Tag Archive: Liberdade de Imprensa


Por Maurício Thuswohl(*) no Carta Maior.  O original pode ser lido aqui, e os grifos, em negrito, são nossos.

Realizado nos dias 19 e 20 de agosto, o 8º Congresso Brasileiro de Jornais foi revelador do momento pelo qual passam os principais conglomerados de comunicação no Brasil. A começar pelo próprio tema, “Jornalismo e Democracia na Era Digital”, o evento organizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) no Rio de Janeiro foi uma prova viva de que as poucas famílias que controlam os principais jornais do país vêm tendo muitos motivos para se preocupar desde que as novas mídias eletrônicas entraram em cena.

O principal tema de discussão entre os cerca de 700 empresários e profissionais do setor foi a gratuidade do conteúdo jornalístico na internet, curiosamente considerada por muitos dos presentes como “um entrave à democracia”. A própria ANJ, no texto de abertura do congresso, já antecipava sua posição a esse respeito: “O bom jornalismo, que difunde as informações de credibilidade e as opiniões que os cidadãos necessitam para fazer as suas escolhas, resulta de investimentos e deve ser adequadamente remunerado”.

Não é à toa que, este ano, a maior estrela do congresso organizado pelos donos da mídia no Brasil foi o jornalista Robert Thomsom, editor do Wall Street Journal. O jornal dos Estados Unidos se tornou o case de maior sucesso em termos de venda de conteúdo pago via internet. Durante sua palestra, o “guru” não decepcionou: “Precisamos urgentemente voltar ao que era antes. Voltar ao básico, em que as pessoas apreciam o conteúdo jornalístico o suficiente para pagar por ele”, disse.

Outras questões debatidas no congresso foram o fim da Lei de Imprensa e o fim da obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício da função de jornalista, destacados como “importantes avanços” pela presidente da ANJ, Judith Brito, que também é diretora-superintendente do Grupo Folha.

Única novidade do congresso, a ANJ apresentou um plano de autorregulamentação do setor, a partir da criação de um conselho dentro da própria associação. A idéia, no entanto, não conta com o entusiasmo sequer do vice-presidente da ANJ, e também vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho: “A autorregulamentação é um princípio muito bom, mas a atividade jornalística é carregada de subjetividades”, disse.

“Perigo na AL”

O grande momento do congresso, no entanto, foi o painel “O Futuro da Democracia e o Jornalismo”, que reuniu o diretor de redação da Folha de SP, Otávio Frias Filho, e o sociólogo e professor da USP Demétrio Magnoli, um daqueles intelectuais que, segundo a ANJ, “difunde as opiniões que os cidadãos necessitam”. Neste debate, a sociedade brasileira foi alertada para o perigo que constitui “a formação de joint-ventures entre companhias de telecomunicação e governos populistas” para controlar a difusão de informações: “Tal perigo ronda, em especial, a América Latina”, afirmou Magnoli.

O sábio neoliberal disse mais: “Vem sendo difundida a teoria de que os jornais são como partidos que fazem parte de um jogo político. Ela surge numa época em que volta a idéia de que o Estado deve falar diretamente às pessoas, evitando a mediação. Essa teoria política dá base a um projeto de jornalismo estatal em curso na América Latina, buscando criar uma imprensa alternativa, principalmente nos meios eletrônicos”.

Frias, por sua vez, estendeu a outros continentes o leque de culpados pela “guinada antidemocrática” no jornalismo mundial: “Vladimir Putin, Ahmadinejad, Chávez, Rafael Corrêa e Evo Morales representam uma erupção de governantes autoritários e populistas que, embora mantendo a aparência de democracia, manietam os poderes Judiciário e Legislativo, além de buscar controlar a imprensa”, disse.

“Conferencismo”

Os candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) passaram, em momentos diferentes, pelo 8º Congresso Brasileiro de Jornais. Os três presidenciáveis ratificaram a Declaração de Chapultepec, documento firmado em 1994 no México durante uma conferência hemisférica sobre liberdade de imprensa organizada pelos grandes empresários do setor.

Curiosamente, no mesmo dia em que passou pelo congresso da ANJ, Serra deu declarações públicas acusando o governo Lula: “Nos últimos anos, têm havido diversas tentativas de cercear a liberdade de imprensa no Brasil”, disse o tucano, que também fez críticas à 1ª Conferência Nacional de Comunicação, classificada como “parte de um processo de conferencismo pago com o dinheiro público”.

Em resposta a Serra, o ministro Franklin Martins divulgou uma nota pública na qual afirmou que o tucano “faz uma acusação grave e descabida” ao governo: “A imprensa no Brasil é livre. Ela apura – e deixa de apurar – o que quer e publica – e deixa de publicar – o que deseja. Opina – e deixa de opinar – sobre o que bem entende. Todos os brasileiros sabem disso. Diariamente, lêem jornais, ouvem noticiários de rádio e assistem a telejornais que divulgam críticas, procedentes ou não, ao governo. Jornalistas e veículos de imprensa jamais foram incomodados por qualquer tipo de repressão ou represália”, diz a nota.

Orquestra

Os ataques orquestrados ao governo e aos “inimigos da liberdade de imprensa” continuaram nestes últimos dias nos maiores jornais do país com a cobertura do XVI Encontro do Foro de São Paulo, evento do qual participam 54 organizações políticas de esquerda da América Latina e do Caribe. Fazendo referência ao documento final do encontro, que pede a democratização dos meio de comunicação, o jornal O Globo publicou matéria com o singelo título “PT e grupo da AL apóiam controle da mídia”.

Percebe-se pela postura adotada, seja nas páginas de seus veículos ou no congresso da ANJ, que os barões da mídia no Brasil, acossados em seu próprio domínio, começam a atirar para todos os lados em uma clara demonstração de que não sabem mais para onde ir. Qualquer semelhança com a campanha do candidato a presidente por eles apoiado não é mera coincidência. E pensar que, logo após o congresso da ANJ, foi realizado em São Paulo o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que reuniu cerca de 300 blogueiros em defesa da liberdade de expressão, da democratização da comunicação e da universalização da banda larga no Brasil. Como se vê, apesar das preocupações conservadoras, ninguém pode deter o futuro.

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Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?

(*) Maurício Thuswohl é jornalista

Publicado originalmente no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui.

“Caros Blogueiros,

Moro atualmente fora do Brasil e tenho acompanhado à distância, e graças aos Blogueiros e à internet, as atualidades políticas e culturais do Brasil. Graças a essa façanha da blog-esfera brasileira no fortalecimento da mídia alternativa, pessoas como eu podem se manter atualizadas sem ter que se submeter, e na verdade à contragosto, à agenda política da grande mídia. Com interesse especial tenho acompanhado também o ‘Encontro dos Blogueiros Progressistas’, razão pela qual resolvi compartilhar uma fonte que, acredito, pode colaborar com o papel democratizador da informação exercido pelo blogs.

Clay Shirky, autor e pesquisador sobre internet e mídia social, no seu livro Here Comes Everybody: How Change Happens When People Come Together, [Aí vem todo mundo: Como as mudanças acontecem quando as pessoas se unem*] editado pela Penguin Books (2008) anuncia uma revolução em todo campo institutional de nossas sociedades. E só é uma revolução, como ele mesmo diz, se alguém sair perdendo. Em relação à realização de tarefas e resolução de problemas, essa mudança, que já está em andamento, vai minar o poder de instituições hierárquicas e enrigecidas e empoderar grupos cooperativos frouxamente associados. Acho que vale a pena conferir a utilidade para o contexto de luta dos blogs brasileiros. O sítio de palestras TedTalks.com disponibiliza uma apresentação do autor para download. Com legendas em português a palestra Institutions versus Collaboration (aqui) resume bem os assuntos tratados no livro.

Estudando a revolução causada pelas novas tecnologias nas instituições em geral, Shirky aponta o jornalismo como uma das classes onde a mudança é mais evidente. Ele, analisa, por exemplo, a intercessão entre a ‘blog-esfera’ e o jornalismo, e a questão do blogueiro ser, ou não, um jornalista — para ele essa não é a questão mais importante. Para ele importa mais entender como, por meio de baixo custo e novas tecnologias, a ‘amadorização’ na veiculação de informações termina por extrapolar a exclusividade da classe profissional. Achei dois de seus insights muito válidos, não só para os blogueiros, mas para todos os progressistas.

Primeiramente, no tocante ao jornalismo, a queda radical dos custos operacionais e a maneira como as mídias sociais mudam o cenário. Shirky afirma que essas novas tecnologias invertem o padrão ‘filtre primeiro e publique depois’, para o ‘publique primeiro e filtre depois’. Em sua análise, essa mudança tira das mãos dos ‘grandes’ editores o poder de decisão sobre o que é pauta (ou ao menos o relativiza), e passa a valorizar o julgamento do leitor, na medida em que este, por meio dos blogs, começa a redefinir a pauta da grande mídia. Um viés inovativo para o entendimento das mudanças tão faladas atualmente. Uma leitura genial e bem instrutiva, valendo, portanto, para todas as pessoas interessadas em desenvolver e aprimorar padrões mais cooperativos e horizontais de ação coletiva.

Outro insight importante é o papel dos novos meios de comunicação social na alteração dos padrões de formação, manutenção e operação de grupos sociais. Os novos meios, facilitando o compartilhamento de informações, a cooperação e a ação coletiva, interferem no equilíbrio entre a abordagem institutional, inerentemente exclusiva, segundo ele, mas predominante até o momento, e a abordagem colaborativa, mais democrática, mas até recentemente desprovida de tecnologias que a apoiassem.

Shirky, no entanto, alerta que “a questão aqui, não é que ‘isso é maravilhoso’ ou que vamos ver uma transição de abordagens exclusivamente institucionais para abordagens exclusivamente cooperativas. Vai ser muito mais complicado que isso. Mas o ponto é que será um reajuste maciço. E já que podemos vê-lo com antecedência e sabemos que está chegando, meu argumento é essencialmente: nós podemos muito bem nos preparar melhor para ele”.

Eurico Vianna

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Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?

Mais um que acorda!

Luiz Inácio Lula da Silva
By Michael Moore Thursday, Apr. 29, 2010

da revista Time

Quando os brasileiros primeiro elegeram Luiz Inácio Lula da Silva presidente, em 2002, os barões do país [robber barons] checaram o tanque de combustível de seus jatos privados. Eles haviam tornado o Brasil um dos países mais desiguais da terra e então parecia ter chegado a hora da “vingança”. Lula, 64, era um filho genuíno da classe trabalhadora da América Latina — na verdade, um membro fundador do Partido dos Trabalhadores — que tinha sido preso por liderar uma greve.

Quando Lula finalmente conquistou a presidência, depois de três tentativas fracassadas, ele era uma figura familiar na vida nacional. Mas o que levou à política? Foi seu conhecimento pessoal do quanto é duro para muitos brasileiros trabalhar para sobreviver? Ser forçado a deixar a escola na quinta série para ajudar a família? Trabalhar como engraxate? Ter perdido um dedo em um acidente de trabalho?

Não, foi quando aos 25 anos de idade ele viu a esposa Maria morrer durante o oitavo mês de gravidez, junto com o filho, por não poderem pagar um tratamento médico decente.

Há uma lição aqui para os bilionários do mundo: deixem as pessoas terem bom atendimento médico e elas vão causar muito menos problemas para vocês.

E aqui há uma lição para o resto de nós: a grande ironia da presidência de Lula — ele foi eleito para um segundo mandato em 2006 e vai servir até o fim do ano — é de que quando ele tenta colocar o Brasil no Primeiro Mundo com programas sociais como o Fome Zero, desenhado para acabar com a fome, e com planos para melhorar a educação disponível para os trabalhadores do Brasil, faz os Estados Unidos parecerem cada vez mais um país do velho Terceiro Mundo.

O que Lula quer para o Brasil é o que um dia chamamos de Sonho Americano. Nós, nos Estados Unidos, onde o 1%  no topo da escala tem mais riqueza financeira que os 95% da base combinados, estamos vivendo em uma sociedade que está ficando rapidamente cada vez mais parecida com a do Brasil.

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Fonte: Vi o Mundo.

É inconcebível a forma como a imprensa tenta subestimar nossa inteligência.

Age, principalmente, certos de que não somos dotados de senso crítico.  Talvez porque ela própria, a chamada “grande imprensa”, dos grandes oligopólios de comunicação, tente e consiga, por vários meios, manter a maioria de nós alienados da realidade que nos cerca.

Como conseguem isso?  É fácil responder: a televisão está recheada de entretenimento! E fazemos eco a Zeitgeist, que diz:

“A última coisa que os homens por detrás da cortina querem, é um público bem informado e consciente, capaz de fazer pensamento crítico.  Esta é a razão pela qual existe um contínuo e fraudulento Zeitgeist via religião, mídia de massa e sistema educacional.  Procuram mantê-lo distraído como uma infantil bolha de sabão. E estão fazendo um trabalho excelente.”

Big Brother, programas de auditório, programas de entrevistas de celebridades, novelas, telejornais, desenhos animados, enlatados de baixa qualidade… tudo é feito propositalmente para nos emburrecer, nos distrair.

De carona nessa onda manipulativa, via de regra, grandes colunistas cunham termos como “Patrulheiros da Lama”, “Esquerdistas”, “Petralhas”, “Socialistas”, “Comunistas” e, quiçá, “terroristas”.

Parecem se esquecer que a grande maioria de nós, somos simplesmente o povo, e gostamos de ser lembrados por nossos governantes.  Mais que gostamos, exigimos – visto que o poder, de nós emana (ou deveria…).

Em nossa época um fenômeno se apresentou: nós, o povo, experimentamos colocar no poder um de nós.  E para desespero geral das elites e do poder dominante, do estabilishmment… está dando certo!!

Ao examinar os porquês dessa conquista, podemos concluir com segurança que a força da mídia já não é tão relevante assim, na era internet.  O povo sabe em quem ou em quais instituições pode e deve confiar, pelo simples critério bíblico: conhece-se as árvores pelo seus frutos.

À imprensa tem cabido o papel de sempre causar sensações de intranquilidade e demonstrar o quanto o mundo que nos cerca é corrupto, falível e decrépito.  Cumpre esse papel há séculos.  E só ingênuos acreditam em sua isenção ou sua suposta “transparência”, que deveria nortear suas ações.

Por motivos econômicos, políticos ou mesmo pela fogueira das vaidades; por interesses egocêntricos, ou simplesmente porque estão a serviço de projetos imperialistas de outras nações, os homens de imprensa não pensam em seu povo.

Aí está um exemplo flagrante do que falávamos no post anterior (Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?).

Transcrito do site Viomundo e Blog do Planalto.  Texto editado (diferentemente da Imprensa manipuladora, nós avisamos); para ler o original, clique aqui.  Os grifos, em negrito, são nossos.  Prestem bastante atenção, e nos respondam se  não tínhamos razão…

Estadão derrapa na reportagem e ainda reclama das críticas

Na sexta-feira passada (26/03) o Estadão publicou editorial reclamando do presidente Lula por se queixar da má-fé de setores da imprensa. Até parece que o jornal estava se defendendo antecipadamente. Vejam como o Estadão muda o contexto de uma declaração do presidente em reportagem assinada pelos repórteres Tânia Monteiro e Renato Andrade na edição desta terça-feira (30/3) e tirem suas conclusões.

O título da matéria é “Ao lado de 18 governadores, Lula lança PAC 2 para impulsionar Dilma”. No quarto parágrafo, os repórteres, que deveriam reportar os fatos com fidelidade, dizem o seguinte:

“No mesmo discurso, o presidente anunciou que havia desistido de viajar hoje a Pernambuco para inaugurar uma parte da Ferrovia Transnordestina, por problemas com a obra. “Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora”, disse Lula, reconhecendo fragilidades do PAC 1.”

Em primeiro lugar, o Presidente não reconheceu fragilidades do PAC 1, como afirmaram os repórteres do Estadão. A reconhecida insatisfação com o que foi feito até agora foi dita em um contexto diferente do apontado no texto. Ele se referia ao conjunto de realizações do governo. Inclusive, o exemplo citado foi o do Bolsa Família, que não está no PAC.

Vejam o trecho a seguir para tirar suas conclusões e ver se o presidente não tem razão de criticar:

“Então, eu quero terminar, companheiros, dizendo para vocês apenas duas coisas. Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora, e acho que nenhum de vocês está contente, porque nós temos a obrigação de fazer mais, temos competência de fazer mais. O povo pobre deste país precisa que a gente faça mais, e a economia precisa que isso aconteça.

Eu fico imaginando se nós, naquele momento de crise, tivemos que fazer um investimento de quase R$ 12 bilhões no Bolsa Família, o próximo governo não pode se contentar com [R$] 12 [bilhões], vai ter que fazer mais. Ou vai ter que gerar tanto emprego, que um dia não vai precisar mais ninguém ter o Bolsa Família. Porque quando a gente começou a fazer o programa Bolsa Família, qual era a crítica que a gente recebia? “Cadê a porta da saída? A porta da saída? A porta da saída?”. Os coitados não tinham nem entrado. Eu não sei porque pobre incomoda tanta gente neste país! Não, porque a verdade é essa, é que incomoda.”

Em segundo lugar, o presidente não disse que havia desistido de viajar a Pernambuco para inaugurar parte da Ferrovia Transnordestina e nem que a obra estava com problemas. Até porque não estava prevista nenhuma inauguração de trecho da ferrovia. O que se cogitou foi inaugurar uma fábrica de dormentes e uma fábrica de britas, que não ficaram prontas. Isso foi dito à repórter Tânia Monteiro por mais de um assessor de imprensa da Presidência, mas foi ignorado. Confiram o que o presidente disse, e julguem a qualidade da reportagem:

“Veja, eu estou dizendo isso de público porque eu ia amanhã para a Transnordestina, para inaugurar a fábrica de dormentes, a maior do mundo, e a fábrica de brita que, sozinha a usina de brita, vai produzir mais brita que as quarenta que tem em São Paulo. E não vamos porque não está pronta. Esse compromisso foi feito comigo em janeiro, em janeiro. Não está pronta.

Então, eu quero terminar, companheiros, dizendo para vocês apenas duas coisas. Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora, e acho que nenhum de vocês está contente, porque nós temos a obrigação de fazer mais, temos competência de fazer mais. O povo pobre deste país precisa que a gente faça mais, e a economia precisa que isso aconteça.

Eu fico imaginando se nós, naquele momento de crise, tivemos que fazer um investimento de quase R$ 12 bilhões no Bolsa Família, o próximo governo não pode se contentar com [R$] 12 [bilhões], vai ter que fazer mais. Ou vai ter que gerar tanto emprego, que um dia não vai precisar mais ninguém ter o Bolsa Família. Porque quando a gente começou a fazer o programa Bolsa Família, qual era a crítica que a gente recebia? “Cadê a porta da saída? A porta da saída? A porta da saída?”. Os coitados não tinham nem entrado. Eu não sei porque pobre incomoda tanta gente neste país! Não, porque a verdade é essa, é que incomoda.”

Questionamos:  não tínhamos razão?  É essa a imprensa que queremos?  Que precisamos?  Que muda e manipula os fatos?  E por quais motivos?  Qual seu objetivo-fim?

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Links Relacionados:

Vi o Mundo – http://www.viomundo.com.br

Blog do Planalto – http://blog.planalto.gov.br

O Presidente Lula é o entrevistado desse domingo do programa Canal Livre Especial, da Rede Bandeirantes.  Agora à noite, o jornalista Bóris Casoy (aquele que adora garis), jurou de pés juntos, no jornal da Band, que a entrevista não foi editada nem um pouquinho, e acrescentou que, nela, houveram, sim, momentos ácidos, que foram sublimados.

Lula tradicionalmente dá um banho em jornalistas – principalmente os do Canal Livre -, porque sabe encarntá-los, já que conta com uma inteligência emocional brilhante, um carisma inegável – reconhecido mundialmente – e, sem sombra de dúvida, passa longe da infeliz e errônea imagem de mal-informado e inculto.  É uma das pessoas mais brilhantes que já vimos.  Sem sombra de dúvida, o melhor presidente que este país já teve.

Esse é uma das raras ocasiões em que fica difícil para o PIG – senão, impossível -, torcer, enganar, manipular e distorcer informações.  Estaremos atentos e acordados assistindo, com uma xícara de café fumegando em nossas mãos!

Há tempos espalha-se pelo mundo a teoria de que democracia forte, precisa de uma imprensa livre.

Para alguns, o papel de uma imprensa livre é o de proporcionar transparência e informação ao cidadão, para facilitar, a esse cidadão, a fiscalização do Estado, dos Governos, dos representantes que elegeu.

A chamada “imprensa livre”, assim, passou a ser chamada de “o quarto poder”.  Um poder que seria temido, transparente, amante da democracia, correto, investigativo, sempre ético.

Será?

Ainda que isto fosse verdade; ainda que a imprensa não fosse defendida por inúmeros autores em obras controversas, como instrumento de manipulação do povo; como poderia o povo decidir por meio de empresas privadas, que escolhem quais notícias devem ser divulgadas?  Que escolhem como essas notícias devem ser interpretadas?  Que manipulam as informações?

Estaremos errados ao afirmar isso?

O Quarto poder

Você já ouviu falar nessa expressão? Conforme a Wikipédia:

“O quarto poder é uma expressão criada para qualificar, de modo livre, o poder da mídia ou do jornalismo em alusão aos outros três poderes típicos do Estado democrático (Legislativo, Executivo eJudiciário).

Essa expressão refere-se ao poder da mídia quanto a sua capacidade de manipular a opinião pública, a ponto de ditar regras de comportamento e influir nas escolhas dos indivíduos e por fim da própria sociedade.

Sobre o tema existe um filme assim nomeado em português, mas com título original “Mad City”. O filme discute o poder da mídia sobre a opinião pública, fazendo uma espécie de jogo com as emoções. O filme fala do poder e da farmácia de manipulação da mídia para favorecer os interesses de terceiros, e em busca da conquista de audiência.

No Brasil, por exemplo, já é possível perceber que a sociedade, em muitas situações, já confia mais nessa instituição do que nos 3 (três) poderes do Estado.

Uma boa leitura para entender como isso funciona no Brasil é através da série de artigos escritos pelo jornalista Luis Nassif, sobre a revista Veja.”

Bom, quem desejar conhecer o excelente blog do Luis Nassif, clique aqui, ou veja as referências ao fim do post.  Tendo conhecido, então, o significado da expressão “O Quarto Poder”, podemos retomar nosso raciocínio.

A imprensa conta com técnicas, modelos e métodos consagrados, profissionais, técnicos.  Mas a imprensa não é detentora, por si só, do ofício jornalismo.  A imprensa, portanto, é uma instituição composta por empresas do segmento de informação; portanto, de jornalismo.  E o que é jornalismo?  Novamente com a palavra, a Wikipédia:

“Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais. Jornalismo é uma atividade de Comunicação.”

Nota-se aí que, entre a informação pura, simples e crua, e os leitores, ouvintes ou telespectadores, há um profissional que “lida” com “notícias, dados factuais e divulgação de informações”.  Cabe aos jornalistas, também, “(…) redigir, editar (…)” informações sobre eventos atuais.

Em outras palavras: um intermediário.  Traduzindo de forma mais simples, a Imprensa poderia ser caracterizada como: “Empresas privadas que coletam, redigem, editam e divulgam informações”.

A questão principal, é que aceitar esse modelo significa aceitar a existência de intermediários, que têm acesso a todas (ou quase todas) as informações; contudo, decide quais, e de que forma, devem ser publicadas.  A informação não chega às mãos do leitores de forma crua, isenta, pura; ela passa por edição, diagramação, cortes e acréscimos.  Os leitores, por sua vez, não têm o menor controle do que desejam e precisam saber; dependem desses “intermediários”.

Derruba-se, dessa forma, a tese do “quarto poder”, e outras mais falsas ainda, como “uma democracia forte necessita de uma imprensa livre”.  Se o cidadão, de fato, precisa ter acesso a todas as informações para formar opinião e decidir, enquanto eleitor, sobre o governo que elegeu, ele não pode depender de intermediários que decidirão o quê ele precisa saber, e quando ele precisa saber.

Os cidadãos, os eleitores, primeiramente precisam ter acesso a meios de comunicação que lhe permitam escolher, no momento mais adequado para eles, quais informações desejam ter acesso.  E os Governos, precisam ser transparentes.

O meio de comunicação mais adequado para essa finalidade, não é outro, senão a internet.

Por meio da internet, você está tendo acesso a esta opinião, emitida por pessoas comuns, iguais a você.  Terá acesso, ainda, a centenas de milhares de outros blogs, sites e portais.  Muitos com informações corretas, muitos com mentiras, muitos com informações erradas, inverídicas.

Aumenta, portanto, sua responsabilidade: é você, e não um intermediário (jornal, empresa jornalística, revista, TV, rádio), que tem que decidir se deve ou não confiar nas informações a que está tendo acesso.  Você, então, obriga-se a cruzar dados, pesquisar em locais diferentes o mesmo assunto, e mesmo consultar sua própria razão, para saber se o que lê lhe parece mesmo razoável.  Descobre, então o que é preciso: criticidade.

A internet, então – ela sim – é um instrumento imprescindível para a democracia.  Desde que, claro, todos os cidadão tenham acesso a ela.  O que ainda está longe de acontecer em nosso país.  Apenas pessoas de um determinado poder aquisitivo têm computadores com internet em sua própria residência.  Outra parcela menor tem acesso à internet no trabalho, na escola ou mesmo em “lan-houses” e tele-centros criados pelo Governo e algumas empresas públicas e privadas. e espalhados pelo país.

Por outro lado, a expansão da internet depende do aumento da infra-estrutura (cabos, fios, redes, antenas) em vários locais distantes do país, locais estes onde o acesso não existe, pelo fato de depender de empresas privadas de comunicação, que não se interessam por desenvolver e disponibilizar a internet em vários lugares.  Alegam, para isso, que essa expansão, em alguns lugares, é inviável (economicamente, é claro).

É por isso que o Governo lançou o PNBL – Plano Nacional de Banda Larga.  Sua intenção é facilitar e garantir o acesso da internet a todas as pessoas do país.  Ao Governo, enquanto promotor da verdadeira democracia, interessa que todos os cidadãos tenham acesso a internet, de forma facilitada.  Onde as empresas privadas não puderem ou não quiserem investir, lá estará uma empresa estatal, para investir e facilitar a chegada da internet.

Somente então poderemos comemorar não a desnecessária liberdade de imprensa, e sim a desejada liberdade de informação.  Garantindo a todos, o acesso a internet.

Apoiamos o PNBL, do Governo Federal.  Que venha, e venha rápido!

Essa matéria tende a ter mais desdobramentos.  Fiquem atentos.

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Links Relacionados:
Blog do Luis Nassif
Wikipédia Brasil