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Vitória!!

VITÓRIA!!!

O retrocesso está afastado por 4 anos.  Mas estaremos todos vigilantes.

Parabéns ao Brasil!!  Parabéns a Lula!!!  Parabéns a nós, povo brasileiro!!!

Parabéns, Dilma Vana Roussef!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prezados Leitores,

Há muito para dizer e, infelizmente, muito pouco tempo para tal.  Manter um blog com matérias interessantes, coerentes e conteúdo relevante não é fácil.  É um trabalho para amadores, sim, mas amadores com bastante energia, tempo disponivel e dispostos a pesquisa séria e equilibrada do que se deseja analisar.  Acreditamos ter esse potencial, mas nos falta tempo.  Esse é o principal motivo pelo qual informamos que este blog será descontinuado em breve.  Não estamos nos furtando à luta, mas apenas pensamos que podemos ser igualmente produtivos em outras searas, colaborando nos blogs dos demais amigos e, quiçá, de forma mais ativa no mundo não-virtual.   Dessa forma, este é um dos últimos posts do blog.  Esperamos que todos possam nos compreender.

Todavia, algo nos move, ainda; ainda nesse inesperado – mas repleto de lições a aprender – segundo turno das eleições.  É a fala de Martin Luther King, negro estadunidense, militante da paz e dos direitos humanos, assassinado em l968:

“O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”

Por esse principal motivo, não podemos, ainda, nos calar diante dos descalabros que vemos em nosso dia a dia.  De uma campanha difamatória, suja e matematicamente engendrada pela oposição, contra a candidata Dilma Roussef.  Enquanto isso, do outro lado, a chamada grande mídia segue cumprindo o papel preconizado – há séculos – pelos que se denominam a Elite.  Essa imprensa, também matematica e friamente, de forma manipuladora – como é seu modus operandi -, apregoa agora uma nova visão: o “fato consumado”, de que Serra estaria eleito.  Quem falou disso, há alguns dias foi o Azenha, neste post, no seu excelente e indispensável Vi o Mundo.

A verdade: Não há fato consumado, e a tendência para a vitória, bem como os prognósticos que o futuro nos aponta, caminham na direção da eleição de Dilma Vana Roussef, a futura presidente do Brasil.

Razão pela qual fazemos um último apelo á razão: o leitor deve aprender a ler nas entrelinhas de cada fato, como falamos em outras oportunidades, como aqui.  Faça uma pesquisa no blog e entenda nossa visão sobre esse e outros assuntos.

E ainda que o leitor não seja eleitor de Dilma/Lula, rogamos para que mantenha o senso crítico sobre tudo que lê, tudo o que toma conhecimento.

Isso posto, analise o curriculo e a história dos candidatos e dos seus atos.  Pense, reflita, critique, analise e chegue – aí sim, com sua própria cabeça – à sua conclusão.  Use sabiamente essa nova ferramenta – a internet – e busque você mesmo realizar seu filtro.

Um outro pedido: por favor, não anule seu voto; por mais que você pense que tudo é corrupção; que todos os politicos não prestam e nada vai mudar; que nada pode ser feito, e tudo ficará assim para sempre – como ficou até agora – saiba a verdade: essa é uma ilusão colocada cirurgicamente pela imprensa e pelo restante do sistema, em sua mente.  Para ocultar de você a verdade maior: o poder é seu, e depende de você, de nós, de todos nós enfim, fazer as coisas acontecerem.

Isso não significa que o mundo seja belo, lindo, e os problemas do Brasil tenham sido resolvidos: não; há muito o que fazer.  Mas quer saber porque não foi feito até agora?

Porque o maior interessado – você! – ainda não acordou completamente para a realidade de que é o principal ator para a modificação dessa realidade que nos cerca.  Mas não se culpe: está apenas seguindo, inconscientemente, o plano deles.

Sejamos mais didáticos: você gosta/gostou do governo do Presidente Lula? Está entre os 80% que aprovam seu Governo, ou os 16% que o considera regular?

Se a resposta é sim, e se votou – como nós – em Lula, em 2002 e 2006, saiba que esse sucesso é seu! Tudo isso de bom que acontece em nosso país, foi você, fomos nós que fizemos.  Com a sua escolha. Tendo pensado, tendo refletido, tendo escolhido acreditar no futuro de nosso amado país, tendo acreditado, tendo recusado pensar com a cabeça dos outros, tendo ignorado as mentiras e as manipulações da imprensa, tendo enfim, finalmente, sido pro-ativos, tendo AGIDO – e não, REAGIDO.

Saiba, portanto, que o futuro do país depende de você.  Querem fazer você crer que seu voto não faz a menor diferença.  Mentira: faz sim. Faz TODA a diferença. E saiba, ainda, que votar nulo ou branco é tão eficaz como forma de protesto quanto tentar encarcerar um tigre com uma gaiola de passarinho: é inútil.

Você não é obrigado a chegar a nossa conclusão, mas nos permita dizer que seu voto será mais útil em Dilma Roussef – 13 – do que em anulação, voto branco ou em José Serra.  Mas como chegar a essa conclusão?  Muito simples: na hora de se postar em frente á urna para digitar seu voto, pare, pense e reflita:

“Onde eu estava em 1999?”

  • Por acaso você se recorda da sensação de que não valeu a pena participar da eleição de 1998?
  • Se recorda do desemprego e da desesperança?  Das sabidamente poucas chances de conseguir sustentar sua família?
  • Se lembra de ter perguntado à várias pessoas: “quem votou no Fernando Henrique Cardoso, em 1998,, afinal?”, e de só obter respostas negativas?  Se lembra de ter pensado as respostas possíveis a esse silêncio de seus interlocutores?  Pensou em fraude eleitoral?  Ou pensou que na verdade quem votou em FHC estava com vergonha de confessar seu voto, enfim, confessar a merda que fez?
  • “O Brasil não vai prá frente, porque se for para a frente, cai no abismo?”.  Se recorda dessa frase?  Onde ela anda agora?  Saiu de seu vocabulário?  Você a esqueceu?  Porque?
  • Lembra-se que o Brasil era o “pátio de estacionamento dos Estados Unidos”?  Esqueceu disso também? Porque?
  • Se você – como nós – era pobre em 1999 e vem ascendendo, e tem ou está prestes a comprar seu primeiro veículo; lembra-se de quais eram as perspectivas para alcançar esse objetivo em 1999?
  • Aliás, você estaria lendo essas palavras em um blog em 1999?  Você tinha computador em 1999?  Tinha internet? (p.s.: internet de verdade ainda vem por aí… também depende de você…)
  • Você achava que o Brasil era respeitado no exterior, em 1999?
  • Você, enfim, tinha esperanças em 1999?

Então, para finalizar, visite este artigo, leia-o, analise-o, veja as imagens, e saiba o seguinte:

1999: ano compreendido entre o período 1994-2002 – Gestão PSDB.  Presidente: Fernando Henrique Cardoso.  Ministro: José Serra.

2010: ano compreendido entre o período 2002-2010 – Gestão PT.  Presidente: Luis Inácio Lula da Silva. Ministra: Dilma Roussef.

Agora abra os olhos – lembre-se, você está diante da urna eletrônica! É hora de você agir.  Decida o futuro que quer.  Decida pela esperança dos seus filhos e netos.  Olhe para frente, e não volte ao passado!  Sem boatos, sem mentiras, sem medo, sem dúvidas!

Vote 13.  Vote Dilma Roussef.

Nos encontraremos em 1º de janeiro de 2011.  Nós, você e o futuro.

Um dos trabalhos sujos que a mídia faz é o de contribuir para a ampliação da sensação de impotência  de um povo.  Sinalizando subliminarmente através da divulgação de escândalos, corrupção, desvio de recursos públicos, violência, degradação moral e problemas sociais de forma geral, o cidadão, seu refém, que a ela (mídia) recorre para se manter informado, ao término do telejornal conclui, diariamente, que o mundo está perdido, o Brasil não tem jeito, e não vale a pena se preocupar, não vale a pena se importar, nada posso fazer.

Nada tão distante da verdade.

Prezado leitor: essa sensação experimentada por todos nós, é proposital!  Mas entenda: não estamos aqui dizendo que tudo que exista de mal deva ser ocultado; não se trata disso.  Se trata, primeiramente, de entender que a liberdade de imprensa tão pretendida, na verdade, é a liberdade de empresa – ou seja, da empresa de comunicação concessionária, que decide, ao seu bel prazer, filtrar a informação a que tem acesso e mostrá-la – ou não – a seus telespectadores/leitores/ouvintes.  Ao fazê-lo, atua de forma seletiva e subliminar.  Uma empresa concessionária de um serviço público tem, no mínimo, o dever de informar e o de entreter – e não o direito de manipular.

Infelizmente, na maioria dos casos, Liberdade de Imprensa não representa Liberdade de Informação!

O principal problema não é o que se diz, e sim o que não se explicita – o não dito, a linguagem não verbal, que induz  à conclusões estudadas.  Em nenhum momento você ouvirá uma rede de televisão dizer, com todas as palavras: gente, o mundo está perdido; não vale a pena se meter.  Isso – e muito mais – é dito sem palavras, começando com a escolha das notícias e a forma como elas são apresentadas.

Estendendo o exemplo, vemos que na mídia impressa – e, no caso em questão, na “mídia virtual” – um dos velhos truques utilizados é a disparidade entre a manchete – seja de capa, ou não – e o conteúdo imediatamente associado.  Nascida no seio dos jornais impressos – quando ainda não havia internet – as manchetes funcionam como a mensagem que um veículo de imprensa deseja expressar.  É um resumo, e são vistas pelos leitores como uma síntese do que está acontecendo de mais importante no dia.  E são percebidas como a imprensa – não como O Globo, Zero Hora ou Notícias Populares.

Uma das funções primordiais das manchetes são o de atrair o leitor para a aquisição do impresso (seja jornal ou revista).  Faz parte da chamada de capa, também, as fotos – e, em tempos recentes, infográficos e ilustrações.  É uma forma – quando mal utilizada – ainda mais perniciosa de passar informação, pois o que se vê atua de forma diferente do que se lê.  As imagens atuam como símbolos, arquétipos, se fixando no fundo de nossas mentes.  Não se diz que uma imagem vale mais do que mil palavras?  Vale, sim, estimado leitor, porque as imagens são emblemáticas; elas falam e significam coisas, por si só.  Não é a toa que se faz faculdade de jornalismo  – que inclui o fotojornalismo.  As notícias são coroadas por fotos memoráveis, escolhidas a dedo, que transmitem a mensagem que se deseja.  Não é a toa, por exemplo, que nunca se vê a imagem do candidato José Serra nos jornais, com o dedo no nariz – uma das suas atitudes mais estranhas e mais comuns.  Procure na internet, prezado leitor, e a encontrará em blogs, somente.  A grande mídia, que o defende, não deseja mostrar essa face.  É o filtro, estúpido!

Pois bem: quantas vezes não vemos uma manchete de capa apontando um fato grave, importante ou apenas interessante para, minutos depois, decepcionar-nos com o conteúdo, após a compra do jornal, descobrindo que a notícia não era exatamente aquela que se alardeava?

Como por exemplo numa manchete um pouco mais antiga, da época da chamada crise nos aeroportos, dada em uma publicação dedicada a concursos públicos: “Vagas para controladores de vôo – contratação imediata”.  Alguns reais depois, descobre-se que é necessário inscrever-se em um concurso público para a Força Aérea – concurso esse, cuja inscrição estava apenas prevista, a julgar pela dezena de anúncios de apostilas e cursinhos intensivos que tomavam a parte inferior da página.

Dando um fictício (?) exemplo, funciona da mesma forma, quando uma manchete alardeia: “Petrobrás opera com várias plataformas enferrujadas”.  Ao lado, a foto de uma estrutura caindo aos pedaços, sobre o mar.  O leitor passante – aquele que não vai comprar o jornal, só lerá a manchete e, se estiver na internet, não clicará sobre ela para ler o corpo da matéria -, já recebeu a mensagem que o dono do jornal quer passar (sim, o dono: é ele quem decide a linha seguida pela pauta!).  Dessa maneira, várias mensagens espoucam na mente dos leitores, de forma não verbal – ou seja, são percepções que ficam gravadas no nosso subconsciente através da associação da manchete e das imagens: O Governo é ineficiente; a Petrobrás é mal-administrada; meu Deus, eles operam com esse material podre?  Isso não existe nas empresas privadas; Poxa, que chato, nada muda; Ainda bem que existe esse jornal, que me conta a verdade…

Comprando o jornal e lendo a matéria, nota-se, com algum esforço e prática, o filtro atuando: um sindicato fez a denúncia (não foram informações apuradas diretamente), e a quantidade de plataformas que justifica o termo várias da reportagem são… duas! (entre, quem sabe, oitenta plataformas!).   Contudo, a reportagem omite que ambas encontram-se… desativadas!!

São esses pequenos truques de quem considera que tem o direito e o dever (sim, eles pensam assim) de intermediar e filtrar a informação a que temos acesso.  Sim, repetimos – eles pensam assim.  Inclusive estão incomodados com a idéia do Estado – esse ente a quem outorgamos o nosso poder – falar diretamente a nós, cidadãos, sem intermediação.  Pretendem eles atuar como intermediários do que deve ser a expressão do poder popular?

Não prezado leitor; não pretendem.  O fazem, há séculos. Mas agora gritam e esperneiam, porque a Petrobrás, o Palácio do Planalto, nós e você, leitor, temos blogs.  Afinal, quem precisa da imprensa?  Mais especificamente, desse tipo de imprensa, que ofende nossa inteligência?  Para quê?  Apenas para nos manipular?

Que todos possamos, através da internet, reaprender e exercitar a capacidade de pesquisa, de filtro, de garimpar a verdade através do cruzamento de múltiplas referências.  Isso feito, poderemos tirar nossas próprias conclusões – e não as conclusões que querem que tiremos!

Por fim, saiba, estimado leitor: vale a penas se importar, sim.  Vale a pena não só sonhar, mas lutar para ver o sonho realizado.  Foi com uma pequena mudança de direção que o nosso amado Brasil chegou onde chegou, e temos tudo para não apenas prosseguir no mesmo caminho, mas como ajudar a corrigir sua rota, através da democracia representativa e das informações transparentes, por meio da rede, que o governo Lula nos apresenta, e que certamente será continuado através de um eventual – mas cada vez mais provável, obrigado – governo Dilma.

As perspectivas para nosso futuro são fantásticas.  Com cada vez mais pessoas conectadas à internet, o comércio eletrônico irá certamente explodir, gerando mais e mais empregos.  As informações deverão circular livremente, e teremos muito trabalho ao instruir os recém chegados.  Os cidadãos deverão ter o hábito de pesquisar e fiscalizar, eles mesmos, as ações de seus governos, em cada uma das esferas (Federal, Estadual, Municipal), e acompanhar seus representantes.  Uma previsão mais que óbvia: haverá um boom na área de logística.  É melhor nos prepararmos, todos nós.

É o sonho brasileiro, tão longamente atrasado por interesses escusos, que bate à sua porta!  E ele é feito por nós – todos nós, sem excluir ninguém, sem deixar ninguém para trás! O estimado leitor é chamado à ação: tente! Se interesse! Se informe – e informe!  Diga alô para o mundo, compartilhe, dialogue, pergunte – e pergunte de novo, se necessário -, entenda, explique.

Vale a pena!

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Leia também:

Carta Maior: falta futuro para os barões da mídia

Eurico Vianna: da sociedade vertical à sociedade horizontal

Mais um que acorda!

Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?

Da série “Desmontando Inverdades: o e-mail da Ata da Petrobrás”

Conheça:

Blog do Planalto

Blog da Petrobrás – Fatos e Dados

Por Maurício Thuswohl(*) no Carta Maior.  O original pode ser lido aqui, e os grifos, em negrito, são nossos.

Realizado nos dias 19 e 20 de agosto, o 8º Congresso Brasileiro de Jornais foi revelador do momento pelo qual passam os principais conglomerados de comunicação no Brasil. A começar pelo próprio tema, “Jornalismo e Democracia na Era Digital”, o evento organizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) no Rio de Janeiro foi uma prova viva de que as poucas famílias que controlam os principais jornais do país vêm tendo muitos motivos para se preocupar desde que as novas mídias eletrônicas entraram em cena.

O principal tema de discussão entre os cerca de 700 empresários e profissionais do setor foi a gratuidade do conteúdo jornalístico na internet, curiosamente considerada por muitos dos presentes como “um entrave à democracia”. A própria ANJ, no texto de abertura do congresso, já antecipava sua posição a esse respeito: “O bom jornalismo, que difunde as informações de credibilidade e as opiniões que os cidadãos necessitam para fazer as suas escolhas, resulta de investimentos e deve ser adequadamente remunerado”.

Não é à toa que, este ano, a maior estrela do congresso organizado pelos donos da mídia no Brasil foi o jornalista Robert Thomsom, editor do Wall Street Journal. O jornal dos Estados Unidos se tornou o case de maior sucesso em termos de venda de conteúdo pago via internet. Durante sua palestra, o “guru” não decepcionou: “Precisamos urgentemente voltar ao que era antes. Voltar ao básico, em que as pessoas apreciam o conteúdo jornalístico o suficiente para pagar por ele”, disse.

Outras questões debatidas no congresso foram o fim da Lei de Imprensa e o fim da obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício da função de jornalista, destacados como “importantes avanços” pela presidente da ANJ, Judith Brito, que também é diretora-superintendente do Grupo Folha.

Única novidade do congresso, a ANJ apresentou um plano de autorregulamentação do setor, a partir da criação de um conselho dentro da própria associação. A idéia, no entanto, não conta com o entusiasmo sequer do vice-presidente da ANJ, e também vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho: “A autorregulamentação é um princípio muito bom, mas a atividade jornalística é carregada de subjetividades”, disse.

“Perigo na AL”

O grande momento do congresso, no entanto, foi o painel “O Futuro da Democracia e o Jornalismo”, que reuniu o diretor de redação da Folha de SP, Otávio Frias Filho, e o sociólogo e professor da USP Demétrio Magnoli, um daqueles intelectuais que, segundo a ANJ, “difunde as opiniões que os cidadãos necessitam”. Neste debate, a sociedade brasileira foi alertada para o perigo que constitui “a formação de joint-ventures entre companhias de telecomunicação e governos populistas” para controlar a difusão de informações: “Tal perigo ronda, em especial, a América Latina”, afirmou Magnoli.

O sábio neoliberal disse mais: “Vem sendo difundida a teoria de que os jornais são como partidos que fazem parte de um jogo político. Ela surge numa época em que volta a idéia de que o Estado deve falar diretamente às pessoas, evitando a mediação. Essa teoria política dá base a um projeto de jornalismo estatal em curso na América Latina, buscando criar uma imprensa alternativa, principalmente nos meios eletrônicos”.

Frias, por sua vez, estendeu a outros continentes o leque de culpados pela “guinada antidemocrática” no jornalismo mundial: “Vladimir Putin, Ahmadinejad, Chávez, Rafael Corrêa e Evo Morales representam uma erupção de governantes autoritários e populistas que, embora mantendo a aparência de democracia, manietam os poderes Judiciário e Legislativo, além de buscar controlar a imprensa”, disse.

“Conferencismo”

Os candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) passaram, em momentos diferentes, pelo 8º Congresso Brasileiro de Jornais. Os três presidenciáveis ratificaram a Declaração de Chapultepec, documento firmado em 1994 no México durante uma conferência hemisférica sobre liberdade de imprensa organizada pelos grandes empresários do setor.

Curiosamente, no mesmo dia em que passou pelo congresso da ANJ, Serra deu declarações públicas acusando o governo Lula: “Nos últimos anos, têm havido diversas tentativas de cercear a liberdade de imprensa no Brasil”, disse o tucano, que também fez críticas à 1ª Conferência Nacional de Comunicação, classificada como “parte de um processo de conferencismo pago com o dinheiro público”.

Em resposta a Serra, o ministro Franklin Martins divulgou uma nota pública na qual afirmou que o tucano “faz uma acusação grave e descabida” ao governo: “A imprensa no Brasil é livre. Ela apura – e deixa de apurar – o que quer e publica – e deixa de publicar – o que deseja. Opina – e deixa de opinar – sobre o que bem entende. Todos os brasileiros sabem disso. Diariamente, lêem jornais, ouvem noticiários de rádio e assistem a telejornais que divulgam críticas, procedentes ou não, ao governo. Jornalistas e veículos de imprensa jamais foram incomodados por qualquer tipo de repressão ou represália”, diz a nota.

Orquestra

Os ataques orquestrados ao governo e aos “inimigos da liberdade de imprensa” continuaram nestes últimos dias nos maiores jornais do país com a cobertura do XVI Encontro do Foro de São Paulo, evento do qual participam 54 organizações políticas de esquerda da América Latina e do Caribe. Fazendo referência ao documento final do encontro, que pede a democratização dos meio de comunicação, o jornal O Globo publicou matéria com o singelo título “PT e grupo da AL apóiam controle da mídia”.

Percebe-se pela postura adotada, seja nas páginas de seus veículos ou no congresso da ANJ, que os barões da mídia no Brasil, acossados em seu próprio domínio, começam a atirar para todos os lados em uma clara demonstração de que não sabem mais para onde ir. Qualquer semelhança com a campanha do candidato a presidente por eles apoiado não é mera coincidência. E pensar que, logo após o congresso da ANJ, foi realizado em São Paulo o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que reuniu cerca de 300 blogueiros em defesa da liberdade de expressão, da democratização da comunicação e da universalização da banda larga no Brasil. Como se vê, apesar das preocupações conservadoras, ninguém pode deter o futuro.

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Leia mais em:

Eva Golinger: o financiamento de Washington a jornalistas

Eurico Vianna: da sociedade vertical à sociedade horizontal

Mais um que acorda!

Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?

(*) Maurício Thuswohl é jornalista

Depoimento espontâneo do médico Adriano no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui (nos comentários via Intense Debate).  Os grifos, em negrito, são nossos.

“Sou médico e pela primeira vez venho comentar nestas paginas. Sempre tive comigo que algo andava errado, sempre vi que na politica brasileira os comentários sempre se afunilavam-se no que a TV, revistas e jornais de evidencia nos “empurravam” e as vezes me via perguntando: “será que sou só eu que penso contra ou o governo do Lula é ruim mesmo?”, “será que todos ( do ciclo em que convivo) tem razão ao criticar e achar ruim tudo o que ele faz?” Mas os numeros não indicavam isso, mas a TV sempre rebatia, pesquisas demonstravam crescimento e melhorias absurdas, mas a TV, jornais, revistas e a classe A toda sempre rebatia contra… O que esta acontecendo de verdade? Neste período começei a ir para a rede, trocar aquilo que cansava minha mente pela Net e comecei a ler sites como este, como do Nassif e Paulo Henrique Amorim, foi como se derrepente eu descobrisse que milhares e milhares de pessoas também pensavam igual a mim concretizando que existe sim algo de muito podre e ridículo no nosso pais. Nunca fui ingênuo de achar que não há coligações de poder em todas esferas que se degladiam até a morte para se manterem no poder ou buscar o mesmo, isso sempre existiu e sempre existirá, sempre soube que política e midia ora andaram juntas, ora contra neste duelo de manutenção e expoliação do poder, mas não tinha a prova palpável para confirmar que estes exageros tão evidentes estão alienando parcelas da população e de forma descarada arrombam os portões de uma mínima ética residual para uma agressão nociva, manipulando fatos e fatores para envenenar a realidade, me sentia impotente porque não tinha fatos além daqueles manipulados que chegavam a minha casa pela velha oligarquia prostituta e viciada que é atualmente conhecida PIG, para defender minha senssação de que ” que merda é essa que eu estou vendo nas revistas e na TV e que parece que todos que conheço não enchergam que esta claramente sendo uma manipulação barata?”, ” só vejo criticas pessoais ao presidente, só vejo acusações de todos os tipos, sem nenhuma prova, mas nunca vejo o direito de defesa ser noticiado, ser evidenciado, e o pior, sempre vejo a oposição fazer estardalhaços com coisas que pela imcopentencia homérica são resultados do governo anterior deles? Cade o senso? Cade alguem para equilibrar as coisas? Eles foram claramente os causadores de tudo que esta ai de ruim na saude e economia e nestes ultimos 8 anos e o que tenho visto foi o resgate da minha moral la fora, do meu pais e isso não tem preço, cade o reconhecimento?” e sempre ouvia: “Ahhh, cara, vc ta viajando, você acha mesmo que este cachaceiro ta resgatando alguma coisa? Ele é o maior embuste do século, o cara que roubou todas ideias do antecessor e ganhou a moral disso!”…. Como é triste ver o quão obtusa pode ser a mente humana, ingrata por natureza e acima de tudo, ofenciva e nociva! Só por não gostar de ver um operário acima na hierarquia, isso justifica todo preconceito, ingratidão e falta de senso. Quando vi o video do meu presidente relatando o que passou com aquele diretor da folha e depois li a verborragia esquizofrênica da diretora da ANJ confirmando o inconfirmavel, o inadimissível e totalmente repudiável que eles são a unica oposição ao governo eu me senti verdadeiramente…. aliviado! Aliviado por saber que não estava certo que mais ainda por saber que a luz no fim do túnel esta ai, esta aqui na minha tela, no milhares de bloqueiros e internautas que estão buscando a verdadeira noticia, a verdadeira ideia, a verdadeira oposição ao domínio intelectual que sempre fomos obrigados a aceitar desde sempre!!! Cara quando vi MEU presidente falar o que ele falou no discurso sobre a folha e a elite política e da mídia eu verdadeiramente me emocionei, veio namente na hora o respeito que sabia que tenho pelo seu governo e sua pessoa, sei que é politico, que tem falhas e passível de corrupção como todo político, mas ele foi o único que me deu a chance de dizer bem alto :“Pais do Carnaval, mulata e futebol e a PUTA QUE O PARIU!!!!!” ahhh e como isso me faz bem poder falar… sempre fui criado em berço explendido, sempre tive do melhor e hoje ocupo um bom lugar na sociedade, mas nunca vou poder negar que todos tem seu direito a isso e que so com ele isso esta sendo possível, so neste governo eu vejo todos poderem ter alguma coisa e algum respeito! Este foi o desabafo de uma cara que esta feliz em poder ver aqui ideias pares e saber que não estou sozinho!”

Nos abstemos de procurar corrigir, criar parágrafos ou mesmo alterar quaisquer expressões.  O texto acima é cópia fiel do original.  Dessa forma, fiéis ao original, ficam evidentes a sinceridade e o desabafo do leitor, que procurava, naquele exato instante, traduzir em letras o que sentia, a torrente de idéias que circulava em sua mente, que uma linguagem formal e fria não poderia, nunca, refletir.  Além do mais, entre um gole de qualquer bebida e tiragostos, em qualquer roda de amigos, é nessa linguagem que nos expressamos, não é mesmo?  É essa a nossa realidade.

Quem que nós não pensa, ou não poderia, pensar da mesma forma?  Quantos de nós, de fato, não pensamos da mesma forma?

Nota-se que é uma pessoa de classe média, posição social e financeira estável, formado, mas sobretudo brasileiro, como o somos, em grande maioria.  O leitor que possa, á sua vontade, definir o que é mais marcante nesse desabafo. Creio que o leitor terá notado, no texto, o espírito de virada e justiça social, e o “orgulho Brasil” que estamos atravessando.

Um leitor do Vi o Mundo comemorou: “Você acabou de sair da Matrix!”.  Nós, portanto, corroboramos, felizes:  seja bem vindo ao mundo real, estimado Adriano!  Assim como nós, você desconectou o plugue e as mangueiras que alimentavam nosso cérebro com as melecas da Globo/Folha/Estadão/Veja, enquanto a ilusão era a de que comíamos caviar…  Juntos, acordaremos o resto do país!

A partir do editorial de Luiz Carlos Azenha, no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui, e está em recuo.  Os grifos são nossos, bem como os comentários, em amarelo e sem recuo.

Um dos motivos pelos quais os comentaristas da grande mídia brasileira podem se esborrachar nesta temporada eleitoral resulta do fato de que, ao longo dos últimos meses — para não falar desde 2002 — eles se negam a estabelecer uma relação de causa e efeito na economia brasileira. Alguns, por conveniência ideológica. Outros, por preconceito de classe.

O pressuposto deles é de que o governo Lula seria um desastre econômico. Quando não foi, passaram a adotar três explicações, adequadas à ojeriza despertada pela presença do metalúrgico no Planalto: 1) Lula apenas administrou as virtudes de Fernando Henrique Cardoso; 2) Lula deu certo por não fazer nada; 3) Lula deu sorte e foi ajudado pelo cenário internacional favorável. Eis que uma crise financeira internacional pipocou no meio do caminho, o Brasil sofreu menos que outros países com ela, saiu antes da recessão e crescerá em 2010 numa taxa considerável.

O leitor se recorda o quanto a imprensa, usando e abusando das aspas, ironizou a “marolinha”, expressão do Lula sobre o que seria a crise financeira mundial no Brasil?

E não é que foi uma marolinha mesmo?

Prossigamos.

Ainda assim, a negação de que o governo Lula possa ter alguma virtude ainda impera. A cobertura jornalística exprime isso. O crescimento é um “dado”, como se fosse resultado de alguma intervenção divina. O fato é que a população, sim, faz relação entre o governo e o crescimento. E é daí que nasce um imenso golfo entre a opinião dos jornais — para os quais foi “sorte” — e a realidade eleitoral.

Finalmente, há a questão do público a que se destinam as principais publicações brasileiras. Os jornalistas miram apenas nos que podem pagar pelos jornais e fazem uma apreensão não contextualizada da realidade.  O Valor, por exemplo, na reportagem que reproduzo abaixo, trata dos “problemas” dos empresários com a falta de material de construção, mas não explica o que está na outra ponta: são os imóveis populares, as reformas, os puxadinhos, os condomínios de classe média, a expansão imobiliária no Nordeste?  Se o jornal tivesse feito isso teria prestado não só um serviço aos leitores, talvez tivesse conseguido estabelecer uma relação entre a fantasia dos colunistas e a realidade dos eleitores.

Fornecimento de material de construção já preocupa

Falta de mão de obra limita capacidade de expansão do setor

Daniela D’Ambrosio, Murillo Camaroto, Sergio Bueno e Paola Moura – Valor Econômico – 13/08/2010

Além da dificuldade em encontrar mão de obra treinada, as construtoras enfrentam agora a escassez na oferta de materiais, também provocada pelo ritmo intenso de atividades do setor. Fornecedores de produtos básicos e de materiais de acabamento estão operando a plena capacidade. As construtoras dizem que os casos de falta de produtos são exceções, mas já são comuns os relatos de atraso em entregas e o aumento dos preços é visto como um entrave. As maiores dificuldades parecem estar no fornecimento de tijolos, mas cimento, ferro, concreto e cerâmica também foram apontados como problemáticos.

Memória: foi há 7 anos, em 2003, que a imprensa ironizou a afirmação de Lula sobre o “espetáculo do crescimento” – assim mesmo, entre aspas, como é típico da imprensa manipuladora.  Você pode perceber isso neste artigo da Folha de São Paulo.  A reportagem ainda diz que “Lula se utilizou de suas tradicionais metáforas para pedir paciência para os resultados das últimas medidas. Ele mencionou novamente que ‘um pé de feijão leva 90 dias para nascer e um filho durante os nove meses de gestação’ “.

Apesar da ironia do folhetim… dito e feito: hoje estamos colhendo feijões! Lula de fato foi eficaz ao preparar o país para o crescimento.  Como se diz popularmente: dando uma no cravo, outra na ferradura.  Por exemplo: de 1909 a 2002,  ultimo ano do mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foram construídas 140 escolas técnicas no país.  Todavia, desde que Lula assumiu o poder, em 2002, até nossos dias, foram construídas mais de 200 Escolas Técnicas, totalizando cerca de 360 em todo país.  Em outras palavras: o governo Lula criou sozinho mais Escolas Técnicas do que todos os outros presidentes da história do Brasil juntos!

Mesmo assim, sabemos que esse numero ainda é insuficiente, haja vista a escassez de mão de obra qualificada em alguns setores – principalmente na construção civil, como pudemos ver acima.  Isso vale uma moção de desagravo – poderia ser pior, se Lula nada tivesse feito -, mas, também, uma crítica: de fato, é preciso avançar mais.  Todavia, nunca sob a batuta do PSDB, que não fez quando pôde, e não é agora que faria – por mais que seu candidato tente, inutilmente, convencer-nos do contrário.  Essa, sim, é a percepção popular.  É isso o que se ouve nos trens, no trabalho, nos pontos de ônibus, nas rodas de bar.  Também é disso que fala o Azenha, quando nos explica sobre o distanciamento da realidade de que sofre a mídia.  Dissemos isso antes: eles falam de si para si, conversam com o próprio umbigo.  A única diferença em relação a nós, é que gritam – por isso são escutados (e não mais ouvidos).  De qualquer forma, eles têm esse direito: são os 4% de insatisfeitos com o Governo Lula.  Azar o nosso que sejam donos da mídia e concentrem boa parte da renda.  Mas isso também levará pouco tempo, pois a renda já começou a ser redistribuída (felizmente para nós, povo).

Construtoras de todos os portes e das mais distintas regiões do país são unânimes: a escassez de mão de obra é o grande gargalo enfrentado pela construção civil atualmente. A falta de empregados preparados para erguer as obras, a concorrência com projetos de infraestrutura e a pressão da contratação nos custos já começa a afetar os resultados das companhias e a obrigá-las a revisar suas estratégias. A saída vai desde aumentar o uso de tecnologias industrializadas na construção a elevar o preço do imóvel, “importar” trabalhadores de outros Estados e até o uso de mão de obra alternativa, como a de presidiárias em regime semi aberto. O problema já causa atrasos de cerca de três meses nas entregas.

Que prazer que dá imaginar um trabalhador voltando para sua terra, no Nordeste, reencontrando sua família, justamente porque dezenas de empreiteiras na região precisam desesperadamente, de mão-de-obra!  Ele, justamente ele, que de lá saiu, fugindo da sêca e da completa ausência de oportunidades e de atenção do Estado!  Mas que ninguém leia nossas palavras com preconceito (algo do tipo “já vão tarde”).  É inestimável o valor do nordestino, bem como de todo o nosso povo, na região em que se estabelece – qualquer que seja ela.  Mas é muito justo que eles não precisem deslocar-se para ter direito a um mínimo de dignidade e à atenção do Estado.  Esse processo, continuadamente, irá contribuir para a desconcentração da renda, visto que o trabalhador, em sua terra natal, também é fonte de riqueza para seu município de origem, engordando o PIB per capita da região.

E é, de novo, muito feliz o resultado dessa escassez de mão-de-obra, no sentido de gerar oportunidades para  a polulação carcerária brasileira.  O Conselho Nacional de Justiça empreendeu recentemente uma campanha nos rádios e redes de TV no qual pretende estimular a contratação de presidiários, dando novas oportunidades a quem sai das prisões e precisa recomeçar a vida.   Mas sabemos o quão difícil deve ser para o preconceito das pessoas, assoladas por esse capitalismo atroz, esse egoísmo, esse individualismo estúpido,  dar nova oportunidade a  quem errou e precisa de uma chance de reintegração à sociedade.  Claro que sabemos, também, que cada caso é um caso.  De qualquer forma, no fim das contas, mais uma vez… ponto para Lula, que entendeu perfeitamente que o papel do Estado não era o de mero coadjuvante dos mercados, e sim um indutor do processo de crescimento.  O Mercado nada sabe, o mercado é uma entidade ao sabor dos ventos do lucro.  Uma hidra.  É ao Estado, esse ente a quem nós outorgamos nosso poder, que deve cuidar de nós.  Lula foi lá, no Planalto, lembrar aqueles que estavam no poder, dessa realidade, dessa verdade – até, então, apenas ideal, mas que hoje é realidade.

Entre janeiro e junho, a construção civil gerou 230 mil novos empregos no país – quase o triplo do mesmo período do ano passado, quando foram abertas 79,4 mil novas vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Nos últimos cinco anos, a construção civil, sozinha, foi responsável por 40% das novas contratações no país. “A pressão existe, é numérica e é fato”, afirma Luis Largman, diretor financeiro e de de relações com investidores da Cyrela.

Bom, depois dessa, ainda somos obrigados a aturar José Serra, ajudado por seus assessores e por uma pá de matérias, artigos e reportagens do PIG (Partido da Imprensa Golpista – será que alguém não conhece?) gritando, por exemplo, que “Dilma está maquiando os números”, “as obras do PAC estão paradas”, “o país não está investindo”, etecetera! Ainda bem que, como dizia o seriado Arquivo X, a verdade está la fora, e ela grita e brilha aos nossos olhos. É como diz um pensador: a verdade não tem álibis.  Ela aparece, de um jeito ou de outro, se impõe e permanece.  Simples assim.

A Cyrela foi a primeira – e única até momento – a divulgar o impacto do aumento dos custos nos resultados. Ela reviu os custos em 244 empreendimentos, mais de 90% do que tem em construção e lançamento. Houve um aumento de 2,2% acima do INCC no segundo trimestre. A margem bruta teve queda de 3 pontos percentuais, para 32,6%.

Só no período, de acordo com a Cyrela, a mão de obra aumentou 11% na média. Segundo Largman, os empregados especializados passaram a cobrar mais. “Estamos pagando mais caro por uma mão de obra menos qualificada e produtiva.” A empresa elevou o preço dos lançamentos em 20% para compensar os custos maiores. Mas demora algum tempo para que o balanço capture esse aumento. Para contornar o problema, a Cyrela investe em treinamento e testa métodos construtivos alternativos, mas são soluções de médio e longo prazo. “Por isso, os preços não vão parar de subir.”

“Estamos pagando mais caro por uma mão de obra menos qualificada e produtiva.” O leitor precisa entender o que está por trás dessa afirmação.  O Governo Lula vem batendo recorde atrás de recorde na geração de empregos.  Especialistas determinaram recentemente que, se a curva de geração de empregos continuar ascendente do jeito que está, em alguns meses, teremos a situação inversa: o desemprego negativo, ou o pleno emprego.  Mais exatamente, Luiz Mendonça de Barros, e justamente na Folha de São Paulo, em artigo publicado em 16/04/2010.  De novo, a Elite falando para a Elite:

“A maior parte da oferta na economia brasileira é constituída por bens e serviços que não podem ser importados. O mais importante deles é o mercado de trabalho e nele é que está a componente mais ameaçadora que vejo para a frente. […] Poderemos chegar ao fim deste ano com uma taxa de desemprego da ordem de 6%, mantido o crescimento atual da geração de postos de trabalho. Em março, o número de empregos formais aumentou em 266 mil, número muito forte para o mês.

[…] A pressão sobre os salários desse segmento dos trabalhadores já está ocorrendo e deve se acelerar. […] São evidências de instabilidade grave. Dou um exemplo: a produção de caminhões da Mercedes-Benz brasileira em março foi o dobro da matriz na Alemanha. Mesmo com a crise na Alemanha esse número é um aleijão para mim.”

E Artur Araújo, na Carta Maior (em 28/04/2010), analisou:

“Trocando em miúdos: crescer rápido é um “problema”, porque pode gerar aumentos salariais para os trabalhadores e reduzir a taxa corrente de lucros. A ótica do imediatismo salta aos olhos; nem mesmo de relance, o articulista se refere a um ciclo virtuoso, em que o crescimento real da massa salarial implica ampliação da demanda efetiva, cria as condições para expansão da capacidade produtiva (e da formação de mão-de-obra) e para a expansão da própria acumulação de capital, pelo crescimento do volume produzido e realizado.

O seu negócio é o aqui e agora, é o lucro já; e o futuro, provavelmente, nem a Deus pertence. O espantalho que agita é o da inflação de demanda, que se recusa a atacar pela via do choque de oferta, do mercado interno de massas e da expansão das exportações de maior valor agregado. Sua panacéia é o aumento dos juros.

(…)

O FMI, que não é daqui, ecoa a lógica de Mendonça. Seu mais recente relatório, diz a FSP em manchete, “vê economia brasileira ‘no limite’”. Forçado pelos fatos a revisar – para cima – sua estimativa de crescimento da economia do Brasil, o Fundo “aponta demanda ‘em estágio avançado’ e espera medidas para desacelerar crescimento de 5,5% neste ano para 4,1% em 2011.” Tanta coincidência, até nas palavras, é sintoma de um alinhamento automático, de um modo de ver e conduzir o país.

O PSDB de hoje, por vezes até mais que os “demos”, olha a economia e o Brasil com esse viés. O que o orienta é o mundo internacional das finanças e a propensão a pensar em pedaços, em satisfazer-se com políticas que incluem só um terço dos brasileiros – os mais ricos – e só uma parte de nosso território – o sul-sudeste. É a turma dos 30%.

Expansão de consumo, crescimento de salários, ampliação da produção, desenvolvimento da infraestrutura, inclusão e capacitação das pessoas, todos esses são temas ausentes de suas formulações – ou vistos como “aleijões”. Aumento continuado e real do salário mínimo, instituição de pisos salariais nacionais, redução de jornada de trabalho, diminuição de desemprego, PAC, PROUNI, são pautas que os levam à beira do pânico. Tudo que seja para todos é risco, não oportunidade.

Esse alinhamento automático pode ser percebido também e principalmente no candidato José Serra (clique aqui para entender).  E sobre o FMI, não há muito o que dizer: leia aqui sobre os Assassinos Econômicos, e você entenderá o alcance dessa instituição, seu modus operandi e a quem ela serve.

Resumindo tudo em outras palavras: o desemprego favorece os donos do capital, não os trabalhadores.  Não estamos aqui nos pronunciando contra as centenas e milhares de empresarios do país, que são responsáveis pela massa de empregos gerados no país; mas sim, e especialmente, contra os donos do capital meramente especulativo, para quem somos números.  Ou dos que favorecem as políticas imperialistas americanas, com sua corporatocracia cruel.  E, de forma geral, falamos dos 4% de insatisfeitos com o Governo Lula, que têm uma mentalidade tosca a ponto de preferir frear o crescimento do país em prol de seus lucros, mesmo que isso favoreça outras nações.  Falaremos disso mais adiante.

O uso de tecnologias construtivas que reduzem o uso intensivo de mão de obra é uma saída adotada por boa parte das empresas de grande porte, como Rossi, Direcional e Gafisa. Enquanto na construção civil convencional o trabalho é mais artesanal e exige o emprego de profissionais especializados, como carpinteiros, no sistema industrial o processo é de montagem, como em uma fábrica. O uso dos chamados serventes – profissionais com pouca experiência e que nesse caso são chamados de montadores – passa de 40% em uma obra tradicional para até 85% no sistema de construção industrializada. “O sistema garante uma economia de custos importante”, diz Cásio Audi, diretor financeiro da Rossi, que investe em fábricas de casas com paredes pré-moldadas.

A questão é mais grave em determinadas regiões. A escassez de mão de obra treinada é grande no Nordeste, mas há um agravante na Bahia. Terceiro maior empregador do setor durante o primeiro semestre, o Estado não dispõe sequer de instrutores para os cursos de qualificação. No início do próximo mês, o Sinduscon local começa uma verdadeira caça ao tesouro nos canteiros de obras de Salvador, na busca de profissionais que reúnam características mínimas para dar treinamento.

O Nordeste teve o melhor desempenho em contratações no primeiro semestre – alta de 588% em relação ao mesmo período de 2009. “A questão por aqui está muito difícil. Essa velocidade de crescimento prejudicou a qualificação da mão de obra. Temos um problema sério de produtividade em nossos canteiros”, queixa-se o presidente do Sinduscon baiano, Carlos Alberto Vieira Lima. Segundo ele, os gargalos estão gerando aumento de custos e atrasos nas entregas de imóveis no Estado.

No Ceará, onde o emprego na construção subiu 770% em comparação ao primeiro semestre de 2009, a situação não é diferente. De acordo com o presidente do Sinduscon local, Alberto Sérgio Ferreira, há dificuldade em se encontrar mestres de obras, carpinteiros e ferreiros. “Não tem ninguém desempregado e isso fica inflacionando o mercado. Fica um tomando do outro. É guerra.”

Quem, afinal, em sã consciência, consegue esquecer do desemprego e da luta que era encontrar e manter um bom emprego, por alguns meses, na era FHC?  Que o trabalhador comum possa entender: atacam o Governo Lula especialmente nesse particular, porque ele gera mais empregos.  Como vimos isso põe os trabalhadores em situações de vantagem: o capital dependendo do trabalho.  Na verdade, essas duas forças nem precisam ser tão antagônicas assim.  É a lógica especuladora do capital que quer essa luta.  Referimo-nos ao capital sem pátria, volátil, especulativo.  Das corporações americanas, por exemplo.  Interessa a eles um Brasil eternamente no terceiro mundo, com farta mão-de-obra barata, com milhões de trabalhadores desempregados lutando por vagas cuja remuneração é estabelecida a seu bel-prazer, dado o desespero por emprego.  Explicamos; é só acompanhar o exemplo a seguir:

Brasil de ontem: João, dono de uma empreiteira, tem uma vaga de secretária, e quer pagar o menor salário possivel.  Fácil: anuncia num jornal, 100 candidatas aparecem. 70% delas não têm a qualificação necessária, (pois não têm renda para seu sustento, que dirá para sua qualificação), e ele pode enfileirar todas as 30 restantes oferecendo, entrevista a entrevista, um salário menor.  Diante da oferta, a candidata da vez sabe: sua recusa pode representar a chance para as outras da fila.  Pressionada por essa situação, e por sua necessidade de sustento, ela aceita. (Nota: o leitor já passou por isso, não? Nós também!)

Brasil de hoje: João anuncia num jornal, e ninguém aparece.  Melhor dizendo: aparecem 5 candidatas.  Dessas, 3 estão empregadas e estão apenas procurando uma oportunidade melhor, e elas levantam-se alguns minutos após o início da entrevista, logo que têm chance.  Agradecem e explicam que “a vaga não atende ao perfil da oportunidade esperada” (doce vingança!), despedindo-se educadamente.  Restam 2 candidatas: a primeira delas espera ser chamada em breve para um dos 3 concursos públicos que participou, e João resolve não arriscar, ficando com a última: Marta, que está recebendo a última parcela do Seguro Desemprego, por opção, e tem a qualificação necessária – Graças a Deus!  Mas explica que precisa ganhar, no mínimo, 3 vezes mais do que João ofereceu.  Não há alternativa: João aceita!!  E vai tratar a nova funcionária muito bem, pois Augusto, da empresa de Advocacia que ocupa a sala próxima à sua, também está reclamando que não consegue arrumar uma secretária.  O João não teria ninguém para indicar?

Se o leitor é empresário, dependendo de seu segmento, logo reconhecerá essa situação; ela tem sido cada vez mais frequente.  Temos ouvido e lido várias experiências do tipo.  Mas não é o fim do mundo, empresários: é apenas o início de um novo paradigma – a parceria do Capital com o Trabalho,  do dinheiro com o talento.  Veremos  isso mais adiante.

Perdão pela longa disgressão; voltemos ao texto.

No Rio Grande do Sul, a disputa por profissionais começou a apertar há cerca de um ano e desde então o setor busca alternativas, desde a “importação” de trabalhadores até a recente assinatura de um convênio com o governo estadual para recrutamento de presos que cumprem pena no regime semiaberto.

Há dois meses, o Sinduscon gaúcho fechou parceria com o governo do Estado para a contratação de presos que cumprem pena em regime semiaberto. Segundo a diretora de tratamento penal da Superintendência de Serviços Penitenciários do Estado (Susepe), Tatiana La Bella, a primeira turma, de 12 mulheres, deve se formar em setembro. Até o fim do ano serão treinadas mais 600 pessoas que hoje estão recolhidas em 19 presídios. Os salários serão iguais aos pagos aos demais trabalhadores, mas as empresas não vão arcar com encargos sociais, conforme prevê a lei de execuções penais.

Segundo o presidente do Sinduscon-RS, Paulo Garcia, seis mil unidades habitacionais devem ser lançadas em 2010 só em Porto Alegre, o dobro do registrado até 2006, e esse crescimento pode gerar atrasos nas entregas de obras iniciadas há dois ou três anos. “São construções que começaram sob cenário diferente.”

“Ainda não tivemos a necessidade de ajustar cronogramas, mas atrasos podem ocorrer”, admite Marcelo Carraro, gerente-regional da Goldfarb, que até setembro inicia a construção de duas mil unidades habitacionais na região metropolitana. Para reduzir os riscos (as casas e apartamentos devem ser entregues no fim de 2012), a empresa contrata construtoras locais e trabalha com painéis de alvenaria moldados nos canteiros de obras, o que reduz a necessidade de mão de obra e o desperdício de materiais, explica o executivo.

Para Marcelo Moacyr, diretor da Bairro Novo, em várias cidades onde a empresa está trabalhando há outros empresas que atraem mais ou competem com a construção. “Em Camaçari, por exemplo, o trabalhador é absorvido pela indústria do polo”, conta. Até em Porto Velho, a própria Odebrecht está competindo com sua subsidiária. “A usina tira mão de obra da construção.”

“Mesmo assim, o novo trabalhador leva tempo para ganhar produtividade, aumentando o custo.” Carraro diz que importar mão de obra chega a dobrar o custo, porque a empresa fica tem de fornecer alojamento e arcar com as despesas de alimentação e transporte. “Mas já houve casos, como em Blumenau, que trouxemos do Maranhão.”

O diretor de operação da João Fortes, Wagner Lofare, diz que mesmo o trabalhador que recebe treinamento acaba trocando muito de emprego em busca de um salário maior e é necessário treinar outro. “Não há comprometimento.”

“Não há comprometimento”.  Lofare uma essa interessante expressão, que define o que poderá ser, em breve, uma nova meta do empresariado brasileiro: gerar no empregado a sensação de pertencimento, de parceria, consequentemente, visando obter o comprometimento.  Estamos falando de um novo tempo, de novas práticas.  Mais benefícios?  Participação nos Lucros e Resultados?  Estrutura hierárquica horizontal?  Plano de Cargos e Salários?

Sonho?  Estamos sonhando  Não!  As empresas brasileiras já estão de readequando.  O Capital tanto pode fazer as pazes com o Trabalho… que já fez!!  Tais práticas, antes exclusivas de grandes empresas, já começaram a fazer parte do rol de medidas de médias e pequenas empresas no país, dada a necessidade de reter talentos.

Conclusão: o Povo já percebeu que Lula, Dilma e o PT foram/vão (Graças a Deus) na contramão de FHC, Serra e o PSDB.  Isso, sem necessidade de tantas palavras quanto a que empregamos aqui; o Povo não precisa delas; Ele percebe isso nos seu dia-a-dia, na esperança, no Novo Brasil que já temos presente em nossas vidas.  Nas vidas de todos nós.

Bom, de quase todos – só 96% do país.  A conclusão do artigo de Artur Araújo, na Carta Maior, é mais expressivo do que pretendemos ser:

“Ainda que se dê a José Serra o benefício da dúvida, do quanto ainda preserva de seu suposto desenvolvimentismo, não é despropositado indagar como ele “resistiria” à pressão combinada do tucanato econômico, do udenismo paralisante e elitista e da banca mundial, falando pela boca do FMI. A experiência FHC não traz muitas esperanças quanto a isso. Um jornalista arguto qualificaria a pergunta que abre este texto e questionaria o que o candidato fará com a turma dos 30%, aqueles que, há décadas, estiveram do seu lado e sempre quiseram que o Brasil pudesse menos.”

Paralelo XIV

Serra faz campanha em Washington?

“Será que Serra deseja realmente que o Brasil compre brigas com todos os seus vizinhos?”

Por Mark Weisbrot(*), via Óleo Clipping, com tradução de Paulo Migliacci.  O original pode ser lido aqui, em inglês, e aqui, em português. Os grifos são nossos.

O que José Serra está tentando fazer? Em sua campanha pela Presidência do Brasil, ele acusou a Bolívia de cumplicidade no tráfico de drogas e criticou Lula por tentar mediar a disputa entre Washington e o Irã, e por recusar (em companhia da maioria dos demais países sul-americanos) reconhecimento ao governo de Honduras, “eleito” sob uma ditadura.

Por algum tempo ele optou por não aderir à campanha internacional de Washington contra a Venezuela, mas agora Serra e seu candidato a vice, Indio da Costa, também adentraram aquele pútrido pântano, alegando que a Venezuela “abriga” as Farc (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas), o principal grupo guerrilheiro que combate o governo da Colômbia.

Que conste: a despeito de uma década de alegações, Washington ainda não conseguiu apresentar publicamente um traço de prova de que o governo de Chávez de fato apoie as Farc.

A única “prova” de que existe em domínio público vem de laptops e outros equipamentos de computação supostamente capturados pelas Forças Armadas colombianas em sua incursão ao território do Equador em março de 2008.

Blogueiros de direita como Reinaldo Azevedo repetem o mito de mídia de que a Interpol teria confirmado a autenticidade desses arquivos supostamente capturados, mas um relatório da Interpol nega enfaticamente essa possibilidade. Tudo que temos é a palavra das Forças Armadas colombianas – organização que sabidamente assassinou centenas de adolescentes inocentes e os vestiu como guerrilheiros.

Será que Serra realmente deseja que o Brasil compre brigas com todos os seus vizinhos a fim de se colocar desafiadoramente do lado errado da história? E isso apenas para se tornar o maior aliado direitista de Washington? Sim, caso Serra não tenha percebido, os Estados Unidos, sob o governo Obama como sob o governo Bush, só têm governos de direita como aliados no hemisfério: Canadá, Panamá, Colômbia, Chile, México. Existe um motivo para isso: a política norte-americana com relação à América Latina não mudou sob Obama.

Mesmo de um ponto de vista puramente maquiavélico – deixando de lado qualquer ideia de fazer da região ou do mundo um lugar melhor-, a estratégia “Serra Palin” faz pouco sentido. O Brasil tinha boas relações com Bush e pode ter boas relações com Obama sem incorrer nessa espécie desonrosa de servidão.

O Brasil não é El Salvador, país cujo governo vive sob chantagem por ameaças de enviar de volta ao seu território os milhares de emigrantes salvadorenhos que vivem nos Estados Unidos.  E nem El Salvador tomou a estrada que Serra está percorrendo.

Não é apenas na Venezuela e na Bolívia que os Estados Unidos investem dezenas de milhões de dólares para adquirir influência política. Em 2005, como reportou este jornal, os Estados Unidos bancaram um esforço para mudar a lei brasileira de maneira a reforçar a oposição ao Partido dos Trabalhadores.

Washington tem grande interesse no resultado da eleição deste ano porque procura reverter as mudanças que tornaram a América Latina, no passado o “quintal” dos Estados Unidos, mais independente que nunca em sua história.  José Serra está fazendo com que esse interesse cresça a cada dia.

(*) Weisbrot é co-diretor do Centro para Pesquisa Política e Econômica, um think-tank progressista de Washington, colunista do jornal britânico Guardian e da Folha.

Nota do Paralelo XIV: Também não sabíamos o que significa think-tank; achamos uma definição, que nos parece confiável, aqui, na Wikipédia (em português).

Por Emir Sader

Quem olhasse para o Brasil através da imprensa, não conseguiria entender a popularidade do Lula. Foi o que constatou o ex-presidente português Mario Soares, que a essa dicotomia soma a projeção internacional extraordinária do Lula e do Brasil no governo atual e não conseguia entender como a imprensa brasileira não reflete, nem essa imagem internacional, nem o formidável e inédito apoio interno do Lula.

Acontece que Lula não se subordinou ao que as elites tradicionais acreditavam reservar para ele: que fosse eternamente um opositor denuncista, sem capacidade de agregar, de fazer alianças, se construir uma força hegemônica no país. Ficaria ali, isolado, rejeitado, até mesmo como prova da existência de uma oposição – incapaz de deixar de sê-lo.

Quando Lula contornou isso, constituiu um arco de alianças majoritário e triunfou, lhe reservavam o fracasso: ataque especulativo, fuga de capitais, onda de reivindicações, descontrole inflacionário, que levasse a população a suplicar pela volta dos tucanos-pefelistas, enterrando definitivamente a esquerda no Brasil por vinte anos.

Lula contornou esse problema. Aí o medo era de que permanecesse muito tempo, se consolidasse. Reservaram-lhe então o papel de “presidente corrupto”, vitima de campanhas orquestradas pela mídia privada – como em 1964 -, a partir de movimentos como o “Cansei”. Ou o derrubariam por impeachment ou supunham que ele pudesse capitular, não se candidatando de novo, ou que fosse, sangrado pela oposição, ser derrotado nas eleições de 2006. Tinham lhe reservado o destino do presidente solitário no poder, isolado do povo, rejeitado pelos “formadores de opinião”, vitima de mais um desses movimentos que escolhem cores para exibir repudio a governos antidemocráticos e antipopulares.

Lula superou esses obstáculos, conquistou popularidade que nenhum governante tinha conseguido, o povo o apóia. Mas nenhum espaço da mídia expressa esse sentimento popular – o mais difundido no país. O povo não ouve discursos do Lula na televisão, nem no rádio, nem os pode ler nos jornais. Lula não pode falar ao povo, sem a intermediação da mídia privada, que escolhe o que deseja fazer chegar à população. Nunca publica um discurso integral do presidente da republica mais popular que o Brasil já teveAo contrário, se opõem frenética e sistematicamente a ele, conquistando e expressando os 3% da população que o rejeita, contra os 82% que o apóiam.

Talvez nada reflita melhor a distância e a contraposição entre os dois países que convivem, um ao lado do outro. Revela como, apesar da moderação do seu governo, sua imagem, sua trajetória, o que ele representa para o povo brasileiro, é algo inassimilável para as elites tradicionais. Essa mesma elite que tinha uma imensa e variada equipe de apologetas de Collor e de FHC, não tolera o fracasso deles e o sucesso nacional e internacional, político e de massas, de um imigrante nordestino, que perdeu um dedo na máquina, como torneiro mecânico, dirigente sindical e um Partido dos Trabalhadores, que não aceitou a capitulação ou a derrota.

Lula é o melhor fenômeno para entender o que é o Brasil hoje, em todas as posições da estrutura social, em todas as dimensões da nossa história.

Quase se pode dizer: diga-me o que você acha do Lula e eu te direi quem és.

Do Óleo do Diabo, indicado pelo Vi o Mundo.

Para ler diretamente nas fontes, clique, respectivamente, aqui e aqui.

O texto original, como de praxe, aparece destacado por recuo.  Os grifos (em negrito) e os comentários (em alinhamento normal, sem recuo) são nossos.

Lula: O carnaval e não a guerra

Por Juan Luis Cebrián

“Tem que mudar a ONU. Se continuar assim não servirá ao governança mundial.”

Lula, em seu gabinete, em entrevista ao jornal estrangeiro "El País": o mal que o PIG faz ao país, nos afastando do saudoso 'jornalismo de verdade', com críticas pertinentes e visão equilibrada.

“Prefiro carnaval à guerra.” Pousa sua mão de operário sobre meu joelho, num gesto de cumplicidade, de camaradagem, de evidente franqueza, porque essa é a sua força e a sua convicção, a de comportar-se como é, como verdadeiramente lhe vêem os brasileiros, “sou um deles, um como eles”, vem de onde eles vêm, fala como eles falam, “não sou um estranho no ninho”, e até chegar ao poder se vestiu como eles se vestem, “ainda que trabalhei durante vinte e sete anos com um macacão, nunca me senti à vontade; com dois meses de gravata não tive dificuldade em acostumar-me a ela, é um belo adereço”. Me vêm à mente a reflexão de Sancho Panza sobre como será seu reinado sobre uma ilha, “vistam-me como quiserem, que de qualquer maneira que esteja vestido serei Sancho Panza” porque a batina não faz o cura, e Lula é Lula qualquer que seja seu traje, “me comunicaram que teria de ir de fraque ao jantar no palácio com o rei da Espanha, mandei dizer a Juan Carlos que eu não usava isso e aqui no Brasil muitos me criticaram, que falta de elegância!, de capacidade de exercer a presidência!, até que o rei me chamou, venha como queira, de terno e gravata, porque não quero ser visto como um estranho em meu povo, o que acontece é que a liturgia do poder está toda preparada para te distanciar do povo, quando és candidato caminha ao ar livre, cumprimentando as pessoas, mas uma vez que chega a presidente te botam num carro blindado e nunca mais vês o rosto dos cidadãos”.

Me pergunto a que se parecem mais as greves, se a guerras ou a carnavais. Luiz Inácio Lula da Silva estreou sua carreira política em mobilizações populares, na agitação das ruas e na luta nas portas de fábrica em defesa dos direitos dos trabalhadores. Quase um milhão e meio de operários foram a greve, liderados por ele, durante o ano de 1979, e a partir dessa data este corajoso dirigente sindical empreendeu uma carreira política cheia de altos e baixos que o levariam, um quarto de século depois, à presidência da república. “É notável que nem eu nem o meu vicepresidente, um empresário de êxito, tenhamos diploma universitário”, assinala com certo tom de orgulho que irrita a oposição pela ambigüidade que essa mensagem pode representar em um país em que a educação é uma meta fundamental do governo e empenho necessário para acabar com as desigualdades e a pobreza. Mas o que ele deseja transmitir é que a democracia funciona no Brasil, que não os méritos profissionais, acadêmicos ou de qualquer outro gênero, e sim a vontade dos eleitores o que é decisivo para chegar ao poder. Um poder que Lula não terá mais, ao menos formalmente, a partir do próximo mês de dezembro, após oito anos de exercício no cargo, do qual sai cercado de tal popularidade que alguns esperam vê-lo levitar a qualquer momento, como fazia o gorila de Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão, só que a base de ingerir café brasileiro, que ele consome a cada instante com avidez, em vez de xícaras de chocolate.

O momento mais extraordinário do poder é o período entre o dia da vitória e a posse. Logo se vê que as coisas não são tão fáceis, que se está diante de uma série de obstáculos. Eu teria motivos de sobra para dizer que a mim o poder me deu mais alegrias que tristezas, porque poucas vezes na história do Brasil aconteceram coisas tão importantes como durante o meu governo, mas continuaram lamentando pelo que não pude fazer, a reforma do Estado, por exemplo. Não fomos capazes de lhe dar maior agilidade; desde que tomamos uma decisão até executá-la, topa-se com quinhentos obstáculos em nome da democracia. Aí está o Congresso Nacional, com suas duas câmaras, a administração pública, os sindicatos, a justiça, as questões ambientais, onde as Ongs são muito ativas… Ou seja, que passam dois ou três anos antes que um projeto se cristalize. Faz falta um consenso que nos permita eliminar tantas dificuldades e atrasos. Não podemos renunciar à fiscalização, mas tampouco é aceitável usá-la para impedir que se façam as coisas que o Brasil necessita.”

Seu pragmatismo, sua cordialidade, seu bom senso, tudo nele me lembra o governador de Barataria. Quase oito anos após ocupar o principal cargo da república, suas maneiras pessoais, seu método de trabalho, seu ar decidido e astuto são os mesmos do Lula jovem que, fugindo da burocracia sindical, reunia-se às tardes no bar da Tia Rosa em São Bernando do Campo, onde ele ainda mantém sua residência familiar. Ali, com seus companheiros de luta, um grupo de amigos antes de ser um comitê organizado, preparavam, entre um copo e outro, as mobilizações em defesa de melhores salários para os trabalhadores. Nenhuma ideologia alimentava suas ações, que em seguida foram apoiadas, todavia, por movimentos católicos de base. “O PT não existiria sem a ajuda de milhares de padres e comunidades cristãs do Brasil, deve muito ao trabalho da Igreja, à teologia da libertação, aos sacerdotes progressistas. Tudo isso contribuiu para minha formação política, a construção do PT e a minha chegada ao poder. Minha relação com a Igreja católica foi e continua sendo muito forte, mas somos um país laico, tratamos todas as religiões com respeito”.

Interrompe-o por um momento Gilberto Carvalho, seu chefe de gabinete, “este era seminarista, ia ser padre, mas abandonou para entrar no PT, para construir comigo”, e despacha alguns assuntos à sombra de um crucifixo gigantesco que preside sua mesa de trabalho, enquanto eu imagino que para alguns militantes da época a agitação política era também uma espécie de sacerdócio. A influência religiosa (“esta é a Igreja mais progressista da América Latina, provavelmente do mundo”) é evidente também no tratamento das leis de aborto no Brasil, ainda que o presidente busca manter equidistância. O Vaticano “tem uma atitude muito conservadora sobre o ponto. No Brasil, o aborto está proibido, salvo em caso de estupro da mãe. Eu, como cidadão, sou contrário ao aborto, e não creio que haja nenhuma mulher que seja favorável a ele porque gera um grande sofrimento a quem o pratica. Mas como chefe de Estado penso que se trata de uma questão de saúde pública. Devemos proteger as meninas que decidem abortar por si mesmas metendo-se agulhas no útero e coisas assim. O Estado tem obrigação de atender a essas pessoas”.

Para os progressistas europeus, que adoram Lula, uma declaração deste gênero pode resultar decepcionante, tanto como a que ele já fez muitas vezes no sentido de que não se considera de esquerda. “Minha trajetória, meu perfil político, minha vida no sindicato, a criação do PT, me caracterizam, desde logo, como um esquerdista. Mas o próprio PT é uma novidade na esquerda mundial. Nasceu contra todos os dogmas dos partidos marxistas-leninistas, que obedeciam fielmente à Rússia ou China. No início era algo parecido a uma torcida de futebol; um grupo de trabalhadores que, junto ao movimento social, a Igreja Católica, e alguns intelectuais que havia acreditado e participado da luta armada, decidiram criar um partido político. Não tínhamos então um programa definido e eu nunca gostei que me enquadrassem, menos ainda ao assumir a presidência. Um chefe de Estado não é uma pessoa, é uma instituição, não tem vontade própria todo santo dia, tem que levar a cabo os acordos que sejam possíveis. Aprendi isso no poder e creio que foi bom para o Brasil. Não pode ser que eu goste de um presidente porque é de esquerda e de outro não, por ser direitista. Me dei bem com Aznar, e me dou bem com Zapatero; tenho que me relacionar com Piñera, do Chile, da mesma forma que com Bachelet. No exercício do poder sou um cidadão, como diria?, multinacional, multiideológico, não?”

Com seus olhos brilhantes, inquietos, reclama minha aprovação para esse pragmatismo, e se transforma instantaneamente num agitador de torcida de futebol; levanta-se, senta-se, volta a se erguer, sorri primeiro, logo se derrama, te olha no olho, busca a proximidade, o carinho, sou apenas um brasileiro, um cidadão desse país capaz de contagiar pela alegria, de esse país com trezentos dias de sol por ano, desse país imenso, autossuficiente, pacífico, “do qual estamos tratando de eliminar cinqüenta ou sessenta anos de atraso, de desconfiança, anos em que ninguém queria investir aqui. E por isso estamos construindo um capitalismo moderno, o Estado de bem estar. Quando entrei no governo, o Brasil não tinha crédito, não tinha capital de trabalho, nem financiamento, nem distribuição de renda. Que raios de capitalismo era esse? Um capitalismo sem capital. Resolvi então que era preciso primeiro construir o capitalismo para depois fazer o socialismo; é preciso distribuí-lo antes de fazê-lo. Se o Brasil não tem nada, não há nada para distribuir, e os empresários tem que saber que é preciso pagar salários um pouco maiores para que as pessoas possam comprar os produtos que fabricam. Isto é o que dizia Henry Ford em 1912”.

Estamos em plena campanha eleitoral e Lula aproveita para fazer propaganda de seu partido, deixando escapar críticas duras, provavelmente injustas, a seu antecessor, o socialdemocrata Fernando Henrique Cardoso, tempo atrás companheiro seu na luta contra a ditadura e com o qual agora não se mostra em absoluto generoso. Mas o milagre brasileiro começou precisamente com Cardoso, um professor respeitado e um democrata exemplar, que saneou as contas públicas e venceu a inflação. Lula faz um balanço diferente. “Hoje só o Banco do Brasil tem mais crédito que todo o país quando eu cheguei ao poder. De modo que quando eu deixar a presidência, teremos criado mais de 14 milhões de postos de trabalho em oito anos. Só a China e a Índia podem competir com uma realidade assim”. Pergunto se isso é um triunfo do capitalismo e logo ele se apressa a esclarecer que é um triunfo de seu governo “porque teve coragem de enfrentar a crise, em vez de se queixar: fazendo investimentos, destravando a atividade de setores chave da economia, empreendendo muitas obras públicas. Se o Brasil mantém nos próximos cinco anos uma política fiscal e monetária séria, investiementos e controle da inflação, tem tudo para se transformar numa potência respeitada no mundo. Se a economia continuar crescendo entre 4,5% e 5,5%, em 2016 pode ser a quinta economia mundial”.

Não sei se descubro vestígios de herança portuguesa nessa fantasia um pouco hiperbólica do presidente, que o faz distanciar-se por momentos da sisuda prudência de Sancho para assemelhar-se mais à loucura idealista de Don Quixote, porque enquanto Lula fala, as pesquisas, lá fora, continuam dando como provável vencedor, ainda que por margem apertada, à José Serra, candidato do PSDB, partido de Cardoso. “Ganhe quem ganhar, ninguém fará nenhum disparate; o povo quer andar para frente e não voltar atrás. Mas permita-me dizer que não vejo a possibilidade de que percamos as eleições”. Muitos pensam que, se assim acontecesse, não seria por mérito de Dilma, a candidata do PT, uma ex-guerrilheira e política competente, mas sem o carisma que eleições presidenciais pedem, e sim pelo formidável apoio que lhe empresta o próprio Lula, cuja personalidade impregna tudo de lulismo, “sim, já sei que muita gente, para justificar-se, diz que não gosta do PT, gosta do Lula; gente da direita, claro. Isso acontece com outros líderes políticos, Felipe González, por exemplo. Normalmente as figuras públicas estão menos ideologizadas que os partidos, e temos capacidade individual de congregar em nosso entorno gente que de nenhuma maneira se sentem próximas de nossas formações. Mas não creio que exista um ‘lulismo’, prefiro acreditar que vamos fortalecer a democracia e os partidos políticos saberão se organizar e ser fortes”.

Em qualquer caso, parece descontada a continuidade da política econômica, que Lula salvaguardou desde o princípio nomeando um antigo militante do partido de Cardoso presidente do Banco Central. A conseqüência dessas políticas foi a prosperidade que permite situar o país entre as potências emergentes agrupadas em torno do que se conveniou chamar BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Junto a eles, Lula fez valer a sua voz afirmando sua independência como protagonista de uma política internacional singular e inclassificável. Está seu país no caminho de se tornar uma superpotência? Poderia sê-lo sem possuir – é o único dos BRIC nesta circunstância – uma arma atômica? “A Constituição proíbe as atividades nucleares para fins não pacíficos, quer ver?”, aponta com sua mão mutilada o artigo 21, inciso 23, “o presidente não decide em questões nucleares, é o Congresso, e não temos interesse em ser uma potência militar se não é do tamanho da nossa soberania. Necessitamos de Forças Armadas adequadas para garantir a segurança do povo, manter uma política de defesa respeitável. Não queremos invadir nenhum país, mas tampouco queremos que nos invadam…”, interrompo-o, entre irônico e risonho, invadir o Brasil me parece difícil, presidente, uma tarefa quase titânica, e ele impassível, “não se pode menosprezar a loucura de alguns seres humanos, é preciso se cuidar”. Cuidar de quem? Não creio que seja Chávez (“um homem muito inteligente, ainda que às vezes comete equívocos, e ele o sabe”) nem Evo (“um retrato de seu povo, ninguém o representa melhor que ele; no assunto do petróleo, entendi que o Brasil tinha que pagar melhor à Bolívia, não briguei com Evo, porque ele tinha direito”), nem Colômbia, Argentina ou Uruguai (“o Brasil trabalhou muito com eles para consolidar a democracia em sua plenitude. Temos que gerar uma política de confiança. A doutrina usada pelas grandes potências era considerar o Brasil como inimigo da América Latina a grande ameaça; nós estamos destruindo essa visão negativa e demonstrando que, ao contrário, podemos ser seu grande aliado”).

O lulismo, se é que existe, tem suas raízes no sindicalismo, na luta como pressão e o acordo como resposta. “O chamado mundo desenvolvido tem que compreender que a geopolítica mudou. A democratização da África e o crescimento de países como China, Índia e alguns da América do Sul, sugerem uma nova dimensão. Eu não quero a guerra, sou um homem de diálogo, e na questão nuclear o Brasil tem uma política muito definida. Quero esgotar até o último minuto as possibilidades de um pacto com o presidente do Irã para que seu país possa continuar enriquecendo urânio, tendo nós a tranquilidade que ele só o usará para fins pacíficos. Meu limite são as decisões da ONU, a qual, aliás, pretendo mudar porque tal como está representa muito pouco. Por que o Brasil não é membro do Conselho de Segurança? Por que não é a Índia? Por que não há nenhum Estado africano? Se a ONU continua assim débil, sem representatividade, com países com direito de veto, nunca vai servir corretamente à governança global que precisamos”.

Felipe González disse que expresidentes são como vasos chineses. Todo mundo em casa sabe que se trata de peças valiosas que valem a pena conservar, ainda que não necessariamente apreciam sua beleza e não sabem onde colocá-los: estejam onde estejam, sempre são um estorvo. A partir do próximo mês de dezembro, Luiz Inácio Lula da Silva, um dos políticos mais carismáticos, admirados e surpreendentes do último meio século, engrossará a coleção das grandes porcelanas. Os visitantes dos museus de cera venerarão sua imagem, como a de Lincoln, a de Mandela, a de tantos grandes nomes capazes de surge do nada. Cheio de vida, desbordante de idéias, não o imagino retirado em seu apartamento de São Bernardo, partilhando com seus vizinhos as nostalgias de qualquer tempo passado. “O melhor serviço que um expresidente pode prestar à república é ficar calado, deixar governar quem ganha as eleições e permanecer em silêncio”. Este silêncio resignado combina com Sancho, mas eu não o imagino para Lula, quando há tanto para denunciar, tanto para exigir, tanto para propor. Então, talvez se limite a estar ausente, ou distante. “Vou sair do governo havendo colhido um montão de políticas exitosas e quero partilhar essa aprendizagem, essa autêntica lição de vida, com países mais pobres da América Latina e África. Não sei se o farei através de uma fundação, porque em nenhum caso quero empreender nada que não esteja em consonância com o governo. Só quero transmitir aos demais a experiência que adquiri, porque os pobres não tem acesso aos governantes, os pobres não vão aos coquetéis, claro, e olha que não há político que ganhe eleição falando mal deles, pode insultar os banqueiros, os grandes empresários, mas os pobres… de nenhuma maneira, em campanha o pobre é a coisa mais extraordinária do mundo. Isso sim, uma vez que o candidato ganha a eleição ele vai terminar seu mandato sem reunir-se com um pobre uma única vez, só sabe que existem pelo que lê nos jornais, não há interação, não há vínculo. Eu, nos próximos Natais, quando minha gestão chegar ao fim, quero convidar de novo aos catadores de papel de São Paulo, há oito anos que me reúno com eles no palácio nessas datas (também o fiz com os sem-teto e os sem-terra), e comprovamos que essa gente não quer parar de catar papel, mas aspira uma existência mais digna, ou seja, que organizemos cooperativas, centenas delas em todo Brasil, financiadas pelo Estado, que as permitam trabalhar, centenas de milhares de pessoas, capazes de levar todos os dias para casa algo que começar, graças ao resultado de seu trabalho”.

Quando tudo isso acontecer, o palácio presidencial já terá sido reconstruído. De momento, Lula aloja-se em escritórios emprestados pelo Centro Cultural Banco do Brasil, enquanto os operários se esforçam para recuperar as estruturas danificadas do Palácio do Planalto, que não pode participar da celebração do cinqüentenário de Brasília. Mas no próximo dia 23 de dezembro, o presidente se despedirá dos catadores paulistas nos aposentos elegantes e sóbrios da sede do primeiro magistrado da nação. Talvez o faça pensando, como Sancho em sua partida, que “saindo eu nu como saio, não é preciso outro sinal para dar a entender que governei como um anjo”. Seguro estou, ao menos, que o cronista deste momento vindouro poderá relatá-lo novamente com as palavras de Cervantes: “abraçaram-no todos, e ele, chorando, abraço a todos, e os deixou admirados, tanto de suas razões como de sua determinação, tão resoluta e tão discreta”. É isso.

(Tradução: Miguel do Rosário, do Óleo do Diabo).

O palpite togado de um golpe improvável

O que significam as palavras da vice-procuradora da República, Sandra Cureau, afirmando que, devido à quantidade de irregularidades, “a candidatura Dilma Rousseff caminha para ter problema já no registro e, se eleita, já na diplomação”?

Gilson Caroni Filho(*), na Carta Maior – via Vi o Mundo.

A temperatura da disputa política, agitada com os recentes programas partidários, traz ao primeiro plano uma movimentação que, dependendo dos desdobramentos, pode ser ridícula ou inquietante: a nova direita, tal como a antiga, parece o homem que, acordado, age como se dormisse, transformando em atos os fragmentos de um longo e agitado sonho no qual ele ainda é o principal ator, com poderes para interromper qualquer possibilidade de avanço institucional.

O sonho-delírio do bloco neoudenista insiste em não aceitar a disputa democrática, reitera a disposição em deixar irresolvidos conflitos fundamentais, antecipando o fracasso de qualquer debate político. Seu ordenamento legal não se propõe a garantir o mesmo direito a todos, ampliando o Judiciário e racionalizando as leis. Deseja uma democracia que só existe no papel, com instituições meramente ornamentais que dão um tom barroco às estruturas de mando.

Inconformada com a derrota que se anuncia em pesquisas de intenção de voto, a classe dominante se esmera em repetir ações que um dia lograram êxito. Tornam-se cada vez mais frequentes as ações combinadas de articulistas de direita e membros do Judiciário. Acreditando que a história permite repetições grotescas, multiplicam-se editoriais, artigos, entrevistas com vice-procuradoras e ministros do TSE que acreditam estar criando condições superestruturais para um golpe contra a candidatura de Dilma Rousseff. Se ainda podemos encontrar pouquíssimos comentários políticos de diferentes matizes, é inegável a homogeneidade discursiva dos “especialistas” em jornalismo panfletário. E eles se repetem à exaustão.

No entanto, o erro de cálculo pode ser surpreendente. Confundir desejo com realidade tem um preço alto quando se pensa em estratégia política. Ao contrário de 1964, não faltam às forças do bloco democrático-popular, o único capaz de impedir de retrocessos, organização e direção. Os movimentos sociais, e esse não é um pequeno detalhe, não mais se organizam a partir do Estado, como meros copartícipes de governos fracos e ambíguos. Estruturados no vigor das bases, acumulando massa crítica desde o regime militar, os segmentos organizados contam, hoje, com experiências suficientemente amadurecidas para deslegitimar ações e intenções golpistas junto a expressivos setores da opinião pública.

Rompendo as alternativas colocadas pelas elites patrimonialistas que apoiam José Serra, as forças progressistas dispõem de plataforma política para não permitir que a democracia brasileira venha a submergir no pseudolegalismo que se afigura em redações e tribunais.

Nesse sentido, o que significam as palavras da vice-procuradora da República, Sandra Cureau, afirmando que, devido à quantidade de irregularidades, “a candidatura Dilma Rousseff caminha para ter problema já no registro e, se eleita, já na diplomação”? Nada mais que identidade doutrinário-ideológica com o que há de mais reacionário no espectro político brasileiro. Inexiste no palpite da doutora Sandra um pensamento jurídico que se comprometa com os anseios democráticos da sociedade brasileira.

Nem que fosse por mera hipótese exploratória, seria interessante que o Judiciário se pronunciasse sobre o conteúdo da informação televisiva, em especial a que é produzida pela TV Globo. Quando uma emissora monopolística, operando por meio de concessão pública, editorializa seu noticiário e direciona a cobertura para favorecer o candidato do PSDB, o que podemos vislumbrar? Desrespeito a uma obrigação constitucional? Abuso de poder político e econômico? Ou um exemplar exercício de “liberdade de imprensa”?

São questões candentes quando, antes de qualquer coisa, o custo da judicialização da vida pública partidariza algumas magistraturas. Sem se deixar intimidar com as pressões togadas, a democracia só avança através de pactos que permitam abrir a sociedade às reivindicações e participação social de setores recém-incluídos. A candidatura de Dilma Rousseff expressa essa possibilidade. Do lado oposto, sob pareceres e editoriais que se confundem tanto no estilo quanto no conteúdo, reside a quimera de um golpismo cada vez menos provável.

(*) Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

Até aqui, o texto de Gilson Caroni.

Na verdade, o tal “golpe branco” Não é tão fácil assim. Eles sabem disso. Além da memória de 64, ainda viva no imaginário coletivo, os obstáculos são os seguintes:

a) A Força popular. Basta uma voz convocando o povo às ruas, e o povo irá!! Temos diversos exemplos de mobilizações de massa recentes, por motivos muito menos críticos: passeatas e mobilizações pelos Royalties do petróleo, o entusiasmo do povo pela vitória da candidatura brasileira nas olimpíadas e na copa do mundo, só pra citar alguns.  O povo não vai aceitar. Há que se convencer, ainda por cima, dezenas de governadores fiéis ao Governo Lula, que fariam uma grita gigantesca convocando as massas. Estão desafiando o mesmo povo que elegeu e reelegeu Lula, e hoje se congratula pela medida acertada.  Eles hoje têm acesso a computadores, carro, TVs LCDs, e estão inflacionando o mercado imobiliario, em busca da casa própria. Esqueçam: o povo não deixa, mesmo!!!

b) A força empresarial. Centenas de milhares de empresas foram e são beneficiadas com a expansão do crédito pelos bancos públicos. Estes empresários não querem correr o risco de um retrocesso que, por exemplo, terminasse por engessar o Banco do Brasil, o BNDES, a CEF, em prol de um movimento privatista ou, mesmo, para dar mais espaço e poder de fogo a outras instituições financeiras. O BB, por exemplo, foi o banco que arrastou a concorrência atrás de si, rumo à derrocada das taxas de juros (que ainda são altas para os padrões internacionais, eu sei) e ao aumento do volume de crédito concedido. Estamos falando principalmente das micro, média e pequenas empresas, justamente as que são responsáveis pela grande massa de empregos gerados com a eficaz política governamental de Lula. Não tenham dúvida: patrões influenciarão fortemente seus empregados a vestirem a camisa contra essa boçalidade institucional, e sob risco do retorno da sanha privatista.

c) A visibilidade do Brasil no exterior, e a massa de nações que viriam em defesa de Lula. Ainda mais agora, que o jogo está delineado; que o Brasil ousou afrontar – corretamente – os EUA, demonstrando que na verdade “o Pit Bull é Lassie”, seriam colossais as suspeitas de influência da máquina imperialista estadunidense sobre o processo democrático brasileiro.  Os demais países que compõem o BRIC, o Irã, a Turquia, inúmeros países africanos, quem sabe os árabes, Chávez, Evo, Fidel… enfim, Lula fez amigos no mundo todo – virão em seu (nosso!) socorro.  E quem vai dizer que não interessaria, além do mais, ao bloco socialista – leia-se, China e Rússia – assegurar-se que os ianques não recuperem a influência sobre o Brasil, através de um eventual governo serrista, acintosamente submisso?

d) A internet. Independente do plano nacional de banda larga, cresce geometricamente a quantidade de pessoas com acesso a internet no Brasil, mesmo discada.  São novos tempos: a informação circula cada vez mais livremente, as vendas de jornais e revistas caem de forma colossal, e a desconfiança do eleitorado em relação ao PIG é unânime, geral e irrestrita. O povo não acredita mais no Jornal Nacional, na Veja, na Exame, no Estadão, na Folhinha… As denúncias da mídia contra Lula são tão comuns, que passamos os olhos direto sobre elas, dando-lhe a verdadeira importância: a de porta voz de uma elite egoísta em que so ela saía ganhando.

É impossível não lembrar que o “golpe branco” teve seu laboratório em Honduras – patrocinado pelos neocons americanos.  Mas aqui não é Honduras.

Aqui é o Brasil.