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Vitória!!

VITÓRIA!!!

O retrocesso está afastado por 4 anos.  Mas estaremos todos vigilantes.

Parabéns ao Brasil!!  Parabéns a Lula!!!  Parabéns a nós, povo brasileiro!!!

Parabéns, Dilma Vana Roussef!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Do Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim.  O original pode ser lido aqui.

“O Conversa Afiada tem o prazer de publicar os principais trechos de excelente artigo do amigo navegante Rogério Mattos Costa:

Receita Federal afirma que Verônica Serra autorizou abertura de seu sigilo fiscal. E a FOLHA é desmascarada. Mais uma vez.

Rogério Mattos Costa, Madrid, 01.09.2010

A Receita Federal afirmou ontem ter um documento, uma procuração da filha de Serra, com assinatura reconhecida em Cartório, autorizando a abertura de seu sigilo fiscal em 2008.

Mas a FOLHA, transformada em panfleto de campanha tucana, não disse nada sobre isso em sua matéria apócrifa de hoje, que não vem assinada por nenhum jornalista.

Algo que foi noticiado ontem até pelo próprio ESTADÃO no corpo de matéria publicada hoje.

É claro que, na manchete do combalido jornal dos Mesquita aparece apenas a denuncia de que “O sigilo da filha de Serra foi violado”, sem esclarecer que existiu o pedido da própria contribuinte, o que aparecerá apenas para os leitores que acessarem o corpo da matéria.

O Estadão faz uso de uma velha técnica de desinformação, retirada do manual do jornalismo de esgoto, que diz

“Se for impossível mentir, omita a verdade na manchete e mostre-a só no corpo da matéria. O efeito é quase o mesmo, pois grande parte do público, apesar de só ler a manchete, sai contando por você a mentira que você queria contar”.

Basta comparar a matéria da FOLHA aqui que coloca a filha de Serra e o próprio candidato como “vítimas”, com a matéria do ESTADAO, aqui para ver a má-fé de ambos, mas em especial, da FOLHA.

Segundo a Receita, a abertura foi feita a pedido de um homem, portando a autorização assinada, com firma reconhecida.

Falsificação: velha prática da direita e da sua imprensa.

Muito antes de Getúlio Vargas, os partidos de direita e famílias como os Marinho,  os Frias, os Mesquita e outros donos dos maiores meios de comunicação, acostumaram-se a fabricar “cartas” e “dôssies” para justificar golpes militares e enganar a população.

Especialmente, nas vésperas das eleições.

A novidade é apenas o tempo que leva para a mentira ser descoberta.

Foi assim com a célebre “Carta Brandi”, uma montagem de Carlos Lacerda, um jornalista que iniciou a carreira cobrindo crimes sanguinolentos e que no dia das eleições de 3 de outubro de 1955,que elegeram o presidente Juscelino, leu pela televisão uma carta de um deputado provincial argentino que dava detalhes de uma pretensa revolta para implantar a “república sindicalista do Brasil”.

Segundo Lacerda, que mais tarde virou governador da Guanabara, a carta havia sido escrita por um deputado argentino aos seus comparsas no Brasil e provava que a “sangrenta revolução”seria executada através de um levante de operários, realizado com armas contrabandeadas do país vizinho.

Mas tudo fora uma armação da UDN ( como se chamava o DEM naquela época) e do Carlos Lacerda,

A tal Carta do deputado peronista Antonio Brandi era falsa, como ficou comprovado em um Inquérito Policial Militar realizado pelo Ministério do Exército, presidido pelo General Emilio Maurell Filho, como descreve Edmar Morel em “Confissões de Um Repórter”.

Um depoimento do próprio deputado Antonio Brandi, um picareta que confessou ter ganho dois mil pesos para escrever a tal carta, mostrou que foi o próprio Lacerda que foi lá no interior da Argentina, numa cidadezinha chamada Goya, na fronteira do Brasil com a Argentina e  o Paraguai, produzir a tal carta com fotos e tudo.

Já na época, os golpistas e o “experto” Lacerda foram traídos por um pequeno detalhe: a máquina de escrever em que havia sido batida a tal “carta” tinha o “til” em separado, para usar sobre o “a” e sobre o “o”, como ocorre no português e no Brasil.

Ora, na Argentina e nos países de fala castelhana, só existe o “til” sobre o “n”, que é o “ñ” ( “enhe”)…

Lacerda havia levado uma máquina daqui do Brasil para escrever a carta na Argentina…e se deu mal nessa. O golpe não colou e JK foi eleito.

Os golpistas haviam superestimado o alcance da TV naquele tempo e deixado para “divulgar o plano dos sindicalistas” no dia das eleições. E afinal, nem todo mundo é bobo, como a direita sempre pensa.

Além do mais, essa não havia sido a única vez que golpistas tinham recorrido a “cartas secretas” e “dossiês” falsificados. O povo estava acostumado, como agora, com essas maluquices e pirotecnias da direita e seus jornais.

Já em 1921, duas cartas falsificadas, que teriam sido manuscritas, haviam sido publicada poucos dias antes das eleições pelo jornal “Correio da Manhã”, com grande destaque.

Elas continham pretensos insultos de Arthur Bernardes, então candidato, ao ex-presidente Marechal Hermes da Fonseca, presidente e aos militares, e ao candidato do governo, Nilo Peçanha, para prejudicar seu partido e indispô-lo com o Exército.

Mas Bernardes contratou peritos e provou na Justiça, que as cartas haviam sido falsificadas.

Outra vez um detalhe derrubou a tese do jornal e dos golpistas: os peritos mostraram que elas haviam sido escritas não por um, mas por dois falsários, chamados Jacinto Guimarães e Oldemar Lacerda e Bernardes era só um…

Em 1937, em outra empulhação, o “Plano Cohen”, um pretenso plano criminoso para os comunistas tomarem o poder, escrito na verdade pelo general Olímpio Mourão Filho, do serviço secreto do Exército, havia sido usada para justificar o golpe que criou a ditadura do Estado Novo.

No dia 30 de setembro, o general Goes Monteiro, chefe do estado maior, leu, na Voz do Brasil, no dia 30 de setembro de 1937, a denuncia sobre o “plano tenebroso” em que estudantes, operários e presos políticos libertados iriam seqüestrar e fuzilar imediatamente os ministros militares e civis, os presidentes da câmara e do senado, para implantar a “republica comunista” no Brasil, justificando uma ;época de repressão, censura, torturas e morte de opositores.

A fraude só foi descoberta oito anos mais tarde, em 1945, o próprio Goes Monteiro, reconheceu a fraude e pôs a culpa em Mourão Filho, que confessou ter escrito o documento a pedido do líder nazista brasileiro Plínio Salgado, apenas como uma simulação de como poderia ser um golpe comunista e ficou tudo por isso mesmo, nada tendo sofrido os falsários e impostores que tanto mal causaram ao Brasil.

O pior é que em 1964, o tal Mourão Filho foi um dos articuladores e executores do golpe militar de abril, que nos levou a 21 anos de ditadura, não só com censura, prisões, torturas e mortes, mas à dependência extrema, para tudo, do governo dos Estados Unidos da América. ,

Afinal, o golpista e falsário, em vez de ser punido e expulso das forças armadas como manda o regulamento, havia sido promovido a general e nomeado pelo próprio Jango  comandante do IV Exército em Minas Gerais…

O fabricante de histórias Frias, José Serra, derrotado pela internet e por você.

Serra é um impostor, a começar pelo próprio diploma de economista, que ele nunca apresentou ao público, mas ostenta em seu currículo no TRE.

Tal como Lacerda e os demais golpistas, Serra acredita firmemente que o povo é burro.

Foi assim também com o “Diploma que Serra recebeu na sede da ONU” de “melhor ministro  da saúde do mundo”, concedido por uma ONG corrupta sediada a poucos passos da sede do DEM em Curitiba.

Foi assim com o caso da Lunus, contra Roseana Sarney quando ela queria ser a anti-Lula em 2002, no lugar de Serra.

Foi assim com “o dossiê contra os gastos do cartão de FHC e da Dona Ruth”, vazado por um funcionário do gabinete do ex-governador tucano Álvaro Dias.

Foi assim no “dossiê dos aloprados”.

A especialidade de Serra agora é a de fabricar dossiês contra ele mesmo, para, com sua divulgação, fazer-se de vítima, como no caso do dossiê do sigilo.

Mas as coisas estão mudando, graças à internet e aos blogs, uma ferramenta ágil e acessível, que acabou com o monopólio dos jornalões.

Se você não sabia nada sobre o Plano Cohen, a Carta Brandi e as Cartas Falsas de Arthur Bernardes, agradeça às famílias Frias, Marinho, Mesquita e Civita, pois “eles” nunca falam nada sobre seus próprios crimes…

Se você gostou desse artigo, se achou que ele trouxe mais informação, espalhe-o na rede.

Faça sua parte na divulgação da História do Brasil que os donos da grande mídia comercial, o falso economista Serra e o PSDB não querem que o nosso povo conheça.”

Por Maurício Thuswohl(*) no Carta Maior.  O original pode ser lido aqui, e os grifos, em negrito, são nossos.

Realizado nos dias 19 e 20 de agosto, o 8º Congresso Brasileiro de Jornais foi revelador do momento pelo qual passam os principais conglomerados de comunicação no Brasil. A começar pelo próprio tema, “Jornalismo e Democracia na Era Digital”, o evento organizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) no Rio de Janeiro foi uma prova viva de que as poucas famílias que controlam os principais jornais do país vêm tendo muitos motivos para se preocupar desde que as novas mídias eletrônicas entraram em cena.

O principal tema de discussão entre os cerca de 700 empresários e profissionais do setor foi a gratuidade do conteúdo jornalístico na internet, curiosamente considerada por muitos dos presentes como “um entrave à democracia”. A própria ANJ, no texto de abertura do congresso, já antecipava sua posição a esse respeito: “O bom jornalismo, que difunde as informações de credibilidade e as opiniões que os cidadãos necessitam para fazer as suas escolhas, resulta de investimentos e deve ser adequadamente remunerado”.

Não é à toa que, este ano, a maior estrela do congresso organizado pelos donos da mídia no Brasil foi o jornalista Robert Thomsom, editor do Wall Street Journal. O jornal dos Estados Unidos se tornou o case de maior sucesso em termos de venda de conteúdo pago via internet. Durante sua palestra, o “guru” não decepcionou: “Precisamos urgentemente voltar ao que era antes. Voltar ao básico, em que as pessoas apreciam o conteúdo jornalístico o suficiente para pagar por ele”, disse.

Outras questões debatidas no congresso foram o fim da Lei de Imprensa e o fim da obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício da função de jornalista, destacados como “importantes avanços” pela presidente da ANJ, Judith Brito, que também é diretora-superintendente do Grupo Folha.

Única novidade do congresso, a ANJ apresentou um plano de autorregulamentação do setor, a partir da criação de um conselho dentro da própria associação. A idéia, no entanto, não conta com o entusiasmo sequer do vice-presidente da ANJ, e também vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho: “A autorregulamentação é um princípio muito bom, mas a atividade jornalística é carregada de subjetividades”, disse.

“Perigo na AL”

O grande momento do congresso, no entanto, foi o painel “O Futuro da Democracia e o Jornalismo”, que reuniu o diretor de redação da Folha de SP, Otávio Frias Filho, e o sociólogo e professor da USP Demétrio Magnoli, um daqueles intelectuais que, segundo a ANJ, “difunde as opiniões que os cidadãos necessitam”. Neste debate, a sociedade brasileira foi alertada para o perigo que constitui “a formação de joint-ventures entre companhias de telecomunicação e governos populistas” para controlar a difusão de informações: “Tal perigo ronda, em especial, a América Latina”, afirmou Magnoli.

O sábio neoliberal disse mais: “Vem sendo difundida a teoria de que os jornais são como partidos que fazem parte de um jogo político. Ela surge numa época em que volta a idéia de que o Estado deve falar diretamente às pessoas, evitando a mediação. Essa teoria política dá base a um projeto de jornalismo estatal em curso na América Latina, buscando criar uma imprensa alternativa, principalmente nos meios eletrônicos”.

Frias, por sua vez, estendeu a outros continentes o leque de culpados pela “guinada antidemocrática” no jornalismo mundial: “Vladimir Putin, Ahmadinejad, Chávez, Rafael Corrêa e Evo Morales representam uma erupção de governantes autoritários e populistas que, embora mantendo a aparência de democracia, manietam os poderes Judiciário e Legislativo, além de buscar controlar a imprensa”, disse.

“Conferencismo”

Os candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) passaram, em momentos diferentes, pelo 8º Congresso Brasileiro de Jornais. Os três presidenciáveis ratificaram a Declaração de Chapultepec, documento firmado em 1994 no México durante uma conferência hemisférica sobre liberdade de imprensa organizada pelos grandes empresários do setor.

Curiosamente, no mesmo dia em que passou pelo congresso da ANJ, Serra deu declarações públicas acusando o governo Lula: “Nos últimos anos, têm havido diversas tentativas de cercear a liberdade de imprensa no Brasil”, disse o tucano, que também fez críticas à 1ª Conferência Nacional de Comunicação, classificada como “parte de um processo de conferencismo pago com o dinheiro público”.

Em resposta a Serra, o ministro Franklin Martins divulgou uma nota pública na qual afirmou que o tucano “faz uma acusação grave e descabida” ao governo: “A imprensa no Brasil é livre. Ela apura – e deixa de apurar – o que quer e publica – e deixa de publicar – o que deseja. Opina – e deixa de opinar – sobre o que bem entende. Todos os brasileiros sabem disso. Diariamente, lêem jornais, ouvem noticiários de rádio e assistem a telejornais que divulgam críticas, procedentes ou não, ao governo. Jornalistas e veículos de imprensa jamais foram incomodados por qualquer tipo de repressão ou represália”, diz a nota.

Orquestra

Os ataques orquestrados ao governo e aos “inimigos da liberdade de imprensa” continuaram nestes últimos dias nos maiores jornais do país com a cobertura do XVI Encontro do Foro de São Paulo, evento do qual participam 54 organizações políticas de esquerda da América Latina e do Caribe. Fazendo referência ao documento final do encontro, que pede a democratização dos meio de comunicação, o jornal O Globo publicou matéria com o singelo título “PT e grupo da AL apóiam controle da mídia”.

Percebe-se pela postura adotada, seja nas páginas de seus veículos ou no congresso da ANJ, que os barões da mídia no Brasil, acossados em seu próprio domínio, começam a atirar para todos os lados em uma clara demonstração de que não sabem mais para onde ir. Qualquer semelhança com a campanha do candidato a presidente por eles apoiado não é mera coincidência. E pensar que, logo após o congresso da ANJ, foi realizado em São Paulo o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que reuniu cerca de 300 blogueiros em defesa da liberdade de expressão, da democratização da comunicação e da universalização da banda larga no Brasil. Como se vê, apesar das preocupações conservadoras, ninguém pode deter o futuro.

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Leia mais em:

Eva Golinger: o financiamento de Washington a jornalistas

Eurico Vianna: da sociedade vertical à sociedade horizontal

Mais um que acorda!

Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?

(*) Maurício Thuswohl é jornalista

Depoimento espontâneo do médico Adriano no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui (nos comentários via Intense Debate).  Os grifos, em negrito, são nossos.

“Sou médico e pela primeira vez venho comentar nestas paginas. Sempre tive comigo que algo andava errado, sempre vi que na politica brasileira os comentários sempre se afunilavam-se no que a TV, revistas e jornais de evidencia nos “empurravam” e as vezes me via perguntando: “será que sou só eu que penso contra ou o governo do Lula é ruim mesmo?”, “será que todos ( do ciclo em que convivo) tem razão ao criticar e achar ruim tudo o que ele faz?” Mas os numeros não indicavam isso, mas a TV sempre rebatia, pesquisas demonstravam crescimento e melhorias absurdas, mas a TV, jornais, revistas e a classe A toda sempre rebatia contra… O que esta acontecendo de verdade? Neste período começei a ir para a rede, trocar aquilo que cansava minha mente pela Net e comecei a ler sites como este, como do Nassif e Paulo Henrique Amorim, foi como se derrepente eu descobrisse que milhares e milhares de pessoas também pensavam igual a mim concretizando que existe sim algo de muito podre e ridículo no nosso pais. Nunca fui ingênuo de achar que não há coligações de poder em todas esferas que se degladiam até a morte para se manterem no poder ou buscar o mesmo, isso sempre existiu e sempre existirá, sempre soube que política e midia ora andaram juntas, ora contra neste duelo de manutenção e expoliação do poder, mas não tinha a prova palpável para confirmar que estes exageros tão evidentes estão alienando parcelas da população e de forma descarada arrombam os portões de uma mínima ética residual para uma agressão nociva, manipulando fatos e fatores para envenenar a realidade, me sentia impotente porque não tinha fatos além daqueles manipulados que chegavam a minha casa pela velha oligarquia prostituta e viciada que é atualmente conhecida PIG, para defender minha senssação de que ” que merda é essa que eu estou vendo nas revistas e na TV e que parece que todos que conheço não enchergam que esta claramente sendo uma manipulação barata?”, ” só vejo criticas pessoais ao presidente, só vejo acusações de todos os tipos, sem nenhuma prova, mas nunca vejo o direito de defesa ser noticiado, ser evidenciado, e o pior, sempre vejo a oposição fazer estardalhaços com coisas que pela imcopentencia homérica são resultados do governo anterior deles? Cade o senso? Cade alguem para equilibrar as coisas? Eles foram claramente os causadores de tudo que esta ai de ruim na saude e economia e nestes ultimos 8 anos e o que tenho visto foi o resgate da minha moral la fora, do meu pais e isso não tem preço, cade o reconhecimento?” e sempre ouvia: “Ahhh, cara, vc ta viajando, você acha mesmo que este cachaceiro ta resgatando alguma coisa? Ele é o maior embuste do século, o cara que roubou todas ideias do antecessor e ganhou a moral disso!”…. Como é triste ver o quão obtusa pode ser a mente humana, ingrata por natureza e acima de tudo, ofenciva e nociva! Só por não gostar de ver um operário acima na hierarquia, isso justifica todo preconceito, ingratidão e falta de senso. Quando vi o video do meu presidente relatando o que passou com aquele diretor da folha e depois li a verborragia esquizofrênica da diretora da ANJ confirmando o inconfirmavel, o inadimissível e totalmente repudiável que eles são a unica oposição ao governo eu me senti verdadeiramente…. aliviado! Aliviado por saber que não estava certo que mais ainda por saber que a luz no fim do túnel esta ai, esta aqui na minha tela, no milhares de bloqueiros e internautas que estão buscando a verdadeira noticia, a verdadeira ideia, a verdadeira oposição ao domínio intelectual que sempre fomos obrigados a aceitar desde sempre!!! Cara quando vi MEU presidente falar o que ele falou no discurso sobre a folha e a elite política e da mídia eu verdadeiramente me emocionei, veio namente na hora o respeito que sabia que tenho pelo seu governo e sua pessoa, sei que é politico, que tem falhas e passível de corrupção como todo político, mas ele foi o único que me deu a chance de dizer bem alto :“Pais do Carnaval, mulata e futebol e a PUTA QUE O PARIU!!!!!” ahhh e como isso me faz bem poder falar… sempre fui criado em berço explendido, sempre tive do melhor e hoje ocupo um bom lugar na sociedade, mas nunca vou poder negar que todos tem seu direito a isso e que so com ele isso esta sendo possível, so neste governo eu vejo todos poderem ter alguma coisa e algum respeito! Este foi o desabafo de uma cara que esta feliz em poder ver aqui ideias pares e saber que não estou sozinho!”

Nos abstemos de procurar corrigir, criar parágrafos ou mesmo alterar quaisquer expressões.  O texto acima é cópia fiel do original.  Dessa forma, fiéis ao original, ficam evidentes a sinceridade e o desabafo do leitor, que procurava, naquele exato instante, traduzir em letras o que sentia, a torrente de idéias que circulava em sua mente, que uma linguagem formal e fria não poderia, nunca, refletir.  Além do mais, entre um gole de qualquer bebida e tiragostos, em qualquer roda de amigos, é nessa linguagem que nos expressamos, não é mesmo?  É essa a nossa realidade.

Quem que nós não pensa, ou não poderia, pensar da mesma forma?  Quantos de nós, de fato, não pensamos da mesma forma?

Nota-se que é uma pessoa de classe média, posição social e financeira estável, formado, mas sobretudo brasileiro, como o somos, em grande maioria.  O leitor que possa, á sua vontade, definir o que é mais marcante nesse desabafo. Creio que o leitor terá notado, no texto, o espírito de virada e justiça social, e o “orgulho Brasil” que estamos atravessando.

Um leitor do Vi o Mundo comemorou: “Você acabou de sair da Matrix!”.  Nós, portanto, corroboramos, felizes:  seja bem vindo ao mundo real, estimado Adriano!  Assim como nós, você desconectou o plugue e as mangueiras que alimentavam nosso cérebro com as melecas da Globo/Folha/Estadão/Veja, enquanto a ilusão era a de que comíamos caviar…  Juntos, acordaremos o resto do país!

A partir do editorial de Luiz Carlos Azenha, no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui, e está em recuo.  Os grifos são nossos, bem como os comentários, em amarelo e sem recuo.

Um dos motivos pelos quais os comentaristas da grande mídia brasileira podem se esborrachar nesta temporada eleitoral resulta do fato de que, ao longo dos últimos meses — para não falar desde 2002 — eles se negam a estabelecer uma relação de causa e efeito na economia brasileira. Alguns, por conveniência ideológica. Outros, por preconceito de classe.

O pressuposto deles é de que o governo Lula seria um desastre econômico. Quando não foi, passaram a adotar três explicações, adequadas à ojeriza despertada pela presença do metalúrgico no Planalto: 1) Lula apenas administrou as virtudes de Fernando Henrique Cardoso; 2) Lula deu certo por não fazer nada; 3) Lula deu sorte e foi ajudado pelo cenário internacional favorável. Eis que uma crise financeira internacional pipocou no meio do caminho, o Brasil sofreu menos que outros países com ela, saiu antes da recessão e crescerá em 2010 numa taxa considerável.

O leitor se recorda o quanto a imprensa, usando e abusando das aspas, ironizou a “marolinha”, expressão do Lula sobre o que seria a crise financeira mundial no Brasil?

E não é que foi uma marolinha mesmo?

Prossigamos.

Ainda assim, a negação de que o governo Lula possa ter alguma virtude ainda impera. A cobertura jornalística exprime isso. O crescimento é um “dado”, como se fosse resultado de alguma intervenção divina. O fato é que a população, sim, faz relação entre o governo e o crescimento. E é daí que nasce um imenso golfo entre a opinião dos jornais — para os quais foi “sorte” — e a realidade eleitoral.

Finalmente, há a questão do público a que se destinam as principais publicações brasileiras. Os jornalistas miram apenas nos que podem pagar pelos jornais e fazem uma apreensão não contextualizada da realidade.  O Valor, por exemplo, na reportagem que reproduzo abaixo, trata dos “problemas” dos empresários com a falta de material de construção, mas não explica o que está na outra ponta: são os imóveis populares, as reformas, os puxadinhos, os condomínios de classe média, a expansão imobiliária no Nordeste?  Se o jornal tivesse feito isso teria prestado não só um serviço aos leitores, talvez tivesse conseguido estabelecer uma relação entre a fantasia dos colunistas e a realidade dos eleitores.

Fornecimento de material de construção já preocupa

Falta de mão de obra limita capacidade de expansão do setor

Daniela D’Ambrosio, Murillo Camaroto, Sergio Bueno e Paola Moura – Valor Econômico – 13/08/2010

Além da dificuldade em encontrar mão de obra treinada, as construtoras enfrentam agora a escassez na oferta de materiais, também provocada pelo ritmo intenso de atividades do setor. Fornecedores de produtos básicos e de materiais de acabamento estão operando a plena capacidade. As construtoras dizem que os casos de falta de produtos são exceções, mas já são comuns os relatos de atraso em entregas e o aumento dos preços é visto como um entrave. As maiores dificuldades parecem estar no fornecimento de tijolos, mas cimento, ferro, concreto e cerâmica também foram apontados como problemáticos.

Memória: foi há 7 anos, em 2003, que a imprensa ironizou a afirmação de Lula sobre o “espetáculo do crescimento” – assim mesmo, entre aspas, como é típico da imprensa manipuladora.  Você pode perceber isso neste artigo da Folha de São Paulo.  A reportagem ainda diz que “Lula se utilizou de suas tradicionais metáforas para pedir paciência para os resultados das últimas medidas. Ele mencionou novamente que ‘um pé de feijão leva 90 dias para nascer e um filho durante os nove meses de gestação’ “.

Apesar da ironia do folhetim… dito e feito: hoje estamos colhendo feijões! Lula de fato foi eficaz ao preparar o país para o crescimento.  Como se diz popularmente: dando uma no cravo, outra na ferradura.  Por exemplo: de 1909 a 2002,  ultimo ano do mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foram construídas 140 escolas técnicas no país.  Todavia, desde que Lula assumiu o poder, em 2002, até nossos dias, foram construídas mais de 200 Escolas Técnicas, totalizando cerca de 360 em todo país.  Em outras palavras: o governo Lula criou sozinho mais Escolas Técnicas do que todos os outros presidentes da história do Brasil juntos!

Mesmo assim, sabemos que esse numero ainda é insuficiente, haja vista a escassez de mão de obra qualificada em alguns setores – principalmente na construção civil, como pudemos ver acima.  Isso vale uma moção de desagravo – poderia ser pior, se Lula nada tivesse feito -, mas, também, uma crítica: de fato, é preciso avançar mais.  Todavia, nunca sob a batuta do PSDB, que não fez quando pôde, e não é agora que faria – por mais que seu candidato tente, inutilmente, convencer-nos do contrário.  Essa, sim, é a percepção popular.  É isso o que se ouve nos trens, no trabalho, nos pontos de ônibus, nas rodas de bar.  Também é disso que fala o Azenha, quando nos explica sobre o distanciamento da realidade de que sofre a mídia.  Dissemos isso antes: eles falam de si para si, conversam com o próprio umbigo.  A única diferença em relação a nós, é que gritam – por isso são escutados (e não mais ouvidos).  De qualquer forma, eles têm esse direito: são os 4% de insatisfeitos com o Governo Lula.  Azar o nosso que sejam donos da mídia e concentrem boa parte da renda.  Mas isso também levará pouco tempo, pois a renda já começou a ser redistribuída (felizmente para nós, povo).

Construtoras de todos os portes e das mais distintas regiões do país são unânimes: a escassez de mão de obra é o grande gargalo enfrentado pela construção civil atualmente. A falta de empregados preparados para erguer as obras, a concorrência com projetos de infraestrutura e a pressão da contratação nos custos já começa a afetar os resultados das companhias e a obrigá-las a revisar suas estratégias. A saída vai desde aumentar o uso de tecnologias industrializadas na construção a elevar o preço do imóvel, “importar” trabalhadores de outros Estados e até o uso de mão de obra alternativa, como a de presidiárias em regime semi aberto. O problema já causa atrasos de cerca de três meses nas entregas.

Que prazer que dá imaginar um trabalhador voltando para sua terra, no Nordeste, reencontrando sua família, justamente porque dezenas de empreiteiras na região precisam desesperadamente, de mão-de-obra!  Ele, justamente ele, que de lá saiu, fugindo da sêca e da completa ausência de oportunidades e de atenção do Estado!  Mas que ninguém leia nossas palavras com preconceito (algo do tipo “já vão tarde”).  É inestimável o valor do nordestino, bem como de todo o nosso povo, na região em que se estabelece – qualquer que seja ela.  Mas é muito justo que eles não precisem deslocar-se para ter direito a um mínimo de dignidade e à atenção do Estado.  Esse processo, continuadamente, irá contribuir para a desconcentração da renda, visto que o trabalhador, em sua terra natal, também é fonte de riqueza para seu município de origem, engordando o PIB per capita da região.

E é, de novo, muito feliz o resultado dessa escassez de mão-de-obra, no sentido de gerar oportunidades para  a polulação carcerária brasileira.  O Conselho Nacional de Justiça empreendeu recentemente uma campanha nos rádios e redes de TV no qual pretende estimular a contratação de presidiários, dando novas oportunidades a quem sai das prisões e precisa recomeçar a vida.   Mas sabemos o quão difícil deve ser para o preconceito das pessoas, assoladas por esse capitalismo atroz, esse egoísmo, esse individualismo estúpido,  dar nova oportunidade a  quem errou e precisa de uma chance de reintegração à sociedade.  Claro que sabemos, também, que cada caso é um caso.  De qualquer forma, no fim das contas, mais uma vez… ponto para Lula, que entendeu perfeitamente que o papel do Estado não era o de mero coadjuvante dos mercados, e sim um indutor do processo de crescimento.  O Mercado nada sabe, o mercado é uma entidade ao sabor dos ventos do lucro.  Uma hidra.  É ao Estado, esse ente a quem nós outorgamos nosso poder, que deve cuidar de nós.  Lula foi lá, no Planalto, lembrar aqueles que estavam no poder, dessa realidade, dessa verdade – até, então, apenas ideal, mas que hoje é realidade.

Entre janeiro e junho, a construção civil gerou 230 mil novos empregos no país – quase o triplo do mesmo período do ano passado, quando foram abertas 79,4 mil novas vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Nos últimos cinco anos, a construção civil, sozinha, foi responsável por 40% das novas contratações no país. “A pressão existe, é numérica e é fato”, afirma Luis Largman, diretor financeiro e de de relações com investidores da Cyrela.

Bom, depois dessa, ainda somos obrigados a aturar José Serra, ajudado por seus assessores e por uma pá de matérias, artigos e reportagens do PIG (Partido da Imprensa Golpista – será que alguém não conhece?) gritando, por exemplo, que “Dilma está maquiando os números”, “as obras do PAC estão paradas”, “o país não está investindo”, etecetera! Ainda bem que, como dizia o seriado Arquivo X, a verdade está la fora, e ela grita e brilha aos nossos olhos. É como diz um pensador: a verdade não tem álibis.  Ela aparece, de um jeito ou de outro, se impõe e permanece.  Simples assim.

A Cyrela foi a primeira – e única até momento – a divulgar o impacto do aumento dos custos nos resultados. Ela reviu os custos em 244 empreendimentos, mais de 90% do que tem em construção e lançamento. Houve um aumento de 2,2% acima do INCC no segundo trimestre. A margem bruta teve queda de 3 pontos percentuais, para 32,6%.

Só no período, de acordo com a Cyrela, a mão de obra aumentou 11% na média. Segundo Largman, os empregados especializados passaram a cobrar mais. “Estamos pagando mais caro por uma mão de obra menos qualificada e produtiva.” A empresa elevou o preço dos lançamentos em 20% para compensar os custos maiores. Mas demora algum tempo para que o balanço capture esse aumento. Para contornar o problema, a Cyrela investe em treinamento e testa métodos construtivos alternativos, mas são soluções de médio e longo prazo. “Por isso, os preços não vão parar de subir.”

“Estamos pagando mais caro por uma mão de obra menos qualificada e produtiva.” O leitor precisa entender o que está por trás dessa afirmação.  O Governo Lula vem batendo recorde atrás de recorde na geração de empregos.  Especialistas determinaram recentemente que, se a curva de geração de empregos continuar ascendente do jeito que está, em alguns meses, teremos a situação inversa: o desemprego negativo, ou o pleno emprego.  Mais exatamente, Luiz Mendonça de Barros, e justamente na Folha de São Paulo, em artigo publicado em 16/04/2010.  De novo, a Elite falando para a Elite:

“A maior parte da oferta na economia brasileira é constituída por bens e serviços que não podem ser importados. O mais importante deles é o mercado de trabalho e nele é que está a componente mais ameaçadora que vejo para a frente. […] Poderemos chegar ao fim deste ano com uma taxa de desemprego da ordem de 6%, mantido o crescimento atual da geração de postos de trabalho. Em março, o número de empregos formais aumentou em 266 mil, número muito forte para o mês.

[…] A pressão sobre os salários desse segmento dos trabalhadores já está ocorrendo e deve se acelerar. […] São evidências de instabilidade grave. Dou um exemplo: a produção de caminhões da Mercedes-Benz brasileira em março foi o dobro da matriz na Alemanha. Mesmo com a crise na Alemanha esse número é um aleijão para mim.”

E Artur Araújo, na Carta Maior (em 28/04/2010), analisou:

“Trocando em miúdos: crescer rápido é um “problema”, porque pode gerar aumentos salariais para os trabalhadores e reduzir a taxa corrente de lucros. A ótica do imediatismo salta aos olhos; nem mesmo de relance, o articulista se refere a um ciclo virtuoso, em que o crescimento real da massa salarial implica ampliação da demanda efetiva, cria as condições para expansão da capacidade produtiva (e da formação de mão-de-obra) e para a expansão da própria acumulação de capital, pelo crescimento do volume produzido e realizado.

O seu negócio é o aqui e agora, é o lucro já; e o futuro, provavelmente, nem a Deus pertence. O espantalho que agita é o da inflação de demanda, que se recusa a atacar pela via do choque de oferta, do mercado interno de massas e da expansão das exportações de maior valor agregado. Sua panacéia é o aumento dos juros.

(…)

O FMI, que não é daqui, ecoa a lógica de Mendonça. Seu mais recente relatório, diz a FSP em manchete, “vê economia brasileira ‘no limite’”. Forçado pelos fatos a revisar – para cima – sua estimativa de crescimento da economia do Brasil, o Fundo “aponta demanda ‘em estágio avançado’ e espera medidas para desacelerar crescimento de 5,5% neste ano para 4,1% em 2011.” Tanta coincidência, até nas palavras, é sintoma de um alinhamento automático, de um modo de ver e conduzir o país.

O PSDB de hoje, por vezes até mais que os “demos”, olha a economia e o Brasil com esse viés. O que o orienta é o mundo internacional das finanças e a propensão a pensar em pedaços, em satisfazer-se com políticas que incluem só um terço dos brasileiros – os mais ricos – e só uma parte de nosso território – o sul-sudeste. É a turma dos 30%.

Expansão de consumo, crescimento de salários, ampliação da produção, desenvolvimento da infraestrutura, inclusão e capacitação das pessoas, todos esses são temas ausentes de suas formulações – ou vistos como “aleijões”. Aumento continuado e real do salário mínimo, instituição de pisos salariais nacionais, redução de jornada de trabalho, diminuição de desemprego, PAC, PROUNI, são pautas que os levam à beira do pânico. Tudo que seja para todos é risco, não oportunidade.

Esse alinhamento automático pode ser percebido também e principalmente no candidato José Serra (clique aqui para entender).  E sobre o FMI, não há muito o que dizer: leia aqui sobre os Assassinos Econômicos, e você entenderá o alcance dessa instituição, seu modus operandi e a quem ela serve.

Resumindo tudo em outras palavras: o desemprego favorece os donos do capital, não os trabalhadores.  Não estamos aqui nos pronunciando contra as centenas e milhares de empresarios do país, que são responsáveis pela massa de empregos gerados no país; mas sim, e especialmente, contra os donos do capital meramente especulativo, para quem somos números.  Ou dos que favorecem as políticas imperialistas americanas, com sua corporatocracia cruel.  E, de forma geral, falamos dos 4% de insatisfeitos com o Governo Lula, que têm uma mentalidade tosca a ponto de preferir frear o crescimento do país em prol de seus lucros, mesmo que isso favoreça outras nações.  Falaremos disso mais adiante.

O uso de tecnologias construtivas que reduzem o uso intensivo de mão de obra é uma saída adotada por boa parte das empresas de grande porte, como Rossi, Direcional e Gafisa. Enquanto na construção civil convencional o trabalho é mais artesanal e exige o emprego de profissionais especializados, como carpinteiros, no sistema industrial o processo é de montagem, como em uma fábrica. O uso dos chamados serventes – profissionais com pouca experiência e que nesse caso são chamados de montadores – passa de 40% em uma obra tradicional para até 85% no sistema de construção industrializada. “O sistema garante uma economia de custos importante”, diz Cásio Audi, diretor financeiro da Rossi, que investe em fábricas de casas com paredes pré-moldadas.

A questão é mais grave em determinadas regiões. A escassez de mão de obra treinada é grande no Nordeste, mas há um agravante na Bahia. Terceiro maior empregador do setor durante o primeiro semestre, o Estado não dispõe sequer de instrutores para os cursos de qualificação. No início do próximo mês, o Sinduscon local começa uma verdadeira caça ao tesouro nos canteiros de obras de Salvador, na busca de profissionais que reúnam características mínimas para dar treinamento.

O Nordeste teve o melhor desempenho em contratações no primeiro semestre – alta de 588% em relação ao mesmo período de 2009. “A questão por aqui está muito difícil. Essa velocidade de crescimento prejudicou a qualificação da mão de obra. Temos um problema sério de produtividade em nossos canteiros”, queixa-se o presidente do Sinduscon baiano, Carlos Alberto Vieira Lima. Segundo ele, os gargalos estão gerando aumento de custos e atrasos nas entregas de imóveis no Estado.

No Ceará, onde o emprego na construção subiu 770% em comparação ao primeiro semestre de 2009, a situação não é diferente. De acordo com o presidente do Sinduscon local, Alberto Sérgio Ferreira, há dificuldade em se encontrar mestres de obras, carpinteiros e ferreiros. “Não tem ninguém desempregado e isso fica inflacionando o mercado. Fica um tomando do outro. É guerra.”

Quem, afinal, em sã consciência, consegue esquecer do desemprego e da luta que era encontrar e manter um bom emprego, por alguns meses, na era FHC?  Que o trabalhador comum possa entender: atacam o Governo Lula especialmente nesse particular, porque ele gera mais empregos.  Como vimos isso põe os trabalhadores em situações de vantagem: o capital dependendo do trabalho.  Na verdade, essas duas forças nem precisam ser tão antagônicas assim.  É a lógica especuladora do capital que quer essa luta.  Referimo-nos ao capital sem pátria, volátil, especulativo.  Das corporações americanas, por exemplo.  Interessa a eles um Brasil eternamente no terceiro mundo, com farta mão-de-obra barata, com milhões de trabalhadores desempregados lutando por vagas cuja remuneração é estabelecida a seu bel-prazer, dado o desespero por emprego.  Explicamos; é só acompanhar o exemplo a seguir:

Brasil de ontem: João, dono de uma empreiteira, tem uma vaga de secretária, e quer pagar o menor salário possivel.  Fácil: anuncia num jornal, 100 candidatas aparecem. 70% delas não têm a qualificação necessária, (pois não têm renda para seu sustento, que dirá para sua qualificação), e ele pode enfileirar todas as 30 restantes oferecendo, entrevista a entrevista, um salário menor.  Diante da oferta, a candidata da vez sabe: sua recusa pode representar a chance para as outras da fila.  Pressionada por essa situação, e por sua necessidade de sustento, ela aceita. (Nota: o leitor já passou por isso, não? Nós também!)

Brasil de hoje: João anuncia num jornal, e ninguém aparece.  Melhor dizendo: aparecem 5 candidatas.  Dessas, 3 estão empregadas e estão apenas procurando uma oportunidade melhor, e elas levantam-se alguns minutos após o início da entrevista, logo que têm chance.  Agradecem e explicam que “a vaga não atende ao perfil da oportunidade esperada” (doce vingança!), despedindo-se educadamente.  Restam 2 candidatas: a primeira delas espera ser chamada em breve para um dos 3 concursos públicos que participou, e João resolve não arriscar, ficando com a última: Marta, que está recebendo a última parcela do Seguro Desemprego, por opção, e tem a qualificação necessária – Graças a Deus!  Mas explica que precisa ganhar, no mínimo, 3 vezes mais do que João ofereceu.  Não há alternativa: João aceita!!  E vai tratar a nova funcionária muito bem, pois Augusto, da empresa de Advocacia que ocupa a sala próxima à sua, também está reclamando que não consegue arrumar uma secretária.  O João não teria ninguém para indicar?

Se o leitor é empresário, dependendo de seu segmento, logo reconhecerá essa situação; ela tem sido cada vez mais frequente.  Temos ouvido e lido várias experiências do tipo.  Mas não é o fim do mundo, empresários: é apenas o início de um novo paradigma – a parceria do Capital com o Trabalho,  do dinheiro com o talento.  Veremos  isso mais adiante.

Perdão pela longa disgressão; voltemos ao texto.

No Rio Grande do Sul, a disputa por profissionais começou a apertar há cerca de um ano e desde então o setor busca alternativas, desde a “importação” de trabalhadores até a recente assinatura de um convênio com o governo estadual para recrutamento de presos que cumprem pena no regime semiaberto.

Há dois meses, o Sinduscon gaúcho fechou parceria com o governo do Estado para a contratação de presos que cumprem pena em regime semiaberto. Segundo a diretora de tratamento penal da Superintendência de Serviços Penitenciários do Estado (Susepe), Tatiana La Bella, a primeira turma, de 12 mulheres, deve se formar em setembro. Até o fim do ano serão treinadas mais 600 pessoas que hoje estão recolhidas em 19 presídios. Os salários serão iguais aos pagos aos demais trabalhadores, mas as empresas não vão arcar com encargos sociais, conforme prevê a lei de execuções penais.

Segundo o presidente do Sinduscon-RS, Paulo Garcia, seis mil unidades habitacionais devem ser lançadas em 2010 só em Porto Alegre, o dobro do registrado até 2006, e esse crescimento pode gerar atrasos nas entregas de obras iniciadas há dois ou três anos. “São construções que começaram sob cenário diferente.”

“Ainda não tivemos a necessidade de ajustar cronogramas, mas atrasos podem ocorrer”, admite Marcelo Carraro, gerente-regional da Goldfarb, que até setembro inicia a construção de duas mil unidades habitacionais na região metropolitana. Para reduzir os riscos (as casas e apartamentos devem ser entregues no fim de 2012), a empresa contrata construtoras locais e trabalha com painéis de alvenaria moldados nos canteiros de obras, o que reduz a necessidade de mão de obra e o desperdício de materiais, explica o executivo.

Para Marcelo Moacyr, diretor da Bairro Novo, em várias cidades onde a empresa está trabalhando há outros empresas que atraem mais ou competem com a construção. “Em Camaçari, por exemplo, o trabalhador é absorvido pela indústria do polo”, conta. Até em Porto Velho, a própria Odebrecht está competindo com sua subsidiária. “A usina tira mão de obra da construção.”

“Mesmo assim, o novo trabalhador leva tempo para ganhar produtividade, aumentando o custo.” Carraro diz que importar mão de obra chega a dobrar o custo, porque a empresa fica tem de fornecer alojamento e arcar com as despesas de alimentação e transporte. “Mas já houve casos, como em Blumenau, que trouxemos do Maranhão.”

O diretor de operação da João Fortes, Wagner Lofare, diz que mesmo o trabalhador que recebe treinamento acaba trocando muito de emprego em busca de um salário maior e é necessário treinar outro. “Não há comprometimento.”

“Não há comprometimento”.  Lofare uma essa interessante expressão, que define o que poderá ser, em breve, uma nova meta do empresariado brasileiro: gerar no empregado a sensação de pertencimento, de parceria, consequentemente, visando obter o comprometimento.  Estamos falando de um novo tempo, de novas práticas.  Mais benefícios?  Participação nos Lucros e Resultados?  Estrutura hierárquica horizontal?  Plano de Cargos e Salários?

Sonho?  Estamos sonhando  Não!  As empresas brasileiras já estão de readequando.  O Capital tanto pode fazer as pazes com o Trabalho… que já fez!!  Tais práticas, antes exclusivas de grandes empresas, já começaram a fazer parte do rol de medidas de médias e pequenas empresas no país, dada a necessidade de reter talentos.

Conclusão: o Povo já percebeu que Lula, Dilma e o PT foram/vão (Graças a Deus) na contramão de FHC, Serra e o PSDB.  Isso, sem necessidade de tantas palavras quanto a que empregamos aqui; o Povo não precisa delas; Ele percebe isso nos seu dia-a-dia, na esperança, no Novo Brasil que já temos presente em nossas vidas.  Nas vidas de todos nós.

Bom, de quase todos – só 96% do país.  A conclusão do artigo de Artur Araújo, na Carta Maior, é mais expressivo do que pretendemos ser:

“Ainda que se dê a José Serra o benefício da dúvida, do quanto ainda preserva de seu suposto desenvolvimentismo, não é despropositado indagar como ele “resistiria” à pressão combinada do tucanato econômico, do udenismo paralisante e elitista e da banca mundial, falando pela boca do FMI. A experiência FHC não traz muitas esperanças quanto a isso. Um jornalista arguto qualificaria a pergunta que abre este texto e questionaria o que o candidato fará com a turma dos 30%, aqueles que, há décadas, estiveram do seu lado e sempre quiseram que o Brasil pudesse menos.”

Paralelo XIV

Como os EUA financiaram mais de 150 jornalistas contra Chávez

Do Diario Liberdade, via Vi o Mundo.

(leia direto na fonte, clicando aqui)

Documentos recentemente desclassificados do Departamento de Estado dos Estados Unidos através da Lei de Acesso à Informação (FOIA, por suas siglas em inglês) evidenciam mais de US$ 4 milhões em financiamento a meios e jornalistas venezuelanos durante os últimos anos.

O financiamento tem sido canalizado diretamente do Departamento de Estado através de três entidades públicas estadunidenses: a Fundação Panamericana para o Desenvolvimento (PADF, por suas siglas em inglês), Freedom House e pela Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (Usaid).

Em uma tosca tentativa de esconder suas ações, o Departamento de Estado censurou a maioria dos nomes das organizações e dos jornalistas recebendo esses fundos multimilionários. No entanto, um documento datado de julho de 2008 deixou sem censura os nomes das principais organizações venezuelanas recebendo os fundos: Espaço Público e Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS).

Espaço Público e IPYS são as entidades que figuram como as encarregadas de coordenar a distribuição dos fundos e os projetos do Departamento de Estado com os meios de comunicação privados e jornalistas venezuelanos.

Os documentos evidenciam que a PADF, o FUPAD, em espanhol, implementou programas na Venezuela dedicados à “promoção da liberdade dos meios e das instituições democráticas”, além de cursos de formação para jornalistas e o desenvolvimento de novos meios na Internet devido ao que considera as “constantes ameaças contra a liberdade de expressão” e “o clima de intimidação e censura contra os jornalistas e meios”.

Financiamento a páginas web anti-Chávez

Um dos programas da Fupad, pelo qual recebeu US$ 699.996 do Departamento de Estado, em 2007, foi dedicado ao “desenvolvimento dos meios independentes na Venezuela” e para o jornalismo “via tecnologias inovadoras”. Os documentos evidenciam que mais de 150 jornalistas foram capacitados e treinados pelas agências estadunidenses e 25 páginas web foram financiadas na Venezuela com dinheiro estrangeiro. Espaço Público e IPYS foram os principais executores desse projeto em âmbito nacional, que também incluiu a outorga de “prêmios” de 25 mil dólares a vários jornalistas.

Durante os últimos dois anos, aconteceu uma verdadeira proliferação de páginas web, blogs e membros do Twitter e do Facebook na Venezuela que utilizam esses meios para promover mensagens contra o governo venezuelano e o presidente Chávez e que tentam distorcer e manipular a realidade sobre o que acontece no país.

Outros programas manejados pelo Departamento de Estado selecionaram jovens venezuelanos para receber treinamento e capacitação no uso dessas tecnologias e para criar o que chamam uma “rede de ciberdissidentes” na Venezuela.

Por exemplo, em abril deste ano, o Instituto George W. Bush, juntamente com a organização estadunidense Freedom House, convocou um encontro de “ativistas pela liberdade e pelos direitos humanos” e “especialistas em Internet” para analisar o “movimento global de ciberdissidentes”. Ao encontro, que foi realizado em Dallas, Texas, foi convidado Rodrigo Diamanti, da organização Futuro Presente da Venezuela.

No ano passado, durante os dias 15 e 16 de outubro, a Cidade do México foi a sede da 2ª Cúpula da Aliança de Movimentos Juvenis (“AYM”, por suas siglas em inglês). Patrocinado pelo Departamento de Estado, o evento contou com a participação da Secretária De Estado Hillary Clinton e vários “delegados” convidados pela diplomacia estadunidense, incluindo aos venezuelanos Yon Goicochea (da organização venezuelana Primero Justicia); o dirigente da organização Venezuela de Primera, Rafael Delgado; e a ex-dirigente estudantil Geraldine Álvarez, agora membro da Fundação Futuro Presente, organização criada por Yon Goicochea com financiamento do Instituto Cato, dos EUA.

Junto a representantes das agências de Washington, como Freedom House, o Instituto Republicano Internacional, o Banco Mundial e o Departamento de Estado, os jovens convidados receberam cursos de “capacitação e formação” dos funcionários estadunidenses e dos criadores de tecnologias como Twitter, Facebook, MySpace, Flicker e Youtube.

Financiamento a universidades

Os documentos desclassificados também revelam um financiamento de US$ 716.346 via organização estadunidense Freedom House, em 2008, para um projeto de 18 meses dedicado a “fortalecer os meios independentes na Venezuela”. Esse financiamento através da Freedom House também resultou na criação de “um centro de recursos para jornalistas” em uma universidade venezuelana não especificada no relatório. Segundo o documento oficial, “O centro desenvolverá uma rádio comunitária, uma página web e cursos de formação”, todos financiados pelas agências de Washington.

Outros US$ 706.998 canalizados pela Fupad foram destinados para “promover a liberdade de expressão na Venezuela”, através de um projeto de dois anos orientado ao jornalismo investigativo e “às novas tecnologias”, como Twitter, Internet, Facebook e Youtube, entre outras. “Especificamente, a Fupad e seu sócio local capacitarão e apoiarão [a jornalistas, meios e ONGs] no uso das novas tecnologias midiáticas em várias regiões da Venezuela”.

“A Fupad conduzirá cursos de formação sobre os conceitos do jornalismo investigativo e os métodos para fortalecer a qualidade da informação independente disponível na Venezuela. Esses cursos serão desenvolvidos e incorporados no currículo universitário”.

Outro documento evidencia que três universidades venezuelanas, a Universidade Central da Venezuela, a Universidade Metropolitana e a Universidade Santa Maria, incorporaram cursos sobre jornalismo de pós-graduação e em nível universitário em seus planos de estudos, financiados pela Fupad e pelo Departamento de Estado. Essas três universidades têm sido os focos principais dos movimentos estudantis antichavistas durante os últimos três anos.

Sendo o principal canal dos fundos do Departamento de Estado aos meios privados e jornais na Venezuela, a Fupad também recebeu US$ 545.804 para um programa intitulado “Venezuela: As vozes do futuro”. Esse projeto, que durou um ano, foi dedicado a “desenvolver uma nova geração de jornalistas independentes através do uso das novas tecnologias”. Também a Fupad financiou vários blogs, jornais, rádios e televisões em regiões por todo o país para assegurar a publicação dos artigos e transmissões dos “participantes” do programa.

A Usaid e a Fupad

Mais fundos foram distribuídos através do escritório da Usaid em Caracas, que maneja um orçamento anual entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões. Esses milhões fazem parte dos 40 a US$ 50 milhões que anualmente as agências estadunidenses, europeias e canadenses estão dando aos setores antichavistas na Venezuela.

A Fundação Panamericana para o Desenvolvimento está ativa na Venezuela desde 2005, sendo uma das principais contratistas da Usaid no país sulamericano. A Fupad é uma entidade criada pelo Departamento de Estado em 1962, e é “filiada” à organização de Estados Americanos (OEA). A Fupad implementou programas financiados pela Usaid, pelo Departamento de Estado e outros financiadores internacionais para “promover a democracia” e “fortalecer a sociedade civil” na América Latina e Caribe.

Atualmente, a Fupad maneja programas através da Usaid com fundos acima de US$ 100 milhões na Colômbia, como parte do Plano Colômbia, financiando “iniciativas” na zona indígena em El Alto; e leva dez anos trabalhando em Cuba, de forma “clandestina”, para fomentar uma “sociedade civil independente” para “acelerar uma transição à democracia”.

Na Venezuela, a Fupad tem trabalhado para “fortalecer os grupos locais da sociedade civil”. Segundo um dos documentos desclassificados, a Fupad “tem sido um dos poucos grupos internacionais que tem podido outorgar financiamento significativo e assistência técnica a ONGs venezuelanas”.

Os “sócios” venezuelanos

Espaço Público é uma associação civil venezuelana dirigida pelo jornalista venezuelano Carlos Correa. Apesar de sua página web (www.espaciopublic.org) destacar que a organização é “independente e autônoma de organizações internacionais ou de governos”, os documentos do Departamento de Estado evidenciam que recebe um financiamento multimilionário do governo dos Estados Unidos. E tal como esses documentos revelam, as agências estadunidenses, como a Fupad, não somente financiam grupos como o Espaço Público, mas os consideram como seus “sócios” e desde Washington lhes enviam materiais, linhas de ação e diretrizes que são aplicadas na Venezuela, e exercem um controle sobre suas operações para assegurar que cumprem com a agenda dos Estados Unidos.

O Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) é nada mais do que um porta-voz de Washington, criado e financiado pelo National Endowment for Democracy (NED) e por outras entidades conectadas com o Departamento de Estado. Seu diretor na Venezuela é o jornalista Ewald Sharfenberg, conhecido opositor do governo de Hugo Chávez. IPYS é membro da agrupação Intercâmbio Internacional de Livre Expressão (IFEX), financiado pelo Departamento de Estado e é parte da Rede de Repórteres Sem Fronteiras (RSF), organização francesa financiada pela NED, pelo Instituto Republicano Internacional (IRI) e pelo Comitê para a Assistência para uma Cuba Livre.

___________

Até aqui, o texto de Eva Golinger.  Primeiramente, um aspecto salta aos olhos: é notória a existência de um plano de longo prazo, levado a cabo pelo imperialismo americano, em assegurar o controle da produção de petróleo mundial, ainda que em países um tanto quanto periféricos aos principes árabes da OPEP.  A propósito: não interessaria aos árabes, tradicionais parceiros americanos, que seu grande irmão do norte controle os poços de todos os seus concorrentes?  A conferir, lance por lance:

Primeiro lance: o Afeganistão (as plataformas do Mar Cáspio).  Bingo.  As corporações americanas (principalmente a indústria de medicamentos, bélica, suprimentos e obras civis) estão fazendo a festa ainda lá, e as emissões de moeda inflável pelo FED, gestadas para que o tesouro americano possa conduzir a guerra, enriquecem mais ainda os bancos que o possuem.  Status: conquistado.

Segundo lance: o Iraque. Bingo.  Idem Afeganistão.  Status: conquistado.

Terceiro lance: a Venezuela. Ali a CIA falhou ao subestimar a vontade soberana do povo venezuelano, e a imprensa comprada, manipuladora, não conseguiu emplacar a substituição de Chávez.  Washington tenta novamente acirrar a questão, por intermédio de Uribe, seu parceiro colombiano.  Que sabe, mas finge que não sabe que os interesses americanos na região vão muito além do combate ao narcotráfico.   Status: a conquistar.  Pedras no sapato: Chávez e Lula, que o apóia, atraindo, dessa forma – com sua popularidade -, um olhar benevolente do mundo sobre a Venezuela, e toda a América Latina.

Quarto lance: Irã. Hillary jura que Ahmadinejad quer a bomba, e esses “idiotas úteis” de nossa imprensa, além dos manipulados membros do Conselho de Segurança da ONU, fazem côro a tentativa de hegemonia da águia rapace estadunidense.  Status: a conquistar.  Pedras no sapato: Abdullah Gül, presidente da Turquia, e Lula, que juntos bancaram o bom policial e o mau policial,  conseguindo, juntos, costurar um acordo infelizmente derrubado nos bastidores do Conselho de Segurança da ONU.

Quinto lance: Brasil? Os interesses em nosso país podem ser resumidos em uma palavra composta, que vale rios de dinheiro: Pré-sal! Status: a conquistar (mas não será fácil).  Pedras no sapato: Povo brasileiro, Lula, Dilma Roussef.

Em resumo, essa tese é verossímil, e explica muita coisa.  Como por exemplo, a extrema má vontade de alguns veículos de imprensa nacional contra Lula e Dilma – falamos disso aqui.  Só resta saber: se, quanto, como e onde os arapongas de Langley, Virginia, dispendem recursos e energia em nome desse projeto imperialista americano no Brasil.

Por enquanto, podemos apenas torcer que um dos críticos cidadãos americanos tornem a usar a Lei de Acesso à Informação americana, e nos premiem com a valiosa informação.

Até lá, sigamos guiados pela nossa razão, pela lógica, pelas evidências e sinais observados, e pela criticidade que deve nortear nosso pensamento.

“A verdade, como a inocência, costuma estar inerme: não toma o cuidado de se precaver com alibis. Essa é a sua miséria, essa é a sua grandeza.” (Pilar Urbano)

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Por Emir Sader

Quem olhasse para o Brasil através da imprensa, não conseguiria entender a popularidade do Lula. Foi o que constatou o ex-presidente português Mario Soares, que a essa dicotomia soma a projeção internacional extraordinária do Lula e do Brasil no governo atual e não conseguia entender como a imprensa brasileira não reflete, nem essa imagem internacional, nem o formidável e inédito apoio interno do Lula.

Acontece que Lula não se subordinou ao que as elites tradicionais acreditavam reservar para ele: que fosse eternamente um opositor denuncista, sem capacidade de agregar, de fazer alianças, se construir uma força hegemônica no país. Ficaria ali, isolado, rejeitado, até mesmo como prova da existência de uma oposição – incapaz de deixar de sê-lo.

Quando Lula contornou isso, constituiu um arco de alianças majoritário e triunfou, lhe reservavam o fracasso: ataque especulativo, fuga de capitais, onda de reivindicações, descontrole inflacionário, que levasse a população a suplicar pela volta dos tucanos-pefelistas, enterrando definitivamente a esquerda no Brasil por vinte anos.

Lula contornou esse problema. Aí o medo era de que permanecesse muito tempo, se consolidasse. Reservaram-lhe então o papel de “presidente corrupto”, vitima de campanhas orquestradas pela mídia privada – como em 1964 -, a partir de movimentos como o “Cansei”. Ou o derrubariam por impeachment ou supunham que ele pudesse capitular, não se candidatando de novo, ou que fosse, sangrado pela oposição, ser derrotado nas eleições de 2006. Tinham lhe reservado o destino do presidente solitário no poder, isolado do povo, rejeitado pelos “formadores de opinião”, vitima de mais um desses movimentos que escolhem cores para exibir repudio a governos antidemocráticos e antipopulares.

Lula superou esses obstáculos, conquistou popularidade que nenhum governante tinha conseguido, o povo o apóia. Mas nenhum espaço da mídia expressa esse sentimento popular – o mais difundido no país. O povo não ouve discursos do Lula na televisão, nem no rádio, nem os pode ler nos jornais. Lula não pode falar ao povo, sem a intermediação da mídia privada, que escolhe o que deseja fazer chegar à população. Nunca publica um discurso integral do presidente da republica mais popular que o Brasil já teveAo contrário, se opõem frenética e sistematicamente a ele, conquistando e expressando os 3% da população que o rejeita, contra os 82% que o apóiam.

Talvez nada reflita melhor a distância e a contraposição entre os dois países que convivem, um ao lado do outro. Revela como, apesar da moderação do seu governo, sua imagem, sua trajetória, o que ele representa para o povo brasileiro, é algo inassimilável para as elites tradicionais. Essa mesma elite que tinha uma imensa e variada equipe de apologetas de Collor e de FHC, não tolera o fracasso deles e o sucesso nacional e internacional, político e de massas, de um imigrante nordestino, que perdeu um dedo na máquina, como torneiro mecânico, dirigente sindical e um Partido dos Trabalhadores, que não aceitou a capitulação ou a derrota.

Lula é o melhor fenômeno para entender o que é o Brasil hoje, em todas as posições da estrutura social, em todas as dimensões da nossa história.

Quase se pode dizer: diga-me o que você acha do Lula e eu te direi quem és.

Os Fukuyamas tucanos

“O governo Lula, que tomou posse em 2003, acabou antes da hora”.

“O governo Lula acabou.”

Emir Sader*, de seu Blog, via Carta Maior.  A matéria original, na fonte, pode ser lida aqui.  Os grifos, em negrito, se existentes, são nossos.

As duas afirmações foram feitos no delírio que tomou conta de grande parte da imprensa tucana em 2005, o que levou a muitos espasmos de ejaculação precoce. A primeira, de um livro de uma empregada da empresa familiar dos Marinhos, a nunca suficientemente sóbria Lucia Hippolito.

Publicada no auge do que acreditavam seria a crise terminal do governo Lula, no livro “Por dentro do governo Lula”, sugerindo que a perspicaz personagem tinha captado as entranhas do governo, pela sua suposta formação de historiadora. O subtítulo reitera esse olhar privilegiado – “Anotações num Diário de Bordo”, o que pode explicar a pouca sobriedade, provocada pelo vai e vem da viagem.

A segunda afirmação foi feita por um amiguinho, dando uma força para a coleguinha, tomando euforicamente como um fato o fim do governo. O texto é de Ricardo Noblat, na quarta capa do desafortunado livro da pouco sensata funcionaria da mesma empresa que ele.

Ao que se saiba, passados cinco anos, nenhum dos dois fez autocrítica, reconsiderou suas apreciações, considerou que tinham tido um acesso de onipotência e que tinham se equivocado redondamente. Nada disso. Seguem adiante com suas argutas “análises” cobrando seus salários da mesma empresa, como se não tivesse errado redondamente.

Ninguém acredita no que dizem eles e seus colegas na mídia direitista. Todos eles acreditavam que o governo Lula era um gigante de pés de barro, sem apoio popular, totalmente entregue às ameaças da oposição, inevitavelmente condenado ao impeachment ou a sangrar continuamente até eleições em que ou Lula sequer seria candidato ou seu candidato seria facilmente derrotado pela oposição – por Alckmin ou por Serra. Acreditavam que Lula seria um outro Jânio ou um outro Collor – heróis efêmeros dessa mesma mídia.

Não decifraram o enigma Lula e foram devorados por ele. Lula deu a volta por cima e ascendeu dos 28% de apoio a que chegou a estar reduzido no auge da crise de 2005 aos mais de 80% atuais. Quando a oposição mandou mensageiros com a proposta de capitulação ao Lula – retira-se a proposta do impeachment e Lula renunciaria a candidatar-se a um segundo mandato, proposta que não foi levada pela Dilma, que esteve sempre alinhada com Lula, ao contrário do que disse a venenosa reportagem do Valor -, ouviu um palavrão daqueles do Lula, que disse que viraria o país de cabeça para baixo.

E virou. Não apenas no apelo ao apoio popular, mas sobre tudo pelas políticas sociais, que haviam começado a deslanchar com as mudanças no governo, especialmente com o papel de coordenação que passou a ter a Dilma no governo.

Supostos analistas políticos que cometem erros desse calibre, não se emendam, não renunciaram a seus cargos, continuam na mesma toada, revelam como não conhecem o país e tampouco a política, o poder, o governo e o povo brasileiro.

Acreditavam, como Fukuyamas tucanos, que o governo Lula tinha acabado, que seus amigos tucanos voltariam ao poder e o país voltaria a ser deles. Seus patrões já preparavam os apressados cadernos com a necrologia do governo Lula. Como havia dito um ex-ministro da ditadura: “Uma hora o PT teria que ganhar, fracassaria e os deixaria governar o país sem oposição popular”.

Se equivocaram e, pelo que tudo indica, continuam a equivocar-se. Lula não manteria sua popularidade com a crise internacional. Manteve e consolidou o apoio ao governo. Lula não transferiria sua popularidade para a Dilma. Transfere. Dilma, como nunca se havia candidatado, não seria uma boa candidata. Ela se revela excelente candidata. Serra mostraria ser experiente, tranqüilo, seguro. Ele se revela destemperado, inseguro, intranqüilo.

A história não acabou, o governo Lula não “acabou antes da hora”, tem tudo para eleger sua sucessora. Os corvos ladram, a caravana passa.

*Emir Simão Sader é um sociólogo e cientista político brasileiro. De origem libanesa, é graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre em filosofia política e doutor em ciência política.

Até aqui, o excelente artigo de Emir Sader.

Voltamos a afirmar: a Grande Imprensa (PIG) acredita, e muito, que ainda têm o poder de manipular, vaticinar e, assim, transformar em realidade seus desejos.  Como na época em que bradava que O Brasil não tinha Petróleo (clique aqui para ler a excelente matéria de Beto Almeida – Carta Maior, via Vi o Mundo).

Faltou combinar com o povo…

Mas isso não é surpresa!!  A imprensa não enxerga o povo.  Enxerga assinantes e prospects.  Meio desesperadamente: quase ninguém mais os está lendo.  Apenas alguns de nós, que temos a triste missão de ouvi-los – os loucos.  Bradam como os profetas do apocalipse, gritando “O Fim está próximo” em plena praça, atrapalhando o povo que atravessa o sinal, correndo, andando de um lado para outro, com a esperança no olhar.

Desolados, quando a rua esvazia, e só as luzes das TVs nos prédios piscam (de olho na Record!), eles se viram para outro doido, a Direita, e ficam falando, ora sozinhos, ora de si para consigo, de olho no próprio umbigo.  E adormecem balbuciando: “é o fim… é o fim…”.

Só uma perguntinha: o TSE também está de olho no movimento midiático-PIGuiano, que promove (ainda que tortamente, com suas análises estapafúrdias) José Serra?  O que pretende fazer a respeito?

Dilip Hiro*, via Vi o Mundo – Traduzido por Caia Fittipaldi.

Para ler a matéria diretamente na fonte, clique aqui.  Ou para ler o artigo original, em inglês, clique aqui.

Como de praxe, o texto citado aparece em recuo.  Eventuais comentários de Paralelo XIV, sem recuo, e eventualmente, se houverem grifos nossos, em negrito.

A política sem rumo de Obama e uma superpotência evanescente

27/5/2010, Dilip Hiro*, Tom Dispatch

Façam a política que fizerem, todos os políticos dos quais mais se deva desconfiar do que confiar apresentam, todos, um traço comum: todos são indiferentes ao dano que causam, em muitos casos, ao mundo. George W. Bush é bom exemplo; Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico, outro exemplo. No que tenha a ver com política externa, vemos acontecer a mesma coisa hoje, na Casa Branca de Obama.

O padrão-Obama de governar é claro: escolha alguém, no ‘mundo exterior’, e pressione. Ameace. Diga que você fará e acontecerá se ele não se curvar aos desejos de Washington. Quando ‘o inimigo’ não se render e, pior, se responder e falar grosso, retroceda correndo, trate de supercompensar o fracasso com vitórias em alguma outra área e entre em modo ‘reparar danos’.

Em seu pouco mais de um ano de governo, Barack Obama já deu vários exemplos de como governar à sua moda. O presidente dos EUA absolutamente é incapaz de avaliar o peso das cartas de um ou outro dos adversários que escolha atormentar, nem sabe avaliar a determinação de jogar aplicadamente com as cartas que cada um tenha.

Obama tende à retirada, ao primeiro sinal de resistência; o que mostra que não é homem nem de coragem nem de convicções, dois ingredientes cuja presença ou ausência definem os políticos profissionais e os estadistas. Insistindo numa política externa sem rumo, rateando sempre que tem de enfrentar desejos diferentes dos seus, Obama, sem querer, ajuda a dar razão aos que dizem que os EUA já não são nem superpotência nem poder emergente: são poder evanescente – e que a evanescência da ex-única-superpotência é irreversível.

Como deram um Prêmio Nobel da Paz a Obama?  E porquê?  Sim, a pergunta é retórica.  Mas já vemos, com orgulho, o que distingue nosso presidente, um verdadeiro estadista, do deles: coragem e convicção.

Prossigamos.

Dentre os que se recusaram a ceder ante a tática linha-dura das ameaças iniciais de Obama (e ante o impacto do poder dos EUA) estão hoje, não só os presidentes de China (megapotência, das grandes) e do Brasil, potência mediana, mas também os líderes israelenses, poder apenas local e visceralmente dependente de Washington para a própria sobrevivência, e até o Afeganistão, estado-cliente. Até aí, ainda sem mencionar a junta militar de Honduras, entidade desimportante, mas que enfrentou as ordens de Obama como se fosse o Politburo da ex-URSS.

Em Honduras, Obama rateou

Quando derrubaram o governo civil e eleito do presidente Manuel Zelaya em junho de 2009, os generais hondurenhos passaram a fazer jus à vergonhosa distinção de serem os primeiros autores de golpe na América Central, da era pós-Guerra Fria. Por que o golpe? O fator decisivo foi o presidente Zelaya ter optado por um Referendum (só consultivo, que nada decidiria), para que a população se manifestasse sobre alterações a serem introduzidas na Constituição. As alterações, se houvesse, seriam feitas pelo Parlamento, votadas, aprovadas ou rejeitadas.

Ao denunciar o golpe como “terrível precedente” na região, e exigir a volta ao Estado de Direito em Honduras, o presidente Obama começou por dizer e repetir que “não queremos voltar àqueles dias negros do passado. Somos e estamos do lado da democracia.”

Para dar peso às palavras, Obama precisaria ter retirado seu embaixador de Tegucigalpa (como fizeram Bolívia, Brasil, Cuba, Equador, Nicarágua e Venezuela) e suspenso imediatamente a ajuda dos EUA, da qual Honduras depende. Nada disso. Em vez dessas atitudes, o que se viu foi a secretária de Estado Hillary Clinton, que declarou que o governo Obama não classificaria formalmente o golpe como golpe… “por hora” – e mesmo depois de a ONU, a OEA e a União Europeia já o terem feito.

Já aqui aparecia o que pode ser o maior problema de Obama: Hillary.  Ela parece destoar dele.  Seria proposital?  Obama é Paz, e Hillary a Guerra (leia-se: Cia, Departamento de Estado, FED, lobby armamentista)?  Seriam a dupla “policial bom e policial mau”?

Tá parecendo mais “Policial fraco e policial louco”!

Afinal, Hillary sabe que não governa?  Ou Hillary é que governa, e Obama não sabe disso?

Dado que os EUA recuaram, os generais golpistas encheram-se de coragem. Com eles, encorajaram-se também os seus apoiadores no Congresso. O governo imposto de Roberto Micheletti, testa-de-ferro dos militares golpistas contratou uma renomada empresa de “Relações Públicas” em Washington, e puseram-se a trabalhar.

Bastou isso, para enfraquecer toda a “decisão” democrática do presidente dos EUA, homem de belos discursos, mas sem qualquer convicção política no que tenha a ver com política exterior. Foi quando a secretária de Estado Clinton pos-se a tagarelar sobre reconciliar o presidente deposto e o governo golpista de Micheletti, tratando-os ambos os grupos, um governo legítimo e um governo ilegítimo, como se fossem irmãos gêmeos.

Os generais hondurenhos logo viram que a tática de fingir que Washington não pia estava dando bons resultados; e empinaram o peito. Só quando Clinton disse e repetiu que o Departamento de Estado não reconheceria o resultado da eleição presidencial de novembro, porque haveria dúvidas quanto à transparência e lisura das eleições, os generais aceitaram conversar, um mês antes das eleições. Concordariam com a volta de Zelaya ao palácio, para levar o mandato até o término.

Foi quando o senador Republicano linha-dura de direita Jim DeMint, fanático apoiador dos generais hondurenhos, entrou em ação. O governo Obama só receberia aprovação para seus indicados para postos-chave na América Latina, se a secretária Clinton reconhecesse o resultado das eleições, e pouco importava o que fosse feito de Zelaya. Clinton capitulou.

Como resultado, Obama passou a ser o segundo presidente – o outro foi o presidente do Panamá – dos 34 países-membros da OEA, a apoiar a nova “eleição” presidencial em Honduras. O que talvez pareça negociação rotineira na política doméstica do Capitólio foi vista na comunidade internacional que interessa como humilhante retirada do governo Obama, ao ser desafiado por um punhado de generais hondurenhos. Vários políticos e grupos políticos, é claro, tomaram nota.

E a Veja (Grupo Abril) exultou!!  Semanas antes, havia exibido uma aviltante capa com um pinto armado com flechas e outros adereços, numa paródia da águia americana, como se a opinião própria do país fosse tomada como “imperialismo canhestro”.  “Viu? Acertamos”, devem ter pensado os redatores.

Pena.  Análise equivocada, atrapalhada pelo preconceito, por uma visão de curto prazo e por um comportamento colonizado.  Atrapalhada, também – claro – pela necessidade de, apenas, obedecer a ordem dos patrões.  Quem deve ter ficado satisfeito foi o Departamento de Estado Norte Americano.

Mas por pouco tempo.

Retirada ainda mais dramática, seria imposta a Obama, quando trançou chifres com o primeiro ministro de Israel Benjamin Netanyahu.

Trançou Chifres?? (risos)

O esperto Netanyahu levou a melhor

Ao assumir Obama, a Casa Branca anunciou com muita fanfarra que começaria imediatamente a cuidar da difícil questão Israel-palestinos. Examinando então o ‘Mapa do Caminho’ de 2003, de uma paz apoiada pela ONU, por EUA, Rússia e União Europeia, descobriram que Israel, um dia, prometera cessar completamente a construção nas colônias exclusivas para judeus, eufemisticamente chamadas pela Casa Branca e sua mídia, de “assentamentos”.

Na primeira reunião com Netanyahu em meados de maio de 2009, Obama exigiu a suspensão imediata de qualquer construção nas colônias na Cisjordânia e na parte ocupada de Jerusalém Leste, onde já vivem cerca de meio milhão de judeus. Disse que ali estaria o principal obstáculo ao estabelecimento de um Estado palestino independente. Netanyahu rugiu – e jogou a carta iraniana: que o programa nuclear iraniano seria ameaça existencial a Israel.

Obama caiu como patinho na armadilha de Netanhyahu. Em conferência conjunta de imprensa, Obama aproximou as duas questões: as conversações de paz entre israelenses e palestinos e a ameaça que o Irã representaria para a sobrevivência de Israel. Em seguida, para deleite de Netanyahu, Obama deu prazo – “até o final do ano” – a Teerã, para responder aos seus acenos diplomáticos. Assim, o astuto primeiro-ministro de Israel levou o presidente dos EUA a apertar o nó que, dali em diante, manteria atadas uma à outra as duas questões, as quais antes, sempre existiram desconectadas uma da outra. E Netanhyahu sequer precisou oferecer alguma coisa em troca do serviço que Obama prestou-lhe.

Depois, Netanyahu introduziria nova diferença entre a expansão das colônias exclusivas para judeus já existentes e a construção de novas colônias; e a nada se comprometeu, em relação às já existentes. Ainda mais, separou completamente a Cisjordânia e Jerusalém Leste, a qual, como jamais parou de repetir, seria parte integral e inseparável e “capital eterna de Israel” e, portanto, não sujeita a qualquer restrição que se definisse sobre construção nas novas (e também nas velhas) colônias exclusivas para judeus.

No mesmo estilo cenográfico de todo o governo Obama, Clinton respondeu com o que parecia ser firmeza: “Não haverá exceções no congelamento dos assentamentos”. Logo depois, se viu que não passavam de palavras ocas, que nada mudaram na questão real.

Quando Netanyahu rejeitou publicamente as exigências de Obama, de que pusesse fim a construções nas colônias na Cisjordânia, Obama subiu o cacife: sugeriu que a intransigência dos israelenses aumentaria os riscos para a segurança dos EUA.

Igualzinho fez Hillary há poucos dias: amplificada por nossa mídia colonizada, afirmou que o movimento diplomático brasileiro traria mais insegurança que tranquilidade ao mundo.

Bom, ao mundo deles!  Que precisam viver cavando guerras e crises, para dar de comer ao FED e à Corporatocracia Americana!  São como a Regina Duarte: vivem tomados de medo.

Medo da paz.

O espírito de Kennedy – e seu último discurso – ronda.

Dia 15/10, depois de muito vai-e-vem de coxias entre os dois governos, Netanyahu anunciou que dera por encerrada a discussão com Washington sobre “os assentamentos”. Em seguida, em reunião posterior com Clinton, disse que reduziria algumas construções em algumas colônias. A jogada valeu-lhe agradecimentos efusivos da secretária Clinton, que apresentou o gesto como “concessão sem precedentes”, sinal evidente de que, sim, sim, seria possível retomar sem condições as conversações de paz entre palestinos e israelenses.

Os palestinos enfureceram-se com os EUA virarem-lhe tão acintosamente as costas. “Supus que os EUA fossem contrários à expansão das colônias ilegais”, disse um furioso porta-voz do governo palestino, Ghassan Khatib. “Precisamos de negociações para acabar com a ocupação, não de novas colônias para aprofundar a ocupação.”

Em dezembro, Netanyahu aceitou uma moratória de dez meses na construção nas colônias, mas só depois de o Estado ter autorizado a construção de mais 3.000 apartamentos na Cisjordânia ocupada. Firmes na posição assumida, os palestinos rejeitaram qualquer simulacro de conversações de paz, até que a construção de novos prédios nas colônias exclusivas para judeus venha a ser realmente paralisada.

Dia 9/3/2010, exatamente quando o vice-presidente Joe Biden chegava a Jerusalém, como parte da campanha de Washington para iniciar o “processo de paz”, as autoridades do governo de Israel divulgaram a aprovação para que se construam mais 1.600 novas casas exclusivas para judeus em Jerusalém Leste. Movimento violento e arrogante, aprofundou o desafio à autoridade de Obama e enfureceu Biden (além de Obama).

Com sua proposta de reforma da Saúde em disputa por aprovação na Câmara de Deputados, dia 24 de março, quando recebeu Netanyahu em Washington, Obama estava numa roda viva. Ao que se sabe, apresentou três condições para dar por encerrada a crise com Biden: estender o congelamento de novas construções nas colônias, para até depois de setembro de 2010; fim de qualquer novo projeto de construção em colônias em Jerusalém Leste; e retirada dos soldados de Israel para trás das linhas existentes antes da Segunda Intifada. E Obama deixou Netanyahu em reunião com assessores na Casa Branca, para só voltarem a reunir-se quando “houver alguma novidade”. Mais uma vez, como no caso dos golpistas de Honduras, a fala de Obama não passou disso: fala.

O objetivo de toda essa atividade foi conseguir que os palestinos voltassem à mesa das conversações de paz com Israel, conversações muito justificadamente suspensas pelos palestinos quando Israel atacou a Faixa de Gaza em dezembro de 2008. Netanyahu aceitaria novas conversações, desde que “sem qualquer precondição” imposta pelos palestinos.

Ao final, Netanyahu obteve praticamente tudo que queria: nem teve de aceitar precondições do governo Obama, nem teve de aceitar precondições dos palestinos. Em resumo, Obama curvou-se aos desejos de Netanyahu. O cachorro sacudiu o rabo.

Os infelizes representantes da Autoridade Palestina entenderam a mensagem. Depois de alguns protestos apenas rituais, aceitaram participar de “conversações indiretas” com o governo Netanyahu, com George Mitchell, enviado de Washington ao Oriente Médio, levando as conversas de um lado ao outro. ‘Isso’, chamado “conversações indiretas”, começou dia 9/5/2010. Ao longo dos próximos quatro meses, a dura missão de Mitchell será tentar diminuir as diferenças (cada dia maiores) entre o que Israel e os palestinos entendem por “Estado palestino” – sendo que, agora, os dois lados sabem que o governo Obama meterá o rabo entre as pernas e não pressionará Israel, aconteça o que acontecer.

Bom, está claro que só a Veja, Reinaldo Azevedo e os demais jornalistas colonizados do PIG acreditam (acreditam?  ou querem nos fazer acreditar?) que Obama e o Império Americano são mais eficazes e, de fato, um poder a ser considerado, em relação ao Brasil de Lula.

Ledo engano.

(Aliás, chamam nosso governo de irresponsável por adotar tais políticas, acusando-o de ignorar que são nossos maiores parceiros comerciais!  Eram, parceiro!!  Agora é a China!!

Ela mesma, a das camisinhas de José Serra!!)

Escaramuças com a China e, de repente, aquecimento

Os problemas de Obama com a República Popular da China começaram em novembro de 2009 quando, para grande desapontamento de Obama, o governo chinês não lhe deu tratamento de Alteza Real em sua primeira visita à China.

As relações Washington-Pequim esfriaram ainda mais quando o governo Obama autorizou venda no valor de 6,4 bilhões de dólares de armamento avançado a Taiwan, inclusive mísseis antimísseis, e Obama recebeu o Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, na Casa Branca (embora num salão secundário). A República Popular da China considera Taiwan província separatista e o Tibete como parte da República chinesa, o que faz do Dalai Lama chefe de grupo separatista, aos olhos de Pequim.

Altos funcionários dos EUA qualificaram seus movimentos como “um troco” que Obama estaria dando à China, a qual estaria apostando mais alto do que podia. Com esses movimentos, prosseguiu, incansável, a pressão para que Pequim valorizasse sua moeda, o yuan. O governo de Obama serviu-se de uma lei que exige que o Departamento do Tesouro notifique, duas vezes ao ano, casos de país que manipule a taxa de câmbio entre sua moeda e o dólar americano em busca de ganhos extra no comércio internacional. A data para o próximo relatório desse tipo – antessala para possíveis sanções –, 15 de abril, foi repetida ad nauseam por funcionários do Tesouro e do governo dos EUA.

Em meados de abril, Obama estava preparando um encontro sobre segurança nuclear internacional em Washington. Queria reunir o maior número possível de presidentes. No mínimo, queria reunir os líderes dos quatro países nucleares com poder de veto no Conselho de Segurança – Grã-Bretanha, França, Rússia e China.

Era o que esperava o presidente chinês Hu Jintao, sobre cuja cabeça pendia a espada obamiana, que ameaçava denunciar a China pelo crime de manipular a moeda contra o dólar. Hu declarou que não compareceria à reunião ‘nuclear’ de Obama. Obama piscou. Adiou a data para divulgação do parecer do Departamento do Tesouro, sine die. Em troca, Hu viajou a Washington e encontrou-se com Obama no Salão Oval, na Casa Branca.

Pequim – o coletivo de dirigentes muito realistas e muito experientes – não foi surpreendida por tensões montantes entre China e EUA. A atitude deles apareceu manifesta em editorial do China Daily, pouco depois da posse de Obama. “Os líderes dos EUA jamais se mostraram contidos, ao falar das suas ambições nacionais”, lia-se lá. “Para eles, está-lhes garantida a glória por direito divino, independente do que pensem os demais países.” E o editorial previa que “Obama, que defenderá os interesses dos EUA, acabará inevitavelmente em confronto com os interesses dos demais países.” Exatamente o que se vê acontecer hoje, repetidas vezes.

Esse realismo contrasta vivamente com o estado de espírito da Casa Branca, onde se crê, simploriamente, que alguns poucos discursos enunciados em capitais por todo o mundo, por um eloquente novo presidente, bastariam para restaurar o prestígio dos EUA que as políticas de George W. Bush deixou em ruínas. O que o presidente e sua entourage parecem não ver, contudo, apareceu em pesquisa do importante Pew Research Center. Mostrava-se ali que, depois da campanha pública da diplomacia de Obama, enquanto a imagem dos EUA realmente melhorara consideravelmente na Europa, México e Brasil, a melhora foi menos significativa na Índia e na China; foi apenas marginal no Oriente Médio árabe; e igual a zero na Rússia, Paquistão e Turquia .

Paralisado num modo autocongratulatório, a equipe de Obama não deu atenção à ampla gama de opções de jogo que ainda há em mãos de outras potências, para retaliar contra a pressão dos EUA. Por exemplo, não previram que Pequim ameaça impor sanções contra grandes empresas norte-americanas fornecedoras de armas a Taiwan; tampouco previram a dura resistência da República Popular da China, que não considerou, até agora, sequer a possibilidade de desvalorizar o yuan.

Curioso: os EUA parecem a nossa direita, não?  Ou a nossa Grande (grande?) Imprensa.  Ou será o contrário?  De qualquer forma, não importa: ambos imaginam que o que eles desejam, necessariamente existe.  Fora dessa tese insana, o que existe, de fato (ou seja, o mundo real), não necessariamente existe, porque eles não o desejam!  Parecem aquele garoto frustrado, dono da bola no campinho, gritando contra os demais que abandoraram o jogo, por sua causa.

O garotos estão indo para casa, o campo está vazio, chove, o garoto berra sozinho de olhos fechados.  Tem medo de abrir os olhos.  Tem medo de descobrir a verdade.

A de que não é mais respeitado ou temido.  Nem manda mais no jogo de futebol.  Ele só tem a bola – não o talento.

Aliás, ele suspeita que os amigos (amigos?) organizam seu jogo de futebol, com ou sem ele.  Inclusive já descobriram que é até mais divertido, sem ele.

Há quem atribua o comportamento dos chineses a um crescente nacionalismo e ao medo, nos líderes, de que, se cederem a pressão de “estrangeiros”, abalarão a própria imagem “interna”. Mas a verdadeira razão pela qual os chineses resistem tem mais a ver com as durezas da economia, do que com qualquer preocupação com emoções populares. Nos dias iniciais da Grande Recessão de 2008-09, simbolizada pelo colapso do gigantesco banco de investimentos Lehman Brothers, a China logo farejou movimentos tectônicos em andamento no próprio equilíbrio do poder econômico internacional – com desgaste importante à, até então, “única superpotência”.

Enquanto se contraíam as economias de EUA e Europa, Pequim rapidamente adotou políticas que visavam a estimular a demanda interna e os investimentos em infraestrutura. Daí nasceu crescimento impressionante: 9% no PIB em 2009, com 12% já previstos para 2010. Com isso, até os analistas do Goldman Sachs já preveem que a China será a primeira potência econômica mundial, já a partir de 2050.

Pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, não são os EUA que arrancam o resto do mundo das garras do crescimento negativo: é a China. Os EUA emergiram da carnificina financeira como a nação mais endividada do planeta, sendo a China o principal credor, com impressionantes – e sem precedentes – reservas de $2,4 trilhões em moeda estrangeira.

Suas ricas corporações endinheiradas estão comprando empresas e recursos naturais futuros da Austrália ao Peru, do Canadá ao Afeganistão onde, ano passado, o Congjiang Copper (cobre) Group, corporação chinesa, ofereceu $3,4 bilhões – um bilhão de dólares a mais que a mais alta proposta das metalúrgicas ocidentais – para assegurar-se o direito de minerar cobre de um dos mais ricos depósitos do planeta.

Karzai, o Perigo, torna-se Karzai, o Indispensável

Ao assumir a presidência, Obama não fez segredo do desagrado que lhe inspirava o presidente afegão, Hamid Karzai. Para dispensar-se de enfrentar a viciosa corrupção que contamina todo o governo afegão, altos funcionários e militares dos EUA inventaram a ideia de negociar diretamente com os governadores das províncias e distritos afegãos. Na eleição presidencial de agosto de 2009, escolheram apoiar Abdullah Abdullah, principal e importante adversário de Karzai, como todos sabiam.

Quando Karzai manipulou pesadamente as eleições para garantir a reeleição, e fez-se de surdo aos clamores de Washington para que ‘limpasse’ o governo, Obama decidiu servir-se do porrete para disciplinar mais esse regime-cliente. Em gesto dramático, embarcou para viagem de 26 horas – de Washington a Cabul –, no último fim-de-semana de março, para dar lições pessoais a Karzai sobre sua (de Karzai) incompetência para governar e combater a corrupção. Karzai, sem alternativas, deixou que Obama falasse e nada disse.

Quando, porém, Karzai soube, pelos jornais, que um militar norte-americano não identificado havia sugerido que seu meio irmão mais jovem, Ahmed Wali, principal representante do governo Karzai na província de Candahar, no sul, deveria ter seu nome incluído na lista do Pentágono de barões da droga a serem assassinados ou presos, a paciência de Karzai esgotou-se, de vez.

O presidente afegão indignado respondeu com declarações de que os EUA obravam deliberadamente para intensificar e aprofundar a guerra no Afeganistão, para conseguir permanecer na região; não para pacificá-la, mas para controlá-la. Disse também que, se Washington insistisse nessa tática suja, aliar-se-ia aos Talibã. (Karzai, de fato, foi importante arrecadador de fundos para financiar os Talibã, depois que capturaram Cabul, em setembro de 1996.)

Obama reagiu como sempre, em iguais circunstâncias: se desafiado, retrocede. De porreteador maluco, transformou-se instantaneamente em distribuidor de cenouras durante a visita de Karzai a Washington no início de maio (a qual, em março, a equipe de Obama ameaçava adiar indefinidamente).

O ponto alto do movimento de bajular Karzai – digno de ser incluído em versão contemporânea de Alice no País das Maravilhas – foi um jantar oferecido a ele pelo vice-presidente Joe Biden, em sua mansão.  Karzai, além de sentir-se vingado, deve ter rido muito. Em fevereiro, Biden protagonizara movimento de ofensa operística, ao levantar-se e sair de jantar com Karzai no palácio presidencial, depois de Karzai ter desmentido que seu governo fosse corrupto e dito que, mesmo que houvesse corrupção, o grande corruptor jamais foram nem ele nem sua família.

Apesar do tratamento “tapete vermelho”, e das táticas de “ofensiva de charme” e “poder soft”, Karzai foi cristalmente objetivo e claro na entrevista coletiva; ao lado de Obama, declarou que “o Irã é nação amiga do Afeganistão, nossa nação-irmã”.

Sentimentos semelhantes foram pouco depois expressos também por outro presidente – no Brasil.

O presidente Lula do Brasil e Obama

Desde que assumiu a presidência no Brasil, em 2003, Luiz Inacio Lula da Silva, sempre que necessário, trilhou caminho diferente do prescrito por Washington. Na Rodada de Doha, a questão foi o comércio mundial. E o mesmo se tem visto nas questões de aquecimento global e das sanções contra Cuba.

Em dezembro de 2008, o presidente do Brasil presidiu reunião de 31 países latino-americanos e do Caribe, excluídos os EUA, num centro turístico em território brasileiro, Sauípe. Mês seguinte, em vez de ir ao Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, da Silva compareceu ao 8º Fórum Social Mundial em Belém, cidade à beira do rio Amazonas.

Criticou o modo como Obama desconsiderara a via democrática em Honduras e, apesar do desagrado manifesto do governo Obama e da oposição no Brasil, convidou o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad a visitar Brasília em novembro de 2009 para conversações sobre o programa nuclear iraniano – primeiro movimento importante da diplomacia brasileira sob seu governo. (Uma semana adiante, da Silva recebera calorosamente o presidente Shimon Peres de Israel, em Brasília.) Seis semanas depois, da Silva estava em Teerã – e fez história, para desconsolo patético de Washington.

Bom, para desconsolo patético, também, de nossa Grande (grande?) Imprensa (precisamos dela?).  A Oposição, bom, essa nem se opõe mais.  Agora quem faz o trabalho é o PIG, que a considera incompetente.  A Veja e seu pitbull continuarão vociferando, até que o que desejam e acreditam, se torne realidade.

Ou seja: pra sempre (visto que o que desejam não se tornará realidade…).

Atuando em conjunto com o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan, da Silva reviveu uma proposta de acordo nuclear de outubro de 2009 e, contra todas as expectativas, conseguiu definir um acordo nuclear com Ahmadinejad.

Surpreendido, de fato aturdido, com o sucesso de Brasil e Turquia, e com a pouca importância que haviam dado à ‘desaprovação’ de Washington, o governo Obama desconsiderou toda a própria política até ali e passou a exigir que o Irã cancelasse seu programa de enriquecimento de combustível nuclear. E pôs-se freneticamente a tentar impor ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução para mais sanções contra o Irã, como se o acordo costurado por Brasil e Turquia não existisse.

A dificuldade para ver a realidade é miopia, para dizer o mínimo. A incapacidade para avaliar, do presidente dos EUA e de sua secretária de Estado, ignora todos os movimentos relevantes que agitam o mundo (real), hoje. A influência das potências ‘medianas’ no cenário mundial está aumentando. Todos os governos, no mundo, sentem – com razão – que não precisam render-se ‘preventivamente’ às exigências de Washington. Nada mais estimulante, hoje, do que esse movimento.

O trecho grifado aplica-se às nossas (nossas?) preconceituosas direita, imprensa (PIG) e, também, a uma parcela da oposição.  Já o dissemos antes – e não estamos sozinhos: negam a realidade, e negar a realidade não a modifica.

Eles continuam com medo de abrir os olhos, e descobrir que estão sozinhos no campo de futebol.

Esse é o caminho pelo qual essas potências ‘medianas’ (ditas “emergentes”, mas, de fato, já plenamente “emergidas”), começam a conseguir reunir-se e atuar nas questões internacionais, tomando iniciativas diplomáticas com boa chance de serem bem-sucedidas.

Hoje, em todo o mundo, do Afeganistão a Honduras, do Brasil à China, líderes globais, dos maiores aos menores, pressentem que o governo Obama mais late que morde. É evidência de que, por mais que os EUA ainda sejam potência mundial, já não são nem a única nem a determinante. Esse desgraçado “século dos EUA” está irreversivelmente a caminho do fim.

(*)  Dilip Hiro é dramaturgo, escritor político, jornalista, historiador e analista especializado em Índia e em vários países islâmicos, que vão desde o Iraque e Líbano até repúblicas da Ásia Central.  Hindu, nascido em Larkana, na Índia britânica, Hiro é possui mestrado diplomado pela Universidade do Instituto Politécnico da Virginia (USA).  Atualmente vive em Londres, onde se estabeleceu em meados da década de 60.

Escritor, é autor de 30 títulos, e é conhecido por sua oposição à ocupação anglo-americana do Iraque.  Como jornalista, ele contribui para o The Observer, The New York Times, The Guardian, The Washington Post e é um comentarista da BBC, Sky News, CNN, e várias estações de rádio.

Luiz Inácio Lula da Silva
By Michael Moore Thursday, Apr. 29, 2010

da revista Time

Quando os brasileiros primeiro elegeram Luiz Inácio Lula da Silva presidente, em 2002, os barões do país [robber barons] checaram o tanque de combustível de seus jatos privados. Eles haviam tornado o Brasil um dos países mais desiguais da terra e então parecia ter chegado a hora da “vingança”. Lula, 64, era um filho genuíno da classe trabalhadora da América Latina — na verdade, um membro fundador do Partido dos Trabalhadores — que tinha sido preso por liderar uma greve.

Quando Lula finalmente conquistou a presidência, depois de três tentativas fracassadas, ele era uma figura familiar na vida nacional. Mas o que levou à política? Foi seu conhecimento pessoal do quanto é duro para muitos brasileiros trabalhar para sobreviver? Ser forçado a deixar a escola na quinta série para ajudar a família? Trabalhar como engraxate? Ter perdido um dedo em um acidente de trabalho?

Não, foi quando aos 25 anos de idade ele viu a esposa Maria morrer durante o oitavo mês de gravidez, junto com o filho, por não poderem pagar um tratamento médico decente.

Há uma lição aqui para os bilionários do mundo: deixem as pessoas terem bom atendimento médico e elas vão causar muito menos problemas para vocês.

E aqui há uma lição para o resto de nós: a grande ironia da presidência de Lula — ele foi eleito para um segundo mandato em 2006 e vai servir até o fim do ano — é de que quando ele tenta colocar o Brasil no Primeiro Mundo com programas sociais como o Fome Zero, desenhado para acabar com a fome, e com planos para melhorar a educação disponível para os trabalhadores do Brasil, faz os Estados Unidos parecerem cada vez mais um país do velho Terceiro Mundo.

O que Lula quer para o Brasil é o que um dia chamamos de Sonho Americano. Nós, nos Estados Unidos, onde o 1%  no topo da escala tem mais riqueza financeira que os 95% da base combinados, estamos vivendo em uma sociedade que está ficando rapidamente cada vez mais parecida com a do Brasil.

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Fonte: Vi o Mundo.