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O que é um Spammer?

“Spammer” é alguém que pratica SPAM, ou seja, alguém que é remunerado pela emissão de e-mails com propaganda, sem permissão do destinatário.  É uma atividade ilegal na maioria dos países, ou apenas politicamente incorreta em outros – como no Brasil.  Muitas empresas, principalmente as que contrabandeiam e vendem produtos a partir do exterior, pagam 1 centavo de dolar para cada e-mail enviado.  Veja sua caixa de spam no Gmail ou em outro e-mail que você tenha, e você saberá do que estou falando: cerca de 75% das mensagens que você recebeu, não foram solicitadas, nem você concordou ou preencheu seu e-mail no cadastro.  Elas estão abarrotando seu e-mail sem sua permissão.  Você concorda com isso?

Como os Spammers conseguem seu e-mail?

Simples:

Primeiro: O que um Spammer faz é, primeiramente, criar um e-mail com forte apelo emocional, no qual a probabilidade de ser repassado seja grande;

Segundo: Dispara o e-mail com um assunto especifico, e através de programas criados para isso, rastrea todo o caminho do e-mail.   Ele tem diversas contas de e-mail (mais de 100 contas, por exemplo), sendo que algumas são reconhecidas pelas pessoas como se fossem pessoas reais.  Todas essas contas são agrupadas e administradas por um programa único de gestão de e-mails/spammer – então quando recebe a resposta em uma, ele fica sabendo instantaneamente.

Terceiro: Ele rastreia o caminho do e-mail, principalmente pelo assunto, e acaba acontecendo de ele receber de volta, semanas depois o mesmo e-mail.  Com um detalhe: cada pessoa que repassou o e-mail, não apagou os e-mail’s dos remetentes anteriores, e eles estão todos aí (vide abaixo), no corpo do e-mail!! Mais fácil, impossível!!!

Se não acabarmos com essa praga agora, em pouquissimos anos 90% das informações trafegadas na rede serão compostas por SPAM – e muitos com videos e arquivos pesadíssimos!!  Isso vai comprometer tanto, mais tanto a internet, que as empresas responsáveis pelo armazenamento – que você e todos nós pensamos que é de graça, e não é –  terão seus custos aumentados e comprometidos de forma terrível.  Como resultado, em poucos anos a internet poderá começar a travar, ficar fora do ar e será praticamente proibido trafegar com arquivos.  Como consequência da necessidade de custeio da estrutura de armazenamento extra, a única alternativa será a seguinte: quem quiser transferir um mísero arquivo em anexo, terá que pagar por isso!!  E isso é tudo o que não queremos, porque o que os inimigos da internet gostariam – aqueles que vivem de manipular as pessoas -, é de uma internet controlada, elitizada e somente para poucos, na qual as informações não circulem livremente.

Então, para acabar de vez com a praga do Spam, adote as seguintes atitudes:

1) Não repasse e-mails sem antes checar seus conteúdos. Desconfie de mensagens bombásticas, do tipo fim do mundo, invasão alien ou fim do orkut.  Elas são criadas cirurgicamente, na certeza de que o comportamento humano mais comum é repassar, porque nós todos, seres humanos, adoramos ver o circo pegar fogo, temos atração mórbida pela desgraça alheia e tendência em compartilhar nosso pavor ou medo!! Não demora mais que alguns segundos uma pesquisa via Google, com os termos ou assuntos do e-mail em questão, para que você descubra matérias a respeito em sites específicos onde Hoaxes (boatos) são desmontados.  Um bom portal nessa categoria, no Brasil, é o E-Farsas.  No mais, muitas pessoas dadas como desaparecidas já foram encontradas, a história do homem que caiu numa tina na fábrica da coca-cola é de 1920 e muitas pessoas doentes que precisam de sua ajuda, ou cuja tristeza e felicidade você quer partiulhar com seus amigos, infelizmente já partiu dessa para melhor ou felizmente já superou o problema, há muito, muito tempo!!!

2) Não acredite em correntes.  Ninguém morreu por não ter repassado a corrente do Dalai-Lama que deu 30 mil voltas ao mundo – e ninguém vai morrer. Os únicos efeitos possíveus de uma corrente são: a) resultado da fé ritualística (efeito placebo), ou seja, algo acontece de bom com você porque você fez o que a mensagem pedia, reforçando em sua mente, acreditando de todo o seu coração naquele resultado (ou seja: seu desconhecido e poderoso subconsciente foi magnetizado e programado com essa finalidade – e funciona!); ou b) foi uma simples coincidência que você relacionou com a corrente – pois se não a tivesse repassado, não faria tal correlação!!!

3) Petições on-line e “correntes do bem” são ineficazesPetições através de e-mail’s, ou correntes do tipo “o menino John ganhará US$ 0,01 cada vez que alguém repassar seu e-mail” são tão eficazes quanto lutar contra um tigre… usando uma atiradeira!!  O Mc Donald’s e a maioria das empresas estão se lixando se você repassar oitocentas vezes um e-mail para “ajudar a luta conta o câncer do Gabrielzinho”, sabe porque?  Suas campanhas precisam ser registradas; são todas institucionais, geralmente funcionando através da rede de lojas das empresas, ou através de sites oficiais.  Uma empresa séria não emite ou compactua com a geração e repasse de e-mails por três motivos: a) É ilegal na maioria dos países gerar Spam;  b) Pelo motivo anterior, não há retorno positivo de imagem, e sim desgaste de imagem; c) não há como registrar, mensurar ou autenticar um e-mail, de forma a possibilitar isenção ou contrapartida nos impostos!!  Um e-mail, repasse-após-repasse, não tem nenhum controle (exceto pelos Spammers…) e não apresenta nenhuma segurança, devido á ausência de criptografia que eventualmente pudesse certificar que foi emitido realmente por determinada pessoa!! Assinar uma petição on-line por e-mail, é roubada na certa!!

4)  Use CCO (cópia de carbono oculta). Eu provavelmente fiz isso ao repassar essa mensagem.  Você não tem como saber, porque ao inserir os e-mails dos destinatários no campo CCO, os e-mails dos outros destinatários no mesmo envio não são exibidos para os demais destinatários.  Dessa forma, seu e-mail e o de todos que adotarem esse comportamento nunca aparecerão no corpo do texto, e consequentemente, nunca será coletado por um spammer.

5) Seja crítico. A internet é um novo paradigma: ela não se impõe.   Por meio dela, você tem acesso a centenas de milhares de outros e-mail’s, blogs, sites e portais.  Muitos com informações corretas, muitos com informações erradas ou inverídicas.  Aumenta, portanto, sua responsabilidade: é você que tem que decidir se deve ou não confiar nas informações a que está tendo acesso. Cruze dados, pesquise em locais diferentes o mesmo assunto, e consulte sua própria razão, para saber se o que lê lhe parece mesmo razoável.  Em suma, seja crítico!!

No mais, continue compartilhando e repassando e-mail’s – com muita responsabilidade!  Se achar que deve, você pode repassar esse esclarecimento, ajudando a esclarecer as demais pessoas.  Compartilhe sentimentos, amor, poesia, fotos e paisagens lindas, aquela canção que lhe toca o coração ou aquela informação que será realmente útil e necessária.

Vitória!!

VITÓRIA!!!

O retrocesso está afastado por 4 anos.  Mas estaremos todos vigilantes.

Parabéns ao Brasil!!  Parabéns a Lula!!!  Parabéns a nós, povo brasileiro!!!

Parabéns, Dilma Vana Roussef!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prezados Leitores,

Há muito para dizer e, infelizmente, muito pouco tempo para tal.  Manter um blog com matérias interessantes, coerentes e conteúdo relevante não é fácil.  É um trabalho para amadores, sim, mas amadores com bastante energia, tempo disponivel e dispostos a pesquisa séria e equilibrada do que se deseja analisar.  Acreditamos ter esse potencial, mas nos falta tempo.  Esse é o principal motivo pelo qual informamos que este blog será descontinuado em breve.  Não estamos nos furtando à luta, mas apenas pensamos que podemos ser igualmente produtivos em outras searas, colaborando nos blogs dos demais amigos e, quiçá, de forma mais ativa no mundo não-virtual.   Dessa forma, este é um dos últimos posts do blog.  Esperamos que todos possam nos compreender.

Todavia, algo nos move, ainda; ainda nesse inesperado – mas repleto de lições a aprender – segundo turno das eleições.  É a fala de Martin Luther King, negro estadunidense, militante da paz e dos direitos humanos, assassinado em l968:

“O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”

Por esse principal motivo, não podemos, ainda, nos calar diante dos descalabros que vemos em nosso dia a dia.  De uma campanha difamatória, suja e matematicamente engendrada pela oposição, contra a candidata Dilma Roussef.  Enquanto isso, do outro lado, a chamada grande mídia segue cumprindo o papel preconizado – há séculos – pelos que se denominam a Elite.  Essa imprensa, também matematica e friamente, de forma manipuladora – como é seu modus operandi -, apregoa agora uma nova visão: o “fato consumado”, de que Serra estaria eleito.  Quem falou disso, há alguns dias foi o Azenha, neste post, no seu excelente e indispensável Vi o Mundo.

A verdade: Não há fato consumado, e a tendência para a vitória, bem como os prognósticos que o futuro nos aponta, caminham na direção da eleição de Dilma Vana Roussef, a futura presidente do Brasil.

Razão pela qual fazemos um último apelo á razão: o leitor deve aprender a ler nas entrelinhas de cada fato, como falamos em outras oportunidades, como aqui.  Faça uma pesquisa no blog e entenda nossa visão sobre esse e outros assuntos.

E ainda que o leitor não seja eleitor de Dilma/Lula, rogamos para que mantenha o senso crítico sobre tudo que lê, tudo o que toma conhecimento.

Isso posto, analise o curriculo e a história dos candidatos e dos seus atos.  Pense, reflita, critique, analise e chegue – aí sim, com sua própria cabeça – à sua conclusão.  Use sabiamente essa nova ferramenta – a internet – e busque você mesmo realizar seu filtro.

Um outro pedido: por favor, não anule seu voto; por mais que você pense que tudo é corrupção; que todos os politicos não prestam e nada vai mudar; que nada pode ser feito, e tudo ficará assim para sempre – como ficou até agora – saiba a verdade: essa é uma ilusão colocada cirurgicamente pela imprensa e pelo restante do sistema, em sua mente.  Para ocultar de você a verdade maior: o poder é seu, e depende de você, de nós, de todos nós enfim, fazer as coisas acontecerem.

Isso não significa que o mundo seja belo, lindo, e os problemas do Brasil tenham sido resolvidos: não; há muito o que fazer.  Mas quer saber porque não foi feito até agora?

Porque o maior interessado – você! – ainda não acordou completamente para a realidade de que é o principal ator para a modificação dessa realidade que nos cerca.  Mas não se culpe: está apenas seguindo, inconscientemente, o plano deles.

Sejamos mais didáticos: você gosta/gostou do governo do Presidente Lula? Está entre os 80% que aprovam seu Governo, ou os 16% que o considera regular?

Se a resposta é sim, e se votou – como nós – em Lula, em 2002 e 2006, saiba que esse sucesso é seu! Tudo isso de bom que acontece em nosso país, foi você, fomos nós que fizemos.  Com a sua escolha. Tendo pensado, tendo refletido, tendo escolhido acreditar no futuro de nosso amado país, tendo acreditado, tendo recusado pensar com a cabeça dos outros, tendo ignorado as mentiras e as manipulações da imprensa, tendo enfim, finalmente, sido pro-ativos, tendo AGIDO – e não, REAGIDO.

Saiba, portanto, que o futuro do país depende de você.  Querem fazer você crer que seu voto não faz a menor diferença.  Mentira: faz sim. Faz TODA a diferença. E saiba, ainda, que votar nulo ou branco é tão eficaz como forma de protesto quanto tentar encarcerar um tigre com uma gaiola de passarinho: é inútil.

Você não é obrigado a chegar a nossa conclusão, mas nos permita dizer que seu voto será mais útil em Dilma Roussef – 13 – do que em anulação, voto branco ou em José Serra.  Mas como chegar a essa conclusão?  Muito simples: na hora de se postar em frente á urna para digitar seu voto, pare, pense e reflita:

“Onde eu estava em 1999?”

  • Por acaso você se recorda da sensação de que não valeu a pena participar da eleição de 1998?
  • Se recorda do desemprego e da desesperança?  Das sabidamente poucas chances de conseguir sustentar sua família?
  • Se lembra de ter perguntado à várias pessoas: “quem votou no Fernando Henrique Cardoso, em 1998,, afinal?”, e de só obter respostas negativas?  Se lembra de ter pensado as respostas possíveis a esse silêncio de seus interlocutores?  Pensou em fraude eleitoral?  Ou pensou que na verdade quem votou em FHC estava com vergonha de confessar seu voto, enfim, confessar a merda que fez?
  • “O Brasil não vai prá frente, porque se for para a frente, cai no abismo?”.  Se recorda dessa frase?  Onde ela anda agora?  Saiu de seu vocabulário?  Você a esqueceu?  Porque?
  • Lembra-se que o Brasil era o “pátio de estacionamento dos Estados Unidos”?  Esqueceu disso também? Porque?
  • Se você – como nós – era pobre em 1999 e vem ascendendo, e tem ou está prestes a comprar seu primeiro veículo; lembra-se de quais eram as perspectivas para alcançar esse objetivo em 1999?
  • Aliás, você estaria lendo essas palavras em um blog em 1999?  Você tinha computador em 1999?  Tinha internet? (p.s.: internet de verdade ainda vem por aí… também depende de você…)
  • Você achava que o Brasil era respeitado no exterior, em 1999?
  • Você, enfim, tinha esperanças em 1999?

Então, para finalizar, visite este artigo, leia-o, analise-o, veja as imagens, e saiba o seguinte:

1999: ano compreendido entre o período 1994-2002 – Gestão PSDB.  Presidente: Fernando Henrique Cardoso.  Ministro: José Serra.

2010: ano compreendido entre o período 2002-2010 – Gestão PT.  Presidente: Luis Inácio Lula da Silva. Ministra: Dilma Roussef.

Agora abra os olhos – lembre-se, você está diante da urna eletrônica! É hora de você agir.  Decida o futuro que quer.  Decida pela esperança dos seus filhos e netos.  Olhe para frente, e não volte ao passado!  Sem boatos, sem mentiras, sem medo, sem dúvidas!

Vote 13.  Vote Dilma Roussef.

Nos encontraremos em 1º de janeiro de 2011.  Nós, você e o futuro.

Mais um que acorda!

Depoimento espontâneo do médico Adriano no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui (nos comentários via Intense Debate).  Os grifos, em negrito, são nossos.

“Sou médico e pela primeira vez venho comentar nestas paginas. Sempre tive comigo que algo andava errado, sempre vi que na politica brasileira os comentários sempre se afunilavam-se no que a TV, revistas e jornais de evidencia nos “empurravam” e as vezes me via perguntando: “será que sou só eu que penso contra ou o governo do Lula é ruim mesmo?”, “será que todos ( do ciclo em que convivo) tem razão ao criticar e achar ruim tudo o que ele faz?” Mas os numeros não indicavam isso, mas a TV sempre rebatia, pesquisas demonstravam crescimento e melhorias absurdas, mas a TV, jornais, revistas e a classe A toda sempre rebatia contra… O que esta acontecendo de verdade? Neste período começei a ir para a rede, trocar aquilo que cansava minha mente pela Net e comecei a ler sites como este, como do Nassif e Paulo Henrique Amorim, foi como se derrepente eu descobrisse que milhares e milhares de pessoas também pensavam igual a mim concretizando que existe sim algo de muito podre e ridículo no nosso pais. Nunca fui ingênuo de achar que não há coligações de poder em todas esferas que se degladiam até a morte para se manterem no poder ou buscar o mesmo, isso sempre existiu e sempre existirá, sempre soube que política e midia ora andaram juntas, ora contra neste duelo de manutenção e expoliação do poder, mas não tinha a prova palpável para confirmar que estes exageros tão evidentes estão alienando parcelas da população e de forma descarada arrombam os portões de uma mínima ética residual para uma agressão nociva, manipulando fatos e fatores para envenenar a realidade, me sentia impotente porque não tinha fatos além daqueles manipulados que chegavam a minha casa pela velha oligarquia prostituta e viciada que é atualmente conhecida PIG, para defender minha senssação de que ” que merda é essa que eu estou vendo nas revistas e na TV e que parece que todos que conheço não enchergam que esta claramente sendo uma manipulação barata?”, ” só vejo criticas pessoais ao presidente, só vejo acusações de todos os tipos, sem nenhuma prova, mas nunca vejo o direito de defesa ser noticiado, ser evidenciado, e o pior, sempre vejo a oposição fazer estardalhaços com coisas que pela imcopentencia homérica são resultados do governo anterior deles? Cade o senso? Cade alguem para equilibrar as coisas? Eles foram claramente os causadores de tudo que esta ai de ruim na saude e economia e nestes ultimos 8 anos e o que tenho visto foi o resgate da minha moral la fora, do meu pais e isso não tem preço, cade o reconhecimento?” e sempre ouvia: “Ahhh, cara, vc ta viajando, você acha mesmo que este cachaceiro ta resgatando alguma coisa? Ele é o maior embuste do século, o cara que roubou todas ideias do antecessor e ganhou a moral disso!”…. Como é triste ver o quão obtusa pode ser a mente humana, ingrata por natureza e acima de tudo, ofenciva e nociva! Só por não gostar de ver um operário acima na hierarquia, isso justifica todo preconceito, ingratidão e falta de senso. Quando vi o video do meu presidente relatando o que passou com aquele diretor da folha e depois li a verborragia esquizofrênica da diretora da ANJ confirmando o inconfirmavel, o inadimissível e totalmente repudiável que eles são a unica oposição ao governo eu me senti verdadeiramente…. aliviado! Aliviado por saber que não estava certo que mais ainda por saber que a luz no fim do túnel esta ai, esta aqui na minha tela, no milhares de bloqueiros e internautas que estão buscando a verdadeira noticia, a verdadeira ideia, a verdadeira oposição ao domínio intelectual que sempre fomos obrigados a aceitar desde sempre!!! Cara quando vi MEU presidente falar o que ele falou no discurso sobre a folha e a elite política e da mídia eu verdadeiramente me emocionei, veio namente na hora o respeito que sabia que tenho pelo seu governo e sua pessoa, sei que é politico, que tem falhas e passível de corrupção como todo político, mas ele foi o único que me deu a chance de dizer bem alto :“Pais do Carnaval, mulata e futebol e a PUTA QUE O PARIU!!!!!” ahhh e como isso me faz bem poder falar… sempre fui criado em berço explendido, sempre tive do melhor e hoje ocupo um bom lugar na sociedade, mas nunca vou poder negar que todos tem seu direito a isso e que so com ele isso esta sendo possível, so neste governo eu vejo todos poderem ter alguma coisa e algum respeito! Este foi o desabafo de uma cara que esta feliz em poder ver aqui ideias pares e saber que não estou sozinho!”

Nos abstemos de procurar corrigir, criar parágrafos ou mesmo alterar quaisquer expressões.  O texto acima é cópia fiel do original.  Dessa forma, fiéis ao original, ficam evidentes a sinceridade e o desabafo do leitor, que procurava, naquele exato instante, traduzir em letras o que sentia, a torrente de idéias que circulava em sua mente, que uma linguagem formal e fria não poderia, nunca, refletir.  Além do mais, entre um gole de qualquer bebida e tiragostos, em qualquer roda de amigos, é nessa linguagem que nos expressamos, não é mesmo?  É essa a nossa realidade.

Quem que nós não pensa, ou não poderia, pensar da mesma forma?  Quantos de nós, de fato, não pensamos da mesma forma?

Nota-se que é uma pessoa de classe média, posição social e financeira estável, formado, mas sobretudo brasileiro, como o somos, em grande maioria.  O leitor que possa, á sua vontade, definir o que é mais marcante nesse desabafo. Creio que o leitor terá notado, no texto, o espírito de virada e justiça social, e o “orgulho Brasil” que estamos atravessando.

Um leitor do Vi o Mundo comemorou: “Você acabou de sair da Matrix!”.  Nós, portanto, corroboramos, felizes:  seja bem vindo ao mundo real, estimado Adriano!  Assim como nós, você desconectou o plugue e as mangueiras que alimentavam nosso cérebro com as melecas da Globo/Folha/Estadão/Veja, enquanto a ilusão era a de que comíamos caviar…  Juntos, acordaremos o resto do país!

A partir do editorial de Luiz Carlos Azenha, no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui, e está em recuo.  Os grifos são nossos, bem como os comentários, em amarelo e sem recuo.

Um dos motivos pelos quais os comentaristas da grande mídia brasileira podem se esborrachar nesta temporada eleitoral resulta do fato de que, ao longo dos últimos meses — para não falar desde 2002 — eles se negam a estabelecer uma relação de causa e efeito na economia brasileira. Alguns, por conveniência ideológica. Outros, por preconceito de classe.

O pressuposto deles é de que o governo Lula seria um desastre econômico. Quando não foi, passaram a adotar três explicações, adequadas à ojeriza despertada pela presença do metalúrgico no Planalto: 1) Lula apenas administrou as virtudes de Fernando Henrique Cardoso; 2) Lula deu certo por não fazer nada; 3) Lula deu sorte e foi ajudado pelo cenário internacional favorável. Eis que uma crise financeira internacional pipocou no meio do caminho, o Brasil sofreu menos que outros países com ela, saiu antes da recessão e crescerá em 2010 numa taxa considerável.

O leitor se recorda o quanto a imprensa, usando e abusando das aspas, ironizou a “marolinha”, expressão do Lula sobre o que seria a crise financeira mundial no Brasil?

E não é que foi uma marolinha mesmo?

Prossigamos.

Ainda assim, a negação de que o governo Lula possa ter alguma virtude ainda impera. A cobertura jornalística exprime isso. O crescimento é um “dado”, como se fosse resultado de alguma intervenção divina. O fato é que a população, sim, faz relação entre o governo e o crescimento. E é daí que nasce um imenso golfo entre a opinião dos jornais — para os quais foi “sorte” — e a realidade eleitoral.

Finalmente, há a questão do público a que se destinam as principais publicações brasileiras. Os jornalistas miram apenas nos que podem pagar pelos jornais e fazem uma apreensão não contextualizada da realidade.  O Valor, por exemplo, na reportagem que reproduzo abaixo, trata dos “problemas” dos empresários com a falta de material de construção, mas não explica o que está na outra ponta: são os imóveis populares, as reformas, os puxadinhos, os condomínios de classe média, a expansão imobiliária no Nordeste?  Se o jornal tivesse feito isso teria prestado não só um serviço aos leitores, talvez tivesse conseguido estabelecer uma relação entre a fantasia dos colunistas e a realidade dos eleitores.

Fornecimento de material de construção já preocupa

Falta de mão de obra limita capacidade de expansão do setor

Daniela D’Ambrosio, Murillo Camaroto, Sergio Bueno e Paola Moura – Valor Econômico – 13/08/2010

Além da dificuldade em encontrar mão de obra treinada, as construtoras enfrentam agora a escassez na oferta de materiais, também provocada pelo ritmo intenso de atividades do setor. Fornecedores de produtos básicos e de materiais de acabamento estão operando a plena capacidade. As construtoras dizem que os casos de falta de produtos são exceções, mas já são comuns os relatos de atraso em entregas e o aumento dos preços é visto como um entrave. As maiores dificuldades parecem estar no fornecimento de tijolos, mas cimento, ferro, concreto e cerâmica também foram apontados como problemáticos.

Memória: foi há 7 anos, em 2003, que a imprensa ironizou a afirmação de Lula sobre o “espetáculo do crescimento” – assim mesmo, entre aspas, como é típico da imprensa manipuladora.  Você pode perceber isso neste artigo da Folha de São Paulo.  A reportagem ainda diz que “Lula se utilizou de suas tradicionais metáforas para pedir paciência para os resultados das últimas medidas. Ele mencionou novamente que ‘um pé de feijão leva 90 dias para nascer e um filho durante os nove meses de gestação’ “.

Apesar da ironia do folhetim… dito e feito: hoje estamos colhendo feijões! Lula de fato foi eficaz ao preparar o país para o crescimento.  Como se diz popularmente: dando uma no cravo, outra na ferradura.  Por exemplo: de 1909 a 2002,  ultimo ano do mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foram construídas 140 escolas técnicas no país.  Todavia, desde que Lula assumiu o poder, em 2002, até nossos dias, foram construídas mais de 200 Escolas Técnicas, totalizando cerca de 360 em todo país.  Em outras palavras: o governo Lula criou sozinho mais Escolas Técnicas do que todos os outros presidentes da história do Brasil juntos!

Mesmo assim, sabemos que esse numero ainda é insuficiente, haja vista a escassez de mão de obra qualificada em alguns setores – principalmente na construção civil, como pudemos ver acima.  Isso vale uma moção de desagravo – poderia ser pior, se Lula nada tivesse feito -, mas, também, uma crítica: de fato, é preciso avançar mais.  Todavia, nunca sob a batuta do PSDB, que não fez quando pôde, e não é agora que faria – por mais que seu candidato tente, inutilmente, convencer-nos do contrário.  Essa, sim, é a percepção popular.  É isso o que se ouve nos trens, no trabalho, nos pontos de ônibus, nas rodas de bar.  Também é disso que fala o Azenha, quando nos explica sobre o distanciamento da realidade de que sofre a mídia.  Dissemos isso antes: eles falam de si para si, conversam com o próprio umbigo.  A única diferença em relação a nós, é que gritam – por isso são escutados (e não mais ouvidos).  De qualquer forma, eles têm esse direito: são os 4% de insatisfeitos com o Governo Lula.  Azar o nosso que sejam donos da mídia e concentrem boa parte da renda.  Mas isso também levará pouco tempo, pois a renda já começou a ser redistribuída (felizmente para nós, povo).

Construtoras de todos os portes e das mais distintas regiões do país são unânimes: a escassez de mão de obra é o grande gargalo enfrentado pela construção civil atualmente. A falta de empregados preparados para erguer as obras, a concorrência com projetos de infraestrutura e a pressão da contratação nos custos já começa a afetar os resultados das companhias e a obrigá-las a revisar suas estratégias. A saída vai desde aumentar o uso de tecnologias industrializadas na construção a elevar o preço do imóvel, “importar” trabalhadores de outros Estados e até o uso de mão de obra alternativa, como a de presidiárias em regime semi aberto. O problema já causa atrasos de cerca de três meses nas entregas.

Que prazer que dá imaginar um trabalhador voltando para sua terra, no Nordeste, reencontrando sua família, justamente porque dezenas de empreiteiras na região precisam desesperadamente, de mão-de-obra!  Ele, justamente ele, que de lá saiu, fugindo da sêca e da completa ausência de oportunidades e de atenção do Estado!  Mas que ninguém leia nossas palavras com preconceito (algo do tipo “já vão tarde”).  É inestimável o valor do nordestino, bem como de todo o nosso povo, na região em que se estabelece – qualquer que seja ela.  Mas é muito justo que eles não precisem deslocar-se para ter direito a um mínimo de dignidade e à atenção do Estado.  Esse processo, continuadamente, irá contribuir para a desconcentração da renda, visto que o trabalhador, em sua terra natal, também é fonte de riqueza para seu município de origem, engordando o PIB per capita da região.

E é, de novo, muito feliz o resultado dessa escassez de mão-de-obra, no sentido de gerar oportunidades para  a polulação carcerária brasileira.  O Conselho Nacional de Justiça empreendeu recentemente uma campanha nos rádios e redes de TV no qual pretende estimular a contratação de presidiários, dando novas oportunidades a quem sai das prisões e precisa recomeçar a vida.   Mas sabemos o quão difícil deve ser para o preconceito das pessoas, assoladas por esse capitalismo atroz, esse egoísmo, esse individualismo estúpido,  dar nova oportunidade a  quem errou e precisa de uma chance de reintegração à sociedade.  Claro que sabemos, também, que cada caso é um caso.  De qualquer forma, no fim das contas, mais uma vez… ponto para Lula, que entendeu perfeitamente que o papel do Estado não era o de mero coadjuvante dos mercados, e sim um indutor do processo de crescimento.  O Mercado nada sabe, o mercado é uma entidade ao sabor dos ventos do lucro.  Uma hidra.  É ao Estado, esse ente a quem nós outorgamos nosso poder, que deve cuidar de nós.  Lula foi lá, no Planalto, lembrar aqueles que estavam no poder, dessa realidade, dessa verdade – até, então, apenas ideal, mas que hoje é realidade.

Entre janeiro e junho, a construção civil gerou 230 mil novos empregos no país – quase o triplo do mesmo período do ano passado, quando foram abertas 79,4 mil novas vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Nos últimos cinco anos, a construção civil, sozinha, foi responsável por 40% das novas contratações no país. “A pressão existe, é numérica e é fato”, afirma Luis Largman, diretor financeiro e de de relações com investidores da Cyrela.

Bom, depois dessa, ainda somos obrigados a aturar José Serra, ajudado por seus assessores e por uma pá de matérias, artigos e reportagens do PIG (Partido da Imprensa Golpista – será que alguém não conhece?) gritando, por exemplo, que “Dilma está maquiando os números”, “as obras do PAC estão paradas”, “o país não está investindo”, etecetera! Ainda bem que, como dizia o seriado Arquivo X, a verdade está la fora, e ela grita e brilha aos nossos olhos. É como diz um pensador: a verdade não tem álibis.  Ela aparece, de um jeito ou de outro, se impõe e permanece.  Simples assim.

A Cyrela foi a primeira – e única até momento – a divulgar o impacto do aumento dos custos nos resultados. Ela reviu os custos em 244 empreendimentos, mais de 90% do que tem em construção e lançamento. Houve um aumento de 2,2% acima do INCC no segundo trimestre. A margem bruta teve queda de 3 pontos percentuais, para 32,6%.

Só no período, de acordo com a Cyrela, a mão de obra aumentou 11% na média. Segundo Largman, os empregados especializados passaram a cobrar mais. “Estamos pagando mais caro por uma mão de obra menos qualificada e produtiva.” A empresa elevou o preço dos lançamentos em 20% para compensar os custos maiores. Mas demora algum tempo para que o balanço capture esse aumento. Para contornar o problema, a Cyrela investe em treinamento e testa métodos construtivos alternativos, mas são soluções de médio e longo prazo. “Por isso, os preços não vão parar de subir.”

“Estamos pagando mais caro por uma mão de obra menos qualificada e produtiva.” O leitor precisa entender o que está por trás dessa afirmação.  O Governo Lula vem batendo recorde atrás de recorde na geração de empregos.  Especialistas determinaram recentemente que, se a curva de geração de empregos continuar ascendente do jeito que está, em alguns meses, teremos a situação inversa: o desemprego negativo, ou o pleno emprego.  Mais exatamente, Luiz Mendonça de Barros, e justamente na Folha de São Paulo, em artigo publicado em 16/04/2010.  De novo, a Elite falando para a Elite:

“A maior parte da oferta na economia brasileira é constituída por bens e serviços que não podem ser importados. O mais importante deles é o mercado de trabalho e nele é que está a componente mais ameaçadora que vejo para a frente. […] Poderemos chegar ao fim deste ano com uma taxa de desemprego da ordem de 6%, mantido o crescimento atual da geração de postos de trabalho. Em março, o número de empregos formais aumentou em 266 mil, número muito forte para o mês.

[…] A pressão sobre os salários desse segmento dos trabalhadores já está ocorrendo e deve se acelerar. […] São evidências de instabilidade grave. Dou um exemplo: a produção de caminhões da Mercedes-Benz brasileira em março foi o dobro da matriz na Alemanha. Mesmo com a crise na Alemanha esse número é um aleijão para mim.”

E Artur Araújo, na Carta Maior (em 28/04/2010), analisou:

“Trocando em miúdos: crescer rápido é um “problema”, porque pode gerar aumentos salariais para os trabalhadores e reduzir a taxa corrente de lucros. A ótica do imediatismo salta aos olhos; nem mesmo de relance, o articulista se refere a um ciclo virtuoso, em que o crescimento real da massa salarial implica ampliação da demanda efetiva, cria as condições para expansão da capacidade produtiva (e da formação de mão-de-obra) e para a expansão da própria acumulação de capital, pelo crescimento do volume produzido e realizado.

O seu negócio é o aqui e agora, é o lucro já; e o futuro, provavelmente, nem a Deus pertence. O espantalho que agita é o da inflação de demanda, que se recusa a atacar pela via do choque de oferta, do mercado interno de massas e da expansão das exportações de maior valor agregado. Sua panacéia é o aumento dos juros.

(…)

O FMI, que não é daqui, ecoa a lógica de Mendonça. Seu mais recente relatório, diz a FSP em manchete, “vê economia brasileira ‘no limite’”. Forçado pelos fatos a revisar – para cima – sua estimativa de crescimento da economia do Brasil, o Fundo “aponta demanda ‘em estágio avançado’ e espera medidas para desacelerar crescimento de 5,5% neste ano para 4,1% em 2011.” Tanta coincidência, até nas palavras, é sintoma de um alinhamento automático, de um modo de ver e conduzir o país.

O PSDB de hoje, por vezes até mais que os “demos”, olha a economia e o Brasil com esse viés. O que o orienta é o mundo internacional das finanças e a propensão a pensar em pedaços, em satisfazer-se com políticas que incluem só um terço dos brasileiros – os mais ricos – e só uma parte de nosso território – o sul-sudeste. É a turma dos 30%.

Expansão de consumo, crescimento de salários, ampliação da produção, desenvolvimento da infraestrutura, inclusão e capacitação das pessoas, todos esses são temas ausentes de suas formulações – ou vistos como “aleijões”. Aumento continuado e real do salário mínimo, instituição de pisos salariais nacionais, redução de jornada de trabalho, diminuição de desemprego, PAC, PROUNI, são pautas que os levam à beira do pânico. Tudo que seja para todos é risco, não oportunidade.

Esse alinhamento automático pode ser percebido também e principalmente no candidato José Serra (clique aqui para entender).  E sobre o FMI, não há muito o que dizer: leia aqui sobre os Assassinos Econômicos, e você entenderá o alcance dessa instituição, seu modus operandi e a quem ela serve.

Resumindo tudo em outras palavras: o desemprego favorece os donos do capital, não os trabalhadores.  Não estamos aqui nos pronunciando contra as centenas e milhares de empresarios do país, que são responsáveis pela massa de empregos gerados no país; mas sim, e especialmente, contra os donos do capital meramente especulativo, para quem somos números.  Ou dos que favorecem as políticas imperialistas americanas, com sua corporatocracia cruel.  E, de forma geral, falamos dos 4% de insatisfeitos com o Governo Lula, que têm uma mentalidade tosca a ponto de preferir frear o crescimento do país em prol de seus lucros, mesmo que isso favoreça outras nações.  Falaremos disso mais adiante.

O uso de tecnologias construtivas que reduzem o uso intensivo de mão de obra é uma saída adotada por boa parte das empresas de grande porte, como Rossi, Direcional e Gafisa. Enquanto na construção civil convencional o trabalho é mais artesanal e exige o emprego de profissionais especializados, como carpinteiros, no sistema industrial o processo é de montagem, como em uma fábrica. O uso dos chamados serventes – profissionais com pouca experiência e que nesse caso são chamados de montadores – passa de 40% em uma obra tradicional para até 85% no sistema de construção industrializada. “O sistema garante uma economia de custos importante”, diz Cásio Audi, diretor financeiro da Rossi, que investe em fábricas de casas com paredes pré-moldadas.

A questão é mais grave em determinadas regiões. A escassez de mão de obra treinada é grande no Nordeste, mas há um agravante na Bahia. Terceiro maior empregador do setor durante o primeiro semestre, o Estado não dispõe sequer de instrutores para os cursos de qualificação. No início do próximo mês, o Sinduscon local começa uma verdadeira caça ao tesouro nos canteiros de obras de Salvador, na busca de profissionais que reúnam características mínimas para dar treinamento.

O Nordeste teve o melhor desempenho em contratações no primeiro semestre – alta de 588% em relação ao mesmo período de 2009. “A questão por aqui está muito difícil. Essa velocidade de crescimento prejudicou a qualificação da mão de obra. Temos um problema sério de produtividade em nossos canteiros”, queixa-se o presidente do Sinduscon baiano, Carlos Alberto Vieira Lima. Segundo ele, os gargalos estão gerando aumento de custos e atrasos nas entregas de imóveis no Estado.

No Ceará, onde o emprego na construção subiu 770% em comparação ao primeiro semestre de 2009, a situação não é diferente. De acordo com o presidente do Sinduscon local, Alberto Sérgio Ferreira, há dificuldade em se encontrar mestres de obras, carpinteiros e ferreiros. “Não tem ninguém desempregado e isso fica inflacionando o mercado. Fica um tomando do outro. É guerra.”

Quem, afinal, em sã consciência, consegue esquecer do desemprego e da luta que era encontrar e manter um bom emprego, por alguns meses, na era FHC?  Que o trabalhador comum possa entender: atacam o Governo Lula especialmente nesse particular, porque ele gera mais empregos.  Como vimos isso põe os trabalhadores em situações de vantagem: o capital dependendo do trabalho.  Na verdade, essas duas forças nem precisam ser tão antagônicas assim.  É a lógica especuladora do capital que quer essa luta.  Referimo-nos ao capital sem pátria, volátil, especulativo.  Das corporações americanas, por exemplo.  Interessa a eles um Brasil eternamente no terceiro mundo, com farta mão-de-obra barata, com milhões de trabalhadores desempregados lutando por vagas cuja remuneração é estabelecida a seu bel-prazer, dado o desespero por emprego.  Explicamos; é só acompanhar o exemplo a seguir:

Brasil de ontem: João, dono de uma empreiteira, tem uma vaga de secretária, e quer pagar o menor salário possivel.  Fácil: anuncia num jornal, 100 candidatas aparecem. 70% delas não têm a qualificação necessária, (pois não têm renda para seu sustento, que dirá para sua qualificação), e ele pode enfileirar todas as 30 restantes oferecendo, entrevista a entrevista, um salário menor.  Diante da oferta, a candidata da vez sabe: sua recusa pode representar a chance para as outras da fila.  Pressionada por essa situação, e por sua necessidade de sustento, ela aceita. (Nota: o leitor já passou por isso, não? Nós também!)

Brasil de hoje: João anuncia num jornal, e ninguém aparece.  Melhor dizendo: aparecem 5 candidatas.  Dessas, 3 estão empregadas e estão apenas procurando uma oportunidade melhor, e elas levantam-se alguns minutos após o início da entrevista, logo que têm chance.  Agradecem e explicam que “a vaga não atende ao perfil da oportunidade esperada” (doce vingança!), despedindo-se educadamente.  Restam 2 candidatas: a primeira delas espera ser chamada em breve para um dos 3 concursos públicos que participou, e João resolve não arriscar, ficando com a última: Marta, que está recebendo a última parcela do Seguro Desemprego, por opção, e tem a qualificação necessária – Graças a Deus!  Mas explica que precisa ganhar, no mínimo, 3 vezes mais do que João ofereceu.  Não há alternativa: João aceita!!  E vai tratar a nova funcionária muito bem, pois Augusto, da empresa de Advocacia que ocupa a sala próxima à sua, também está reclamando que não consegue arrumar uma secretária.  O João não teria ninguém para indicar?

Se o leitor é empresário, dependendo de seu segmento, logo reconhecerá essa situação; ela tem sido cada vez mais frequente.  Temos ouvido e lido várias experiências do tipo.  Mas não é o fim do mundo, empresários: é apenas o início de um novo paradigma – a parceria do Capital com o Trabalho,  do dinheiro com o talento.  Veremos  isso mais adiante.

Perdão pela longa disgressão; voltemos ao texto.

No Rio Grande do Sul, a disputa por profissionais começou a apertar há cerca de um ano e desde então o setor busca alternativas, desde a “importação” de trabalhadores até a recente assinatura de um convênio com o governo estadual para recrutamento de presos que cumprem pena no regime semiaberto.

Há dois meses, o Sinduscon gaúcho fechou parceria com o governo do Estado para a contratação de presos que cumprem pena em regime semiaberto. Segundo a diretora de tratamento penal da Superintendência de Serviços Penitenciários do Estado (Susepe), Tatiana La Bella, a primeira turma, de 12 mulheres, deve se formar em setembro. Até o fim do ano serão treinadas mais 600 pessoas que hoje estão recolhidas em 19 presídios. Os salários serão iguais aos pagos aos demais trabalhadores, mas as empresas não vão arcar com encargos sociais, conforme prevê a lei de execuções penais.

Segundo o presidente do Sinduscon-RS, Paulo Garcia, seis mil unidades habitacionais devem ser lançadas em 2010 só em Porto Alegre, o dobro do registrado até 2006, e esse crescimento pode gerar atrasos nas entregas de obras iniciadas há dois ou três anos. “São construções que começaram sob cenário diferente.”

“Ainda não tivemos a necessidade de ajustar cronogramas, mas atrasos podem ocorrer”, admite Marcelo Carraro, gerente-regional da Goldfarb, que até setembro inicia a construção de duas mil unidades habitacionais na região metropolitana. Para reduzir os riscos (as casas e apartamentos devem ser entregues no fim de 2012), a empresa contrata construtoras locais e trabalha com painéis de alvenaria moldados nos canteiros de obras, o que reduz a necessidade de mão de obra e o desperdício de materiais, explica o executivo.

Para Marcelo Moacyr, diretor da Bairro Novo, em várias cidades onde a empresa está trabalhando há outros empresas que atraem mais ou competem com a construção. “Em Camaçari, por exemplo, o trabalhador é absorvido pela indústria do polo”, conta. Até em Porto Velho, a própria Odebrecht está competindo com sua subsidiária. “A usina tira mão de obra da construção.”

“Mesmo assim, o novo trabalhador leva tempo para ganhar produtividade, aumentando o custo.” Carraro diz que importar mão de obra chega a dobrar o custo, porque a empresa fica tem de fornecer alojamento e arcar com as despesas de alimentação e transporte. “Mas já houve casos, como em Blumenau, que trouxemos do Maranhão.”

O diretor de operação da João Fortes, Wagner Lofare, diz que mesmo o trabalhador que recebe treinamento acaba trocando muito de emprego em busca de um salário maior e é necessário treinar outro. “Não há comprometimento.”

“Não há comprometimento”.  Lofare uma essa interessante expressão, que define o que poderá ser, em breve, uma nova meta do empresariado brasileiro: gerar no empregado a sensação de pertencimento, de parceria, consequentemente, visando obter o comprometimento.  Estamos falando de um novo tempo, de novas práticas.  Mais benefícios?  Participação nos Lucros e Resultados?  Estrutura hierárquica horizontal?  Plano de Cargos e Salários?

Sonho?  Estamos sonhando  Não!  As empresas brasileiras já estão de readequando.  O Capital tanto pode fazer as pazes com o Trabalho… que já fez!!  Tais práticas, antes exclusivas de grandes empresas, já começaram a fazer parte do rol de medidas de médias e pequenas empresas no país, dada a necessidade de reter talentos.

Conclusão: o Povo já percebeu que Lula, Dilma e o PT foram/vão (Graças a Deus) na contramão de FHC, Serra e o PSDB.  Isso, sem necessidade de tantas palavras quanto a que empregamos aqui; o Povo não precisa delas; Ele percebe isso nos seu dia-a-dia, na esperança, no Novo Brasil que já temos presente em nossas vidas.  Nas vidas de todos nós.

Bom, de quase todos – só 96% do país.  A conclusão do artigo de Artur Araújo, na Carta Maior, é mais expressivo do que pretendemos ser:

“Ainda que se dê a José Serra o benefício da dúvida, do quanto ainda preserva de seu suposto desenvolvimentismo, não é despropositado indagar como ele “resistiria” à pressão combinada do tucanato econômico, do udenismo paralisante e elitista e da banca mundial, falando pela boca do FMI. A experiência FHC não traz muitas esperanças quanto a isso. Um jornalista arguto qualificaria a pergunta que abre este texto e questionaria o que o candidato fará com a turma dos 30%, aqueles que, há décadas, estiveram do seu lado e sempre quiseram que o Brasil pudesse menos.”

Paralelo XIV

Dilip Hiro*, via Vi o Mundo – Traduzido por Caia Fittipaldi.

Para ler a matéria diretamente na fonte, clique aqui.  Ou para ler o artigo original, em inglês, clique aqui.

Como de praxe, o texto citado aparece em recuo.  Eventuais comentários de Paralelo XIV, sem recuo, e eventualmente, se houverem grifos nossos, em negrito.

A política sem rumo de Obama e uma superpotência evanescente

27/5/2010, Dilip Hiro*, Tom Dispatch

Façam a política que fizerem, todos os políticos dos quais mais se deva desconfiar do que confiar apresentam, todos, um traço comum: todos são indiferentes ao dano que causam, em muitos casos, ao mundo. George W. Bush é bom exemplo; Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico, outro exemplo. No que tenha a ver com política externa, vemos acontecer a mesma coisa hoje, na Casa Branca de Obama.

O padrão-Obama de governar é claro: escolha alguém, no ‘mundo exterior’, e pressione. Ameace. Diga que você fará e acontecerá se ele não se curvar aos desejos de Washington. Quando ‘o inimigo’ não se render e, pior, se responder e falar grosso, retroceda correndo, trate de supercompensar o fracasso com vitórias em alguma outra área e entre em modo ‘reparar danos’.

Em seu pouco mais de um ano de governo, Barack Obama já deu vários exemplos de como governar à sua moda. O presidente dos EUA absolutamente é incapaz de avaliar o peso das cartas de um ou outro dos adversários que escolha atormentar, nem sabe avaliar a determinação de jogar aplicadamente com as cartas que cada um tenha.

Obama tende à retirada, ao primeiro sinal de resistência; o que mostra que não é homem nem de coragem nem de convicções, dois ingredientes cuja presença ou ausência definem os políticos profissionais e os estadistas. Insistindo numa política externa sem rumo, rateando sempre que tem de enfrentar desejos diferentes dos seus, Obama, sem querer, ajuda a dar razão aos que dizem que os EUA já não são nem superpotência nem poder emergente: são poder evanescente – e que a evanescência da ex-única-superpotência é irreversível.

Como deram um Prêmio Nobel da Paz a Obama?  E porquê?  Sim, a pergunta é retórica.  Mas já vemos, com orgulho, o que distingue nosso presidente, um verdadeiro estadista, do deles: coragem e convicção.

Prossigamos.

Dentre os que se recusaram a ceder ante a tática linha-dura das ameaças iniciais de Obama (e ante o impacto do poder dos EUA) estão hoje, não só os presidentes de China (megapotência, das grandes) e do Brasil, potência mediana, mas também os líderes israelenses, poder apenas local e visceralmente dependente de Washington para a própria sobrevivência, e até o Afeganistão, estado-cliente. Até aí, ainda sem mencionar a junta militar de Honduras, entidade desimportante, mas que enfrentou as ordens de Obama como se fosse o Politburo da ex-URSS.

Em Honduras, Obama rateou

Quando derrubaram o governo civil e eleito do presidente Manuel Zelaya em junho de 2009, os generais hondurenhos passaram a fazer jus à vergonhosa distinção de serem os primeiros autores de golpe na América Central, da era pós-Guerra Fria. Por que o golpe? O fator decisivo foi o presidente Zelaya ter optado por um Referendum (só consultivo, que nada decidiria), para que a população se manifestasse sobre alterações a serem introduzidas na Constituição. As alterações, se houvesse, seriam feitas pelo Parlamento, votadas, aprovadas ou rejeitadas.

Ao denunciar o golpe como “terrível precedente” na região, e exigir a volta ao Estado de Direito em Honduras, o presidente Obama começou por dizer e repetir que “não queremos voltar àqueles dias negros do passado. Somos e estamos do lado da democracia.”

Para dar peso às palavras, Obama precisaria ter retirado seu embaixador de Tegucigalpa (como fizeram Bolívia, Brasil, Cuba, Equador, Nicarágua e Venezuela) e suspenso imediatamente a ajuda dos EUA, da qual Honduras depende. Nada disso. Em vez dessas atitudes, o que se viu foi a secretária de Estado Hillary Clinton, que declarou que o governo Obama não classificaria formalmente o golpe como golpe… “por hora” – e mesmo depois de a ONU, a OEA e a União Europeia já o terem feito.

Já aqui aparecia o que pode ser o maior problema de Obama: Hillary.  Ela parece destoar dele.  Seria proposital?  Obama é Paz, e Hillary a Guerra (leia-se: Cia, Departamento de Estado, FED, lobby armamentista)?  Seriam a dupla “policial bom e policial mau”?

Tá parecendo mais “Policial fraco e policial louco”!

Afinal, Hillary sabe que não governa?  Ou Hillary é que governa, e Obama não sabe disso?

Dado que os EUA recuaram, os generais golpistas encheram-se de coragem. Com eles, encorajaram-se também os seus apoiadores no Congresso. O governo imposto de Roberto Micheletti, testa-de-ferro dos militares golpistas contratou uma renomada empresa de “Relações Públicas” em Washington, e puseram-se a trabalhar.

Bastou isso, para enfraquecer toda a “decisão” democrática do presidente dos EUA, homem de belos discursos, mas sem qualquer convicção política no que tenha a ver com política exterior. Foi quando a secretária de Estado Clinton pos-se a tagarelar sobre reconciliar o presidente deposto e o governo golpista de Micheletti, tratando-os ambos os grupos, um governo legítimo e um governo ilegítimo, como se fossem irmãos gêmeos.

Os generais hondurenhos logo viram que a tática de fingir que Washington não pia estava dando bons resultados; e empinaram o peito. Só quando Clinton disse e repetiu que o Departamento de Estado não reconheceria o resultado da eleição presidencial de novembro, porque haveria dúvidas quanto à transparência e lisura das eleições, os generais aceitaram conversar, um mês antes das eleições. Concordariam com a volta de Zelaya ao palácio, para levar o mandato até o término.

Foi quando o senador Republicano linha-dura de direita Jim DeMint, fanático apoiador dos generais hondurenhos, entrou em ação. O governo Obama só receberia aprovação para seus indicados para postos-chave na América Latina, se a secretária Clinton reconhecesse o resultado das eleições, e pouco importava o que fosse feito de Zelaya. Clinton capitulou.

Como resultado, Obama passou a ser o segundo presidente – o outro foi o presidente do Panamá – dos 34 países-membros da OEA, a apoiar a nova “eleição” presidencial em Honduras. O que talvez pareça negociação rotineira na política doméstica do Capitólio foi vista na comunidade internacional que interessa como humilhante retirada do governo Obama, ao ser desafiado por um punhado de generais hondurenhos. Vários políticos e grupos políticos, é claro, tomaram nota.

E a Veja (Grupo Abril) exultou!!  Semanas antes, havia exibido uma aviltante capa com um pinto armado com flechas e outros adereços, numa paródia da águia americana, como se a opinião própria do país fosse tomada como “imperialismo canhestro”.  “Viu? Acertamos”, devem ter pensado os redatores.

Pena.  Análise equivocada, atrapalhada pelo preconceito, por uma visão de curto prazo e por um comportamento colonizado.  Atrapalhada, também – claro – pela necessidade de, apenas, obedecer a ordem dos patrões.  Quem deve ter ficado satisfeito foi o Departamento de Estado Norte Americano.

Mas por pouco tempo.

Retirada ainda mais dramática, seria imposta a Obama, quando trançou chifres com o primeiro ministro de Israel Benjamin Netanyahu.

Trançou Chifres?? (risos)

O esperto Netanyahu levou a melhor

Ao assumir Obama, a Casa Branca anunciou com muita fanfarra que começaria imediatamente a cuidar da difícil questão Israel-palestinos. Examinando então o ‘Mapa do Caminho’ de 2003, de uma paz apoiada pela ONU, por EUA, Rússia e União Europeia, descobriram que Israel, um dia, prometera cessar completamente a construção nas colônias exclusivas para judeus, eufemisticamente chamadas pela Casa Branca e sua mídia, de “assentamentos”.

Na primeira reunião com Netanyahu em meados de maio de 2009, Obama exigiu a suspensão imediata de qualquer construção nas colônias na Cisjordânia e na parte ocupada de Jerusalém Leste, onde já vivem cerca de meio milhão de judeus. Disse que ali estaria o principal obstáculo ao estabelecimento de um Estado palestino independente. Netanyahu rugiu – e jogou a carta iraniana: que o programa nuclear iraniano seria ameaça existencial a Israel.

Obama caiu como patinho na armadilha de Netanhyahu. Em conferência conjunta de imprensa, Obama aproximou as duas questões: as conversações de paz entre israelenses e palestinos e a ameaça que o Irã representaria para a sobrevivência de Israel. Em seguida, para deleite de Netanyahu, Obama deu prazo – “até o final do ano” – a Teerã, para responder aos seus acenos diplomáticos. Assim, o astuto primeiro-ministro de Israel levou o presidente dos EUA a apertar o nó que, dali em diante, manteria atadas uma à outra as duas questões, as quais antes, sempre existiram desconectadas uma da outra. E Netanhyahu sequer precisou oferecer alguma coisa em troca do serviço que Obama prestou-lhe.

Depois, Netanyahu introduziria nova diferença entre a expansão das colônias exclusivas para judeus já existentes e a construção de novas colônias; e a nada se comprometeu, em relação às já existentes. Ainda mais, separou completamente a Cisjordânia e Jerusalém Leste, a qual, como jamais parou de repetir, seria parte integral e inseparável e “capital eterna de Israel” e, portanto, não sujeita a qualquer restrição que se definisse sobre construção nas novas (e também nas velhas) colônias exclusivas para judeus.

No mesmo estilo cenográfico de todo o governo Obama, Clinton respondeu com o que parecia ser firmeza: “Não haverá exceções no congelamento dos assentamentos”. Logo depois, se viu que não passavam de palavras ocas, que nada mudaram na questão real.

Quando Netanyahu rejeitou publicamente as exigências de Obama, de que pusesse fim a construções nas colônias na Cisjordânia, Obama subiu o cacife: sugeriu que a intransigência dos israelenses aumentaria os riscos para a segurança dos EUA.

Igualzinho fez Hillary há poucos dias: amplificada por nossa mídia colonizada, afirmou que o movimento diplomático brasileiro traria mais insegurança que tranquilidade ao mundo.

Bom, ao mundo deles!  Que precisam viver cavando guerras e crises, para dar de comer ao FED e à Corporatocracia Americana!  São como a Regina Duarte: vivem tomados de medo.

Medo da paz.

O espírito de Kennedy – e seu último discurso – ronda.

Dia 15/10, depois de muito vai-e-vem de coxias entre os dois governos, Netanyahu anunciou que dera por encerrada a discussão com Washington sobre “os assentamentos”. Em seguida, em reunião posterior com Clinton, disse que reduziria algumas construções em algumas colônias. A jogada valeu-lhe agradecimentos efusivos da secretária Clinton, que apresentou o gesto como “concessão sem precedentes”, sinal evidente de que, sim, sim, seria possível retomar sem condições as conversações de paz entre palestinos e israelenses.

Os palestinos enfureceram-se com os EUA virarem-lhe tão acintosamente as costas. “Supus que os EUA fossem contrários à expansão das colônias ilegais”, disse um furioso porta-voz do governo palestino, Ghassan Khatib. “Precisamos de negociações para acabar com a ocupação, não de novas colônias para aprofundar a ocupação.”

Em dezembro, Netanyahu aceitou uma moratória de dez meses na construção nas colônias, mas só depois de o Estado ter autorizado a construção de mais 3.000 apartamentos na Cisjordânia ocupada. Firmes na posição assumida, os palestinos rejeitaram qualquer simulacro de conversações de paz, até que a construção de novos prédios nas colônias exclusivas para judeus venha a ser realmente paralisada.

Dia 9/3/2010, exatamente quando o vice-presidente Joe Biden chegava a Jerusalém, como parte da campanha de Washington para iniciar o “processo de paz”, as autoridades do governo de Israel divulgaram a aprovação para que se construam mais 1.600 novas casas exclusivas para judeus em Jerusalém Leste. Movimento violento e arrogante, aprofundou o desafio à autoridade de Obama e enfureceu Biden (além de Obama).

Com sua proposta de reforma da Saúde em disputa por aprovação na Câmara de Deputados, dia 24 de março, quando recebeu Netanyahu em Washington, Obama estava numa roda viva. Ao que se sabe, apresentou três condições para dar por encerrada a crise com Biden: estender o congelamento de novas construções nas colônias, para até depois de setembro de 2010; fim de qualquer novo projeto de construção em colônias em Jerusalém Leste; e retirada dos soldados de Israel para trás das linhas existentes antes da Segunda Intifada. E Obama deixou Netanyahu em reunião com assessores na Casa Branca, para só voltarem a reunir-se quando “houver alguma novidade”. Mais uma vez, como no caso dos golpistas de Honduras, a fala de Obama não passou disso: fala.

O objetivo de toda essa atividade foi conseguir que os palestinos voltassem à mesa das conversações de paz com Israel, conversações muito justificadamente suspensas pelos palestinos quando Israel atacou a Faixa de Gaza em dezembro de 2008. Netanyahu aceitaria novas conversações, desde que “sem qualquer precondição” imposta pelos palestinos.

Ao final, Netanyahu obteve praticamente tudo que queria: nem teve de aceitar precondições do governo Obama, nem teve de aceitar precondições dos palestinos. Em resumo, Obama curvou-se aos desejos de Netanyahu. O cachorro sacudiu o rabo.

Os infelizes representantes da Autoridade Palestina entenderam a mensagem. Depois de alguns protestos apenas rituais, aceitaram participar de “conversações indiretas” com o governo Netanyahu, com George Mitchell, enviado de Washington ao Oriente Médio, levando as conversas de um lado ao outro. ‘Isso’, chamado “conversações indiretas”, começou dia 9/5/2010. Ao longo dos próximos quatro meses, a dura missão de Mitchell será tentar diminuir as diferenças (cada dia maiores) entre o que Israel e os palestinos entendem por “Estado palestino” – sendo que, agora, os dois lados sabem que o governo Obama meterá o rabo entre as pernas e não pressionará Israel, aconteça o que acontecer.

Bom, está claro que só a Veja, Reinaldo Azevedo e os demais jornalistas colonizados do PIG acreditam (acreditam?  ou querem nos fazer acreditar?) que Obama e o Império Americano são mais eficazes e, de fato, um poder a ser considerado, em relação ao Brasil de Lula.

Ledo engano.

(Aliás, chamam nosso governo de irresponsável por adotar tais políticas, acusando-o de ignorar que são nossos maiores parceiros comerciais!  Eram, parceiro!!  Agora é a China!!

Ela mesma, a das camisinhas de José Serra!!)

Escaramuças com a China e, de repente, aquecimento

Os problemas de Obama com a República Popular da China começaram em novembro de 2009 quando, para grande desapontamento de Obama, o governo chinês não lhe deu tratamento de Alteza Real em sua primeira visita à China.

As relações Washington-Pequim esfriaram ainda mais quando o governo Obama autorizou venda no valor de 6,4 bilhões de dólares de armamento avançado a Taiwan, inclusive mísseis antimísseis, e Obama recebeu o Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, na Casa Branca (embora num salão secundário). A República Popular da China considera Taiwan província separatista e o Tibete como parte da República chinesa, o que faz do Dalai Lama chefe de grupo separatista, aos olhos de Pequim.

Altos funcionários dos EUA qualificaram seus movimentos como “um troco” que Obama estaria dando à China, a qual estaria apostando mais alto do que podia. Com esses movimentos, prosseguiu, incansável, a pressão para que Pequim valorizasse sua moeda, o yuan. O governo de Obama serviu-se de uma lei que exige que o Departamento do Tesouro notifique, duas vezes ao ano, casos de país que manipule a taxa de câmbio entre sua moeda e o dólar americano em busca de ganhos extra no comércio internacional. A data para o próximo relatório desse tipo – antessala para possíveis sanções –, 15 de abril, foi repetida ad nauseam por funcionários do Tesouro e do governo dos EUA.

Em meados de abril, Obama estava preparando um encontro sobre segurança nuclear internacional em Washington. Queria reunir o maior número possível de presidentes. No mínimo, queria reunir os líderes dos quatro países nucleares com poder de veto no Conselho de Segurança – Grã-Bretanha, França, Rússia e China.

Era o que esperava o presidente chinês Hu Jintao, sobre cuja cabeça pendia a espada obamiana, que ameaçava denunciar a China pelo crime de manipular a moeda contra o dólar. Hu declarou que não compareceria à reunião ‘nuclear’ de Obama. Obama piscou. Adiou a data para divulgação do parecer do Departamento do Tesouro, sine die. Em troca, Hu viajou a Washington e encontrou-se com Obama no Salão Oval, na Casa Branca.

Pequim – o coletivo de dirigentes muito realistas e muito experientes – não foi surpreendida por tensões montantes entre China e EUA. A atitude deles apareceu manifesta em editorial do China Daily, pouco depois da posse de Obama. “Os líderes dos EUA jamais se mostraram contidos, ao falar das suas ambições nacionais”, lia-se lá. “Para eles, está-lhes garantida a glória por direito divino, independente do que pensem os demais países.” E o editorial previa que “Obama, que defenderá os interesses dos EUA, acabará inevitavelmente em confronto com os interesses dos demais países.” Exatamente o que se vê acontecer hoje, repetidas vezes.

Esse realismo contrasta vivamente com o estado de espírito da Casa Branca, onde se crê, simploriamente, que alguns poucos discursos enunciados em capitais por todo o mundo, por um eloquente novo presidente, bastariam para restaurar o prestígio dos EUA que as políticas de George W. Bush deixou em ruínas. O que o presidente e sua entourage parecem não ver, contudo, apareceu em pesquisa do importante Pew Research Center. Mostrava-se ali que, depois da campanha pública da diplomacia de Obama, enquanto a imagem dos EUA realmente melhorara consideravelmente na Europa, México e Brasil, a melhora foi menos significativa na Índia e na China; foi apenas marginal no Oriente Médio árabe; e igual a zero na Rússia, Paquistão e Turquia .

Paralisado num modo autocongratulatório, a equipe de Obama não deu atenção à ampla gama de opções de jogo que ainda há em mãos de outras potências, para retaliar contra a pressão dos EUA. Por exemplo, não previram que Pequim ameaça impor sanções contra grandes empresas norte-americanas fornecedoras de armas a Taiwan; tampouco previram a dura resistência da República Popular da China, que não considerou, até agora, sequer a possibilidade de desvalorizar o yuan.

Curioso: os EUA parecem a nossa direita, não?  Ou a nossa Grande (grande?) Imprensa.  Ou será o contrário?  De qualquer forma, não importa: ambos imaginam que o que eles desejam, necessariamente existe.  Fora dessa tese insana, o que existe, de fato (ou seja, o mundo real), não necessariamente existe, porque eles não o desejam!  Parecem aquele garoto frustrado, dono da bola no campinho, gritando contra os demais que abandoraram o jogo, por sua causa.

O garotos estão indo para casa, o campo está vazio, chove, o garoto berra sozinho de olhos fechados.  Tem medo de abrir os olhos.  Tem medo de descobrir a verdade.

A de que não é mais respeitado ou temido.  Nem manda mais no jogo de futebol.  Ele só tem a bola – não o talento.

Aliás, ele suspeita que os amigos (amigos?) organizam seu jogo de futebol, com ou sem ele.  Inclusive já descobriram que é até mais divertido, sem ele.

Há quem atribua o comportamento dos chineses a um crescente nacionalismo e ao medo, nos líderes, de que, se cederem a pressão de “estrangeiros”, abalarão a própria imagem “interna”. Mas a verdadeira razão pela qual os chineses resistem tem mais a ver com as durezas da economia, do que com qualquer preocupação com emoções populares. Nos dias iniciais da Grande Recessão de 2008-09, simbolizada pelo colapso do gigantesco banco de investimentos Lehman Brothers, a China logo farejou movimentos tectônicos em andamento no próprio equilíbrio do poder econômico internacional – com desgaste importante à, até então, “única superpotência”.

Enquanto se contraíam as economias de EUA e Europa, Pequim rapidamente adotou políticas que visavam a estimular a demanda interna e os investimentos em infraestrutura. Daí nasceu crescimento impressionante: 9% no PIB em 2009, com 12% já previstos para 2010. Com isso, até os analistas do Goldman Sachs já preveem que a China será a primeira potência econômica mundial, já a partir de 2050.

Pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, não são os EUA que arrancam o resto do mundo das garras do crescimento negativo: é a China. Os EUA emergiram da carnificina financeira como a nação mais endividada do planeta, sendo a China o principal credor, com impressionantes – e sem precedentes – reservas de $2,4 trilhões em moeda estrangeira.

Suas ricas corporações endinheiradas estão comprando empresas e recursos naturais futuros da Austrália ao Peru, do Canadá ao Afeganistão onde, ano passado, o Congjiang Copper (cobre) Group, corporação chinesa, ofereceu $3,4 bilhões – um bilhão de dólares a mais que a mais alta proposta das metalúrgicas ocidentais – para assegurar-se o direito de minerar cobre de um dos mais ricos depósitos do planeta.

Karzai, o Perigo, torna-se Karzai, o Indispensável

Ao assumir a presidência, Obama não fez segredo do desagrado que lhe inspirava o presidente afegão, Hamid Karzai. Para dispensar-se de enfrentar a viciosa corrupção que contamina todo o governo afegão, altos funcionários e militares dos EUA inventaram a ideia de negociar diretamente com os governadores das províncias e distritos afegãos. Na eleição presidencial de agosto de 2009, escolheram apoiar Abdullah Abdullah, principal e importante adversário de Karzai, como todos sabiam.

Quando Karzai manipulou pesadamente as eleições para garantir a reeleição, e fez-se de surdo aos clamores de Washington para que ‘limpasse’ o governo, Obama decidiu servir-se do porrete para disciplinar mais esse regime-cliente. Em gesto dramático, embarcou para viagem de 26 horas – de Washington a Cabul –, no último fim-de-semana de março, para dar lições pessoais a Karzai sobre sua (de Karzai) incompetência para governar e combater a corrupção. Karzai, sem alternativas, deixou que Obama falasse e nada disse.

Quando, porém, Karzai soube, pelos jornais, que um militar norte-americano não identificado havia sugerido que seu meio irmão mais jovem, Ahmed Wali, principal representante do governo Karzai na província de Candahar, no sul, deveria ter seu nome incluído na lista do Pentágono de barões da droga a serem assassinados ou presos, a paciência de Karzai esgotou-se, de vez.

O presidente afegão indignado respondeu com declarações de que os EUA obravam deliberadamente para intensificar e aprofundar a guerra no Afeganistão, para conseguir permanecer na região; não para pacificá-la, mas para controlá-la. Disse também que, se Washington insistisse nessa tática suja, aliar-se-ia aos Talibã. (Karzai, de fato, foi importante arrecadador de fundos para financiar os Talibã, depois que capturaram Cabul, em setembro de 1996.)

Obama reagiu como sempre, em iguais circunstâncias: se desafiado, retrocede. De porreteador maluco, transformou-se instantaneamente em distribuidor de cenouras durante a visita de Karzai a Washington no início de maio (a qual, em março, a equipe de Obama ameaçava adiar indefinidamente).

O ponto alto do movimento de bajular Karzai – digno de ser incluído em versão contemporânea de Alice no País das Maravilhas – foi um jantar oferecido a ele pelo vice-presidente Joe Biden, em sua mansão.  Karzai, além de sentir-se vingado, deve ter rido muito. Em fevereiro, Biden protagonizara movimento de ofensa operística, ao levantar-se e sair de jantar com Karzai no palácio presidencial, depois de Karzai ter desmentido que seu governo fosse corrupto e dito que, mesmo que houvesse corrupção, o grande corruptor jamais foram nem ele nem sua família.

Apesar do tratamento “tapete vermelho”, e das táticas de “ofensiva de charme” e “poder soft”, Karzai foi cristalmente objetivo e claro na entrevista coletiva; ao lado de Obama, declarou que “o Irã é nação amiga do Afeganistão, nossa nação-irmã”.

Sentimentos semelhantes foram pouco depois expressos também por outro presidente – no Brasil.

O presidente Lula do Brasil e Obama

Desde que assumiu a presidência no Brasil, em 2003, Luiz Inacio Lula da Silva, sempre que necessário, trilhou caminho diferente do prescrito por Washington. Na Rodada de Doha, a questão foi o comércio mundial. E o mesmo se tem visto nas questões de aquecimento global e das sanções contra Cuba.

Em dezembro de 2008, o presidente do Brasil presidiu reunião de 31 países latino-americanos e do Caribe, excluídos os EUA, num centro turístico em território brasileiro, Sauípe. Mês seguinte, em vez de ir ao Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, da Silva compareceu ao 8º Fórum Social Mundial em Belém, cidade à beira do rio Amazonas.

Criticou o modo como Obama desconsiderara a via democrática em Honduras e, apesar do desagrado manifesto do governo Obama e da oposição no Brasil, convidou o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad a visitar Brasília em novembro de 2009 para conversações sobre o programa nuclear iraniano – primeiro movimento importante da diplomacia brasileira sob seu governo. (Uma semana adiante, da Silva recebera calorosamente o presidente Shimon Peres de Israel, em Brasília.) Seis semanas depois, da Silva estava em Teerã – e fez história, para desconsolo patético de Washington.

Bom, para desconsolo patético, também, de nossa Grande (grande?) Imprensa (precisamos dela?).  A Oposição, bom, essa nem se opõe mais.  Agora quem faz o trabalho é o PIG, que a considera incompetente.  A Veja e seu pitbull continuarão vociferando, até que o que desejam e acreditam, se torne realidade.

Ou seja: pra sempre (visto que o que desejam não se tornará realidade…).

Atuando em conjunto com o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan, da Silva reviveu uma proposta de acordo nuclear de outubro de 2009 e, contra todas as expectativas, conseguiu definir um acordo nuclear com Ahmadinejad.

Surpreendido, de fato aturdido, com o sucesso de Brasil e Turquia, e com a pouca importância que haviam dado à ‘desaprovação’ de Washington, o governo Obama desconsiderou toda a própria política até ali e passou a exigir que o Irã cancelasse seu programa de enriquecimento de combustível nuclear. E pôs-se freneticamente a tentar impor ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução para mais sanções contra o Irã, como se o acordo costurado por Brasil e Turquia não existisse.

A dificuldade para ver a realidade é miopia, para dizer o mínimo. A incapacidade para avaliar, do presidente dos EUA e de sua secretária de Estado, ignora todos os movimentos relevantes que agitam o mundo (real), hoje. A influência das potências ‘medianas’ no cenário mundial está aumentando. Todos os governos, no mundo, sentem – com razão – que não precisam render-se ‘preventivamente’ às exigências de Washington. Nada mais estimulante, hoje, do que esse movimento.

O trecho grifado aplica-se às nossas (nossas?) preconceituosas direita, imprensa (PIG) e, também, a uma parcela da oposição.  Já o dissemos antes – e não estamos sozinhos: negam a realidade, e negar a realidade não a modifica.

Eles continuam com medo de abrir os olhos, e descobrir que estão sozinhos no campo de futebol.

Esse é o caminho pelo qual essas potências ‘medianas’ (ditas “emergentes”, mas, de fato, já plenamente “emergidas”), começam a conseguir reunir-se e atuar nas questões internacionais, tomando iniciativas diplomáticas com boa chance de serem bem-sucedidas.

Hoje, em todo o mundo, do Afeganistão a Honduras, do Brasil à China, líderes globais, dos maiores aos menores, pressentem que o governo Obama mais late que morde. É evidência de que, por mais que os EUA ainda sejam potência mundial, já não são nem a única nem a determinante. Esse desgraçado “século dos EUA” está irreversivelmente a caminho do fim.

(*)  Dilip Hiro é dramaturgo, escritor político, jornalista, historiador e analista especializado em Índia e em vários países islâmicos, que vão desde o Iraque e Líbano até repúblicas da Ásia Central.  Hindu, nascido em Larkana, na Índia britânica, Hiro é possui mestrado diplomado pela Universidade do Instituto Politécnico da Virginia (USA).  Atualmente vive em Londres, onde se estabeleceu em meados da década de 60.

Escritor, é autor de 30 títulos, e é conhecido por sua oposição à ocupação anglo-americana do Iraque.  Como jornalista, ele contribui para o The Observer, The New York Times, The Guardian, The Washington Post e é um comentarista da BBC, Sky News, CNN, e várias estações de rádio.

Porque a datafolha pisou na bola

Do Blog do Nassif – Por Benedito Júnior

“Está errado o diretor do Datafolha. Uma amostra viesada será sempre uma amostra viesada, independente da ponderação posterior. Ao ampliar a base da amostra em São Paulo em relação aos demais Estados, o instituto criou viés. A única possibilidade de evitar distorção nesse caso é assegurar-se de que os municípios selecionados são representativos da opinião do eleitorado nacional – coisa que obviamente instituto nenhum pode fazer.

Existem soluções pontuais, como por exemplo a sugerida aqui de tomar apenas aquelas cidades cuja votação dos candidatos em 2006 foi semelhante àquela apurada em todo o país. Ainda assim, nada asseguraria que os eleitores selecionados atenderiam à esse critério de “equidade”.

Existe uma razão pela qual os institutos de pesquisa buscam ouvir uma quantidade de eleitores proporcional ao eleitorado de cada região e é justamente a tentativa de reduzir o viés equalizando as margens de erro para cada Estado. O instituto não pode assegurar que os eleitores ouvidos sejam representativos da opinião nacional, mas ao menos ele ainda poderá alegar que buscou construir uma amostra mais homogênea possível e isso é o que importa no final. Muito mais importante que a veracidade dos resultados de uma pesquisa de opinião é a sinceridade metodológica da mesma. Pois para a primeira condição existe a margem de erro a ser ponderada, enquanto para a segunda não há nenhuma desculpa aceitável.

A amostra do Datafolha não é homogênea, e isso prejudica sua análise, não importa a desculpa arranjada pelo instituto para isso. Ao alterar sua metodologia de coleta de dados, a análise tornou imprestável a comparação de resultados com pesquisas anteriores do próprio Datafolha pois introduziu divergências entre as margens de erro das populações dos Estados pesquisados. Essa discrepância não é trivial nem pode ser sanada satisfatoriamente com ponderação posterior. Não é “marreteando” os dados após coletá-los de forma errada que o Datafolha alcançará um resultado crível em sua pesquisa.

Se o Datafolha houvesse se limitado a informar a intenção de voto em cada Estado separadamente, não haveria problema algum com a alteração da base amostral. Mas ao introduzir conscientemente a comparação com uma pesquisa anterior de metodologia distinta, o instituto pisou na bola. E as justificativas apresentadas por seu diretor seriam até risíveis, não se tratasse, infelizmente para a democracia, do caso de um instituto de pesquisa enfrentando uma grave crise de credibilidade perante a sociedade brasileira.”

O texto acima refere-se à pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 17, que mostra o pré-candidato do PSDB à presidência, José Serra, com 38% das intenções de voto, e a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, com 28%.  Menos de 48 horas depois, a blogosfera derruba por terra a confiabilidade dos seus resultados, lançando dúvidas sobre os métodos do instituto.

Houve tempo em que não era assim.  As pesquisas eleitorais conseguiam exercer grande influência sobre o eleitorado.   Atualmente, os grupos que pretendem manipular a opinião pública por meio de pesquisas eleitorais  vêm tendo sérias dificuldades.

O que mudou?

Pensamos, primeiramente, que aumentou o que poderíamos denominar de porosidade da comunicação.  A internet democratizou o acesso à informação, e potencializa a velocidade com que ela circula.  Tais são as barreiras que dificultam o processo de manipulação da população.  Qualquer passo mal calculado pode ser perigoso.  Qualquer tentativa insidiosa ou manipuladora está sujeita a ser devassada, dissecada,  desmontada e ridicularizada – em pouquíssimo tempo, diga-se de passagem.

Porque esse fenômeno?

Porque a internet apresenta um novo paradigma: ela não se apresenta, não se impõe.  Ela é um meio, não um fim.  E é fácil perceber isso.  Quantas vezes você, leitor, logo após conectar – ou, mesmo depois -, ficou parado em frente ao teclado, olhando para a tela, arrastando o mouse de um lado para outro, tentando decidir o que iria fazer primeiro, onde iria?  E sua autocrítica lhe faz questionar: seria, de sua parte, falta de foco?

Não.  É que a internet é algo completamente diferente do que estamos acostumados, em termos de ferramenta para comunicação.   Repetimos: ela não se impõe.  Não é como a TV, que tenta, o tempo inteiro, controlar quem segura o controle remoto.  Para expressar bem essa sensação, usando uma figura de linguagem, daremos, de bandeja, uma dica interessante para os fabricantes de televisões e computadores:  se estes aparelhos falassem, o que diriam ao ser ligados?

A TV diria: “Boa noite.  Não mude de canal. Siga minhas instruções. Lhe direi o que deve fazer!”

O computador diria: “Boa noite. O que você quer fazer? Onde quer ir?  Fique à vontade, não tenha pressa!  Quando decidir, é só digitar o endereço.”

Consequentemente, essa tecnologia mudou nosso comportamento.  Com o acesso à informação amplamente facilitado, não existindo nenhum filtro que possa ser imposto de forma incontornável, destinado a manter o status quo – como acontece na televisão -, aumentou nossa responsabilidade sobre a qualidade da informação que desejamos – ou não – apreender.  Foi isso o que dissemos aqui.  Primeiro, demora-se um tempo para se acostumar com tanta liberdade.  Em um segundo momento, descobre-se que liberdade traz a responsabilidade de, nós mesmos, filtrarmos o conteúdo.  Dessa forma, hoje, o filtro é seu, nosso – cada qual precisa regular o firewall de sua mente.

Há mais um aspecto a ser considerado: a população está mais, muito mais escolada, e está anestesiada pela euforia de um novo Brasil, que queria, há muito, conhecer – e que nunca chegava: vivia eternamente no futuro.  Mais respeitado, por si mesmo e pelos outros, aqui dentro, e lá fora; mais orgulhoso, com oportunidade para todos e sem deixar ninguém para trás.

Esse Brasil está aí.  Ele é real, e ele foi construído por nós, com o nosso voto.  É isso o que o brasileiro sempre buscava: que seu voto lhe fizesse justiça.  E justiça foi feita.  Essa é a democracia representativa, plural.

Muitos, só agora, dizem: o Brasil pode mais.

Errado.

O Brasil pôde mais!

A questão crucial é que o povo sabe disso.  Sabe qual lado desagradou com sua preferência.  E sabe quando é esse lado que se manifesta, mesmo que seja de forma sutil, subliminar, tentando inutilmente minar sua confiança e demonstrar que não valeu a pena.

Valeu a pena, sim! E na hora “H”, o povo saberá distinguir entre quem nunca teve a chance, mas lhe fez feliz, de quem teve tantas chances, mas nada fez.

Afinal, conhecem-se as árvores pelos seus frutos.

(Pelo menos, as árvores que dão frutos…)

E-mail’s com mensagens, correntes, spam e campanhas difamatórias (sejam bem-humoradas, mentirosas, manipulativas, apenas insidiosas ou torpes) são cíclicos.  Em novembro de 2009 circulou um e-mail intitulado “Absurdo”, com o teor abaixo.  Duvidamos que ele não volte a circular – se é que parou.   Então, na próxima vez que retornar, não apenas nós teremos uma resposta na ponta da língua, evitando estragos maiores; mas nossos amigos estarão, também, devidamente municiados e protegidos contra a verborragia manipulatória que tenta  subestimar nossa inteligência.

O objetivo confesso do e-mail, é o de chocar o leitor com uma afirmação que, a princípio, poderia ser comprovada: Dilma Roussef, como conselheira da Petrobrás, juntamente com outros, tiraria nada menos que R$ 114.813,88, mensalmente, dos cofres da empresa, a título de integrante de seu conselho de administração.

Todavia, quem criou o insidioso e-mail subestimou nossa inteligência, e superestimou a própria.  A tese não resistiu nada, logo ruindo diante de um exame mais apurado e detalhado.  Este post descreve essa “desmontagem”.

Para desmontar um e-mail ou artigo manipulador, a arma é a pesquisa e informação.  Aqui reproduzimos a nossa pesquisa, dividindo o resultado com todos.  Que cada um confirme as informações aqui constantes, se desejar, use de criticidade e bom senso, abraçando sua conclusão.  Já tiramos as nossas.

Nosso papel é o de ajudar a informação a circular, e auxiliar o desenvolvimento, em todos, do indispensável senso crítico.

Vamos ao e-mail.  Os grifos, em negrito, são do original:

Primeira parte: o E-mail

“Eu não acreditei mas ….
LEIA A ATA DA ASSEMBLÉIA NO FINAL
===============
PESSOAL recebi um e-mail (transcrito abaixo) e achei que fosse montagem. Estava respondendo a meu colega que havia mandado, que não deveria remeter sem antes averiguar a veracidade. Resolvi entrar no site da PETROBRÁS, pois o link que veio no e-mail baixava um arquivo direto. Para minha SURPRESA a informação é VERDADEIRA.
Acesse o link da PETROBRÁS  http://www.petrobras.com.br/pt/

Clica no item INVESTIDORES

Vai abrir uma nova página (a mesma clicando no link ao lado http://www.petrobras.com.br/pt/investidores/)

Clica em Informações aos Acionistas + Assembléias Gerais

Vai abrir outra página com as ASSEMBLÉIAS GERAIS.

ATA DA ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRAS, REALIZADA EM 8 DE ABRIL DE 2009

(Lavrada sob a forma de sumário, conforme facultado pelo parágrafo primeiro do artigo 130 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976).

DIA, HORA E LOCAL: Assembleia realizada às 15 horas do dia 8 de abril de 2009, na sede social, na cidade do Rio de Janeiro, RJ, na Avenida República do Chile, no 65.

Item IV: Foram reeleitos como membros do Conselho de Administração da Companhia , na forma do voto da União, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, a Senhora Dilma Rousseff ,brasileira, natural da cidade de Belo Horizonte (MG), divorciada, economista, com domicílio na Casa Civil da Presidência da República – Praça dos Três Poderes – Palácio do Planalto – 4º andar – salas 57 e 58, Brasília (DF), CEP: 70150-900, portadora da carteira de identidade nº 9017158222, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul – SSP/RS, e do CIC/CPF nº 133267246-91 e os Senhores Guido Mantega, brasileiro, natural de Gênova, Itália, casado, economista, com domicílio no Ministério da Fazenda – Esplanada dos Ministérios – Bloco P – 5º andar – Brasília (DF), CEP: 70048-900, portador da carteira de identidade nº 4135647-0, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo – SSP/SP, e do CIC/CPF nº 676840768-68;Silas Rondeau Cavalcante Silva, brasileiro, natural da cidade de Barra da Corda (MA), casado , engenheiro, com domicílio na S..A.U.S. – quadra 3 – lote 2 – Bloco C  – Ed. Business Point – salas 308/309, Brasília (DF), CEP: 70070-934, portador da carteira de identidade nº 2040478, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Pernambuco – SSP/PE, e do CIC/CPF nº 044.004.963-68; José Sergio Gabrielli de Azevedo, brasileiro, natural da cidade de Salvador (BA), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chile, 65, 23º andar – Rio de Janeiro (RJ), CEP: 20031-912, portador da carteira de identidade nº 00693342-42, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia – SSP/BA, e do CIC/CPF nº  042750395-72  042750395-72 ; Francisco Roberto de Albuquerque , brasileiro, natural da cidade de São Paulo, casado, General de Exército Reformado, com domicílio na Alameda Carolina nº 594, Itu (SP), CEP: 13306-410, portador da carteira de identidade nº 022954940-7, expedida pelo Ministério do Exército e do CIC/CPF nº 351786808-63; e Luciano Galvão Coutinho , brasileiro, natural da cidade de Recife (PE), divorciado, economista, com domicílio na Av. República do Chil e nº 100, 19º andar, Rio de Janeiro (RJ), CEP 20031-917, portador da carteira de identidade nº 8925795, expedida pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo – SSP/SP, e do CIC/CPF nº 636831808-20.

Item VII: Pelo voto da maioria dos acionistas presentes, em conformidade com o voto da representante da União, foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras emR$ 8.266.600,00 (oito milhões, duzentos e sessenta e seis mil e seiscentos reais) , no período compreendido entre abril de 2009 e março de 2010, aí incluídos: honorários mensais, gratificação de férias, gratificação natalina (13º salário), participação nos lucros e resultados; passagens aéreas, previdência privada complementar, e auxílio moradia , nos termos do Decreto nº 3.255, de 19.11.1999, mantendo-se os honorários no mesmo valor nominal praticado no mês precedente à AGO de 2009, vedado expressamente o repasse aos respectivos honorários de quaisquer benefícios que, eventualmente, vierem a ser concedidos aos empregados da empresa, por ocasião da formalização do Acordo Coletivo de Trabalho – ACT na sua respectiva data-base de 2009;

Dá R$ 114.813,88 por mês para cada um!

… se “alguém” disser que é boato… acesse o link abaixo !

http://www2.petrobras.com.br/ri/port/InformacoesAcionistas/pdf/ATA_AGO_08abr09_port.pdf

ISSO É BRASIL…O PAÍS DO “CARNAVAL” E DO FUTEBOL!”

Termina aqui o didático e-mail, que dá até mesmo o caminho para sua autenticação. – passo-a-passo.  Menos pior.  Nesse caso particularmente, não se trata de conteúdo falso: são as conclusões que são propositalmente errôneas e forçadas.  Vamos analisar o caso.

Segunda parte: a conta está errada na quantidade de pessoas que “repartem o bolo”

Fazendo a conta, a julgar pelo conteúdo do e-mail, de fato teríamos: R$ 8.266.000,00 que, dividido por 12 meses, resulta em R$ 688.833,33 mensais.  Esse valor, por sua vez,  dividido pelos 6 membros do Conselho de Administração da empresa, é igual a R$ 114.813,88 mensais, para cada um.  Mas há erros graves.  O que o e-mail não explica, é:

a) O conselho de administração não é composto por apenas seis integrantes.

O conselho de administração não é formado apenas pelos 6 conselheiros citados acima.  Esse trecho foi propositalmente ignorado no e-mail; é a continuação do Item IV, da Ata da Assembleia.  Ei-lo:

“Item IV: (…) Foi ainda eleito como membro do Conselho de Administração da Companhia, na forma do voto da União, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, o Senhor Sergio Franklin Quintella, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado e engenheiro civil.

A seguir, na forma prevista no artigo 239 da Lei das S.A., foi reeleito pelo voto dos acionistas minoritários, como seu representante no Conselho de Administração, em votação em separado, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, o Senhor Fabio Colletti Barbosa, brasileiro, natural da cidade de São Paulo (SP), casado e administrador de empresas.

Foi também reeleito, na forma do art. 19 do Estatuto Social da Companhia, como representante dos acionistas titulares de ações preferenciais no Conselho de Administração, em votação em separado, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, o Senhor Jorge Gerdau Johannpeter, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado e advogado.

Item V: Foi designada, dentre os Conselheiros reeleitos e eleitos, pela maioria dos acionistas presentes, para o cargo de Presidente do Conselho de Administração, a Conselheira Dilma Vana Rousseff.”

Temos, portanto, mais 3 pessoas a somar às 6 iniciais.  Total: nove conselheiros.  Guardem esse número.

b) Os administradores da empresa não são formados apenas pelos membros do conselho de Administração.

Note o seguinte trecho, grifo nosso:

“(…) foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras em R$ 8.266.600,00. (…)”

Mas então, quem são os administradores da Petrobrás?  Para descobrir, siga essas dicas:

1) Abra o endereço http://www.petrobras.com.br;

2) à direita, leve o ponteiro do mouse à área Investidores, e clique logo abaixo em Acesse o site e saiba porque investir na Petrobrás.

3) à esquerda, leve o ponteiro do mouse na primeira opção do painel lateral, em “Conheça a Petrobrás”  e, na aba que se abrirá à direita, clique em Estatuto Social.

4) no painel central, clique em Capítulo IV – Da administração da sociedade. Se abrirá o conteúdo abaixo:

“Capítulo IV
Da Administração da Sociedade

Seção I
Dos Conselheiros e Diretores

Art. 17º A Petrobras será dirigida por um Conselho de Administração, com funções deliberativas, e uma Diretoria Executiva.

Art. 18º O Conselho de Administração será integrado por, no mínimo, cinco membros até nove membros eleitos pela Assembléia Geral dos Acionistas, a qual designará dentre eles o Presidente do Conselho, todos com prazo de gestão que não poderá ser superior a 1 (um) ano, admitida a reeleição.”

(…)

Art. 20º A Diretoria Executiva será composta de um Presidente, escolhido dentre os membros do Conselho de Administração, e até seis Diretores, eleitos pelo Conselho de Administração, dentre brasileiros residentes no País, com prazo de gestão que não poderá ser superior a 3 (três) anos, permitida a reeleição, podendo ser destituídos a qualquer tempo.”

Ou seja, a Petrobrás é administrada (dirigida) não apenas pelos 9 conselheiros, mas também por mais cinco diretores – já descontada a participação do Presidente da Petrobrás, que aparece nos dois grupos.  Isso dá um total de até 14 pessoas (6 conselheiros citados no e-mail, 3 conselheiros que o e-mail ignorou, e 5 diretores).

Os diretores também são nomeados na mesma ata utilizada no triste e-mail – todavia, o e-mail não inclui esse trecho. Aqui está ele:

“Item VI: Foram reeleitos pela maioria dos acionistas presentes, em conformidade com o voto da representante da União, como membros do Conselho Fiscal da Companhia, com mandato de 1 (um) ano,permitida a reeleição, o Senhor Marcus Pereira Aucélio, brasileiro, natural de Brasília (DF), casado e engenheiro, tendo como suplente o Senhor Eduardo Coutinho Guerra, brasileiro, natural da cidade de Bom Despacho (MG), casado e bacharel em relações internacionais, ambos como representantes do Tesouro Nacional; o Senhor Túlio Luiz Zamin, brasileiro, natural da cidade de Nova Prata (RS), separado judicialmente e contador, tendo como suplente o Senhor Ricardo de Paula Monteiro, brasileiro, natural da cidade de Juiz de Fora (MG), casado e economista; o Senhor César Acosta Rech, brasileiro e economista, e tendo como suplente, o Senhor Edison Freitas de Oliveira, brasileiro e administrador de empresas, natural da cidade de Cataguases (MG) e casado.”

“A seguir, na forma prevista no artigo 240 da Lei das S.A., foram reeleitos como membros do Conselho Fiscal da Companhia, com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, pelo voto em separado de acionistas minoritários, o Senhor Nelson Rocha Augusto, brasileiro, natural da cidade de Ribeirão Preto (SP), casado e economista, tendo como suplente a Senhora Maria Auxiliadora Alves da Silva, brasileira, natural da cidade de Lajedo (PE), casada e economista. Foram ainda reeleitos para membros do Conselho Fiscal da Companhia, também como dispõe o artigo 240 da Lei das S.A., com mandato de 1 (um) ano, permitida a reeleição, pelo voto em separado de acionistas detentores de ações preferenciais, a Senhora Maria Lúcia de Oliveira Falcón, brasileira, natural da cidade de Salvador (BA), divorciada e engenheira agrônoma, tendo como suplente o Senhor Celso Barreto Neto, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado e advogado.”

Agora, façamos as contas: R$ 8.266.000,00 : 12 meses = R$ 688.833,33/mês; R$ 688.833,33/mês : 14 = R$ 49.202,88/mês, para cada um dos administradores.  E tem mais –  o que o e-mail não ressalta, é que esse valor não compreende apenas salários:

“(…) foi aprovada a fixação da remuneração global a ser paga aos administradores da Petrobras em R$8.266.600,00 (oito milhões, duzentos e sessenta e seis mil e seiscentos reais) , no período compreendido entre abril de 2009 e março de 2010, aí incluídos: honorários mensais, gratificação de férias, gratificação natalina (13º salário), participação nos lucros e resultados; passagens aéreas, previdência privada complementar, e auxílio moradia , nos termos do Decreto nº 3.255, de 19.11.1999″

Vejam a transparência que hoje podemos desfrutar de nossa melhor e mais rentável empresa.  Contudo, veremos, mais abaixo, que  nem sempre foi assim.

R$ 49 mil por mês, a serem divididos em salários, férias, gratificação de natal, 13o salário, PLR, passagens aéreas, previdência privada complementar e auxílio moradia!!  É muito mais do que ganha um trabalhador comum, mas é muito menos do que o mercado costuma remunerar os executivos de empresas petrolíferas.

Considerando tais números, podemos aduzir que os tais R$ 49 mil mensais começam a se tornar irrisórios, principalmente em se considerando o mercado.  Um valor baixíssimo, portanto, considerando as responsabilidades dos membros, e que são cargos estratégicos, com acesso aos segredos da companhia.

Mas essa ainda não é a conta definitiva.  Porque há mais um aspecto propositalmente ignorado pelo redator da falácia:

Terceira parte: a conta está errada na forma pela qual as pessoas que “repartem o bolo”

a) Os conselheiros não recebem nem R$ 114.813,88 mensais (na conta do e-mail), nem R$ R$ 49.202,88 mensais (na nossa conta).

Isso porque, mais uma vez de forma traiçoeira, outro trecho foi propositalmente deixado de fora – e é justamente o trecho seguinte à parte onde termina o e-mail:

(Página 3)

“Item VII (…) Foi aprovada a delegação ao Conselho de Administração competência para efetuar a distribuição individual dos valores destinados ao pagamento da remuneração dos membros da Diretoria Executiva, observado o montante global e deduzida a parte destinada ao Conselho de Administração e condicionada à observância dos valores individuais constantes da planilha de Remuneração Máxima dos Administradores, nos termos da Nota DEST/CGC nº 79/2009, de 2 de abril de 2009, do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais.”

(Página 4)

“Foi também aprovada a fixação dos honorários mensais dos membros do Conselho de Administração e dos titulares do Conselho Fiscal em um décimo do que, em média mensal, perceberem os membros da Diretoria Executiva, excluídos os valores relativos a: gratificação de férias, participação nos lucros e resultados, passagens aéreas, previdência privada complementar e auxílio moradia, bem como custear as despesas de locomoção e estada necessárias ao desempenho da função de conselheiro de administração.”

Ou seja: os honorários dos membros do conselho de administração correspondem a apenas 10% do que percebem os membros da diretoria executiva.  Em outras palavras: o bolo não é repartido por igual; cabem aos membros do conselho de administração, uma fatia menor.  E essa é a praxe do mercado.

À época, o Governo era comandado pelo Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva (01/01/2003 até o presente).

Quarta parte: Nunca antes nesse país, a Petrobrás foi tão transparente

Pronto: derrubamos mais uma do Festival de Besteiras na Internet (que o site FBI – Festival de Besteiras na Imprensa – nos perdoe o plágio brutal, mas necessário).  Tem mais: o link citado não está quebrado; o caminho é esse mesmo, indicado pelo e-mail, e a Ata está lá.  Não foi retirada do ar ou alterada – nem deveria.  Trata-se, portanto, de informação transparente e fidedigna, como de fato cabe a uma empresa que tem presença global e necessita ser transparente com o mercado, de forma a agregar segurança e tranquilidade ao ambiente de negócios, favorecendo  seus investidores e a sociedade.  Ponto para a Petrobrás.

Vale ainda ressaltar três pontos fundamentais, que ficaram evidentes durante nossa pesquisa:

Primeiro: Participar do Conselho de Administração da Petrobrás sempre foi tarefa dos integrantes da Casa Civil.  Não há nenhuma ilegalidade aqui.  Mais de 50% da Petrobrás pertence ao Governo Brasileiro, e tradicionalmente os representantes elencados para cumprir a tarefa de representar a União, são os ministros da Casa Civil, do Ministério da Fazenda e do Tesouro Nacional.  Para comprovar isso, o leitor pode ir além de nossa pesquisa – que se estendeu somente até 1.999 – e consultar os nomes dos representantes da União em cada uma delas.  Ou seja: outros membros, de outros governos, exerceram a mesma função.  Mas, a gente entende: é muito fácil para quem está fora do poder, ressentido, disparar informações tortas e de forma maldosa contra a outra parte.

Segundo – Se de fato o rendimento dos integrantes do conselho diretor foi alto, antes de considera-lo amoral, deve ser enfocado que, se a remuneração é ancorada – como de fato, é – nos resultados da empresa; e se essa remuneração apresenta-se alta, significa que a empresa lucrou.  O que não deixa de ser uma comprovação incontornável,  de que o trabalho de sua direção, e de seus executivos foi, de fato, eficiente. A remuneração, portanto, é justa.

Terceiro – Os defensores do Estado Mínimo – que são os mesmos neoliberais amantes do Consenso de Washington – são os primeiros a bradar que tais remunerações seriam amorais.  Algo como “mamar nas tetas do Estado”, diriam de forma depreciativa.   Porque?  Porque o que desejam é uma burguesia  elitista, ganhando rios de dinheiro á custa de grandes empresas privatizadas, retirando muito, muito mais, em gigantescos e desproporcionais bônus.  Isso já deu o que falar não só nos Estados Unidos, mas também no Brasil.  Na-na-ni-na-não!! Nada disso.  Esqueçam.  O Estado é capaz de administrar – e muito bem – a empresa.  O povo prefere a sua Petrobras pública, altamente rentavel,  auxiliando no desenvolvimento do país e gerando muitos postos de trabalho, a quem deve pagar altas remunerações, sim.  Dessa forma, pública, todos podem acompanhar a empresa, que tem demonstrado não somente capacidade ética, técnica e operacional para superar desafios, mas também muita transparência em todos os aspectos nos quais se envolve.

A propósito, nota-se que o ingênuo e-mail pôde aproveitar-se dessa transparência, para obter a informação que garimpou, e tentou manipular e torcer.  Pena que não deu certo.  Sorry: estamos vigilantes.  E que a transparência prossiga, e seja ampliada.

Mas… será que foi assim sempre?

Vamos, então, consultar algumas atas mais antigas.  Vamos olhar para o passado.  É importante isso.  Lembremo-nos de George Santayana: os que se esquecem do passado, estão condenados a repeti-lo.

Providenciais palavras?

Como dissemos antes, o caminho para encontrar e consultar as Atas já foi didaticamente demonstrado no irreal e-mail.  Vamos apresentar somente os links para cada uma das atas., logo após  a citação do trecho das mesmas.  Os links remetem diretamente à cada uma delas, aqui citada.  Quem quiser conferir, fique completamente à vontade.  Foi lá no site da Petrobrás que as buscamos.

Pelo menos para isso, o e-mail serviu.

“ATA DA ASSEMBLÉIA GERAl EXTRAORDINÁRIA E ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRAS, REALIZADA EM 24 DE MARÇO DE 1999

“(…) III – Foram eleitos como membros do Conselho de Administração da Companhia, com mandato pelo prazo de 3 (três) anos, permitida a reeleição, por voto de acionistas representantes da maioria do capital social, os Srs: Rodolfo Tourinho Neto, para o cargo de Presidente do Conselho, brasileiro, natural da cidade de Salvador (BA), casado, economista; Henri Philippe Reichstul, brasileiro naturalizado, divorciado, economista; Pedro Pullen Parente, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado, engenheiro; José Pio Borges de Castro Filho, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado, engenheiro; Herszek Chaim Rotstein, que também usa o nome profissional Jaime Rotstein, brasileiro, natural da cidade do Rio de Janeiro (RJ), casado, engenheiro; Zenildo Gonzaga Zoroastro de Lucena, brasileiro, natural da cidade de São Bento do Una (PE), casado, General de Exército R/1; Gerald Dinu Reiss, brasileiro naturalizado, casado, engenheiro; o acionista controlador reservou uma das vagas no Conselho, para eleição, em futura Assembléia Geral, a ser convocada especialmente para esta matéria, de um membro do corpo funcional da PETROBRAS, na conformidade de critérios a serem estabelecidos pelo Conselho de Administração da Companhia. Foi eleito ainda, como membro do Conselho de Administração, com mandato pelo prazo de três (três) anos, permitida a reeleição, pelo voto em separado dos Acionistas Minoritários, a Sra. Maria Sílvia Bastos Marques, brasileira, natural da cidade de Bom Jesus do Itabapoana (RJ), casada, administradora.

IV – Foi fixada, pela maioria dos acionistas presentes, a remuneração da Diretoria Executiva no mesmo valor nominal individualmente praticado no mês precedente a esta Assembléia Geral Ordinária, delegando-se ao Conselho de Administração a competência para alterá-lo no curso do exercício e expedir orientações complementares à sua perfeita observância.

IV.1.- Foi fixada, pela maioria dos acionistas presentes, a remuneração dos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal em 10% (dez por cento) da remuneração média percebida pelos membros da Diretoria Executiva

Link para a Ata: http://www2.petrobras.com.br/ri/port/InformacoesAcionistas/pdf/ata_ago_1999_por.pdf

Primeira Pergunta: onde está o valor da remuneração?  Alguém pode nos dizer, por favor?

E quem é quem?  Destacamos somente alguns nomes, e quem desejar, ou mesmo lembrar, pode nos falar sobre os demais:

Rodolfo Tourinho Neto – Presidente do hoje chamado Partido Democratas (na epoca, o PFL – Partido da Frente Liberal);

Pedro Pullen Parente – Chefe da Casa Civil da Presidência da Republica de 01/01/1999 a 01/01/2003; Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão de 6 de maio a 18 de julho de 1999 e secretário executivo do Ministério da Fazenda.

Voltemos ao caso da Petrobrás: onde estão os valores, que atualmente são publicados de forma transparente?

Será exagero nosso?  Será que as demais atas são transparentes?  Será que não vimos o que estava explícito? Ou não estava explícito?  Vamos ler mais um breve trecho de outra ata.

ATA DAS ASSEMBLÉIAS GERAIS EXTRAORDINÁRIA E ORDINÁRIA DA PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRAS, REALIZADA EM 22 DE MARÇO DE 2002
(…) A remuneração dos membros do Conselho de Administração e dos titulares do Conselho Fiscal foi estabelecida em 10% dos honorários médios mensais percebidos pela Diretoria Executiva, nos termos da Lei no 9.292, de 12-7-1996, não computados, para ambos os colegiados, os benefícios referentes à participação nos lucros, bônus por desempenho, previdência privada complementar e seguro saúde, bem como auxílio-moradia.

Link para a Ata: http://www2.petrobras.com.br/ri/port/InformacoesAcionistas/pdf/ata_ago_2002_por.pdf

Ou seja, mais uma vez, os valores não foram aqui incluídos.

À época, o Governo era comandado pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso (01/01/1995 a 01/01/2003).

À guisa de conclusão, podemos afirmar que era disso que falávamos no post Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação? A informação deve circular livremente, sem intermediários, e de forma pública.  E é a você, leitor, que é atribuída a responsabilidade de garimpar e cruzar informações e dados, para autenticação das informações e para que você possa tirar as suas conclusões.

Não as conclusões que querem que você tire…

Recebemos um e-mail hoje que, segundo pudemos verificar, é antigo e circula há um bom tempo na nuvem.  Mas nunca é demais trazer o assunto à tona – sempre!!

Todos nós temos direito à vida.  O arrogante, estúpido, cego, cruel e corrupto ser humano  acredita ser  (não é!)  a espécie  dominante do planeta Terra, e que, por isso, teria o direito de escravizar, torturar, explorar e matar outras espécies.

Não sejamos hipócritas!  Também gostamos da boa e velha picanha, de uma boa linguiça bem assada e, naturalmente, um galeto ainda faz  excelente companhia ao arroz e feijão dos domingos brasileiros.  Todavia, é impossível deixar de pensar que todos esses prazeres foram trazidos à nossa mesa por uma razão muito mais prática do que nos fazer bem, nos trazer prazer; foram trazidos a nossa mesa por… lucro!

Sim!! Esqueça os comerciais de TV, as propagandas onde uma família feliz se reúne à mesa ,e compartilham sua alegria, ao som do jingle feliz da mais nova marca de margarina.  Margarina?  Uma massa de óleo, gordura hidrogenada, colesterol sufocante da pior qualidade, sal, corantes e conservantes!!   Você nunca mais consumiria margarina, linguiça, presunto ou mesmo qualquer tipo de carne ou alimento, se acompanhasse todo o ciclo de produção-industrialização.   Ou você realmente ainda é ingênuo de acreditar que as corporações que fabricam a deliciosa margarina, desejam apenas sua felicidade e dos seus, à mesa do café da manhã?

Ledo engano: você e nós somos apenas números!!  Números que multiplicam ganhos!!!

Somos gado! Nossa diferença em relação às reses, é que falamos e pensamos (??).

Enfim, essa tem sido a medida do ser humano: lucro!  Esse sistema monetário e capitalista que aí está, tem esse único e infeliz objetivo.  Enquanto não transcendermos esse sistema, ficaremos impedidos de alçar vôo  rumo a visões mais socialmente justas, eticamente corretas.

Há um documentário na internet, em que é dito que o ser humano precisa se lembrar que sua experiência nesse planeta, não é uma experiência isolada.  Ele a compartilha, no mesmo espaço, no mesmo tempo, com outros seres que também vivenciam suas experiências.  É simplesmente cruel que releguemos a estes seres uma vida de eterno servir, à custa de seu sangue, sua carne, para satisfazer não nossas necessidades básicas e naturais, mas a necessidade de lucro!!

Matando outros seres, o ser humano acumula mais capital, para escravizar não somente os animais, mas seus semelhantes!

Nada impede – na verdade, a julgar pelo destino que merecemos, é bem provável até – que  William Bramley, em seu “Os Deuses do Éden“, esteja certo: seremos apenas porcos, gansos e gado?

Pois merecemos!

Este planeta está doente.  E a doença somos nós!

Segue a mensagem:

“A carne de vitela é muito apreciada por ser tenra, clara e macia. O que pouca gente sabe é que o alimento vem de muito sofrimento do bezerro macho, que desde o primeiro dia de vida é afastado da mãe e trancado num compartimento sem espaço para se movimentar.  Esse procedimento é para que o filhote não crie músculos e a carne se mantenha macia.

Baby beef é o termo que designa a carne de filhotes ainda não desmamados. O mercado de vitelas nasceu como subproduto da indústria de laticínios, que não aproveitava grande parte dos bezerros nascidos das vacas leiteiras.

Veja como é obtido esse produto: assim que os filhotes nascem, são imediatamente separados de suas mães, que permanecem por semanas mugindo por suas crias. Após serem removidos, os filhotes são confinados em estábulos com dimensões reduzidíssimas onde permanecerão por toda a sua vida (4 meses) em sistema de ganho de peso – alimentação que consiste do subproduto do leite materno.

Um dos principais métodos de obtenção de carne branca e macia, além da imobilização total do animal para que não crie músculos, é a retirada do mineral “ferro” da sua alimentação, tornando-o anêmico e fornecendo o mineral somente na quantidade necessária para que não morra até o abate.

A falta de ferro é tão sentida pelos animais, que nada no estábulo pode ser feito de metal ferruginoso, pois eles entram em desespero para lamber esse tipo de material. Embora sejam animais com aversão natural à sujeira, a falta do mineral faz com que muitos comam seus próprios excrementos em busca de resíduos desse mineral.

Alguns produtores contornam esse problema colocando os filhotes sobre um estrado de madeira, onde os excrementos possam passar por esse ripado e cair sobre um piso de concreto abaixo, onde os animais não tenham acesso.

A alimentação fornecida é líquida e altamente calórica, para que a maciez da carne seja mantida e os animais engordem rapidamente. Para que sejam forçados a comer o máximo possível, nenhuma outra fonte de líquido é oferecida, fazendo com que comam mesmo quando têm apenas sede.

Com o uso dessas técnicas, verificou-se que muitos filhotes entravam em desespero, criando úlceras pela sua agitação e descontrole no espaço reduzido. Uma solução foi encontrada pelos produtores: a ausência de luz.  A manutenção dos animais em completa escuridão durante 22 horas do dia, acendendo-se a luz somente nos momentos da limpeza dos estábulos. No processo de confinamento, os filhotes ficam completamente imobilizados, podendo apenas mexer a cabeça para comer e agachar, sem poderem sequer se deitar.

Os bezerros são abatidos com mais ou menos 4 meses de vida – de uma vida de reclusão e sofrimento, sem nunca terem conhecido a luz do Sol. E as pessoas comem e apreciam esse tipo de carne sem terem a menor idéia de como ela é produzida.

A medida da crueldade do ser humano: a carne de vitela!

A criação de vitelas é conhecida como um dos mais imorais e repulsivos mercados de animais no mundo todo. Como não há no Brasil lei específica que proíba essa prática – como na Europa – o jeito é conscientizar as pessoas sobre a questão.

Nossa arma é a informação. Se souber o que está comendo, a sociedade – que já não mais tolera  violências  – vai mudar seus hábitos. Podemos evitar todo esse sofrimento não comendo carne de vitela ou baby beef e repudiando os restaurantes que a servem.

O consumidor tem força e deve usar esse poder escolhendo produtos, serviços e empresas que não tragam embutido o sofrimento de animais inocentes.

(Fonte: Instituto Nina Rodrigues – Projetos por Amor à Vida)”

Aí está um exemplo flagrante do que falávamos no post anterior (Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?).

Transcrito do site Viomundo e Blog do Planalto.  Texto editado (diferentemente da Imprensa manipuladora, nós avisamos); para ler o original, clique aqui.  Os grifos, em negrito, são nossos.  Prestem bastante atenção, e nos respondam se  não tínhamos razão…

Estadão derrapa na reportagem e ainda reclama das críticas

Na sexta-feira passada (26/03) o Estadão publicou editorial reclamando do presidente Lula por se queixar da má-fé de setores da imprensa. Até parece que o jornal estava se defendendo antecipadamente. Vejam como o Estadão muda o contexto de uma declaração do presidente em reportagem assinada pelos repórteres Tânia Monteiro e Renato Andrade na edição desta terça-feira (30/3) e tirem suas conclusões.

O título da matéria é “Ao lado de 18 governadores, Lula lança PAC 2 para impulsionar Dilma”. No quarto parágrafo, os repórteres, que deveriam reportar os fatos com fidelidade, dizem o seguinte:

“No mesmo discurso, o presidente anunciou que havia desistido de viajar hoje a Pernambuco para inaugurar uma parte da Ferrovia Transnordestina, por problemas com a obra. “Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora”, disse Lula, reconhecendo fragilidades do PAC 1.”

Em primeiro lugar, o Presidente não reconheceu fragilidades do PAC 1, como afirmaram os repórteres do Estadão. A reconhecida insatisfação com o que foi feito até agora foi dita em um contexto diferente do apontado no texto. Ele se referia ao conjunto de realizações do governo. Inclusive, o exemplo citado foi o do Bolsa Família, que não está no PAC.

Vejam o trecho a seguir para tirar suas conclusões e ver se o presidente não tem razão de criticar:

“Então, eu quero terminar, companheiros, dizendo para vocês apenas duas coisas. Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora, e acho que nenhum de vocês está contente, porque nós temos a obrigação de fazer mais, temos competência de fazer mais. O povo pobre deste país precisa que a gente faça mais, e a economia precisa que isso aconteça.

Eu fico imaginando se nós, naquele momento de crise, tivemos que fazer um investimento de quase R$ 12 bilhões no Bolsa Família, o próximo governo não pode se contentar com [R$] 12 [bilhões], vai ter que fazer mais. Ou vai ter que gerar tanto emprego, que um dia não vai precisar mais ninguém ter o Bolsa Família. Porque quando a gente começou a fazer o programa Bolsa Família, qual era a crítica que a gente recebia? “Cadê a porta da saída? A porta da saída? A porta da saída?”. Os coitados não tinham nem entrado. Eu não sei porque pobre incomoda tanta gente neste país! Não, porque a verdade é essa, é que incomoda.”

Em segundo lugar, o presidente não disse que havia desistido de viajar a Pernambuco para inaugurar parte da Ferrovia Transnordestina e nem que a obra estava com problemas. Até porque não estava prevista nenhuma inauguração de trecho da ferrovia. O que se cogitou foi inaugurar uma fábrica de dormentes e uma fábrica de britas, que não ficaram prontas. Isso foi dito à repórter Tânia Monteiro por mais de um assessor de imprensa da Presidência, mas foi ignorado. Confiram o que o presidente disse, e julguem a qualidade da reportagem:

“Veja, eu estou dizendo isso de público porque eu ia amanhã para a Transnordestina, para inaugurar a fábrica de dormentes, a maior do mundo, e a fábrica de brita que, sozinha a usina de brita, vai produzir mais brita que as quarenta que tem em São Paulo. E não vamos porque não está pronta. Esse compromisso foi feito comigo em janeiro, em janeiro. Não está pronta.

Então, eu quero terminar, companheiros, dizendo para vocês apenas duas coisas. Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora, e acho que nenhum de vocês está contente, porque nós temos a obrigação de fazer mais, temos competência de fazer mais. O povo pobre deste país precisa que a gente faça mais, e a economia precisa que isso aconteça.

Eu fico imaginando se nós, naquele momento de crise, tivemos que fazer um investimento de quase R$ 12 bilhões no Bolsa Família, o próximo governo não pode se contentar com [R$] 12 [bilhões], vai ter que fazer mais. Ou vai ter que gerar tanto emprego, que um dia não vai precisar mais ninguém ter o Bolsa Família. Porque quando a gente começou a fazer o programa Bolsa Família, qual era a crítica que a gente recebia? “Cadê a porta da saída? A porta da saída? A porta da saída?”. Os coitados não tinham nem entrado. Eu não sei porque pobre incomoda tanta gente neste país! Não, porque a verdade é essa, é que incomoda.”

Questionamos:  não tínhamos razão?  É essa a imprensa que queremos?  Que precisamos?  Que muda e manipula os fatos?  E por quais motivos?  Qual seu objetivo-fim?

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Links Relacionados:

Vi o Mundo – http://www.viomundo.com.br

Blog do Planalto – http://blog.planalto.gov.br