fernando Henrique Cardoso, como se as eleições deste ano fossem realizadas em outro planeta. O debate é inevitável, com ou sem a participação da oposição e de seus porta-vozes na mídia.

Os demo-tucanos querem, na prática, esconder que fizeram parte do fracassado governo FHC (1995-2002), que quebrou o país três vezes, levou ao apagão de 2001 e rastejou perante o FMI.

Em 2002, no plano federal, o povo queria mudanças e eles prometiam continuidade; agora, a grande maioria da população quer manter o ritmo mudancista, com crescimento econômico, geração de empregos e inclusão social, e eles querem retroceder.

A tática é tentar desconstruir os êxitos alcançados a partir de 2003.

Certamente o PT e seus aliados não terão dificuldades para remover as densas camadas de mistificação montadas para embelezar o retumbante malogro dos governos de FHC.

Já em 2006, independentemente da histeria da maior parte da mídia, o povo separou o joio do trigo.

Insiste-se que o governo Lula seria simples continuação do de FHC, mas a maioria da população sabe que não é. Exemplo: em oito anos, FHC criou 780 mil empregos, registrados no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) para celetistas, enquanto em sete anos e meio o governo Lula gerou 12 milhões.

Esse dado é estarrecedor e tanto mais grave quando se considera que há quem pense que não é necessariamente um símbolo do fracasso de FHC, porque entre suas prioridades não estava a geração de empregos.

Com Lula, o salário mínimo teve aumento real de 53%, desmentindo a cantilena neoliberal de que esse aumento quebraria a previdência e os pequenos municípios.

A dívida externa foi eliminada, e a interna, reduzida em mais de 20 pontos percentuais. A dívida com o FMI foi quitada e o país se tornou credor da instituição, além de construir uma reserva cambial de US$ 240 bilhões.

O Brasil de Lula, com políticas heterodoxas, firmeza e em defesa do interesse nacional, conseguiu superar os graves reflexos da crise mundial iniciada em 2008, a qual teria levado o país à UTI se ocorrida no ortodoxo governo de Fernando Henrique.

Este, diante das crises periféricas que enfrentava, recorria ao FMI para pedir um empréstimo, aumentava impostos e as taxas de juros e arrochava os salários. Em 2008, Lula apostou no consumo e, em vez de aumentar os impostos, aplicou uma desoneração gigantesca. Foi dessa maneira que o Brasil superou a crise.

O povo percebe em seu dia a dia as alterações que vão se processando e que se expressam nas taxas mais baixas de inflação da história, no sucesso dos programas sociais e na maior oferta de oportunidades em muitos aspectos da vida.

Com políticas públicas e desatrelados do elitismo, fortalecemos a economia interna, com a inclusão de 30 milhões de pessoas à classe média.

A vitória frente a FHC não se deu apenas nos números da economia, nos indicadores sociais e na política externa. O avanço na consolidação dos espaços da democracia é igualmente importante: o conjunto de conferências realizadas (saúde, idosos, comunicação etc.) revela a participação popular na construção de políticas públicas.

Até o PAC foi também elaborado a partir de contribuições de lideranças populares e empresariais, inovando na forma de governar e consolidando instrumentos de democracia direta.

A oposição busca desqualificar e negar a realidade, guiando-se, sem respeitabilidade democrática, pela memória de Carlos Lacerda. Qual é o presente de uma oposição que hoje usa discurso moralista hipócrita, fingindo ignorar inúmeros comprometimentos com diferentes e repetidos casos de corrupção, onde a crise de Brasília é apenas a mais visível?

Não há como José Serra escapar de ser o anti-Lula: a eleição será plebiscitária e marcada pela confrontação entre os dois polos. As comparações podem ir além de Lula e FHC, envolvendo também os governos estaduais e municipais e temas como ética, gestão, soberania nacional etc.

A comparação é tão importante e necessária que o candidato tucano usa discurso defensivo e matreiro do pós-Lula. Quer pegar carona na popularidade de Lula, a quem não consegue atacar, e revela que não houve nem haverá pós-FHC.

Essa é a síntese de um confronto de projeto que nos é amplamente favorável. A história nos diz que não há futuro sem presente e passado. Mas os tucanos tentam desesperadamente esconder o seu.

(*) FERNANDO FERRO, 58, engenheiro eletricista, é deputado federal pelo PT-PE, líder do partido na Câmara dos Deputados e vice-presidente da Comissão de Energia e Minas do Parlamento Latino-Americano (Parlatino).

P.S.: Os grifos, em negrito, são nossos.

E-mail’s com mensagens, correntes, spam e campanhas difamatórias (sejam bem-humoradas, mentirosas, manipulativas, apenas insidiosas ou torpes) são cíclicos.  Em novembro de 2009 circulou um e-mail intitulado “Absurdo”, com o teor abaixo.  Duvidamos que ele não volte a circular – se é que parou.   Então, na próxima vez que retornar, não apenas nós teremos uma resposta na ponta da língua, evitando estragos maiores; mas nossos amigos estarão, também, devidamente municiados e protegidos contra a verborragia manipulatória que tenta  subestimar nossa inteligência.

O objetivo confesso do e-mail, é o de chocar o leitor com uma afirmação que, a princípio, poderia ser comprovada: Dilma Roussef, como conselheira da Petrobrás, juntamente com outros, tiraria nada menos que R$ 114.813,88, mensalmente, dos cofres da empresa, a título de integrante de seu conselho de administração.

Todavia, quem criou o insidioso e-mail subestimou nossa inteligência, e superestimou a própria.  A tese não resistiu nada, logo ruindo diante de um exame mais apurado e detalhado.  Este post descreve essa “desmontagem”.

Para desmontar um e-mail ou artigo manipulador, a arma é a pesquisa e informação.  Aqui reproduzimos a nossa pesquisa, dividindo o resultado com todos.  Que cada um confirme as informações aqui constantes, se desejar, use de criticidade e bom senso, abraçando sua conclusão.  Já tiramos as nossas.

Nosso papel é o de ajudar a informação a circular, e auxiliar o desenvolvimento, em todos, do indispensável senso crítico.

Vamos ao e-mail.  Os grifos, em negrito, são do original:

Primeira parte: o E-mail

“Eu não acreditei mas ….
LEIA A ATA DA ASSEMBLÉIA NO FINAL
===============
PESSOAL recebi um e-mail (transcrito abaixo) e achei que fosse montagem. Estava respondendo a meu colega que havia mandado, que não deveria remeter sem antes averiguar a veracidade. Resolvi entrar no site da PETROBRÁS, pois o link que veio no e-mail baixava um arquivo direto. Para minha SURPRESA a informação é VERDADEIRA.
Acesse o link da PETROBRÁS  http://www.petrobras.com.br/pt/

Clica no item INVESTIDORES

Vai abrir uma nova página (a mesma clicando no link ao lado http://www.petrobras.com.br/pt/investidores/)

Clica em Informações aos Acionistas + Assembléias Gerais

Vai abrir outra página com as ASSEMBLÉIAS GERAIS.

ATA DA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRAS, REALIZADA EM 8 DE ABRIL DE 2009

(Lavrada sob a forma de sumário, conforme facultado pelo parágrafo primeiro do artigo 130 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976).

DIA, HORA E LOCAL: Assembleia realizada às 15 horas do dia 8 de abril de 2009, na sede social, na cidade do Rio de Janeiro, RJ, na Avenida República do Chile, no 65.

Item IV: Foram reeleitos como membros do Conselho de Administração da Companhia , na forma do voto da União, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, a Senhora Dilma Rousseff ,brasileira, natural da cidade de Belo Horizonte (MG), divorciada, economista, com domicílio na Casa Civil da Presidência da República – Praça dos Três Poderes – Palácio do Planalto – 4º andar – salas 57 e 58, Brasília (DF), CEP: 70150-900, portadora da carteira de identidade nº 9017158222, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul – SSP/RS, e do CIC/CPF nº 133267246-91 e os Senhores Guido Mantega, brasileiro, natural de Gênova, Itália, casado, economista, com domicílio no Ministério da Fazenda – Esplanada dos Ministérios – Bloco P – 5º andar – Brasília (DF), CEP: 70048-900, portador da carteira de identidade nº 4135647-0, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo – SSP/SP, e do CIC/CPF nº 676840768-68;Silas Rondeau Cavalcante Silva, brasileiro, natural da cidade de Barra da Corda (MA), casado , engenheiro, com domicílio na S..A.U.S. – quadra 3 – lote 2 – Bloco C  – Ed. Business Point – salas 308/309, Brasília (DF), CEP: 70070-934, portador da carteira de identidade nº 2040478, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Pernambuco – SSP/PE, e do CIC/CPF nº 044.004.963-68; José Sergio Gabrielli de Azevedo, brasileiro, natural da cidade de Salvador (BA), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chile, 65, 23º andar – Rio de Janeiro (RJ), CEP: 20031-912, portador da carteira de identidade nº 00693342-42, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia – SSP/BA, e do CIC/CPF nº  042750395-72  042750395-72 ; Francisco Roberto de Albuquerque , brasileiro, natural da cidade de São Paulo, casado, General de Exército Reformado, com domicílio na Alameda Carolina nº 594, Itu (SP), CEP: 13306-410, portador da carteira de identidade nº 022954940-7, expedida pelo Ministério do Exército e do CIC/CPF nº 351786808-63; e Luciano Galvão Coutinho , brasileiro, natural da cidade de Recife (PE), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chil e nº 100, 19º andar, Rio de Janeiro (RJ), CEP 20031-917, portador da carteira de identidade nº 8925795, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo – SSP/SP, e do CIC/CPF nº 636831808-20.

Item VII: Pelo voto da maioria dos acionistas presentes, em conformidade com o voto da representante da União, foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras emR$ 8.266.600,00 (oito milhões, duzentos e sessenta e seis mil e seiscentos reais) , no período compreendido entre abril de 2009 e março de 2010, aí incluídos: honorários mensais, gratificação de férias, gratificação natalina (13º salário), participação nos lucros e resultados; passagens aéreas, previdência privada complementar, e auxílio moradia , nos termos do Decreto nº 3.255, de 19.11.1999, mantendo-se os honorários no mesmo valor nominal praticado no mês precedente à AGO de 2009, vedado expressamente o repasse aos respectivos honorários de quaisquer benefícios que, eventualmente, vierem a ser concedidos aos empregados da empresa, por ocasião da formalização do Acordo Coletivo de Trabalho – ACT na sua respectiva data-base de 2009;

Dá R$ 114.813,88 por mês para cada um!

… se “alguém” disser que é boato… acesse o link abaixo !

http://www2.petrobras.com.br/ri/port/InformacoesAcionistas/pdf/ATA_AGO_08abr09_port.pdf

ISSO É BRASIL…O PAÍS DO “CARNAVAL” E DO FUTEBOL!”

Termina aqui o didático e-mail, que dá até mesmo o caminho para sua autenticação. – passo-a-passo.  Menos pior.  Nesse caso particularmente, não se trata de conteúdo falso: são as conclusões que são propositalmente errôneas e forçadas.  Vamos analisar o caso.

Segunda parte: a conta está errada na quantidade de pessoas que “repartem o bolo”

Fazendo a conta, a julgar pelo conteúdo do e-mail, de fato teríamos: R$ 8.266.000,00 que, dividido por 12 meses, resulta em R$ 688.833,33 mensais.  Esse valor, por sua vez,  dividido pelos 6 membros do Conselho de Administração da empresa, é igual a R$ 114.813,88 mensais, para cada um.  Mas há erros graves.  O que o e-mail não explica, é:

a) O conselho de administração não é composto por apenas seis integrantes.

O conselho de administração não é formado apenas pelos 6 conselheiros citados acima.  Esse trecho foi propositalmente ignorado no e-mail; é a continuação do Item IV, da Ata da Assembleia.  Ei-lo:

“Item IV: (…) Foi ainda eleito como membro do Conselho de Administração da Companhia, na forma do voto da União, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, o Senhor Sergio Franklin Quintella, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado e engenheiro civil.

A seguir, na forma prevista no artigo 239 da Lei das S.A., foi reeleito pelo voto dos acionistas minoritários, como seu representante no Conselho de Administração, em votação em separado, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, o Senhor Fabio Colletti Barbosa, brasileiro, natural da cidade de São Paulo (SP), casado e administrador de empresas.

Foi também reeleito, na forma do art. 19 do Estatuto Social da Companhia, como representante dos acionistas titulares de ações preferenciais no Conselho de Administração, em votação em separado, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, o Senhor Jorge Gerdau Johannpeter, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado e advogado.

Item V: Foi designada, dentre os Conselheiros reeleitos e eleitos, pela maioria dos acionistas presentes, para o cargo de Presidente do Conselho de Administração, a Conselheira Dilma Vana Rousseff.”

Temos, portanto, mais 3 pessoas a somar às 6 iniciais.  Total: nove conselheiros.  Guardem esse número.

b) Os administradores da empresa não são formados apenas pelos membros do conselho de Administração.

Note o seguinte trecho, grifo nosso:

“(…) foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras em R$ 8.266.600,00. (…)”

Mas então, quem são os administradores da Petrobrás?  Para descobrir, siga essas dicas:

1) Abra o endereço http://www.petrobras.com.br;

2) à direita, leve o ponteiro do mouse à área Investidores, e clique logo abaixo em Acesse o site e saiba porque investir na Petrobrás.

3) à esquerda, leve o ponteiro do mouse na primeira opção do painel lateral, em “Conheça a Petrobrás”  e, na aba que se abrirá à direita, clique em Estatuto Social.

4) no painel central, clique em Capítulo IV – Da administração da sociedade. Se abrirá o conteúdo abaixo:

“Capítulo IV
Da Administração da Sociedade

Seção I
Dos Conselheiros e Diretores

Art. 17º A Petrobras será dirigida por um Conselho de Administração, com funções deliberativas, e uma Diretoria Executiva.

Art. 18º O Conselho de Administração será integrado por, no mínimo, cinco membros até nove membros eleitos pela Assembléia Geral dos Acionistas, a qual designará dentre eles o Presidente do Conselho, todos com prazo de gestão que não poderá ser superior a 1 (um) ano, admitida a reeleição.”

(…)

Art. 20º A Diretoria Executiva será composta de um Presidente, escolhido dentre os membros do Conselho de Administração, e até seis Diretores, eleitos pelo Conselho de Administração, dentre brasileiros residentes no País, com prazo de gestão que não poderá ser superior a 3 (três) anos, permitida a reeleição, podendo ser destituídos a qualquer tempo.”

Ou seja, a Petrobrás é administrada (dirigida) não apenas pelos 9 conselheiros, mas também por mais cinco diretores – já descontada a participação do Presidente da Petrobrás, que aparece nos dois grupos.  Isso dá um total de até 14 pessoas (6 conselheiros citados no e-mail, 3 conselheiros que o e-mail ignorou, e 5 diretores).

Os diretores também são nomeados na mesma ata utilizada no triste e-mail – todavia, o e-mail não inclui esse trecho. Aqui está ele:

“Item VI: Foram reeleitos pela maioria dos acionistas presentes, em conformidade com o voto da representante da União, como membros do Conselho Fiscal da Companhia, com mandato de 1 (um) ano,permitida a reeleição, o Senhor Marcus Pereira Aucélio, brasileiro, natural de Brasília (DF), casado e engenheiro, tendo como suplente o Senhor Eduardo Coutinho Guerra, brasileiro, natural da cidade de Bom Despacho (MG), casado e bacharel em relações internacionais, ambos como representantes do Tesouro Nacional; o Senhor Túlio Luiz Zamin, brasileiro, natural da cidade de Nova Prata (RS), separado judicialmente e contador, tendo como suplente o Senhor Ricardo de Paula Monteiro, brasileiro, natural da cidade de Juiz de Fora (MG), casado e economista; o Senhor César Acosta Rech, brasileiro e economista, e tendo como suplente, o Senhor Edison Freitas de Oliveira, brasileiro e administrador de empresas, natural da cidade de Cataguases (MG) e casado.”

“A seguir, na forma prevista no artigo 240 da Lei das S.A., foram reeleitos como membros do Conselho Fiscal da Companhia, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, pelo voto em separado de acionistas minoritários, o Senhor Nelson Rocha Augusto, brasileiro, natural da cidade de Ribeirão Preto (SP), casado e economista, tendo como suplente a Senhora Maria Auxiliadora Alves da Silva, brasileira, natural da cidade de Lajedo (PE), casada e economista. Foram ainda reeleitos para membros do Conselho Fiscal da Companhia, também como dispõe o artigo 240 da Lei das S.A., com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, pelo voto em separado de acionistas detentores de ações preferenciais, a Senhora Maria Lúcia de Oliveira Falcón, brasileira, natural da cidade de Salvador (BA), divorciada e engenheira agrônoma, tendo como suplente o Senhor Celso Barreto Neto, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado e advogado.”

Agora, façamos as contas: R$ 8.266.000,00 : 12 meses = R$ 688.833,33/mês; R$ 688.833,33/mês : 14 = R$ 49.202,88/mês, para cada um dos administradores.  E tem mais –  o que o e-mail não ressalta, é que esse valor não compreende apenas salários:

“(…) foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras em R$8.266.600,00 (oito milhões, duzentos e sessenta e seis mil e seiscentos reais) , no período compreendido entre abril de 2009 e março de 2010, aí incluídos: honorários mensais, gratificação de férias, gratificação natalina (13º salário), participação nos lucros e resultados; passagens aéreas, previdência privada complementar, e auxílio moradia , nos termos do Decreto nº 3.255, de 19.11.1999″

Vejam a transparência que hoje podemos desfrutar de nossa melhor e mais rentável empresa.  Contudo, veremos, mais abaixo, que  nem sempre foi assim.

R$ 49 mil por mês, a serem divididos em salários, férias, gratificação de natal, 13o salário, PLR, passagens aéreas, previdência privada complementar e auxílio moradia!!  É muito mais do que ganha um trabalhador comum, mas é muito menos do que o mercado costuma remunerar os executivos de empresas petrolíferas.

Considerando tais números, podemos aduzir que os tais R$ 49 mil mensais começam a se tornar irrisórios, principalmente em se considerando o mercado.  Um valor baixíssimo, portanto, considerando as responsabilidades dos membros, e que são cargos estratégicos, com acesso aos segredos da companhia.

Mas essa ainda não é a conta definitiva.  Porque há mais um aspecto propositalmente ignorado pelo redator da falácia:

Terceira parte: a conta está errada na forma pela qual as pessoas que “repartem o bolo”

a) Os conselheiros não recebem nem R$ 114.813,88 mensais (na conta do e-mail), nem R$ R$ 49.202,88 mensais (na nossa conta).

Isso porque, mais uma vez de forma traiçoeira, outro trecho foi propositalmente deixado de fora – e é justamente o trecho seguinte à parte onde termina o e-mail:

(Página 3)

“Item VII (…) Foi aprovada a delegação ao Conselho de Administração competência para efetuar a distribuição individual dos valores destinados ao pagamento da remuneração dos membros da Diretoria Executiva, observado o montante global e deduzida a parte destinada ao Conselho de Administração e condicionada à observância dos valores individuais constantes da planilha de Remuneração Máxima dos Administradores, nos termos da Nota DEST/CGC nº 79/2009, de 2 de abril de 2009, do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais.”

(Página 4)

“Foi também aprovada a fixação dos honorários mensais dos membros do Conselho de Administração e dos titulares do Conselho Fiscal em um décimo do que, em média mensal, perceberem os membros da Diretoria Executiva, excluídos os valores relativos a: gratificação de férias, participação nos lucros e resultados, passagens aéreas, previdência privada complementar e auxílio moradia, bem como custear as despesas de locomoção e estada necessárias ao desempenho da função de conselheiro de administração.”

Ou seja: os honorários dos membros do conselho de administração correspondem a apenas 10% do que percebem os membros da diretoria executiva.  Em outras palavras: o bolo não é repartido por igual; cabem aos membros do conselho de administração, uma fatia menor.  E essa é a praxe do mercado.

À época, o Governo era comandado pelo Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva (01/01/2003 até o presente).

Quarta parte: Nunca antes nesse país, a Petrobrás foi tão transparente

Pronto: derrubamos mais uma do Festival de Besteiras na Internet (que o site FBI – Festival de Besteiras na Imprensa – nos perdoe o plágio brutal, mas necessário).  Tem mais: o link citado não está quebrado; o caminho é esse mesmo, indicado pelo e-mail, e a Ata está lá.  Não foi retirada do ar ou alterada – nem deveria.  Trata-se, portanto, de informação transparente e fidedigna, como de fato cabe a uma empresa que tem presença global e necessita ser transparente com o mercado, de forma a agregar segurança e tranquilidade ao ambiente de negócios, favorecendo  seus investidores e a sociedade.  Ponto para a Petrobrás.

Vale ainda ressaltar três pontos fundamentais, que ficaram evidentes durante nossa pesquisa:

Primeiro: Participar do Conselho de Administração da Petrobrás sempre foi tarefa dos integrantes da Casa Civil.  Não há nenhuma ilegalidade aqui.  Mais de 50% da Petrobrás pertence ao Governo Brasileiro, e tradicionalmente os representantes elencados para cumprir a tarefa de representar a União, são os ministros da Casa Civil, do Ministério da Fazenda e do Tesouro Nacional.  Para comprovar isso, o leitor pode ir além de nossa pesquisa – que se estendeu somente até 1.999 – e consultar os nomes dos representantes da União em cada uma delas.  Ou seja: outros membros, de outros governos, exerceram a mesma função.  Mas, a gente entende: é muito fácil para quem está fora do poder, ressentido, disparar informações tortas e de forma maldosa contra a outra parte.

Segundo – Se de fato o rendimento dos integrantes do conselho diretor foi alto, antes de considera-lo amoral, deve ser enfocado que, se a remuneração é ancorada – como de fato, é – nos resultados da empresa; e se essa remuneração apresenta-se alta, significa que a empresa lucrou.  O que não deixa de ser uma comprovação incontornável,  de que o trabalho de sua direção, e de seus executivos foi, de fato, eficiente. A remuneração, portanto, é justa.

Terceiro – Os defensores do Estado Mínimo – que são os mesmos neoliberais amantes do Consenso de Washington – são os primeiros a bradar que tais remunerações seriam amorais.  Algo como “mamar nas tetas do Estado”, diriam de forma depreciativa.   Porque?  Porque o que desejam é uma burguesia  elitista, ganhando rios de dinheiro á custa de grandes empresas privatizadas, retirando muito, muito mais, em gigantescos e desproporcionais bônus.  Isso já deu o que falar não só nos Estados Unidos, mas também no Brasil.  Na-na-ni-na-não!! Nada disso.  Esqueçam.  O Estado é capaz de administrar – e muito bem – a empresa.  O povo prefere a sua Petrobras pública, altamente rentavel,  auxiliando no desenvolvimento do país e gerando muitos postos de trabalho, a quem deve pagar altas remunerações, sim.  Dessa forma, pública, todos podem acompanhar a empresa, que tem demonstrado não somente capacidade ética, técnica e operacional para superar desafios, mas também muita transparência em todos os aspectos nos quais se envolve.

A propósito, nota-se que o ingênuo e-mail pôde aproveitar-se dessa transparência, para obter a informação que garimpou, e tentou manipular e torcer.  Pena que não deu certo.  Sorry: estamos vigilantes.  E que a transparência prossiga, e seja ampliada.

Mas… será que foi assim sempre?

Vamos, então, consultar algumas atas mais antigas.  Vamos olhar para o passado.  É importante isso.  Lembremo-nos de George Santayana: os que se esquecem do passado, estão condenados a repeti-lo.

Providenciais palavras?

Como dissemos antes, o caminho para encontrar e consultar as Atas já foi didaticamente demonstrado no irreal e-mail.  Vamos apresentar somente os links para cada uma das atas., logo após  a citação do trecho das mesmas.  Os links remetem diretamente à cada uma delas, aqui citada.  Quem quiser conferir, fique completamente à vontade.  Foi lá no site da Petrobrás que as buscamos.

Pelo menos para isso, o e-mail serviu.

“ATA DA ASSEMBLÉIA GERAl EXTRAORDINÁRIA E ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRAS, REALIZADA EM 24 DE MARÇO DE 1999

“(…) III – Foram eleitos como membros do Conselho de Administração da Companhia, com mandato pelo prazo de 3 (três) anos, permitida a reeleição, por voto de acionistas representantes da maioria do capital social, os Srs: Rodolfo Tourinho Neto, para o cargo de Presidente do Conselho, brasileiro, natural da cidade de Salvador (BA), casado, economista; Henri Philippe Reichstul, brasileiro naturalizado, divorciado, economista; Pedro Pullen Parente, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado, engenheiro; José Pio Borges de Castro Filho, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado, engenheiro; Herszek Chaim Rotstein, que também usa o nome profissional Jaime Rotstein, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado, engenheiro; Zenildo Gonzaga Zoroastro de Lucena, brasileiro, natural da cidade de São Bento do Una (PE), casado, General de Exército R/1; Gerald Dinu Reiss, brasileiro naturalizado, casado, engenheiro; o acionista controlador reservou uma das vagas no Conselho, para eleição, em futura Assembléia Geral, a ser convocada especialmente para esta matéria, de um membro do corpo funcional da PETROBRAS, na conformidade de critérios a serem estabelecidos pelo Conselho de Administração da Companhia. Foi eleito ainda, como membro do Conselho de Administração, com mandato pelo prazo de três (três) anos, permitida a reeleição, pelo voto em separado dos Acionistas Minoritários, a Sra. Maria Sílvia Bastos Marques, brasileira, natural da cidade de Bom Jesus do Itabapoana (RJ), casada, administradora.

IV – Foi fixada, pela maioria dos acionistas presentes, a remuneração da Diretoria Executiva no mesmo valor nominal individualmente praticado no mês precedente a esta Assembléia Geral Ordinária, delegando-se ao Conselho de Administração a competência para alterá-lo no curso do exercício e expedir orientações complementares à sua perfeita observância.

IV.1.- Foi fixada, pela maioria dos acionistas presentes, a remuneração dos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal em 10% (dez por cento) da remuneração média percebida pelos membros da Diretoria Executiva

Link para a Ata: http://www2.petrobras.com.br/ri/port/InformacoesAcionistas/pdf/ata_ago_1999_por.pdf

Primeira Pergunta: onde está o valor da remuneração?  Alguém pode nos dizer, por favor?

E quem é quem?  Destacamos somente alguns nomes, e quem desejar, ou mesmo lembrar, pode nos falar sobre os demais:

Rodolfo Tourinho Neto – Presidente do hoje chamado Partido Democratas (na epoca, o PFL – Partido da Frente Liberal);

Pedro Pullen Parente – Chefe da Casa Civil da Presidência da Republica de 01/01/1999 a 01/01/2003; Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão de 6 de maio a 18 de julho de 1999 e secretário executivo do Ministério da Fazenda.

Voltemos ao caso da Petrobrás: onde estão os valores, que atualmente são publicados de forma transparente?

Será exagero nosso?  Será que as demais atas são transparentes?  Será que não vimos o que estava explícito? Ou não estava explícito?  Vamos ler mais um breve trecho de outra ata.

ATA DAS ASSEMBLÉIAS GERAIS EXTRAORDINÁRIA E ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRAS, REALIZADA EM 22 DE MARÇO DE 2002
(…) A remuneração dos membros do Conselho de Administração e dos titulares do Conselho Fiscal foi estabelecida em 10% dos honorários médios mensais percebidos pela Diretoria Executiva, nos termos da Lei no 9.292, de 12-7-1996, não computados, para ambos os colegiados, os benefícios referentes à participação nos lucros, bônus por desempenho, previdência privada complementar e seguro saúde, bem como auxílio-moradia.

Link para a Ata: http://www2.petrobras.com.br/ri/port/InformacoesAcionistas/pdf/ata_ago_2002_por.pdf

Ou seja, mais uma vez, os valores não foram aqui incluídos.

À época, o Governo era comandado pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso (01/01/1995 a 01/01/2003).

À guisa de conclusão, podemos afirmar que era disso que falávamos no post Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação? A informação deve circular livremente, sem intermediários, e de forma pública.  E é a você, leitor, que é atribuída a responsabilidade de garimpar e cruzar informações e dados, para autenticação das informações e para que você possa tirar as suas conclusões.

Não as conclusões que querem que você tire…

Do site Viomundo.

Os Vedoin acusam Serra

Donos da Planam afirmam que o ex-ministro José Serra está envolvido com a máfia das ambulâncias e entregam novos documentos sobre a distribuição de propinas

Mário Simas Filho e Biô Barreira

Cuiabá (MT)

Na última semana, os termômetros na capital de Mato Grosso registravam temperaturas superiores aos 35 graus centígrados. Tão quentes quanto Cuiabá são os documentos que os empresários Darci Vedoin e seu filho Luiz Antônio obtiveram junto a bancos para ser entregues à Justiça, ao Ministério Público e à CPI dos Sanguessugas. Ambos são donos do grupo Planam, as empresas flagradas pela Polícia Federal em maio deste ano em um esquema de compras superfaturadas de ambulâncias que foram distribuídas a todo o País. Na ocasião, a PF prendeu 46 pessoas, entre elas os Vedoin, que permaneceram na cadeia por 80 dias.

Na quinta-feira 14, pai e filho fizeram chegar às mãos dos responsáveis pelas investigações uma pasta recheada de novos documentos. ISTOÉ teve acesso a esses documentos com exclusividade. Os mais importantes são extratos bancários que demonstram dezenas de depósitos feitos pelo grupo Planam a pessoas físicas e jurídicas até agora não mencionadas. Com essa documentação, a Justiça, o Ministério Público e a CPI ficam aparelhados para incluir nas investigações sobre a máfia das ambulâncias a efetiva participação dos ex-ministros da Saúde José Serra e Barjas Negri.

“Na época deles o nosso negócio era bem mais fácil. O dinheiro saía muito mais rápido. Foi quando mais crescemos”, diz Darci. “A confiança do pagamento era tão grande que chegamos a entregar cento e tantos carros apenas com o empenho do Ministério, antes de a verba ser liberada.”

Entre os documentos entregues pelos Vedoin está uma relação de emendas feitas no Orçamento da União que acabaram liberadas e atenderam aos interesses da Planam. A papelada indica que entre 2000 e 2004 a Planam comercializou 891 ambulâncias. Dessas, 681, mais de 70%, foram negociadas até o final de 2002, quando Barjas Negri deixou o Ministério da Saúde, após substituir José Serra, que disputara a eleição presidencial.

Para explicar a importância e a contundência do que estão delatando, Darci e Luiz Antônio apresentam um novo personagem na máfia das ambulâncias. Trata-se de Abel Pereira, um empresário da construção civil sediado em Piracicaba, cidade do interior paulista coincidentemente hoje administrada por Barjas Negri. “O Abel falava em nome do ministro Barjas e se tornou o nosso principal operador no Ministério da Saúde a partir do segundo semestre de 2002”, relata Luiz Antônio.

Segundo ele, naquele período houve uma pequena mudança no esquema. “Quando o Serra era ministro as operações eram feitas pelos parlamentares. Quando o Barjas deixou de ser secretário executivo e assumiu o comando do Ministério, Abel passou a ser o responsável pela liberação dos recursos, apesar de não possuir nenhum cargo naquela Pasta.”

Nos documentos bancários aos quais ISTOÉ teve acesso há cópias de pelo menos 15 cheques emitidos pela Klass, uma das empresas dos Vedoin, que teriam sido entregues ao próprio Abel. “Os cheques estão ao portador, mas foram entregues nas mãos dele”, acusa Darci. No total, esses cheques somam R$ 601,2 mil. Um deles, o de número 850182, datado de 30 de dezembro de 2002, tem o valor de R$ 87,2 mil. No mesmo dia, há outros sete cheques, seis deles são de R$ 30 mil e recebem os números de 850183 a 850188.

O cheque 850181, também de 30 de dezembro de 2002, tem o valor de R$ 45 mil. “Depois que eles perderam a eleição, o Abel me procurou e passamos a fazer muitas liberações”, diz Darci. De fato, 2002, último ano da administração tucana, foi o ano em que a Planam mais distribuiu ambulâncias pelo Brasil. Foram 317 no total. No Ministério Público, há quem suspeite que esses seguidos repasses tenham se destinado a pagar despesas da campanha presidencial de 2002. Agora, os procuradores deverão rastrear o destino desses cheques.

Quando o dinheiro não era repassado diretamente para Abel, segundo os Vedoin, as empresas do grupo Planam faziam depósitos em contas de pessoas jurídicas ou físicas, indicadas pelo preposto do ministro. Três depósitos têm chamado especial atenção dos parlamentares da CPI que já tiveram acesso a essa documentação. Trata-se de dinheiro entregue para a Kanguru Factoring Sociedade de Fomento Comercial. A empresa, dona do CGC 003824340/0001-25, encerrou suas atividades em 2003, no começo do governo Lula.

Dois depósitos no valor de R$ 66,5 mil foram feitos em 27 de dezembro de 2002. Três dias antes, há o registro de um depósito de R$ 33,5 mil. Há, porém, outras empresas que serão investigadas. A Datamicro Informática, por exemplo, sediada em Governador Valadares (MG), foi beneficiada com dois depósitos. Um deles, realizado em 19 de dezembro de 2002, é de R$ 70 mil. Também de Minas, foi beneficiada a Império Representações Turísticas. Com sede na cidade de Ipatinga, a empresa recebeu dois depósitos. O maior deles foi de R$ 60 mil, realizado em 18 de dezembro de 2002, na conta corrente 25644-7, do Banco do Brasil.

As relações de Serra e Barjas Negri são estreitas. O atual prefeito de Piracicaba tem enorme trânsito junto à cúpula tucana. Esteve com Serra no Ministério do Planejamento, foi secretário executivo no Ministério da Saúde, ministro da Saúde e, antes de se eleger prefeito de Piracicaba, em 2004, ocupou o cargo de secretário de Habitação do Estado de São Paulo. Os donos da Planam afirmam que começaram a operação de distribuição de propinas para parlamentares que aprovassem emendas para a compra de ambulâncias em 1998, quando Serra assumiu o Ministério da Saúde.

“Naquela época, a bancada do PSDB conseguia aprovar tudo e, no Ministério, o dinheiro era rapidamente liberado, inclusive com a ajuda de Barjas”, lembra Luiz Antônio. Um ofício datado de 13 de dezembro de 2001 mostra que o gabinete acompanhava de perto as liberações de recursos para a compra de ambulâncias. No documento, já em poder da CPI, o então secretário executivo, Barjas Negri, se reporta ao Fundo Nacional de Saúde e pede “o empenho e a elaboração do convênio, com posterior retorno a essa Secretaria Executiva”. No mesmo ofício, Barjas diz tratar-se de “uma determinação do senhor ministro José Serra.”

Quando operava usando os parlamentares (até o segundo semestre de 2002), o grupo Planam destinava a eles 10% do que conseguia receber. Com a entrada de Abel na operação foi feita nova negociação, favorável ao empresário. “O Abel me chamou para um encontro em São Paulo. Conversamos no aeroporto de Congonhas. Tudo ficou acertado. No início da conversa ele queria manter os 10% que eram tratados com os deputados e senadores, mas no final da conversa fechamos com 6,5%”, narra Darci.

“Foi quando mais crescemos, pois tudo o que pedíamos era facilmente liberado”, completa Luiz Antônio. Com os nomes das pessoas físicas e jurídicas listadas pelos Vedoin, os procuradores que investigam a máfia das ambulâncias poderão saber por que razão Abel indicava os depósitos e qual o destino dado ao dinheiro das ambulâncias superfaturadas. Na relação entregue pelos donos da Planam constam, por exemplo, seis depósitos feitos a favor de pessoas ainda desconhecidas do caso.

Uma delas é Valdizete Martins Nogueira. Ela foi a destinatária de um depósito de R$ 7 mil feito na agência 3325-1 do Banco do Brasil em Jaciara, no interior mato-grossense, em janeiro de 2003. Na mesma cidade e na mesma agência do BB foram feitos três depósitos para outro personagem novo: Robson Rabelo de Almeida. Um desses depósitos teve o valor de R$ 20,1 mil, feito em 17 de dezembro de 2002. Em 3 de janeiro de 2003, o favorecido foi Mario J. Martignago, igualmente desconhecido até aqui, com um depósito de R$ 20 mil.

“A entrega desses documentos mostra que estamos cumprindo nosso acordo de dizer e provar tudo o que sabemos”, conclui Luiz Antônio. Com essas pistas todas, tanto o Ministério Público como a CPI poderão aprofundar ainda mais o esquema dos sanguessugas e talvez sugerir medidas para que coisas como essas não se repitam. “Somos culpados, mas não somos os maiores. A maior culpa é de governos antigos que propiciaram tudo isso. Jamais liguei para parlamentares. Eles é que ligavam para mim”, conclui Darci.

“Há dois modos de subjugar e escravizar uma nação. Um é pela força.  O outro é pelas dívidas.” (John Adams – 1753 – 1826 )

Zeitgeist Addendum aprofunda as idéias apresentadas no primeiro Zeitgeist.  E é nele que conhecemos John Perkins, autor do livro “Confessions of an Economic Hit Man”  (2004) (“Confissões de um assassino econômico”). John Perkins trabalhava como consultor de negócios e foi contratado como agente secreto da National Security Agency (NSA).

Aqui, tomamos a liberdade de citar trecho transcrito do vídeo Zeitgeist Addendum.  Aliás, a transcrição completa está disponível aqui.

Para assistir Zeitgeist legendado em português, clique aqui.

Para assistir Zeitgeist Addendum legendado em português, clique aqui.

Para baixar o torrent completo (filme.avi + legenda em português) do primeiro filme, clique aqui.

Os grifos (em negrito/vermelho) são nossos, e eles visam a assinalar trechos onde podemos, claramente, encontrar similaridades, paralelos, traçar relações ou analogias com fatos ocorridos no Brasil.

Com vocês, John Perkins:

“Nós, assassinos econômicos, de fato fomos os responsáveis pela criação desse império realmente global. Trabalhamos de muitas maneiras diferentes. Talvez a mais comum seja identificar um país que tem recursos, como petróleo. E em seguida conseguir um empréstimo enorme para esse país através do Banco Mundial ou uma de suas organizações irmãs. Só que o dinheiro nunca vai realmente para o país. Ele acaba indo para as nossas grandes corporações para criar projetos de infra-estrutura nesse país. Usinas de energia, parques industriais, portos… Coisas que beneficiam uns poucos ricos desse país e também as nossas corporações, mas não a maioria das pessoas. Entretanto, essas pessoas, o país inteiro acaba ficando com uma enorme dívida. A dívida é tão grande que eles não conseguem pagá-la, e isso é parte do plano… Eles não podem pagá-la! Então num certo ponto, nós assassinos econômicos, vamos lá e dizemos: “ouça, você perdeu muito dinheiro, não vai conseguir pagar sua dívida, então…” “Venda seu petróleo bem barato para nossas petroleiras” , “deixe-nos construir uma base militar no seu país…” ,  “envie tropas para apoiar uma das nossas, em algum lugar do mundo como o Iraque, ou vote na gente na próxima cúpula da ONU”. Pedem pra privatizar sua companhia elétrica e vender seu sistema de água e esgoto para corporações americanas ou outras corporações multinacionais. Então é uma coisa que só cresce, e é muito típico, esse modo como o FMI e o Banco Mundial operam. Eles colocam um país em uma dívida, aí eles se oferecem para refinanciar a dívida, e feito isso, se cobra mais juros. E eles exigem esse “escambo” que é chamado de condicionalidade ou boa governança, que basicamente significa que eles têm que vender seus recursos , incluindo muitos serviços sociais, suas empresas de serviços básicos, às vezes seus sistemas educacionais, seus sistemas penitenciários… para corporações estrangeiras. Isso é um ganho duplo, triplo, quádruplo!”

IRÃ, 1953

“A introdução do Assassino Econômico, começou mesmo, no começo dos anos 50, quando o Dr. Mohammad Mossadegh, escolhido democraticamente, foi eleito no Irã. Ele era considerado “A esperança da Democracia” no Oriente Médio ou no mundo. Ele foi o Homem do Ano da Revista Time. Porém…  Uma das questões que ele trazia e queria implementar era a ideia de que as petroleiras internacionais deveriam pagar muito mais Ao povo iraniano pelo petroleo que estavam retirando do Irã e de que o povo iraniano deveria se beneficiar de seu próprio petróleo. “Política estranha”? Claro que não gostaríamos disso, mas tivemos medo de fazer o que estávamos fazendo, que era enviar os militares… Em vez disso enviamos um agente da CIA, Kermit Roosevelt, parente de Teddy Roosevelt , e com alguns milhões de dólares, ele mostrou-se muito eficiente e em pouco tempo Mossadegh foi deposto e foi substituído pelo xá do Irã, que sempre foi favorável ao petróleo,  e isso funcionou muito bem. (um noticiário de TV, da época, diz) : ‘Bombas explodem por todo o Irã, um oficial do exército anuncia que Mossadegh se rendeu e seu regime como ditador virtual do Irã acabou. Fotos do xá são exibidas pelas ruas à medida que os sentimentos mudam. O xá é bem-vindo em seu lar.’ Aqui nos EUA, em Washington, as pessoas olharam aquilo e disseram “uau, aquilo foi fácil e barato!” Então se estabeleceu um modo novo de manipular países e criar impérios. O único problema de Kermit é que ele era um agente da CIA identificado e se ele tivesse sido pego, as implicações poderiam ter sido muito sérias. Então naquele momento tomou-se a decisão usar consultores privados para canalizar o dinheiro através do Banco Mundial ou uma das outras agências que treinam pessoas como eu, que trabalham para empresas privadas.  Assim, se fossemos pegos, não haveria conseqüências governamentais.”

GUATEMALA, 1954

“Quando Jacobo Árbenz Guzmán virou presidente da Guatemala, o país estava sob jugo da empresa United Fruit e grandes corporações internacionais e,   Árbenz  abraçava o seguinte discurso: “Queremos devolver a terra para as pessoas”.   E assim que  assumiu o poder ele estava implementando políticas que fariam exatamente isto, devolver o direito à terra ao povo. A United Fruit não gostou muito disso, e então contratou uma empresa de relações públicas para realizar uma grande campanha nos EUA, para convencer o país, o povo, os cidadãos dos EUA, a imprensa e o congresso dos EUA,  de que Árbenz era uma marionete soviética. Se permitissem que ele continuasse no poder, os soviéticos teriam uma brecha neste hemisfério. Naquela época havia um grande temor na cabeça de todos, do terror vermelho comunista… Para encurtar a história, a partir dessa campanha de relações públicas surgiu um comprometimento da parte da CIA e dos militares, de derrubar esse homem.  E de fato conseguimos! Enviamos aviões, enviamos soldados, enviamos chacais, enviamos tudo o que podíamos para derruba-lo. E conseguimos. Assim que ele deixou seu gabinete, o sujeito que o sucedeu basicamente devolveu tudo para as mãos das corporações internacionais, incluindo a United Fruit.”

EQUADOR, 1981

“O Equador, por muitos anos havia sido governado por ditadores a favor dos EUA, normalmente muito violentos. Decidiu-se que haveria uma eleição realmente democrática e Jaime Roldós se candidatou declarando que sua meta como presidente seria garantir que os recursos do país fossem usados para ajudar o povo. E ele venceu com folga, com uma vantagem jamais vista no Equador, e começou a implementar suas políticas para que os lucros do petróleo fossem para ajudar as pessoas. Bem, nós nos EUA não gostamos muito disso. Fui enviado com outros assassinos econômicos  para “dar um jeito” em Roldós, corrompê-lo, cerca-lo,  para dizer a ele: “bem, você sabe, você e sua família podem ficar muito ricos se você jogar nosso jogo, mas se você continuar  com essas políticas, promessas… você vai ter que sair”. Ele não quis nos ouvir. Ele foi assassinado. Assim que o avião em que estava caiu, toda a área foi cercada e as únicas pessoas autorizadas no local foram os militares dos EUA que vieram de uma base próxima dali., e os militares do Equador. Quando começaram uma investigação, duas das testemunhas chave morreram em acidentes de carro antes de dar depoimento.  Aconteceram muitas coisas estranhas em relação ao assassinato de Jaime Roldós. Quem investiga o caso como eu não tem dúvidas de que ele foi assassinado e, claro, na minha posição de assassino econômico eu sempre imaginava que algo aconteceria com Jaime, fosse um golpe ou assassinato, mas ele seria tirado de cena porque, ele não era corrupto, ele não se deixava corromper da forma que queríamos.”

PANAMÁ, 1981

“Omar Torrijos, presidente do Panamá, era um dos meus favoritos, eu realmente o admirava. Ele era um homem que realmente queria ajudar seu país. Quando eu tentava suborná-lo, corrompê-lo, ele dizia: ‘Olha, John – ele me chamava de Juanito – Olha, Juanito, eu não preciso do dinheiro,  o que eu preciso é que o meu país seja tratado com justiça. Preciso que os EUA paguem as dívidas que possuem com meu país, por toda a destruição que vocês causaram aqui. Preciso estar em uma posição onde eu possa ajudar outros países latino-americanos a se tornarem independentes e se libertarem desta presença terrível do norte, com a qual vocês vêm nos explorando tão terrivelmente.  Preciso que o Canal do Panamá esteja de volta às mãos do povo, é disso que eu preciso’. ‘Me deixem em paz, parem de tentar me subornar’.  Isso foi em 1981, e em maio daquele ano Jaime Roldós foi assassinado. Omar sabia muito bem o que era isso, então juntou sua família e disse: ‘provavelmente sou o próximo, mas tudo bem, porque eu fiz o que vim fazer, renegociei o canal, agora ele estará em nossas mãos’. Ele tinha acabado de fazer um acordo com Jimmy Carter. Em junho de 1981, apenas dois meses depois, ele também morreu em um acidente aéreo, que certamente foi realizado por chacais apoiados pela CIA. Há evidências de que um dos agentes entregou ao presidente quando ele embarcava, um pequeno gravador que continha uma bomba.”

VENEZUELA, 2002

É interessante ver como esse sistema continua, e mesmo através dos anos, com a diferença de que os assassinos estão ficando cada vez “melhores”. Temos também o que aconteceu recentemente na Venezuela em 1998, Hugo Chávez foi eleito presidente,  depois de uma longa seqüência de presidentes muito corruptos, que haviam basicamente destruído a economia do país. Chávez foi eleito nessa época. Ele enfrentou os EUA, exigindo que o petróleo venezuelano fosse usado para ajudar ao povo venezuelano. Bom, nõs não gostamos muito disso nos EUA. Então, em 2002,  foi organizado um golpe e para mim e outras pessoas, não há dúvida de que a CIA estava por trás desse golpe em um nível ou outro, e novamente as políticas do governo basicamente são criadas pela CORPORATOCRACIA e apresentadas pelos líderes políticos,  criando uma relação muito profunda. Isso não é uma teoria de conspiração, essas pessoas não se reúnem e ficam tramando. Todos eles trabalham a partir de uma premissa básica, que é a maximização de lucros sem considerar os custos sociais e ambientais. Maximizar lucros, independente do impacto social e ambiental.”

Zeitgeist Addendum retoma a narrativa, e sintetiza:

Esse processo de manipulação corporativa  através de dívidas, corrupção e golpes também é chamado de GLOBALIZAÇÃO. Assim como o Federal Reserve (FED) mantém o povo americano em uma posição de servidão incondicional através de dívidas infinitas, inflação e juros, o Banco Mundial e o FMI cumprem esse papel em nível global. A farsa  é simples: Coloque um país em dívida, seja por sua própria imprudência ou seja pela corrupção do líder desse país. E então imponha “condições” ou “políticas de ajuste estrutural” que frequentemente consistem em:

Desvalorização da moeda: Quando o valor de uma moeda cai, o mesmo vale para tudo avaliado através dela.  Isso torna  os recursos nativos disponíveis para países predadores, por uma parcela de seu valor real. Cortes no financiamento de programas sociais que normalmente incluem Educação e Saúde,  comprometendo o bem-estar e a integridade da sociedade e deixando as pessoas vulneráveis à exploração.

Privatização de empresas públicas: Isso significa que sistemas com importância social podem ser comprados e controlados por corporações estrangeiras que visam lucro. Por exemplo; em 1999 o Banco Mundial insistiu que o governo boliviano vendesse o sistema de água e esgoto da terceira maior cidade, à uma subsidiária da americana Bechtel. Assim que isso aconteceu, as contas de água dos moradores locais já empobrecidos dispararam. Foi só depois de uma intensa revolta popular que o contrato com a Bechtel foi anulado.

E existe também a liberalização do comércio ou a abertura da economia: Isso dá margem a uma série de manifestações de abuso econômico, como; corporações transacionais trazerem seus produtos de fabricação em alta escala, prejudicando a produção nativa e arruinando economias locais. Um exemplo é a Jamaica, que depois de aceitar empréstimos e condições do Banco Mundial, perdeu seus maiores mercados de safras por causa da competição com importados ocidentais. Hoje muitos agricultores estão sem trabalho porque não podem competir com as grandes corporações.

Outra variação é a criação aparentemente desapercebida, de várias exploradoras desumanas e não-fiscalizadas, que se aproveitam das dificuldade vigentes. Além disso, devido à produção descontrolada, a destruição do meio ambiente é contínua, uma vez que os recursos de um país são frequentemente explorados por corporações diferentes, que também emitem enormes quantidades de poluição proposital.

O maior processo em Direito Ambiental da história mundial está ocorrendo em favor de 30 mil pessoas do Equador e da Amazônia,  contra a Texaco, agora propriedade da Chevron, logo, é contra a Chevron, mas sobre atividades realizadas pela Texaco. Estima-se que a quantidade de poluição seja 18 vezes o que o Exxon Valdez depejou na costa do Alasca.   No caso do Equador, não  se tratou de um acidente; As petroleiras agiram de propósito, eles sabiam que estavam fazendo isso para ECONOMIZAR em vez de fazer o escoamento correto.

Indo além, uma rápida observação do histórico de desempenho do Banco Mundial, revela que a instituição que declara publicamente ajudar países e reduzir a miséria, não fez nada além de aumentar a pobreza e as diferenças sociais enquanto os lucros corporativos só sobem. Em 1960, a desigualdade de renda entre o quinto país mais rico e o mais pobre do mundo era de 30 para 1. Em 1998, era de 74 para 1. Enquanto o PIB global cresceu 40% entre 1970 e 1985,  a margem de pessoas na faixa de pobreza cresceu 17%.  Entre 1985 e 2000, o número de pessoas vivendo com menos de um dólar por dia cresceu 18%. Mesmo a Comissão Conjunta de Economia do congresso americano, admitiu que a taxa de sucesso dos projetos do Banco Mundial é de meros 40%.    No fim dos anos 60, o Banco Mundial interveio no Equador, com grandes empréstimos. Nos 30 anos seguintes a pobreza cresceu de 50% para 70%.  O desemprego foi de 15% para 70%.  A dívida pública saltou de 240 milhões para 16 bilhões, enquanto a parcela de recursos destinados aos pobres caiu de 20% para 6%.

Em 2000, 50% do orçamento nacional do Equador estavam  sendo alocados para pagamento de dívidas.

É importante entendermos que o Banco Mundial é na verdade um banco americano, atendendo a interesses americanos, pois os EUA têm poder de veto sobre as decisões, já que é o maior fornecedor de capital. E de onde eles tiram esse dinheiro? Acertou: Ele foi criado do nada pelo sistema bancário de reservas fracionadas.

Das 100 maiores economias do mundo, com base no PIB, 51 são corporações, das quais 47 ficam nos EUA.  A Wal-Mart, a General Motors e a Exxon têm mais poder econômico que a Arábia saudita, a Polônia, a Noruega, a África do Sul, a Finlândia, Indonésia e muitos outros.    E à medida que as barreiras comerciais são quebradas, moedas são unificadas e manipuladas nos mercados de especulação, e as economias dos governos. Poucos têm sido capazes de controlar ao “ajustes estruturais” e “condições” do Banco Mundial, ou do FMI, ou das decisões da Organização Mundial do Comércio, que mesmo inadequados determinam o significado de globalização econômica… O poder da globalização é tão grande que durante nossas vidas provavelmente veremos a integração, mesmo que desigual, de todas as economias nacionais do mundo, num único sistema de mercado livre global.   O mundo está sendo dominado por um punhado de negócios poderosos que controlam os RECURSOS NATURAIS que precisamos para viver, enquanto controla o dinheiro que precisamos para obtê-los.  O resultado final será um monopólio mundial, baseado não na vida humana,  mas em poder corporativo e financeiro. Conforme a desigualdade cresce, claro, mais e mais pessoas se desesperam. Então o sistema foi forçado a criar um novo modo de lidar com quem desafia este sistema. Assim nasceu o “TERRORISTA”.

É inconcebível a forma como a imprensa tenta subestimar nossa inteligência.

Age, principalmente, certos de que não somos dotados de senso crítico.  Talvez porque ela própria, a chamada “grande imprensa”, dos grandes oligopólios de comunicação, tente e consiga, por vários meios, manter a maioria de nós alienados da realidade que nos cerca.

Como conseguem isso?  É fácil responder: a televisão está recheada de entretenimento! E fazemos eco a Zeitgeist, que diz:

“A última coisa que os homens por detrás da cortina querem, é um público bem informado e consciente, capaz de fazer pensamento crítico.  Esta é a razão pela qual existe um contínuo e fraudulento Zeitgeist via religião, mídia de massa e sistema educacional.  Procuram mantê-lo distraído como uma infantil bolha de sabão. E estão fazendo um trabalho excelente.”

Big Brother, programas de auditório, programas de entrevistas de celebridades, novelas, telejornais, desenhos animados, enlatados de baixa qualidade… tudo é feito propositalmente para nos emburrecer, nos distrair.

De carona nessa onda manipulativa, via de regra, grandes colunistas cunham termos como “Patrulheiros da Lama”, “Esquerdistas”, “Petralhas”, “Socialistas”, “Comunistas” e, quiçá, “terroristas”.

Parecem se esquecer que a grande maioria de nós, somos simplesmente o povo, e gostamos de ser lembrados por nossos governantes.  Mais que gostamos, exigimos – visto que o poder, de nós emana (ou deveria…).

Em nossa época um fenômeno se apresentou: nós, o povo, experimentamos colocar no poder um de nós.  E para desespero geral das elites e do poder dominante, do estabilishmment… está dando certo!!

Ao examinar os porquês dessa conquista, podemos concluir com segurança que a força da mídia já não é tão relevante assim, na era internet.  O povo sabe em quem ou em quais instituições pode e deve confiar, pelo simples critério bíblico: conhece-se as árvores pelo seus frutos.

À imprensa tem cabido o papel de sempre causar sensações de intranquilidade e demonstrar o quanto o mundo que nos cerca é corrupto, falível e decrépito.  Cumpre esse papel há séculos.  E só ingênuos acreditam em sua isenção ou sua suposta “transparência”, que deveria nortear suas ações.

Por motivos econômicos, políticos ou mesmo pela fogueira das vaidades; por interesses egocêntricos, ou simplesmente porque estão a serviço de projetos imperialistas de outras nações, os homens de imprensa não pensam em seu povo.

Aí está um exemplo flagrante do que falávamos no post anterior (Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?).

Transcrito do site Viomundo e Blog do Planalto.  Texto editado (diferentemente da Imprensa manipuladora, nós avisamos); para ler o original, clique aqui.  Os grifos, em negrito, são nossos.  Prestem bastante atenção, e nos respondam se  não tínhamos razão…

Estadão derrapa na reportagem e ainda reclama das críticas

Na sexta-feira passada (26/03) o Estadão publicou editorial reclamando do presidente Lula por se queixar da má-fé de setores da imprensa. Até parece que o jornal estava se defendendo antecipadamente. Vejam como o Estadão muda o contexto de uma declaração do presidente em reportagem assinada pelos repórteres Tânia Monteiro e Renato Andrade na edição desta terça-feira (30/3) e tirem suas conclusões.

O título da matéria é “Ao lado de 18 governadores, Lula lança PAC 2 para impulsionar Dilma”. No quarto parágrafo, os repórteres, que deveriam reportar os fatos com fidelidade, dizem o seguinte:

“No mesmo discurso, o presidente anunciou que havia desistido de viajar hoje a Pernambuco para inaugurar uma parte da Ferrovia Transnordestina, por problemas com a obra. “Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora”, disse Lula, reconhecendo fragilidades do PAC 1.”

Em primeiro lugar, o Presidente não reconheceu fragilidades do PAC 1, como afirmaram os repórteres do Estadão. A reconhecida insatisfação com o que foi feito até agora foi dita em um contexto diferente do apontado no texto. Ele se referia ao conjunto de realizações do governo. Inclusive, o exemplo citado foi o do Bolsa Família, que não está no PAC.

Vejam o trecho a seguir para tirar suas conclusões e ver se o presidente não tem razão de criticar:

“Então, eu quero terminar, companheiros, dizendo para vocês apenas duas coisas. Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora, e acho que nenhum de vocês está contente, porque nós temos a obrigação de fazer mais, temos competência de fazer mais. O povo pobre deste país precisa que a gente faça mais, e a economia precisa que isso aconteça.

Eu fico imaginando se nós, naquele momento de crise, tivemos que fazer um investimento de quase R$ 12 bilhões no Bolsa Família, o próximo governo não pode se contentar com [R$] 12 [bilhões], vai ter que fazer mais. Ou vai ter que gerar tanto emprego, que um dia não vai precisar mais ninguém ter o Bolsa Família. Porque quando a gente começou a fazer o programa Bolsa Família, qual era a crítica que a gente recebia? “Cadê a porta da saída? A porta da saída? A porta da saída?”. Os coitados não tinham nem entrado. Eu não sei porque pobre incomoda tanta gente neste país! Não, porque a verdade é essa, é que incomoda.”

Em segundo lugar, o presidente não disse que havia desistido de viajar a Pernambuco para inaugurar parte da Ferrovia Transnordestina e nem que a obra estava com problemas. Até porque não estava prevista nenhuma inauguração de trecho da ferrovia. O que se cogitou foi inaugurar uma fábrica de dormentes e uma fábrica de britas, que não ficaram prontas. Isso foi dito à repórter Tânia Monteiro por mais de um assessor de imprensa da Presidência, mas foi ignorado. Confiram o que o presidente disse, e julguem a qualidade da reportagem:

“Veja, eu estou dizendo isso de público porque eu ia amanhã para a Transnordestina, para inaugurar a fábrica de dormentes, a maior do mundo, e a fábrica de brita que, sozinha a usina de brita, vai produzir mais brita que as quarenta que tem em São Paulo. E não vamos porque não está pronta. Esse compromisso foi feito comigo em janeiro, em janeiro. Não está pronta.

Então, eu quero terminar, companheiros, dizendo para vocês apenas duas coisas. Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora, e acho que nenhum de vocês está contente, porque nós temos a obrigação de fazer mais, temos competência de fazer mais. O povo pobre deste país precisa que a gente faça mais, e a economia precisa que isso aconteça.

Eu fico imaginando se nós, naquele momento de crise, tivemos que fazer um investimento de quase R$ 12 bilhões no Bolsa Família, o próximo governo não pode se contentar com [R$] 12 [bilhões], vai ter que fazer mais. Ou vai ter que gerar tanto emprego, que um dia não vai precisar mais ninguém ter o Bolsa Família. Porque quando a gente começou a fazer o programa Bolsa Família, qual era a crítica que a gente recebia? “Cadê a porta da saída? A porta da saída? A porta da saída?”. Os coitados não tinham nem entrado. Eu não sei porque pobre incomoda tanta gente neste país! Não, porque a verdade é essa, é que incomoda.”

Questionamos:  não tínhamos razão?  É essa a imprensa que queremos?  Que precisamos?  Que muda e manipula os fatos?  E por quais motivos?  Qual seu objetivo-fim?

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Links Relacionados:

Vi o Mundo – http://www.viomundo.com.br

Blog do Planalto – http://blog.planalto.gov.br

O Presidente Lula é o entrevistado desse domingo do programa Canal Livre Especial, da Rede Bandeirantes.  Agora à noite, o jornalista Bóris Casoy (aquele que adora garis), jurou de pés juntos, no jornal da Band, que a entrevista não foi editada nem um pouquinho, e acrescentou que, nela, houveram, sim, momentos ácidos, que foram sublimados.

Lula tradicionalmente dá um banho em jornalistas – principalmente os do Canal Livre -, porque sabe encarntá-los, já que conta com uma inteligência emocional brilhante, um carisma inegável – reconhecido mundialmente – e, sem sombra de dúvida, passa longe da infeliz e errônea imagem de mal-informado e inculto.  É uma das pessoas mais brilhantes que já vimos.  Sem sombra de dúvida, o melhor presidente que este país já teve.

Esse é uma das raras ocasiões em que fica difícil para o PIG – senão, impossível -, torcer, enganar, manipular e distorcer informações.  Estaremos atentos e acordados assistindo, com uma xícara de café fumegando em nossas mãos!

Hoje é a final do Big Brother Brasil, na Rede Globo.  Infelizmente, mais tempo perdido com entretenimento alienante.

Nada temos contra o programa, que sem sombra de dúvida é tecnicamente feito de forma competente, por profissionais sérios.

Todavia, é o problema que traz o capitalismo com seus interesses, meramente econômicos.  Nesse sistema atual, as empresas não podem se nortear por principios éticos, tais como a produção e veiculação de programas educativos. Aparentemente, isto não daria audiência.

Apenas aparentemente.  No fundo, no fundo, todos nós agradeceríamos por encontrar, na tevê aberta, programas informativos, educativos e esclarecedores; contudo, o problema chama-se: rentabilidade.  Sim, estes programas não são viáveis, rentáveis a curto e médio prazo.  E são caros; a relação custo benefício é inferior à de produções com reduzido custo e alto retorno.

Nessa hora, o ser humano deixa de agir no interesse da coletividade, da humanidade, da disseminação do conhecimento.  Guiado pela necessidade de lucro, não importa mais saber se está se contribuindo para emburrecer o telespectador.

Mas somos somente uma voz, nesse mundo perdido; nessa hora, ninguém nos faz companhia:

Preferem descobrir se o Dourado será o vencedor…