Tag Archive: e-democracia


Um dos trabalhos sujos que a mídia faz é o de contribuir para a ampliação da sensação de impotência  de um povo.  Sinalizando subliminarmente através da divulgação de escândalos, corrupção, desvio de recursos públicos, violência, degradação moral e problemas sociais de forma geral, o cidadão, seu refém, que a ela (mídia) recorre para se manter informado, ao término do telejornal conclui, diariamente, que o mundo está perdido, o Brasil não tem jeito, e não vale a pena se preocupar, não vale a pena se importar, nada posso fazer.

Nada tão distante da verdade.

Prezado leitor: essa sensação experimentada por todos nós, é proposital!  Mas entenda: não estamos aqui dizendo que tudo que exista de mal deva ser ocultado; não se trata disso.  Se trata, primeiramente, de entender que a liberdade de imprensa tão pretendida, na verdade, é a liberdade de empresa – ou seja, da empresa de comunicação concessionária, que decide, ao seu bel prazer, filtrar a informação a que tem acesso e mostrá-la – ou não – a seus telespectadores/leitores/ouvintes.  Ao fazê-lo, atua de forma seletiva e subliminar.  Uma empresa concessionária de um serviço público tem, no mínimo, o dever de informar e o de entreter – e não o direito de manipular.

Infelizmente, na maioria dos casos, Liberdade de Imprensa não representa Liberdade de Informação!

O principal problema não é o que se diz, e sim o que não se explicita – o não dito, a linguagem não verbal, que induz  à conclusões estudadas.  Em nenhum momento você ouvirá uma rede de televisão dizer, com todas as palavras: gente, o mundo está perdido; não vale a pena se meter.  Isso – e muito mais – é dito sem palavras, começando com a escolha das notícias e a forma como elas são apresentadas.

Estendendo o exemplo, vemos que na mídia impressa – e, no caso em questão, na “mídia virtual” – um dos velhos truques utilizados é a disparidade entre a manchete – seja de capa, ou não – e o conteúdo imediatamente associado.  Nascida no seio dos jornais impressos – quando ainda não havia internet – as manchetes funcionam como a mensagem que um veículo de imprensa deseja expressar.  É um resumo, e são vistas pelos leitores como uma síntese do que está acontecendo de mais importante no dia.  E são percebidas como a imprensa – não como O Globo, Zero Hora ou Notícias Populares.

Uma das funções primordiais das manchetes são o de atrair o leitor para a aquisição do impresso (seja jornal ou revista).  Faz parte da chamada de capa, também, as fotos – e, em tempos recentes, infográficos e ilustrações.  É uma forma – quando mal utilizada – ainda mais perniciosa de passar informação, pois o que se vê atua de forma diferente do que se lê.  As imagens atuam como símbolos, arquétipos, se fixando no fundo de nossas mentes.  Não se diz que uma imagem vale mais do que mil palavras?  Vale, sim, estimado leitor, porque as imagens são emblemáticas; elas falam e significam coisas, por si só.  Não é a toa que se faz faculdade de jornalismo  – que inclui o fotojornalismo.  As notícias são coroadas por fotos memoráveis, escolhidas a dedo, que transmitem a mensagem que se deseja.  Não é a toa, por exemplo, que nunca se vê a imagem do candidato José Serra nos jornais, com o dedo no nariz – uma das suas atitudes mais estranhas e mais comuns.  Procure na internet, prezado leitor, e a encontrará em blogs, somente.  A grande mídia, que o defende, não deseja mostrar essa face.  É o filtro, estúpido!

Pois bem: quantas vezes não vemos uma manchete de capa apontando um fato grave, importante ou apenas interessante para, minutos depois, decepcionar-nos com o conteúdo, após a compra do jornal, descobrindo que a notícia não era exatamente aquela que se alardeava?

Como por exemplo numa manchete um pouco mais antiga, da época da chamada crise nos aeroportos, dada em uma publicação dedicada a concursos públicos: “Vagas para controladores de vôo – contratação imediata”.  Alguns reais depois, descobre-se que é necessário inscrever-se em um concurso público para a Força Aérea – concurso esse, cuja inscrição estava apenas prevista, a julgar pela dezena de anúncios de apostilas e cursinhos intensivos que tomavam a parte inferior da página.

Dando um fictício (?) exemplo, funciona da mesma forma, quando uma manchete alardeia: “Petrobrás opera com várias plataformas enferrujadas”.  Ao lado, a foto de uma estrutura caindo aos pedaços, sobre o mar.  O leitor passante – aquele que não vai comprar o jornal, só lerá a manchete e, se estiver na internet, não clicará sobre ela para ler o corpo da matéria -, já recebeu a mensagem que o dono do jornal quer passar (sim, o dono: é ele quem decide a linha seguida pela pauta!).  Dessa maneira, várias mensagens espoucam na mente dos leitores, de forma não verbal – ou seja, são percepções que ficam gravadas no nosso subconsciente através da associação da manchete e das imagens: O Governo é ineficiente; a Petrobrás é mal-administrada; meu Deus, eles operam com esse material podre?  Isso não existe nas empresas privadas; Poxa, que chato, nada muda; Ainda bem que existe esse jornal, que me conta a verdade…

Comprando o jornal e lendo a matéria, nota-se, com algum esforço e prática, o filtro atuando: um sindicato fez a denúncia (não foram informações apuradas diretamente), e a quantidade de plataformas que justifica o termo várias da reportagem são… duas! (entre, quem sabe, oitenta plataformas!).   Contudo, a reportagem omite que ambas encontram-se… desativadas!!

São esses pequenos truques de quem considera que tem o direito e o dever (sim, eles pensam assim) de intermediar e filtrar a informação a que temos acesso.  Sim, repetimos – eles pensam assim.  Inclusive estão incomodados com a idéia do Estado – esse ente a quem outorgamos o nosso poder – falar diretamente a nós, cidadãos, sem intermediação.  Pretendem eles atuar como intermediários do que deve ser a expressão do poder popular?

Não prezado leitor; não pretendem.  O fazem, há séculos. Mas agora gritam e esperneiam, porque a Petrobrás, o Palácio do Planalto, nós e você, leitor, temos blogs.  Afinal, quem precisa da imprensa?  Mais especificamente, desse tipo de imprensa, que ofende nossa inteligência?  Para quê?  Apenas para nos manipular?

Que todos possamos, através da internet, reaprender e exercitar a capacidade de pesquisa, de filtro, de garimpar a verdade através do cruzamento de múltiplas referências.  Isso feito, poderemos tirar nossas próprias conclusões – e não as conclusões que querem que tiremos!

Por fim, saiba, estimado leitor: vale a penas se importar, sim.  Vale a pena não só sonhar, mas lutar para ver o sonho realizado.  Foi com uma pequena mudança de direção que o nosso amado Brasil chegou onde chegou, e temos tudo para não apenas prosseguir no mesmo caminho, mas como ajudar a corrigir sua rota, através da democracia representativa e das informações transparentes, por meio da rede, que o governo Lula nos apresenta, e que certamente será continuado através de um eventual – mas cada vez mais provável, obrigado – governo Dilma.

As perspectivas para nosso futuro são fantásticas.  Com cada vez mais pessoas conectadas à internet, o comércio eletrônico irá certamente explodir, gerando mais e mais empregos.  As informações deverão circular livremente, e teremos muito trabalho ao instruir os recém chegados.  Os cidadãos deverão ter o hábito de pesquisar e fiscalizar, eles mesmos, as ações de seus governos, em cada uma das esferas (Federal, Estadual, Municipal), e acompanhar seus representantes.  Uma previsão mais que óbvia: haverá um boom na área de logística.  É melhor nos prepararmos, todos nós.

É o sonho brasileiro, tão longamente atrasado por interesses escusos, que bate à sua porta!  E ele é feito por nós – todos nós, sem excluir ninguém, sem deixar ninguém para trás! O estimado leitor é chamado à ação: tente! Se interesse! Se informe – e informe!  Diga alô para o mundo, compartilhe, dialogue, pergunte – e pergunte de novo, se necessário -, entenda, explique.

Vale a pena!

__________

Leia também:

Carta Maior: falta futuro para os barões da mídia

Eurico Vianna: da sociedade vertical à sociedade horizontal

Mais um que acorda!

Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?

Da série “Desmontando Inverdades: o e-mail da Ata da Petrobrás”

Conheça:

Blog do Planalto

Blog da Petrobrás – Fatos e Dados

Anúncios

Por Maurício Thuswohl(*) no Carta Maior.  O original pode ser lido aqui, e os grifos, em negrito, são nossos.

Realizado nos dias 19 e 20 de agosto, o 8º Congresso Brasileiro de Jornais foi revelador do momento pelo qual passam os principais conglomerados de comunicação no Brasil. A começar pelo próprio tema, “Jornalismo e Democracia na Era Digital”, o evento organizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) no Rio de Janeiro foi uma prova viva de que as poucas famílias que controlam os principais jornais do país vêm tendo muitos motivos para se preocupar desde que as novas mídias eletrônicas entraram em cena.

O principal tema de discussão entre os cerca de 700 empresários e profissionais do setor foi a gratuidade do conteúdo jornalístico na internet, curiosamente considerada por muitos dos presentes como “um entrave à democracia”. A própria ANJ, no texto de abertura do congresso, já antecipava sua posição a esse respeito: “O bom jornalismo, que difunde as informações de credibilidade e as opiniões que os cidadãos necessitam para fazer as suas escolhas, resulta de investimentos e deve ser adequadamente remunerado”.

Não é à toa que, este ano, a maior estrela do congresso organizado pelos donos da mídia no Brasil foi o jornalista Robert Thomsom, editor do Wall Street Journal. O jornal dos Estados Unidos se tornou o case de maior sucesso em termos de venda de conteúdo pago via internet. Durante sua palestra, o “guru” não decepcionou: “Precisamos urgentemente voltar ao que era antes. Voltar ao básico, em que as pessoas apreciam o conteúdo jornalístico o suficiente para pagar por ele”, disse.

Outras questões debatidas no congresso foram o fim da Lei de Imprensa e o fim da obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício da função de jornalista, destacados como “importantes avanços” pela presidente da ANJ, Judith Brito, que também é diretora-superintendente do Grupo Folha.

Única novidade do congresso, a ANJ apresentou um plano de autorregulamentação do setor, a partir da criação de um conselho dentro da própria associação. A idéia, no entanto, não conta com o entusiasmo sequer do vice-presidente da ANJ, e também vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho: “A autorregulamentação é um princípio muito bom, mas a atividade jornalística é carregada de subjetividades”, disse.

“Perigo na AL”

O grande momento do congresso, no entanto, foi o painel “O Futuro da Democracia e o Jornalismo”, que reuniu o diretor de redação da Folha de SP, Otávio Frias Filho, e o sociólogo e professor da USP Demétrio Magnoli, um daqueles intelectuais que, segundo a ANJ, “difunde as opiniões que os cidadãos necessitam”. Neste debate, a sociedade brasileira foi alertada para o perigo que constitui “a formação de joint-ventures entre companhias de telecomunicação e governos populistas” para controlar a difusão de informações: “Tal perigo ronda, em especial, a América Latina”, afirmou Magnoli.

O sábio neoliberal disse mais: “Vem sendo difundida a teoria de que os jornais são como partidos que fazem parte de um jogo político. Ela surge numa época em que volta a idéia de que o Estado deve falar diretamente às pessoas, evitando a mediação. Essa teoria política dá base a um projeto de jornalismo estatal em curso na América Latina, buscando criar uma imprensa alternativa, principalmente nos meios eletrônicos”.

Frias, por sua vez, estendeu a outros continentes o leque de culpados pela “guinada antidemocrática” no jornalismo mundial: “Vladimir Putin, Ahmadinejad, Chávez, Rafael Corrêa e Evo Morales representam uma erupção de governantes autoritários e populistas que, embora mantendo a aparência de democracia, manietam os poderes Judiciário e Legislativo, além de buscar controlar a imprensa”, disse.

“Conferencismo”

Os candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) passaram, em momentos diferentes, pelo 8º Congresso Brasileiro de Jornais. Os três presidenciáveis ratificaram a Declaração de Chapultepec, documento firmado em 1994 no México durante uma conferência hemisférica sobre liberdade de imprensa organizada pelos grandes empresários do setor.

Curiosamente, no mesmo dia em que passou pelo congresso da ANJ, Serra deu declarações públicas acusando o governo Lula: “Nos últimos anos, têm havido diversas tentativas de cercear a liberdade de imprensa no Brasil”, disse o tucano, que também fez críticas à 1ª Conferência Nacional de Comunicação, classificada como “parte de um processo de conferencismo pago com o dinheiro público”.

Em resposta a Serra, o ministro Franklin Martins divulgou uma nota pública na qual afirmou que o tucano “faz uma acusação grave e descabida” ao governo: “A imprensa no Brasil é livre. Ela apura – e deixa de apurar – o que quer e publica – e deixa de publicar – o que deseja. Opina – e deixa de opinar – sobre o que bem entende. Todos os brasileiros sabem disso. Diariamente, lêem jornais, ouvem noticiários de rádio e assistem a telejornais que divulgam críticas, procedentes ou não, ao governo. Jornalistas e veículos de imprensa jamais foram incomodados por qualquer tipo de repressão ou represália”, diz a nota.

Orquestra

Os ataques orquestrados ao governo e aos “inimigos da liberdade de imprensa” continuaram nestes últimos dias nos maiores jornais do país com a cobertura do XVI Encontro do Foro de São Paulo, evento do qual participam 54 organizações políticas de esquerda da América Latina e do Caribe. Fazendo referência ao documento final do encontro, que pede a democratização dos meio de comunicação, o jornal O Globo publicou matéria com o singelo título “PT e grupo da AL apóiam controle da mídia”.

Percebe-se pela postura adotada, seja nas páginas de seus veículos ou no congresso da ANJ, que os barões da mídia no Brasil, acossados em seu próprio domínio, começam a atirar para todos os lados em uma clara demonstração de que não sabem mais para onde ir. Qualquer semelhança com a campanha do candidato a presidente por eles apoiado não é mera coincidência. E pensar que, logo após o congresso da ANJ, foi realizado em São Paulo o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que reuniu cerca de 300 blogueiros em defesa da liberdade de expressão, da democratização da comunicação e da universalização da banda larga no Brasil. Como se vê, apesar das preocupações conservadoras, ninguém pode deter o futuro.

____________

Leia mais em:

Eva Golinger: o financiamento de Washington a jornalistas

Eurico Vianna: da sociedade vertical à sociedade horizontal

Mais um que acorda!

Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?

(*) Maurício Thuswohl é jornalista

Publicado originalmente no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui.

“Caros Blogueiros,

Moro atualmente fora do Brasil e tenho acompanhado à distância, e graças aos Blogueiros e à internet, as atualidades políticas e culturais do Brasil. Graças a essa façanha da blog-esfera brasileira no fortalecimento da mídia alternativa, pessoas como eu podem se manter atualizadas sem ter que se submeter, e na verdade à contragosto, à agenda política da grande mídia. Com interesse especial tenho acompanhado também o ‘Encontro dos Blogueiros Progressistas’, razão pela qual resolvi compartilhar uma fonte que, acredito, pode colaborar com o papel democratizador da informação exercido pelo blogs.

Clay Shirky, autor e pesquisador sobre internet e mídia social, no seu livro Here Comes Everybody: How Change Happens When People Come Together, [Aí vem todo mundo: Como as mudanças acontecem quando as pessoas se unem*] editado pela Penguin Books (2008) anuncia uma revolução em todo campo institutional de nossas sociedades. E só é uma revolução, como ele mesmo diz, se alguém sair perdendo. Em relação à realização de tarefas e resolução de problemas, essa mudança, que já está em andamento, vai minar o poder de instituições hierárquicas e enrigecidas e empoderar grupos cooperativos frouxamente associados. Acho que vale a pena conferir a utilidade para o contexto de luta dos blogs brasileiros. O sítio de palestras TedTalks.com disponibiliza uma apresentação do autor para download. Com legendas em português a palestra Institutions versus Collaboration (aqui) resume bem os assuntos tratados no livro.

Estudando a revolução causada pelas novas tecnologias nas instituições em geral, Shirky aponta o jornalismo como uma das classes onde a mudança é mais evidente. Ele, analisa, por exemplo, a intercessão entre a ‘blog-esfera’ e o jornalismo, e a questão do blogueiro ser, ou não, um jornalista — para ele essa não é a questão mais importante. Para ele importa mais entender como, por meio de baixo custo e novas tecnologias, a ‘amadorização’ na veiculação de informações termina por extrapolar a exclusividade da classe profissional. Achei dois de seus insights muito válidos, não só para os blogueiros, mas para todos os progressistas.

Primeiramente, no tocante ao jornalismo, a queda radical dos custos operacionais e a maneira como as mídias sociais mudam o cenário. Shirky afirma que essas novas tecnologias invertem o padrão ‘filtre primeiro e publique depois’, para o ‘publique primeiro e filtre depois’. Em sua análise, essa mudança tira das mãos dos ‘grandes’ editores o poder de decisão sobre o que é pauta (ou ao menos o relativiza), e passa a valorizar o julgamento do leitor, na medida em que este, por meio dos blogs, começa a redefinir a pauta da grande mídia. Um viés inovativo para o entendimento das mudanças tão faladas atualmente. Uma leitura genial e bem instrutiva, valendo, portanto, para todas as pessoas interessadas em desenvolver e aprimorar padrões mais cooperativos e horizontais de ação coletiva.

Outro insight importante é o papel dos novos meios de comunicação social na alteração dos padrões de formação, manutenção e operação de grupos sociais. Os novos meios, facilitando o compartilhamento de informações, a cooperação e a ação coletiva, interferem no equilíbrio entre a abordagem institutional, inerentemente exclusiva, segundo ele, mas predominante até o momento, e a abordagem colaborativa, mais democrática, mas até recentemente desprovida de tecnologias que a apoiassem.

Shirky, no entanto, alerta que “a questão aqui, não é que ‘isso é maravilhoso’ ou que vamos ver uma transição de abordagens exclusivamente institucionais para abordagens exclusivamente cooperativas. Vai ser muito mais complicado que isso. Mas o ponto é que será um reajuste maciço. E já que podemos vê-lo com antecedência e sabemos que está chegando, meu argumento é essencialmente: nós podemos muito bem nos preparar melhor para ele”.

Eurico Vianna

__________

Leia mais em:

Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?

Mais um que acorda!

Depoimento espontâneo do médico Adriano no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui (nos comentários via Intense Debate).  Os grifos, em negrito, são nossos.

“Sou médico e pela primeira vez venho comentar nestas paginas. Sempre tive comigo que algo andava errado, sempre vi que na politica brasileira os comentários sempre se afunilavam-se no que a TV, revistas e jornais de evidencia nos “empurravam” e as vezes me via perguntando: “será que sou só eu que penso contra ou o governo do Lula é ruim mesmo?”, “será que todos ( do ciclo em que convivo) tem razão ao criticar e achar ruim tudo o que ele faz?” Mas os numeros não indicavam isso, mas a TV sempre rebatia, pesquisas demonstravam crescimento e melhorias absurdas, mas a TV, jornais, revistas e a classe A toda sempre rebatia contra… O que esta acontecendo de verdade? Neste período começei a ir para a rede, trocar aquilo que cansava minha mente pela Net e comecei a ler sites como este, como do Nassif e Paulo Henrique Amorim, foi como se derrepente eu descobrisse que milhares e milhares de pessoas também pensavam igual a mim concretizando que existe sim algo de muito podre e ridículo no nosso pais. Nunca fui ingênuo de achar que não há coligações de poder em todas esferas que se degladiam até a morte para se manterem no poder ou buscar o mesmo, isso sempre existiu e sempre existirá, sempre soube que política e midia ora andaram juntas, ora contra neste duelo de manutenção e expoliação do poder, mas não tinha a prova palpável para confirmar que estes exageros tão evidentes estão alienando parcelas da população e de forma descarada arrombam os portões de uma mínima ética residual para uma agressão nociva, manipulando fatos e fatores para envenenar a realidade, me sentia impotente porque não tinha fatos além daqueles manipulados que chegavam a minha casa pela velha oligarquia prostituta e viciada que é atualmente conhecida PIG, para defender minha senssação de que ” que merda é essa que eu estou vendo nas revistas e na TV e que parece que todos que conheço não enchergam que esta claramente sendo uma manipulação barata?”, ” só vejo criticas pessoais ao presidente, só vejo acusações de todos os tipos, sem nenhuma prova, mas nunca vejo o direito de defesa ser noticiado, ser evidenciado, e o pior, sempre vejo a oposição fazer estardalhaços com coisas que pela imcopentencia homérica são resultados do governo anterior deles? Cade o senso? Cade alguem para equilibrar as coisas? Eles foram claramente os causadores de tudo que esta ai de ruim na saude e economia e nestes ultimos 8 anos e o que tenho visto foi o resgate da minha moral la fora, do meu pais e isso não tem preço, cade o reconhecimento?” e sempre ouvia: “Ahhh, cara, vc ta viajando, você acha mesmo que este cachaceiro ta resgatando alguma coisa? Ele é o maior embuste do século, o cara que roubou todas ideias do antecessor e ganhou a moral disso!”…. Como é triste ver o quão obtusa pode ser a mente humana, ingrata por natureza e acima de tudo, ofenciva e nociva! Só por não gostar de ver um operário acima na hierarquia, isso justifica todo preconceito, ingratidão e falta de senso. Quando vi o video do meu presidente relatando o que passou com aquele diretor da folha e depois li a verborragia esquizofrênica da diretora da ANJ confirmando o inconfirmavel, o inadimissível e totalmente repudiável que eles são a unica oposição ao governo eu me senti verdadeiramente…. aliviado! Aliviado por saber que não estava certo que mais ainda por saber que a luz no fim do túnel esta ai, esta aqui na minha tela, no milhares de bloqueiros e internautas que estão buscando a verdadeira noticia, a verdadeira ideia, a verdadeira oposição ao domínio intelectual que sempre fomos obrigados a aceitar desde sempre!!! Cara quando vi MEU presidente falar o que ele falou no discurso sobre a folha e a elite política e da mídia eu verdadeiramente me emocionei, veio namente na hora o respeito que sabia que tenho pelo seu governo e sua pessoa, sei que é politico, que tem falhas e passível de corrupção como todo político, mas ele foi o único que me deu a chance de dizer bem alto :“Pais do Carnaval, mulata e futebol e a PUTA QUE O PARIU!!!!!” ahhh e como isso me faz bem poder falar… sempre fui criado em berço explendido, sempre tive do melhor e hoje ocupo um bom lugar na sociedade, mas nunca vou poder negar que todos tem seu direito a isso e que so com ele isso esta sendo possível, so neste governo eu vejo todos poderem ter alguma coisa e algum respeito! Este foi o desabafo de uma cara que esta feliz em poder ver aqui ideias pares e saber que não estou sozinho!”

Nos abstemos de procurar corrigir, criar parágrafos ou mesmo alterar quaisquer expressões.  O texto acima é cópia fiel do original.  Dessa forma, fiéis ao original, ficam evidentes a sinceridade e o desabafo do leitor, que procurava, naquele exato instante, traduzir em letras o que sentia, a torrente de idéias que circulava em sua mente, que uma linguagem formal e fria não poderia, nunca, refletir.  Além do mais, entre um gole de qualquer bebida e tiragostos, em qualquer roda de amigos, é nessa linguagem que nos expressamos, não é mesmo?  É essa a nossa realidade.

Quem que nós não pensa, ou não poderia, pensar da mesma forma?  Quantos de nós, de fato, não pensamos da mesma forma?

Nota-se que é uma pessoa de classe média, posição social e financeira estável, formado, mas sobretudo brasileiro, como o somos, em grande maioria.  O leitor que possa, á sua vontade, definir o que é mais marcante nesse desabafo. Creio que o leitor terá notado, no texto, o espírito de virada e justiça social, e o “orgulho Brasil” que estamos atravessando.

Um leitor do Vi o Mundo comemorou: “Você acabou de sair da Matrix!”.  Nós, portanto, corroboramos, felizes:  seja bem vindo ao mundo real, estimado Adriano!  Assim como nós, você desconectou o plugue e as mangueiras que alimentavam nosso cérebro com as melecas da Globo/Folha/Estadão/Veja, enquanto a ilusão era a de que comíamos caviar…  Juntos, acordaremos o resto do país!

A partir do editorial de Luiz Carlos Azenha, no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui, e está em recuo.  Os grifos são nossos, bem como os comentários, em amarelo e sem recuo.

Um dos motivos pelos quais os comentaristas da grande mídia brasileira podem se esborrachar nesta temporada eleitoral resulta do fato de que, ao longo dos últimos meses — para não falar desde 2002 — eles se negam a estabelecer uma relação de causa e efeito na economia brasileira. Alguns, por conveniência ideológica. Outros, por preconceito de classe.

O pressuposto deles é de que o governo Lula seria um desastre econômico. Quando não foi, passaram a adotar três explicações, adequadas à ojeriza despertada pela presença do metalúrgico no Planalto: 1) Lula apenas administrou as virtudes de Fernando Henrique Cardoso; 2) Lula deu certo por não fazer nada; 3) Lula deu sorte e foi ajudado pelo cenário internacional favorável. Eis que uma crise financeira internacional pipocou no meio do caminho, o Brasil sofreu menos que outros países com ela, saiu antes da recessão e crescerá em 2010 numa taxa considerável.

O leitor se recorda o quanto a imprensa, usando e abusando das aspas, ironizou a “marolinha”, expressão do Lula sobre o que seria a crise financeira mundial no Brasil?

E não é que foi uma marolinha mesmo?

Prossigamos.

Ainda assim, a negação de que o governo Lula possa ter alguma virtude ainda impera. A cobertura jornalística exprime isso. O crescimento é um “dado”, como se fosse resultado de alguma intervenção divina. O fato é que a população, sim, faz relação entre o governo e o crescimento. E é daí que nasce um imenso golfo entre a opinião dos jornais — para os quais foi “sorte” — e a realidade eleitoral.

Finalmente, há a questão do público a que se destinam as principais publicações brasileiras. Os jornalistas miram apenas nos que podem pagar pelos jornais e fazem uma apreensão não contextualizada da realidade.  O Valor, por exemplo, na reportagem que reproduzo abaixo, trata dos “problemas” dos empresários com a falta de material de construção, mas não explica o que está na outra ponta: são os imóveis populares, as reformas, os puxadinhos, os condomínios de classe média, a expansão imobiliária no Nordeste?  Se o jornal tivesse feito isso teria prestado não só um serviço aos leitores, talvez tivesse conseguido estabelecer uma relação entre a fantasia dos colunistas e a realidade dos eleitores.

Fornecimento de material de construção já preocupa

Falta de mão de obra limita capacidade de expansão do setor

Daniela D’Ambrosio, Murillo Camaroto, Sergio Bueno e Paola Moura – Valor Econômico – 13/08/2010

Além da dificuldade em encontrar mão de obra treinada, as construtoras enfrentam agora a escassez na oferta de materiais, também provocada pelo ritmo intenso de atividades do setor. Fornecedores de produtos básicos e de materiais de acabamento estão operando a plena capacidade. As construtoras dizem que os casos de falta de produtos são exceções, mas já são comuns os relatos de atraso em entregas e o aumento dos preços é visto como um entrave. As maiores dificuldades parecem estar no fornecimento de tijolos, mas cimento, ferro, concreto e cerâmica também foram apontados como problemáticos.

Memória: foi há 7 anos, em 2003, que a imprensa ironizou a afirmação de Lula sobre o “espetáculo do crescimento” – assim mesmo, entre aspas, como é típico da imprensa manipuladora.  Você pode perceber isso neste artigo da Folha de São Paulo.  A reportagem ainda diz que “Lula se utilizou de suas tradicionais metáforas para pedir paciência para os resultados das últimas medidas. Ele mencionou novamente que ‘um pé de feijão leva 90 dias para nascer e um filho durante os nove meses de gestação’ “.

Apesar da ironia do folhetim… dito e feito: hoje estamos colhendo feijões! Lula de fato foi eficaz ao preparar o país para o crescimento.  Como se diz popularmente: dando uma no cravo, outra na ferradura.  Por exemplo: de 1909 a 2002,  ultimo ano do mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foram construídas 140 escolas técnicas no país.  Todavia, desde que Lula assumiu o poder, em 2002, até nossos dias, foram construídas mais de 200 Escolas Técnicas, totalizando cerca de 360 em todo país.  Em outras palavras: o governo Lula criou sozinho mais Escolas Técnicas do que todos os outros presidentes da história do Brasil juntos!

Mesmo assim, sabemos que esse numero ainda é insuficiente, haja vista a escassez de mão de obra qualificada em alguns setores – principalmente na construção civil, como pudemos ver acima.  Isso vale uma moção de desagravo – poderia ser pior, se Lula nada tivesse feito -, mas, também, uma crítica: de fato, é preciso avançar mais.  Todavia, nunca sob a batuta do PSDB, que não fez quando pôde, e não é agora que faria – por mais que seu candidato tente, inutilmente, convencer-nos do contrário.  Essa, sim, é a percepção popular.  É isso o que se ouve nos trens, no trabalho, nos pontos de ônibus, nas rodas de bar.  Também é disso que fala o Azenha, quando nos explica sobre o distanciamento da realidade de que sofre a mídia.  Dissemos isso antes: eles falam de si para si, conversam com o próprio umbigo.  A única diferença em relação a nós, é que gritam – por isso são escutados (e não mais ouvidos).  De qualquer forma, eles têm esse direito: são os 4% de insatisfeitos com o Governo Lula.  Azar o nosso que sejam donos da mídia e concentrem boa parte da renda.  Mas isso também levará pouco tempo, pois a renda já começou a ser redistribuída (felizmente para nós, povo).

Construtoras de todos os portes e das mais distintas regiões do país são unânimes: a escassez de mão de obra é o grande gargalo enfrentado pela construção civil atualmente. A falta de empregados preparados para erguer as obras, a concorrência com projetos de infraestrutura e a pressão da contratação nos custos já começa a afetar os resultados das companhias e a obrigá-las a revisar suas estratégias. A saída vai desde aumentar o uso de tecnologias industrializadas na construção a elevar o preço do imóvel, “importar” trabalhadores de outros Estados e até o uso de mão de obra alternativa, como a de presidiárias em regime semi aberto. O problema já causa atrasos de cerca de três meses nas entregas.

Que prazer que dá imaginar um trabalhador voltando para sua terra, no Nordeste, reencontrando sua família, justamente porque dezenas de empreiteiras na região precisam desesperadamente, de mão-de-obra!  Ele, justamente ele, que de lá saiu, fugindo da sêca e da completa ausência de oportunidades e de atenção do Estado!  Mas que ninguém leia nossas palavras com preconceito (algo do tipo “já vão tarde”).  É inestimável o valor do nordestino, bem como de todo o nosso povo, na região em que se estabelece – qualquer que seja ela.  Mas é muito justo que eles não precisem deslocar-se para ter direito a um mínimo de dignidade e à atenção do Estado.  Esse processo, continuadamente, irá contribuir para a desconcentração da renda, visto que o trabalhador, em sua terra natal, também é fonte de riqueza para seu município de origem, engordando o PIB per capita da região.

E é, de novo, muito feliz o resultado dessa escassez de mão-de-obra, no sentido de gerar oportunidades para  a polulação carcerária brasileira.  O Conselho Nacional de Justiça empreendeu recentemente uma campanha nos rádios e redes de TV no qual pretende estimular a contratação de presidiários, dando novas oportunidades a quem sai das prisões e precisa recomeçar a vida.   Mas sabemos o quão difícil deve ser para o preconceito das pessoas, assoladas por esse capitalismo atroz, esse egoísmo, esse individualismo estúpido,  dar nova oportunidade a  quem errou e precisa de uma chance de reintegração à sociedade.  Claro que sabemos, também, que cada caso é um caso.  De qualquer forma, no fim das contas, mais uma vez… ponto para Lula, que entendeu perfeitamente que o papel do Estado não era o de mero coadjuvante dos mercados, e sim um indutor do processo de crescimento.  O Mercado nada sabe, o mercado é uma entidade ao sabor dos ventos do lucro.  Uma hidra.  É ao Estado, esse ente a quem nós outorgamos nosso poder, que deve cuidar de nós.  Lula foi lá, no Planalto, lembrar aqueles que estavam no poder, dessa realidade, dessa verdade – até, então, apenas ideal, mas que hoje é realidade.

Entre janeiro e junho, a construção civil gerou 230 mil novos empregos no país – quase o triplo do mesmo período do ano passado, quando foram abertas 79,4 mil novas vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Nos últimos cinco anos, a construção civil, sozinha, foi responsável por 40% das novas contratações no país. “A pressão existe, é numérica e é fato”, afirma Luis Largman, diretor financeiro e de de relações com investidores da Cyrela.

Bom, depois dessa, ainda somos obrigados a aturar José Serra, ajudado por seus assessores e por uma pá de matérias, artigos e reportagens do PIG (Partido da Imprensa Golpista – será que alguém não conhece?) gritando, por exemplo, que “Dilma está maquiando os números”, “as obras do PAC estão paradas”, “o país não está investindo”, etecetera! Ainda bem que, como dizia o seriado Arquivo X, a verdade está la fora, e ela grita e brilha aos nossos olhos. É como diz um pensador: a verdade não tem álibis.  Ela aparece, de um jeito ou de outro, se impõe e permanece.  Simples assim.

A Cyrela foi a primeira – e única até momento – a divulgar o impacto do aumento dos custos nos resultados. Ela reviu os custos em 244 empreendimentos, mais de 90% do que tem em construção e lançamento. Houve um aumento de 2,2% acima do INCC no segundo trimestre. A margem bruta teve queda de 3 pontos percentuais, para 32,6%.

Só no período, de acordo com a Cyrela, a mão de obra aumentou 11% na média. Segundo Largman, os empregados especializados passaram a cobrar mais. “Estamos pagando mais caro por uma mão de obra menos qualificada e produtiva.” A empresa elevou o preço dos lançamentos em 20% para compensar os custos maiores. Mas demora algum tempo para que o balanço capture esse aumento. Para contornar o problema, a Cyrela investe em treinamento e testa métodos construtivos alternativos, mas são soluções de médio e longo prazo. “Por isso, os preços não vão parar de subir.”

“Estamos pagando mais caro por uma mão de obra menos qualificada e produtiva.” O leitor precisa entender o que está por trás dessa afirmação.  O Governo Lula vem batendo recorde atrás de recorde na geração de empregos.  Especialistas determinaram recentemente que, se a curva de geração de empregos continuar ascendente do jeito que está, em alguns meses, teremos a situação inversa: o desemprego negativo, ou o pleno emprego.  Mais exatamente, Luiz Mendonça de Barros, e justamente na Folha de São Paulo, em artigo publicado em 16/04/2010.  De novo, a Elite falando para a Elite:

“A maior parte da oferta na economia brasileira é constituída por bens e serviços que não podem ser importados. O mais importante deles é o mercado de trabalho e nele é que está a componente mais ameaçadora que vejo para a frente. […] Poderemos chegar ao fim deste ano com uma taxa de desemprego da ordem de 6%, mantido o crescimento atual da geração de postos de trabalho. Em março, o número de empregos formais aumentou em 266 mil, número muito forte para o mês.

[…] A pressão sobre os salários desse segmento dos trabalhadores já está ocorrendo e deve se acelerar. […] São evidências de instabilidade grave. Dou um exemplo: a produção de caminhões da Mercedes-Benz brasileira em março foi o dobro da matriz na Alemanha. Mesmo com a crise na Alemanha esse número é um aleijão para mim.”

E Artur Araújo, na Carta Maior (em 28/04/2010), analisou:

“Trocando em miúdos: crescer rápido é um “problema”, porque pode gerar aumentos salariais para os trabalhadores e reduzir a taxa corrente de lucros. A ótica do imediatismo salta aos olhos; nem mesmo de relance, o articulista se refere a um ciclo virtuoso, em que o crescimento real da massa salarial implica ampliação da demanda efetiva, cria as condições para expansão da capacidade produtiva (e da formação de mão-de-obra) e para a expansão da própria acumulação de capital, pelo crescimento do volume produzido e realizado.

O seu negócio é o aqui e agora, é o lucro já; e o futuro, provavelmente, nem a Deus pertence. O espantalho que agita é o da inflação de demanda, que se recusa a atacar pela via do choque de oferta, do mercado interno de massas e da expansão das exportações de maior valor agregado. Sua panacéia é o aumento dos juros.

(…)

O FMI, que não é daqui, ecoa a lógica de Mendonça. Seu mais recente relatório, diz a FSP em manchete, “vê economia brasileira ‘no limite’”. Forçado pelos fatos a revisar – para cima – sua estimativa de crescimento da economia do Brasil, o Fundo “aponta demanda ‘em estágio avançado’ e espera medidas para desacelerar crescimento de 5,5% neste ano para 4,1% em 2011.” Tanta coincidência, até nas palavras, é sintoma de um alinhamento automático, de um modo de ver e conduzir o país.

O PSDB de hoje, por vezes até mais que os “demos”, olha a economia e o Brasil com esse viés. O que o orienta é o mundo internacional das finanças e a propensão a pensar em pedaços, em satisfazer-se com políticas que incluem só um terço dos brasileiros – os mais ricos – e só uma parte de nosso território – o sul-sudeste. É a turma dos 30%.

Expansão de consumo, crescimento de salários, ampliação da produção, desenvolvimento da infraestrutura, inclusão e capacitação das pessoas, todos esses são temas ausentes de suas formulações – ou vistos como “aleijões”. Aumento continuado e real do salário mínimo, instituição de pisos salariais nacionais, redução de jornada de trabalho, diminuição de desemprego, PAC, PROUNI, são pautas que os levam à beira do pânico. Tudo que seja para todos é risco, não oportunidade.

Esse alinhamento automático pode ser percebido também e principalmente no candidato José Serra (clique aqui para entender).  E sobre o FMI, não há muito o que dizer: leia aqui sobre os Assassinos Econômicos, e você entenderá o alcance dessa instituição, seu modus operandi e a quem ela serve.

Resumindo tudo em outras palavras: o desemprego favorece os donos do capital, não os trabalhadores.  Não estamos aqui nos pronunciando contra as centenas e milhares de empresarios do país, que são responsáveis pela massa de empregos gerados no país; mas sim, e especialmente, contra os donos do capital meramente especulativo, para quem somos números.  Ou dos que favorecem as políticas imperialistas americanas, com sua corporatocracia cruel.  E, de forma geral, falamos dos 4% de insatisfeitos com o Governo Lula, que têm uma mentalidade tosca a ponto de preferir frear o crescimento do país em prol de seus lucros, mesmo que isso favoreça outras nações.  Falaremos disso mais adiante.

O uso de tecnologias construtivas que reduzem o uso intensivo de mão de obra é uma saída adotada por boa parte das empresas de grande porte, como Rossi, Direcional e Gafisa. Enquanto na construção civil convencional o trabalho é mais artesanal e exige o emprego de profissionais especializados, como carpinteiros, no sistema industrial o processo é de montagem, como em uma fábrica. O uso dos chamados serventes – profissionais com pouca experiência e que nesse caso são chamados de montadores – passa de 40% em uma obra tradicional para até 85% no sistema de construção industrializada. “O sistema garante uma economia de custos importante”, diz Cásio Audi, diretor financeiro da Rossi, que investe em fábricas de casas com paredes pré-moldadas.

A questão é mais grave em determinadas regiões. A escassez de mão de obra treinada é grande no Nordeste, mas há um agravante na Bahia. Terceiro maior empregador do setor durante o primeiro semestre, o Estado não dispõe sequer de instrutores para os cursos de qualificação. No início do próximo mês, o Sinduscon local começa uma verdadeira caça ao tesouro nos canteiros de obras de Salvador, na busca de profissionais que reúnam características mínimas para dar treinamento.

O Nordeste teve o melhor desempenho em contratações no primeiro semestre – alta de 588% em relação ao mesmo período de 2009. “A questão por aqui está muito difícil. Essa velocidade de crescimento prejudicou a qualificação da mão de obra. Temos um problema sério de produtividade em nossos canteiros”, queixa-se o presidente do Sinduscon baiano, Carlos Alberto Vieira Lima. Segundo ele, os gargalos estão gerando aumento de custos e atrasos nas entregas de imóveis no Estado.

No Ceará, onde o emprego na construção subiu 770% em comparação ao primeiro semestre de 2009, a situação não é diferente. De acordo com o presidente do Sinduscon local, Alberto Sérgio Ferreira, há dificuldade em se encontrar mestres de obras, carpinteiros e ferreiros. “Não tem ninguém desempregado e isso fica inflacionando o mercado. Fica um tomando do outro. É guerra.”

Quem, afinal, em sã consciência, consegue esquecer do desemprego e da luta que era encontrar e manter um bom emprego, por alguns meses, na era FHC?  Que o trabalhador comum possa entender: atacam o Governo Lula especialmente nesse particular, porque ele gera mais empregos.  Como vimos isso põe os trabalhadores em situações de vantagem: o capital dependendo do trabalho.  Na verdade, essas duas forças nem precisam ser tão antagônicas assim.  É a lógica especuladora do capital que quer essa luta.  Referimo-nos ao capital sem pátria, volátil, especulativo.  Das corporações americanas, por exemplo.  Interessa a eles um Brasil eternamente no terceiro mundo, com farta mão-de-obra barata, com milhões de trabalhadores desempregados lutando por vagas cuja remuneração é estabelecida a seu bel-prazer, dado o desespero por emprego.  Explicamos; é só acompanhar o exemplo a seguir:

Brasil de ontem: João, dono de uma empreiteira, tem uma vaga de secretária, e quer pagar o menor salário possivel.  Fácil: anuncia num jornal, 100 candidatas aparecem. 70% delas não têm a qualificação necessária, (pois não têm renda para seu sustento, que dirá para sua qualificação), e ele pode enfileirar todas as 30 restantes oferecendo, entrevista a entrevista, um salário menor.  Diante da oferta, a candidata da vez sabe: sua recusa pode representar a chance para as outras da fila.  Pressionada por essa situação, e por sua necessidade de sustento, ela aceita. (Nota: o leitor já passou por isso, não? Nós também!)

Brasil de hoje: João anuncia num jornal, e ninguém aparece.  Melhor dizendo: aparecem 5 candidatas.  Dessas, 3 estão empregadas e estão apenas procurando uma oportunidade melhor, e elas levantam-se alguns minutos após o início da entrevista, logo que têm chance.  Agradecem e explicam que “a vaga não atende ao perfil da oportunidade esperada” (doce vingança!), despedindo-se educadamente.  Restam 2 candidatas: a primeira delas espera ser chamada em breve para um dos 3 concursos públicos que participou, e João resolve não arriscar, ficando com a última: Marta, que está recebendo a última parcela do Seguro Desemprego, por opção, e tem a qualificação necessária – Graças a Deus!  Mas explica que precisa ganhar, no mínimo, 3 vezes mais do que João ofereceu.  Não há alternativa: João aceita!!  E vai tratar a nova funcionária muito bem, pois Augusto, da empresa de Advocacia que ocupa a sala próxima à sua, também está reclamando que não consegue arrumar uma secretária.  O João não teria ninguém para indicar?

Se o leitor é empresário, dependendo de seu segmento, logo reconhecerá essa situação; ela tem sido cada vez mais frequente.  Temos ouvido e lido várias experiências do tipo.  Mas não é o fim do mundo, empresários: é apenas o início de um novo paradigma – a parceria do Capital com o Trabalho,  do dinheiro com o talento.  Veremos  isso mais adiante.

Perdão pela longa disgressão; voltemos ao texto.

No Rio Grande do Sul, a disputa por profissionais começou a apertar há cerca de um ano e desde então o setor busca alternativas, desde a “importação” de trabalhadores até a recente assinatura de um convênio com o governo estadual para recrutamento de presos que cumprem pena no regime semiaberto.

Há dois meses, o Sinduscon gaúcho fechou parceria com o governo do Estado para a contratação de presos que cumprem pena em regime semiaberto. Segundo a diretora de tratamento penal da Superintendência de Serviços Penitenciários do Estado (Susepe), Tatiana La Bella, a primeira turma, de 12 mulheres, deve se formar em setembro. Até o fim do ano serão treinadas mais 600 pessoas que hoje estão recolhidas em 19 presídios. Os salários serão iguais aos pagos aos demais trabalhadores, mas as empresas não vão arcar com encargos sociais, conforme prevê a lei de execuções penais.

Segundo o presidente do Sinduscon-RS, Paulo Garcia, seis mil unidades habitacionais devem ser lançadas em 2010 só em Porto Alegre, o dobro do registrado até 2006, e esse crescimento pode gerar atrasos nas entregas de obras iniciadas há dois ou três anos. “São construções que começaram sob cenário diferente.”

“Ainda não tivemos a necessidade de ajustar cronogramas, mas atrasos podem ocorrer”, admite Marcelo Carraro, gerente-regional da Goldfarb, que até setembro inicia a construção de duas mil unidades habitacionais na região metropolitana. Para reduzir os riscos (as casas e apartamentos devem ser entregues no fim de 2012), a empresa contrata construtoras locais e trabalha com painéis de alvenaria moldados nos canteiros de obras, o que reduz a necessidade de mão de obra e o desperdício de materiais, explica o executivo.

Para Marcelo Moacyr, diretor da Bairro Novo, em várias cidades onde a empresa está trabalhando há outros empresas que atraem mais ou competem com a construção. “Em Camaçari, por exemplo, o trabalhador é absorvido pela indústria do polo”, conta. Até em Porto Velho, a própria Odebrecht está competindo com sua subsidiária. “A usina tira mão de obra da construção.”

“Mesmo assim, o novo trabalhador leva tempo para ganhar produtividade, aumentando o custo.” Carraro diz que importar mão de obra chega a dobrar o custo, porque a empresa fica tem de fornecer alojamento e arcar com as despesas de alimentação e transporte. “Mas já houve casos, como em Blumenau, que trouxemos do Maranhão.”

O diretor de operação da João Fortes, Wagner Lofare, diz que mesmo o trabalhador que recebe treinamento acaba trocando muito de emprego em busca de um salário maior e é necessário treinar outro. “Não há comprometimento.”

“Não há comprometimento”.  Lofare uma essa interessante expressão, que define o que poderá ser, em breve, uma nova meta do empresariado brasileiro: gerar no empregado a sensação de pertencimento, de parceria, consequentemente, visando obter o comprometimento.  Estamos falando de um novo tempo, de novas práticas.  Mais benefícios?  Participação nos Lucros e Resultados?  Estrutura hierárquica horizontal?  Plano de Cargos e Salários?

Sonho?  Estamos sonhando  Não!  As empresas brasileiras já estão de readequando.  O Capital tanto pode fazer as pazes com o Trabalho… que já fez!!  Tais práticas, antes exclusivas de grandes empresas, já começaram a fazer parte do rol de medidas de médias e pequenas empresas no país, dada a necessidade de reter talentos.

Conclusão: o Povo já percebeu que Lula, Dilma e o PT foram/vão (Graças a Deus) na contramão de FHC, Serra e o PSDB.  Isso, sem necessidade de tantas palavras quanto a que empregamos aqui; o Povo não precisa delas; Ele percebe isso nos seu dia-a-dia, na esperança, no Novo Brasil que já temos presente em nossas vidas.  Nas vidas de todos nós.

Bom, de quase todos – só 96% do país.  A conclusão do artigo de Artur Araújo, na Carta Maior, é mais expressivo do que pretendemos ser:

“Ainda que se dê a José Serra o benefício da dúvida, do quanto ainda preserva de seu suposto desenvolvimentismo, não é despropositado indagar como ele “resistiria” à pressão combinada do tucanato econômico, do udenismo paralisante e elitista e da banca mundial, falando pela boca do FMI. A experiência FHC não traz muitas esperanças quanto a isso. Um jornalista arguto qualificaria a pergunta que abre este texto e questionaria o que o candidato fará com a turma dos 30%, aqueles que, há décadas, estiveram do seu lado e sempre quiseram que o Brasil pudesse menos.”

Paralelo XIV

Porque a datafolha pisou na bola

Do Blog do Nassif – Por Benedito Júnior

“Está errado o diretor do Datafolha. Uma amostra viesada será sempre uma amostra viesada, independente da ponderação posterior. Ao ampliar a base da amostra em São Paulo em relação aos demais Estados, o instituto criou viés. A única possibilidade de evitar distorção nesse caso é assegurar-se de que os municípios selecionados são representativos da opinião do eleitorado nacional – coisa que obviamente instituto nenhum pode fazer.

Existem soluções pontuais, como por exemplo a sugerida aqui de tomar apenas aquelas cidades cuja votação dos candidatos em 2006 foi semelhante àquela apurada em todo o país. Ainda assim, nada asseguraria que os eleitores selecionados atenderiam à esse critério de “equidade”.

Existe uma razão pela qual os institutos de pesquisa buscam ouvir uma quantidade de eleitores proporcional ao eleitorado de cada região e é justamente a tentativa de reduzir o viés equalizando as margens de erro para cada Estado. O instituto não pode assegurar que os eleitores ouvidos sejam representativos da opinião nacional, mas ao menos ele ainda poderá alegar que buscou construir uma amostra mais homogênea possível e isso é o que importa no final. Muito mais importante que a veracidade dos resultados de uma pesquisa de opinião é a sinceridade metodológica da mesma. Pois para a primeira condição existe a margem de erro a ser ponderada, enquanto para a segunda não há nenhuma desculpa aceitável.

A amostra do Datafolha não é homogênea, e isso prejudica sua análise, não importa a desculpa arranjada pelo instituto para isso. Ao alterar sua metodologia de coleta de dados, a análise tornou imprestável a comparação de resultados com pesquisas anteriores do próprio Datafolha pois introduziu divergências entre as margens de erro das populações dos Estados pesquisados. Essa discrepância não é trivial nem pode ser sanada satisfatoriamente com ponderação posterior. Não é “marreteando” os dados após coletá-los de forma errada que o Datafolha alcançará um resultado crível em sua pesquisa.

Se o Datafolha houvesse se limitado a informar a intenção de voto em cada Estado separadamente, não haveria problema algum com a alteração da base amostral. Mas ao introduzir conscientemente a comparação com uma pesquisa anterior de metodologia distinta, o instituto pisou na bola. E as justificativas apresentadas por seu diretor seriam até risíveis, não se tratasse, infelizmente para a democracia, do caso de um instituto de pesquisa enfrentando uma grave crise de credibilidade perante a sociedade brasileira.”

O texto acima refere-se à pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 17, que mostra o pré-candidato do PSDB à presidência, José Serra, com 38% das intenções de voto, e a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, com 28%.  Menos de 48 horas depois, a blogosfera derruba por terra a confiabilidade dos seus resultados, lançando dúvidas sobre os métodos do instituto.

Houve tempo em que não era assim.  As pesquisas eleitorais conseguiam exercer grande influência sobre o eleitorado.   Atualmente, os grupos que pretendem manipular a opinião pública por meio de pesquisas eleitorais  vêm tendo sérias dificuldades.

O que mudou?

Pensamos, primeiramente, que aumentou o que poderíamos denominar de porosidade da comunicação.  A internet democratizou o acesso à informação, e potencializa a velocidade com que ela circula.  Tais são as barreiras que dificultam o processo de manipulação da população.  Qualquer passo mal calculado pode ser perigoso.  Qualquer tentativa insidiosa ou manipuladora está sujeita a ser devassada, dissecada,  desmontada e ridicularizada – em pouquíssimo tempo, diga-se de passagem.

Porque esse fenômeno?

Porque a internet apresenta um novo paradigma: ela não se apresenta, não se impõe.  Ela é um meio, não um fim.  E é fácil perceber isso.  Quantas vezes você, leitor, logo após conectar – ou, mesmo depois -, ficou parado em frente ao teclado, olhando para a tela, arrastando o mouse de um lado para outro, tentando decidir o que iria fazer primeiro, onde iria?  E sua autocrítica lhe faz questionar: seria, de sua parte, falta de foco?

Não.  É que a internet é algo completamente diferente do que estamos acostumados, em termos de ferramenta para comunicação.   Repetimos: ela não se impõe.  Não é como a TV, que tenta, o tempo inteiro, controlar quem segura o controle remoto.  Para expressar bem essa sensação, usando uma figura de linguagem, daremos, de bandeja, uma dica interessante para os fabricantes de televisões e computadores:  se estes aparelhos falassem, o que diriam ao ser ligados?

A TV diria: “Boa noite.  Não mude de canal. Siga minhas instruções. Lhe direi o que deve fazer!”

O computador diria: “Boa noite. O que você quer fazer? Onde quer ir?  Fique à vontade, não tenha pressa!  Quando decidir, é só digitar o endereço.”

Consequentemente, essa tecnologia mudou nosso comportamento.  Com o acesso à informação amplamente facilitado, não existindo nenhum filtro que possa ser imposto de forma incontornável, destinado a manter o status quo – como acontece na televisão -, aumentou nossa responsabilidade sobre a qualidade da informação que desejamos – ou não – apreender.  Foi isso o que dissemos aqui.  Primeiro, demora-se um tempo para se acostumar com tanta liberdade.  Em um segundo momento, descobre-se que liberdade traz a responsabilidade de, nós mesmos, filtrarmos o conteúdo.  Dessa forma, hoje, o filtro é seu, nosso – cada qual precisa regular o firewall de sua mente.

Há mais um aspecto a ser considerado: a população está mais, muito mais escolada, e está anestesiada pela euforia de um novo Brasil, que queria, há muito, conhecer – e que nunca chegava: vivia eternamente no futuro.  Mais respeitado, por si mesmo e pelos outros, aqui dentro, e lá fora; mais orgulhoso, com oportunidade para todos e sem deixar ninguém para trás.

Esse Brasil está aí.  Ele é real, e ele foi construído por nós, com o nosso voto.  É isso o que o brasileiro sempre buscava: que seu voto lhe fizesse justiça.  E justiça foi feita.  Essa é a democracia representativa, plural.

Muitos, só agora, dizem: o Brasil pode mais.

Errado.

O Brasil pôde mais!

A questão crucial é que o povo sabe disso.  Sabe qual lado desagradou com sua preferência.  E sabe quando é esse lado que se manifesta, mesmo que seja de forma sutil, subliminar, tentando inutilmente minar sua confiança e demonstrar que não valeu a pena.

Valeu a pena, sim! E na hora “H”, o povo saberá distinguir entre quem nunca teve a chance, mas lhe fez feliz, de quem teve tantas chances, mas nada fez.

Afinal, conhecem-se as árvores pelos seus frutos.

(Pelo menos, as árvores que dão frutos…)

E-mail’s com mensagens, correntes, spam e campanhas difamatórias (sejam bem-humoradas, mentirosas, manipulativas, apenas insidiosas ou torpes) são cíclicos.  Em novembro de 2009 circulou um e-mail intitulado “Absurdo”, com o teor abaixo.  Duvidamos que ele não volte a circular – se é que parou.   Então, na próxima vez que retornar, não apenas nós teremos uma resposta na ponta da língua, evitando estragos maiores; mas nossos amigos estarão, também, devidamente municiados e protegidos contra a verborragia manipulatória que tenta  subestimar nossa inteligência.

O objetivo confesso do e-mail, é o de chocar o leitor com uma afirmação que, a princípio, poderia ser comprovada: Dilma Roussef, como conselheira da Petrobrás, juntamente com outros, tiraria nada menos que R$ 114.813,88, mensalmente, dos cofres da empresa, a título de integrante de seu conselho de administração.

Todavia, quem criou o insidioso e-mail subestimou nossa inteligência, e superestimou a própria.  A tese não resistiu nada, logo ruindo diante de um exame mais apurado e detalhado.  Este post descreve essa “desmontagem”.

Para desmontar um e-mail ou artigo manipulador, a arma é a pesquisa e informação.  Aqui reproduzimos a nossa pesquisa, dividindo o resultado com todos.  Que cada um confirme as informações aqui constantes, se desejar, use de criticidade e bom senso, abraçando sua conclusão.  Já tiramos as nossas.

Nosso papel é o de ajudar a informação a circular, e auxiliar o desenvolvimento, em todos, do indispensável senso crítico.

Vamos ao e-mail.  Os grifos, em negrito, são do original:

Primeira parte: o E-mail

“Eu não acreditei mas ….
LEIA A ATA DA ASSEMBLÉIA NO FINAL
===============
PESSOAL recebi um e-mail (transcrito abaixo) e achei que fosse montagem. Estava respondendo a meu colega que havia mandado, que não deveria remeter sem antes averiguar a veracidade. Resolvi entrar no site da PETROBRÁS, pois o link que veio no e-mail baixava um arquivo direto. Para minha SURPRESA a informação é VERDADEIRA.
Acesse o link da PETROBRÁS  http://www.petrobras.com.br/pt/

Clica no item INVESTIDORES

Vai abrir uma nova página (a mesma clicando no link ao lado http://www.petrobras.com.br/pt/investidores/)

Clica em Informações aos Acionistas + Assembléias Gerais

Vai abrir outra página com as ASSEMBLÉIAS GERAIS.

ATA DA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRAS, REALIZADA EM 8 DE ABRIL DE 2009

(Lavrada sob a forma de sumário, conforme facultado pelo parágrafo primeiro do artigo 130 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976).

DIA, HORA E LOCAL: Assembleia realizada às 15 horas do dia 8 de abril de 2009, na sede social, na cidade do Rio de Janeiro, RJ, na Avenida República do Chile, no 65.

Item IV: Foram reeleitos como membros do Conselho de Administração da Companhia , na forma do voto da União, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, a Senhora Dilma Rousseff ,brasileira, natural da cidade de Belo Horizonte (MG), divorciada, economista, com domicílio na Casa Civil da Presidência da República – Praça dos Três Poderes – Palácio do Planalto – 4º andar – salas 57 e 58, Brasília (DF), CEP: 70150-900, portadora da carteira de identidade nº 9017158222, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul – SSP/RS, e do CIC/CPF nº 133267246-91 e os Senhores Guido Mantega, brasileiro, natural de Gênova, Itália, casado, economista, com domicílio no Ministério da Fazenda – Esplanada dos Ministérios – Bloco P – 5º andar – Brasília (DF), CEP: 70048-900, portador da carteira de identidade nº 4135647-0, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo – SSP/SP, e do CIC/CPF nº 676840768-68;Silas Rondeau Cavalcante Silva, brasileiro, natural da cidade de Barra da Corda (MA), casado , engenheiro, com domicílio na S..A.U.S. – quadra 3 – lote 2 – Bloco C  – Ed. Business Point – salas 308/309, Brasília (DF), CEP: 70070-934, portador da carteira de identidade nº 2040478, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Pernambuco – SSP/PE, e do CIC/CPF nº 044.004.963-68; José Sergio Gabrielli de Azevedo, brasileiro, natural da cidade de Salvador (BA), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chile, 65, 23º andar – Rio de Janeiro (RJ), CEP: 20031-912, portador da carteira de identidade nº 00693342-42, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia – SSP/BA, e do CIC/CPF nº  042750395-72  042750395-72 ; Francisco Roberto de Albuquerque , brasileiro, natural da cidade de São Paulo, casado, General de Exército Reformado, com domicílio na Alameda Carolina nº 594, Itu (SP), CEP: 13306-410, portador da carteira de identidade nº 022954940-7, expedida pelo Ministério do Exército e do CIC/CPF nº 351786808-63; e Luciano Galvão Coutinho , brasileiro, natural da cidade de Recife (PE), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chil e nº 100, 19º andar, Rio de Janeiro (RJ), CEP 20031-917, portador da carteira de identidade nº 8925795, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo – SSP/SP, e do CIC/CPF nº 636831808-20.

Item VII: Pelo voto da maioria dos acionistas presentes, em conformidade com o voto da representante da União, foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras emR$ 8.266.600,00 (oito milhões, duzentos e sessenta e seis mil e seiscentos reais) , no período compreendido entre abril de 2009 e março de 2010, aí incluídos: honorários mensais, gratificação de férias, gratificação natalina (13º salário), participação nos lucros e resultados; passagens aéreas, previdência privada complementar, e auxílio moradia , nos termos do Decreto nº 3.255, de 19.11.1999, mantendo-se os honorários no mesmo valor nominal praticado no mês precedente à AGO de 2009, vedado expressamente o repasse aos respectivos honorários de quaisquer benefícios que, eventualmente, vierem a ser concedidos aos empregados da empresa, por ocasião da formalização do Acordo Coletivo de Trabalho – ACT na sua respectiva data-base de 2009;

Dá R$ 114.813,88 por mês para cada um!

… se “alguém” disser que é boato… acesse o link abaixo !

http://www2.petrobras.com.br/ri/port/InformacoesAcionistas/pdf/ATA_AGO_08abr09_port.pdf

ISSO É BRASIL…O PAÍS DO “CARNAVAL” E DO FUTEBOL!”

Termina aqui o didático e-mail, que dá até mesmo o caminho para sua autenticação. – passo-a-passo.  Menos pior.  Nesse caso particularmente, não se trata de conteúdo falso: são as conclusões que são propositalmente errôneas e forçadas.  Vamos analisar o caso.

Segunda parte: a conta está errada na quantidade de pessoas que “repartem o bolo”

Fazendo a conta, a julgar pelo conteúdo do e-mail, de fato teríamos: R$ 8.266.000,00 que, dividido por 12 meses, resulta em R$ 688.833,33 mensais.  Esse valor, por sua vez,  dividido pelos 6 membros do Conselho de Administração da empresa, é igual a R$ 114.813,88 mensais, para cada um.  Mas há erros graves.  O que o e-mail não explica, é:

a) O conselho de administração não é composto por apenas seis integrantes.

O conselho de administração não é formado apenas pelos 6 conselheiros citados acima.  Esse trecho foi propositalmente ignorado no e-mail; é a continuação do Item IV, da Ata da Assembleia.  Ei-lo:

“Item IV: (…) Foi ainda eleito como membro do Conselho de Administração da Companhia, na forma do voto da União, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, o Senhor Sergio Franklin Quintella, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado e engenheiro civil.

A seguir, na forma prevista no artigo 239 da Lei das S.A., foi reeleito pelo voto dos acionistas minoritários, como seu representante no Conselho de Administração, em votação em separado, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, o Senhor Fabio Colletti Barbosa, brasileiro, natural da cidade de São Paulo (SP), casado e administrador de empresas.

Foi também reeleito, na forma do art. 19 do Estatuto Social da Companhia, como representante dos acionistas titulares de ações preferenciais no Conselho de Administração, em votação em separado, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, o Senhor Jorge Gerdau Johannpeter, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado e advogado.

Item V: Foi designada, dentre os Conselheiros reeleitos e eleitos, pela maioria dos acionistas presentes, para o cargo de Presidente do Conselho de Administração, a Conselheira Dilma Vana Rousseff.”

Temos, portanto, mais 3 pessoas a somar às 6 iniciais.  Total: nove conselheiros.  Guardem esse número.

b) Os administradores da empresa não são formados apenas pelos membros do conselho de Administração.

Note o seguinte trecho, grifo nosso:

“(…) foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras em R$ 8.266.600,00. (…)”

Mas então, quem são os administradores da Petrobrás?  Para descobrir, siga essas dicas:

1) Abra o endereço http://www.petrobras.com.br;

2) à direita, leve o ponteiro do mouse à área Investidores, e clique logo abaixo em Acesse o site e saiba porque investir na Petrobrás.

3) à esquerda, leve o ponteiro do mouse na primeira opção do painel lateral, em “Conheça a Petrobrás”  e, na aba que se abrirá à direita, clique em Estatuto Social.

4) no painel central, clique em Capítulo IV – Da administração da sociedade. Se abrirá o conteúdo abaixo:

“Capítulo IV
Da Administração da Sociedade

Seção I
Dos Conselheiros e Diretores

Art. 17º A Petrobras será dirigida por um Conselho de Administração, com funções deliberativas, e uma Diretoria Executiva.

Art. 18º O Conselho de Administração será integrado por, no mínimo, cinco membros até nove membros eleitos pela Assembléia Geral dos Acionistas, a qual designará dentre eles o Presidente do Conselho, todos com prazo de gestão que não poderá ser superior a 1 (um) ano, admitida a reeleição.”

(…)

Art. 20º A Diretoria Executiva será composta de um Presidente, escolhido dentre os membros do Conselho de Administração, e até seis Diretores, eleitos pelo Conselho de Administração, dentre brasileiros residentes no País, com prazo de gestão que não poderá ser superior a 3 (três) anos, permitida a reeleição, podendo ser destituídos a qualquer tempo.”

Ou seja, a Petrobrás é administrada (dirigida) não apenas pelos 9 conselheiros, mas também por mais cinco diretores – já descontada a participação do Presidente da Petrobrás, que aparece nos dois grupos.  Isso dá um total de até 14 pessoas (6 conselheiros citados no e-mail, 3 conselheiros que o e-mail ignorou, e 5 diretores).

Os diretores também são nomeados na mesma ata utilizada no triste e-mail – todavia, o e-mail não inclui esse trecho. Aqui está ele:

“Item VI: Foram reeleitos pela maioria dos acionistas presentes, em conformidade com o voto da representante da União, como membros do Conselho Fiscal da Companhia, com mandato de 1 (um) ano,permitida a reeleição, o Senhor Marcus Pereira Aucélio, brasileiro, natural de Brasília (DF), casado e engenheiro, tendo como suplente o Senhor Eduardo Coutinho Guerra, brasileiro, natural da cidade de Bom Despacho (MG), casado e bacharel em relações internacionais, ambos como representantes do Tesouro Nacional; o Senhor Túlio Luiz Zamin, brasileiro, natural da cidade de Nova Prata (RS), separado judicialmente e contador, tendo como suplente o Senhor Ricardo de Paula Monteiro, brasileiro, natural da cidade de Juiz de Fora (MG), casado e economista; o Senhor César Acosta Rech, brasileiro e economista, e tendo como suplente, o Senhor Edison Freitas de Oliveira, brasileiro e administrador de empresas, natural da cidade de Cataguases (MG) e casado.”

“A seguir, na forma prevista no artigo 240 da Lei das S.A., foram reeleitos como membros do Conselho Fiscal da Companhia, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, pelo voto em separado de acionistas minoritários, o Senhor Nelson Rocha Augusto, brasileiro, natural da cidade de Ribeirão Preto (SP), casado e economista, tendo como suplente a Senhora Maria Auxiliadora Alves da Silva, brasileira, natural da cidade de Lajedo (PE), casada e economista. Foram ainda reeleitos para membros do Conselho Fiscal da Companhia, também como dispõe o artigo 240 da Lei das S.A., com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, pelo voto em separado de acionistas detentores de ações preferenciais, a Senhora Maria Lúcia de Oliveira Falcón, brasileira, natural da cidade de Salvador (BA), divorciada e engenheira agrônoma, tendo como suplente o Senhor Celso Barreto Neto, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado e advogado.”

Agora, façamos as contas: R$ 8.266.000,00 : 12 meses = R$ 688.833,33/mês; R$ 688.833,33/mês : 14 = R$ 49.202,88/mês, para cada um dos administradores.  E tem mais –  o que o e-mail não ressalta, é que esse valor não compreende apenas salários:

“(…) foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras em R$8.266.600,00 (oito milhões, duzentos e sessenta e seis mil e seiscentos reais) , no período compreendido entre abril de 2009 e março de 2010, aí incluídos: honorários mensais, gratificação de férias, gratificação natalina (13º salário), participação nos lucros e resultados; passagens aéreas, previdência privada complementar, e auxílio moradia , nos termos do Decreto nº 3.255, de 19.11.1999″

Vejam a transparência que hoje podemos desfrutar de nossa melhor e mais rentável empresa.  Contudo, veremos, mais abaixo, que  nem sempre foi assim.

R$ 49 mil por mês, a serem divididos em salários, férias, gratificação de natal, 13o salário, PLR, passagens aéreas, previdência privada complementar e auxílio moradia!!  É muito mais do que ganha um trabalhador comum, mas é muito menos do que o mercado costuma remunerar os executivos de empresas petrolíferas.

Considerando tais números, podemos aduzir que os tais R$ 49 mil mensais começam a se tornar irrisórios, principalmente em se considerando o mercado.  Um valor baixíssimo, portanto, considerando as responsabilidades dos membros, e que são cargos estratégicos, com acesso aos segredos da companhia.

Mas essa ainda não é a conta definitiva.  Porque há mais um aspecto propositalmente ignorado pelo redator da falácia:

Terceira parte: a conta está errada na forma pela qual as pessoas que “repartem o bolo”

a) Os conselheiros não recebem nem R$ 114.813,88 mensais (na conta do e-mail), nem R$ R$ 49.202,88 mensais (na nossa conta).

Isso porque, mais uma vez de forma traiçoeira, outro trecho foi propositalmente deixado de fora – e é justamente o trecho seguinte à parte onde termina o e-mail:

(Página 3)

“Item VII (…) Foi aprovada a delegação ao Conselho de Administração competência para efetuar a distribuição individual dos valores destinados ao pagamento da remuneração dos membros da Diretoria Executiva, observado o montante global e deduzida a parte destinada ao Conselho de Administração e condicionada à observância dos valores individuais constantes da planilha de Remuneração Máxima dos Administradores, nos termos da Nota DEST/CGC nº 79/2009, de 2 de abril de 2009, do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais.”

(Página 4)

“Foi também aprovada a fixação dos honorários mensais dos membros do Conselho de Administração e dos titulares do Conselho Fiscal em um décimo do que, em média mensal, perceberem os membros da Diretoria Executiva, excluídos os valores relativos a: gratificação de férias, participação nos lucros e resultados, passagens aéreas, previdência privada complementar e auxílio moradia, bem como custear as despesas de locomoção e estada necessárias ao desempenho da função de conselheiro de administração.”

Ou seja: os honorários dos membros do conselho de administração correspondem a apenas 10% do que percebem os membros da diretoria executiva.  Em outras palavras: o bolo não é repartido por igual; cabem aos membros do conselho de administração, uma fatia menor.  E essa é a praxe do mercado.

À época, o Governo era comandado pelo Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva (01/01/2003 até o presente).

Quarta parte: Nunca antes nesse país, a Petrobrás foi tão transparente

Pronto: derrubamos mais uma do Festival de Besteiras na Internet (que o site FBI – Festival de Besteiras na Imprensa – nos perdoe o plágio brutal, mas necessário).  Tem mais: o link citado não está quebrado; o caminho é esse mesmo, indicado pelo e-mail, e a Ata está lá.  Não foi retirada do ar ou alterada – nem deveria.  Trata-se, portanto, de informação transparente e fidedigna, como de fato cabe a uma empresa que tem presença global e necessita ser transparente com o mercado, de forma a agregar segurança e tranquilidade ao ambiente de negócios, favorecendo  seus investidores e a sociedade.  Ponto para a Petrobrás.

Vale ainda ressaltar três pontos fundamentais, que ficaram evidentes durante nossa pesquisa:

Primeiro: Participar do Conselho de Administração da Petrobrás sempre foi tarefa dos integrantes da Casa Civil.  Não há nenhuma ilegalidade aqui.  Mais de 50% da Petrobrás pertence ao Governo Brasileiro, e tradicionalmente os representantes elencados para cumprir a tarefa de representar a União, são os ministros da Casa Civil, do Ministério da Fazenda e do Tesouro Nacional.  Para comprovar isso, o leitor pode ir além de nossa pesquisa – que se estendeu somente até 1.999 – e consultar os nomes dos representantes da União em cada uma delas.  Ou seja: outros membros, de outros governos, exerceram a mesma função.  Mas, a gente entende: é muito fácil para quem está fora do poder, ressentido, disparar informações tortas e de forma maldosa contra a outra parte.

Segundo – Se de fato o rendimento dos integrantes do conselho diretor foi alto, antes de considera-lo amoral, deve ser enfocado que, se a remuneração é ancorada – como de fato, é – nos resultados da empresa; e se essa remuneração apresenta-se alta, significa que a empresa lucrou.  O que não deixa de ser uma comprovação incontornável,  de que o trabalho de sua direção, e de seus executivos foi, de fato, eficiente. A remuneração, portanto, é justa.

Terceiro – Os defensores do Estado Mínimo – que são os mesmos neoliberais amantes do Consenso de Washington – são os primeiros a bradar que tais remunerações seriam amorais.  Algo como “mamar nas tetas do Estado”, diriam de forma depreciativa.   Porque?  Porque o que desejam é uma burguesia  elitista, ganhando rios de dinheiro á custa de grandes empresas privatizadas, retirando muito, muito mais, em gigantescos e desproporcionais bônus.  Isso já deu o que falar não só nos Estados Unidos, mas também no Brasil.  Na-na-ni-na-não!! Nada disso.  Esqueçam.  O Estado é capaz de administrar – e muito bem – a empresa.  O povo prefere a sua Petrobras pública, altamente rentavel,  auxiliando no desenvolvimento do país e gerando muitos postos de trabalho, a quem deve pagar altas remunerações, sim.  Dessa forma, pública, todos podem acompanhar a empresa, que tem demonstrado não somente capacidade ética, técnica e operacional para superar desafios, mas também muita transparência em todos os aspectos nos quais se envolve.

A propósito, nota-se que o ingênuo e-mail pôde aproveitar-se dessa transparência, para obter a informação que garimpou, e tentou manipular e torcer.  Pena que não deu certo.  Sorry: estamos vigilantes.  E que a transparência prossiga, e seja ampliada.

Mas… será que foi assim sempre?

Vamos, então, consultar algumas atas mais antigas.  Vamos olhar para o passado.  É importante isso.  Lembremo-nos de George Santayana: os que se esquecem do passado, estão condenados a repeti-lo.

Providenciais palavras?

Como dissemos antes, o caminho para encontrar e consultar as Atas já foi didaticamente demonstrado no irreal e-mail.  Vamos apresentar somente os links para cada uma das atas., logo após  a citação do trecho das mesmas.  Os links remetem diretamente à cada uma delas, aqui citada.  Quem quiser conferir, fique completamente à vontade.  Foi lá no site da Petrobrás que as buscamos.

Pelo menos para isso, o e-mail serviu.

“ATA DA ASSEMBLÉIA GERAl EXTRAORDINÁRIA E ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRAS, REALIZADA EM 24 DE MARÇO DE 1999

“(…) III – Foram eleitos como membros do Conselho de Administração da Companhia, com mandato pelo prazo de 3 (três) anos, permitida a reeleição, por voto de acionistas representantes da maioria do capital social, os Srs: Rodolfo Tourinho Neto, para o cargo de Presidente do Conselho, brasileiro, natural da cidade de Salvador (BA), casado, economista; Henri Philippe Reichstul, brasileiro naturalizado, divorciado, economista; Pedro Pullen Parente, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado, engenheiro; José Pio Borges de Castro Filho, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado, engenheiro; Herszek Chaim Rotstein, que também usa o nome profissional Jaime Rotstein, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado, engenheiro; Zenildo Gonzaga Zoroastro de Lucena, brasileiro, natural da cidade de São Bento do Una (PE), casado, General de Exército R/1; Gerald Dinu Reiss, brasileiro naturalizado, casado, engenheiro; o acionista controlador reservou uma das vagas no Conselho, para eleição, em futura Assembléia Geral, a ser convocada especialmente para esta matéria, de um membro do corpo funcional da PETROBRAS, na conformidade de critérios a serem estabelecidos pelo Conselho de Administração da Companhia. Foi eleito ainda, como membro do Conselho de Administração, com mandato pelo prazo de três (três) anos, permitida a reeleição, pelo voto em separado dos Acionistas Minoritários, a Sra. Maria Sílvia Bastos Marques, brasileira, natural da cidade de Bom Jesus do Itabapoana (RJ), casada, administradora.

IV – Foi fixada, pela maioria dos acionistas presentes, a remuneração da Diretoria Executiva no mesmo valor nominal individualmente praticado no mês precedente a esta Assembléia Geral Ordinária, delegando-se ao Conselho de Administração a competência para alterá-lo no curso do exercício e expedir orientações complementares à sua perfeita observância.

IV.1.- Foi fixada, pela maioria dos acionistas presentes, a remuneração dos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal em 10% (dez por cento) da remuneração média percebida pelos membros da Diretoria Executiva

Link para a Ata: http://www2.petrobras.com.br/ri/port/InformacoesAcionistas/pdf/ata_ago_1999_por.pdf

Primeira Pergunta: onde está o valor da remuneração?  Alguém pode nos dizer, por favor?

E quem é quem?  Destacamos somente alguns nomes, e quem desejar, ou mesmo lembrar, pode nos falar sobre os demais:

Rodolfo Tourinho Neto – Presidente do hoje chamado Partido Democratas (na epoca, o PFL – Partido da Frente Liberal);

Pedro Pullen Parente – Chefe da Casa Civil da Presidência da Republica de 01/01/1999 a 01/01/2003; Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão de 6 de maio a 18 de julho de 1999 e secretário executivo do Ministério da Fazenda.

Voltemos ao caso da Petrobrás: onde estão os valores, que atualmente são publicados de forma transparente?

Será exagero nosso?  Será que as demais atas são transparentes?  Será que não vimos o que estava explícito? Ou não estava explícito?  Vamos ler mais um breve trecho de outra ata.

ATA DAS ASSEMBLÉIAS GERAIS EXTRAORDINÁRIA E ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRAS, REALIZADA EM 22 DE MARÇO DE 2002
(…) A remuneração dos membros do Conselho de Administração e dos titulares do Conselho Fiscal foi estabelecida em 10% dos honorários médios mensais percebidos pela Diretoria Executiva, nos termos da Lei no 9.292, de 12-7-1996, não computados, para ambos os colegiados, os benefícios referentes à participação nos lucros, bônus por desempenho, previdência privada complementar e seguro saúde, bem como auxílio-moradia.

Link para a Ata: http://www2.petrobras.com.br/ri/port/InformacoesAcionistas/pdf/ata_ago_2002_por.pdf

Ou seja, mais uma vez, os valores não foram aqui incluídos.

À época, o Governo era comandado pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso (01/01/1995 a 01/01/2003).

À guisa de conclusão, podemos afirmar que era disso que falávamos no post Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação? A informação deve circular livremente, sem intermediários, e de forma pública.  E é a você, leitor, que é atribuída a responsabilidade de garimpar e cruzar informações e dados, para autenticação das informações e para que você possa tirar as suas conclusões.

Não as conclusões que querem que você tire…

Aí está um exemplo flagrante do que falávamos no post anterior (Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?).

Transcrito do site Viomundo e Blog do Planalto.  Texto editado (diferentemente da Imprensa manipuladora, nós avisamos); para ler o original, clique aqui.  Os grifos, em negrito, são nossos.  Prestem bastante atenção, e nos respondam se  não tínhamos razão…

Estadão derrapa na reportagem e ainda reclama das críticas

Na sexta-feira passada (26/03) o Estadão publicou editorial reclamando do presidente Lula por se queixar da má-fé de setores da imprensa. Até parece que o jornal estava se defendendo antecipadamente. Vejam como o Estadão muda o contexto de uma declaração do presidente em reportagem assinada pelos repórteres Tânia Monteiro e Renato Andrade na edição desta terça-feira (30/3) e tirem suas conclusões.

O título da matéria é “Ao lado de 18 governadores, Lula lança PAC 2 para impulsionar Dilma”. No quarto parágrafo, os repórteres, que deveriam reportar os fatos com fidelidade, dizem o seguinte:

“No mesmo discurso, o presidente anunciou que havia desistido de viajar hoje a Pernambuco para inaugurar uma parte da Ferrovia Transnordestina, por problemas com a obra. “Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora”, disse Lula, reconhecendo fragilidades do PAC 1.”

Em primeiro lugar, o Presidente não reconheceu fragilidades do PAC 1, como afirmaram os repórteres do Estadão. A reconhecida insatisfação com o que foi feito até agora foi dita em um contexto diferente do apontado no texto. Ele se referia ao conjunto de realizações do governo. Inclusive, o exemplo citado foi o do Bolsa Família, que não está no PAC.

Vejam o trecho a seguir para tirar suas conclusões e ver se o presidente não tem razão de criticar:

“Então, eu quero terminar, companheiros, dizendo para vocês apenas duas coisas. Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora, e acho que nenhum de vocês está contente, porque nós temos a obrigação de fazer mais, temos competência de fazer mais. O povo pobre deste país precisa que a gente faça mais, e a economia precisa que isso aconteça.

Eu fico imaginando se nós, naquele momento de crise, tivemos que fazer um investimento de quase R$ 12 bilhões no Bolsa Família, o próximo governo não pode se contentar com [R$] 12 [bilhões], vai ter que fazer mais. Ou vai ter que gerar tanto emprego, que um dia não vai precisar mais ninguém ter o Bolsa Família. Porque quando a gente começou a fazer o programa Bolsa Família, qual era a crítica que a gente recebia? “Cadê a porta da saída? A porta da saída? A porta da saída?”. Os coitados não tinham nem entrado. Eu não sei porque pobre incomoda tanta gente neste país! Não, porque a verdade é essa, é que incomoda.”

Em segundo lugar, o presidente não disse que havia desistido de viajar a Pernambuco para inaugurar parte da Ferrovia Transnordestina e nem que a obra estava com problemas. Até porque não estava prevista nenhuma inauguração de trecho da ferrovia. O que se cogitou foi inaugurar uma fábrica de dormentes e uma fábrica de britas, que não ficaram prontas. Isso foi dito à repórter Tânia Monteiro por mais de um assessor de imprensa da Presidência, mas foi ignorado. Confiram o que o presidente disse, e julguem a qualidade da reportagem:

“Veja, eu estou dizendo isso de público porque eu ia amanhã para a Transnordestina, para inaugurar a fábrica de dormentes, a maior do mundo, e a fábrica de brita que, sozinha a usina de brita, vai produzir mais brita que as quarenta que tem em São Paulo. E não vamos porque não está pronta. Esse compromisso foi feito comigo em janeiro, em janeiro. Não está pronta.

Então, eu quero terminar, companheiros, dizendo para vocês apenas duas coisas. Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora, e acho que nenhum de vocês está contente, porque nós temos a obrigação de fazer mais, temos competência de fazer mais. O povo pobre deste país precisa que a gente faça mais, e a economia precisa que isso aconteça.

Eu fico imaginando se nós, naquele momento de crise, tivemos que fazer um investimento de quase R$ 12 bilhões no Bolsa Família, o próximo governo não pode se contentar com [R$] 12 [bilhões], vai ter que fazer mais. Ou vai ter que gerar tanto emprego, que um dia não vai precisar mais ninguém ter o Bolsa Família. Porque quando a gente começou a fazer o programa Bolsa Família, qual era a crítica que a gente recebia? “Cadê a porta da saída? A porta da saída? A porta da saída?”. Os coitados não tinham nem entrado. Eu não sei porque pobre incomoda tanta gente neste país! Não, porque a verdade é essa, é que incomoda.”

Questionamos:  não tínhamos razão?  É essa a imprensa que queremos?  Que precisamos?  Que muda e manipula os fatos?  E por quais motivos?  Qual seu objetivo-fim?

__________

Links Relacionados:

Vi o Mundo – http://www.viomundo.com.br

Blog do Planalto – http://blog.planalto.gov.br

Há tempos espalha-se pelo mundo a teoria de que democracia forte, precisa de uma imprensa livre.

Para alguns, o papel de uma imprensa livre é o de proporcionar transparência e informação ao cidadão, para facilitar, a esse cidadão, a fiscalização do Estado, dos Governos, dos representantes que elegeu.

A chamada “imprensa livre”, assim, passou a ser chamada de “o quarto poder”.  Um poder que seria temido, transparente, amante da democracia, correto, investigativo, sempre ético.

Será?

Ainda que isto fosse verdade; ainda que a imprensa não fosse defendida por inúmeros autores em obras controversas, como instrumento de manipulação do povo; como poderia o povo decidir por meio de empresas privadas, que escolhem quais notícias devem ser divulgadas?  Que escolhem como essas notícias devem ser interpretadas?  Que manipulam as informações?

Estaremos errados ao afirmar isso?

O Quarto poder

Você já ouviu falar nessa expressão? Conforme a Wikipédia:

“O quarto poder é uma expressão criada para qualificar, de modo livre, o poder da mídia ou do jornalismo em alusão aos outros três poderes típicos do Estado democrático (Legislativo, Executivo eJudiciário).

Essa expressão refere-se ao poder da mídia quanto a sua capacidade de manipular a opinião pública, a ponto de ditar regras de comportamento e influir nas escolhas dos indivíduos e por fim da própria sociedade.

Sobre o tema existe um filme assim nomeado em português, mas com título original “Mad City”. O filme discute o poder da mídia sobre a opinião pública, fazendo uma espécie de jogo com as emoções. O filme fala do poder e da farmácia de manipulação da mídia para favorecer os interesses de terceiros, e em busca da conquista de audiência.

No Brasil, por exemplo, já é possível perceber que a sociedade, em muitas situações, já confia mais nessa instituição do que nos 3 (três) poderes do Estado.

Uma boa leitura para entender como isso funciona no Brasil é através da série de artigos escritos pelo jornalista Luis Nassif, sobre a revista Veja.”

Bom, quem desejar conhecer o excelente blog do Luis Nassif, clique aqui, ou veja as referências ao fim do post.  Tendo conhecido, então, o significado da expressão “O Quarto Poder”, podemos retomar nosso raciocínio.

A imprensa conta com técnicas, modelos e métodos consagrados, profissionais, técnicos.  Mas a imprensa não é detentora, por si só, do ofício jornalismo.  A imprensa, portanto, é uma instituição composta por empresas do segmento de informação; portanto, de jornalismo.  E o que é jornalismo?  Novamente com a palavra, a Wikipédia:

“Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais. Jornalismo é uma atividade de Comunicação.”

Nota-se aí que, entre a informação pura, simples e crua, e os leitores, ouvintes ou telespectadores, há um profissional que “lida” com “notícias, dados factuais e divulgação de informações”.  Cabe aos jornalistas, também, “(…) redigir, editar (…)” informações sobre eventos atuais.

Em outras palavras: um intermediário.  Traduzindo de forma mais simples, a Imprensa poderia ser caracterizada como: “Empresas privadas que coletam, redigem, editam e divulgam informações”.

A questão principal, é que aceitar esse modelo significa aceitar a existência de intermediários, que têm acesso a todas (ou quase todas) as informações; contudo, decide quais, e de que forma, devem ser publicadas.  A informação não chega às mãos do leitores de forma crua, isenta, pura; ela passa por edição, diagramação, cortes e acréscimos.  Os leitores, por sua vez, não têm o menor controle do que desejam e precisam saber; dependem desses “intermediários”.

Derruba-se, dessa forma, a tese do “quarto poder”, e outras mais falsas ainda, como “uma democracia forte necessita de uma imprensa livre”.  Se o cidadão, de fato, precisa ter acesso a todas as informações para formar opinião e decidir, enquanto eleitor, sobre o governo que elegeu, ele não pode depender de intermediários que decidirão o quê ele precisa saber, e quando ele precisa saber.

Os cidadãos, os eleitores, primeiramente precisam ter acesso a meios de comunicação que lhe permitam escolher, no momento mais adequado para eles, quais informações desejam ter acesso.  E os Governos, precisam ser transparentes.

O meio de comunicação mais adequado para essa finalidade, não é outro, senão a internet.

Por meio da internet, você está tendo acesso a esta opinião, emitida por pessoas comuns, iguais a você.  Terá acesso, ainda, a centenas de milhares de outros blogs, sites e portais.  Muitos com informações corretas, muitos com mentiras, muitos com informações erradas, inverídicas.

Aumenta, portanto, sua responsabilidade: é você, e não um intermediário (jornal, empresa jornalística, revista, TV, rádio), que tem que decidir se deve ou não confiar nas informações a que está tendo acesso.  Você, então, obriga-se a cruzar dados, pesquisar em locais diferentes o mesmo assunto, e mesmo consultar sua própria razão, para saber se o que lê lhe parece mesmo razoável.  Descobre, então o que é preciso: criticidade.

A internet, então – ela sim – é um instrumento imprescindível para a democracia.  Desde que, claro, todos os cidadão tenham acesso a ela.  O que ainda está longe de acontecer em nosso país.  Apenas pessoas de um determinado poder aquisitivo têm computadores com internet em sua própria residência.  Outra parcela menor tem acesso à internet no trabalho, na escola ou mesmo em “lan-houses” e tele-centros criados pelo Governo e algumas empresas públicas e privadas. e espalhados pelo país.

Por outro lado, a expansão da internet depende do aumento da infra-estrutura (cabos, fios, redes, antenas) em vários locais distantes do país, locais estes onde o acesso não existe, pelo fato de depender de empresas privadas de comunicação, que não se interessam por desenvolver e disponibilizar a internet em vários lugares.  Alegam, para isso, que essa expansão, em alguns lugares, é inviável (economicamente, é claro).

É por isso que o Governo lançou o PNBL – Plano Nacional de Banda Larga.  Sua intenção é facilitar e garantir o acesso da internet a todas as pessoas do país.  Ao Governo, enquanto promotor da verdadeira democracia, interessa que todos os cidadãos tenham acesso a internet, de forma facilitada.  Onde as empresas privadas não puderem ou não quiserem investir, lá estará uma empresa estatal, para investir e facilitar a chegada da internet.

Somente então poderemos comemorar não a desnecessária liberdade de imprensa, e sim a desejada liberdade de informação.  Garantindo a todos, o acesso a internet.

Apoiamos o PNBL, do Governo Federal.  Que venha, e venha rápido!

Essa matéria tende a ter mais desdobramentos.  Fiquem atentos.

__________
Links Relacionados:
Blog do Luis Nassif
Wikipédia Brasil