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Prezados Leitores,

Há muito para dizer e, infelizmente, muito pouco tempo para tal.  Manter um blog com matérias interessantes, coerentes e conteúdo relevante não é fácil.  É um trabalho para amadores, sim, mas amadores com bastante energia, tempo disponivel e dispostos a pesquisa séria e equilibrada do que se deseja analisar.  Acreditamos ter esse potencial, mas nos falta tempo.  Esse é o principal motivo pelo qual informamos que este blog será descontinuado em breve.  Não estamos nos furtando à luta, mas apenas pensamos que podemos ser igualmente produtivos em outras searas, colaborando nos blogs dos demais amigos e, quiçá, de forma mais ativa no mundo não-virtual.   Dessa forma, este é um dos últimos posts do blog.  Esperamos que todos possam nos compreender.

Todavia, algo nos move, ainda; ainda nesse inesperado – mas repleto de lições a aprender – segundo turno das eleições.  É a fala de Martin Luther King, negro estadunidense, militante da paz e dos direitos humanos, assassinado em l968:

“O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”

Por esse principal motivo, não podemos, ainda, nos calar diante dos descalabros que vemos em nosso dia a dia.  De uma campanha difamatória, suja e matematicamente engendrada pela oposição, contra a candidata Dilma Roussef.  Enquanto isso, do outro lado, a chamada grande mídia segue cumprindo o papel preconizado – há séculos – pelos que se denominam a Elite.  Essa imprensa, também matematica e friamente, de forma manipuladora – como é seu modus operandi -, apregoa agora uma nova visão: o “fato consumado”, de que Serra estaria eleito.  Quem falou disso, há alguns dias foi o Azenha, neste post, no seu excelente e indispensável Vi o Mundo.

A verdade: Não há fato consumado, e a tendência para a vitória, bem como os prognósticos que o futuro nos aponta, caminham na direção da eleição de Dilma Vana Roussef, a futura presidente do Brasil.

Razão pela qual fazemos um último apelo á razão: o leitor deve aprender a ler nas entrelinhas de cada fato, como falamos em outras oportunidades, como aqui.  Faça uma pesquisa no blog e entenda nossa visão sobre esse e outros assuntos.

E ainda que o leitor não seja eleitor de Dilma/Lula, rogamos para que mantenha o senso crítico sobre tudo que lê, tudo o que toma conhecimento.

Isso posto, analise o curriculo e a história dos candidatos e dos seus atos.  Pense, reflita, critique, analise e chegue – aí sim, com sua própria cabeça – à sua conclusão.  Use sabiamente essa nova ferramenta – a internet – e busque você mesmo realizar seu filtro.

Um outro pedido: por favor, não anule seu voto; por mais que você pense que tudo é corrupção; que todos os politicos não prestam e nada vai mudar; que nada pode ser feito, e tudo ficará assim para sempre – como ficou até agora – saiba a verdade: essa é uma ilusão colocada cirurgicamente pela imprensa e pelo restante do sistema, em sua mente.  Para ocultar de você a verdade maior: o poder é seu, e depende de você, de nós, de todos nós enfim, fazer as coisas acontecerem.

Isso não significa que o mundo seja belo, lindo, e os problemas do Brasil tenham sido resolvidos: não; há muito o que fazer.  Mas quer saber porque não foi feito até agora?

Porque o maior interessado – você! – ainda não acordou completamente para a realidade de que é o principal ator para a modificação dessa realidade que nos cerca.  Mas não se culpe: está apenas seguindo, inconscientemente, o plano deles.

Sejamos mais didáticos: você gosta/gostou do governo do Presidente Lula? Está entre os 80% que aprovam seu Governo, ou os 16% que o considera regular?

Se a resposta é sim, e se votou – como nós – em Lula, em 2002 e 2006, saiba que esse sucesso é seu! Tudo isso de bom que acontece em nosso país, foi você, fomos nós que fizemos.  Com a sua escolha. Tendo pensado, tendo refletido, tendo escolhido acreditar no futuro de nosso amado país, tendo acreditado, tendo recusado pensar com a cabeça dos outros, tendo ignorado as mentiras e as manipulações da imprensa, tendo enfim, finalmente, sido pro-ativos, tendo AGIDO – e não, REAGIDO.

Saiba, portanto, que o futuro do país depende de você.  Querem fazer você crer que seu voto não faz a menor diferença.  Mentira: faz sim. Faz TODA a diferença. E saiba, ainda, que votar nulo ou branco é tão eficaz como forma de protesto quanto tentar encarcerar um tigre com uma gaiola de passarinho: é inútil.

Você não é obrigado a chegar a nossa conclusão, mas nos permita dizer que seu voto será mais útil em Dilma Roussef – 13 – do que em anulação, voto branco ou em José Serra.  Mas como chegar a essa conclusão?  Muito simples: na hora de se postar em frente á urna para digitar seu voto, pare, pense e reflita:

“Onde eu estava em 1999?”

  • Por acaso você se recorda da sensação de que não valeu a pena participar da eleição de 1998?
  • Se recorda do desemprego e da desesperança?  Das sabidamente poucas chances de conseguir sustentar sua família?
  • Se lembra de ter perguntado à várias pessoas: “quem votou no Fernando Henrique Cardoso, em 1998,, afinal?”, e de só obter respostas negativas?  Se lembra de ter pensado as respostas possíveis a esse silêncio de seus interlocutores?  Pensou em fraude eleitoral?  Ou pensou que na verdade quem votou em FHC estava com vergonha de confessar seu voto, enfim, confessar a merda que fez?
  • “O Brasil não vai prá frente, porque se for para a frente, cai no abismo?”.  Se recorda dessa frase?  Onde ela anda agora?  Saiu de seu vocabulário?  Você a esqueceu?  Porque?
  • Lembra-se que o Brasil era o “pátio de estacionamento dos Estados Unidos”?  Esqueceu disso também? Porque?
  • Se você – como nós – era pobre em 1999 e vem ascendendo, e tem ou está prestes a comprar seu primeiro veículo; lembra-se de quais eram as perspectivas para alcançar esse objetivo em 1999?
  • Aliás, você estaria lendo essas palavras em um blog em 1999?  Você tinha computador em 1999?  Tinha internet? (p.s.: internet de verdade ainda vem por aí… também depende de você…)
  • Você achava que o Brasil era respeitado no exterior, em 1999?
  • Você, enfim, tinha esperanças em 1999?

Então, para finalizar, visite este artigo, leia-o, analise-o, veja as imagens, e saiba o seguinte:

1999: ano compreendido entre o período 1994-2002 – Gestão PSDB.  Presidente: Fernando Henrique Cardoso.  Ministro: José Serra.

2010: ano compreendido entre o período 2002-2010 – Gestão PT.  Presidente: Luis Inácio Lula da Silva. Ministra: Dilma Roussef.

Agora abra os olhos – lembre-se, você está diante da urna eletrônica! É hora de você agir.  Decida o futuro que quer.  Decida pela esperança dos seus filhos e netos.  Olhe para frente, e não volte ao passado!  Sem boatos, sem mentiras, sem medo, sem dúvidas!

Vote 13.  Vote Dilma Roussef.

Nos encontraremos em 1º de janeiro de 2011.  Nós, você e o futuro.

Um dos trabalhos sujos que a mídia faz é o de contribuir para a ampliação da sensação de impotência  de um povo.  Sinalizando subliminarmente através da divulgação de escândalos, corrupção, desvio de recursos públicos, violência, degradação moral e problemas sociais de forma geral, o cidadão, seu refém, que a ela (mídia) recorre para se manter informado, ao término do telejornal conclui, diariamente, que o mundo está perdido, o Brasil não tem jeito, e não vale a pena se preocupar, não vale a pena se importar, nada posso fazer.

Nada tão distante da verdade.

Prezado leitor: essa sensação experimentada por todos nós, é proposital!  Mas entenda: não estamos aqui dizendo que tudo que exista de mal deva ser ocultado; não se trata disso.  Se trata, primeiramente, de entender que a liberdade de imprensa tão pretendida, na verdade, é a liberdade de empresa – ou seja, da empresa de comunicação concessionária, que decide, ao seu bel prazer, filtrar a informação a que tem acesso e mostrá-la – ou não – a seus telespectadores/leitores/ouvintes.  Ao fazê-lo, atua de forma seletiva e subliminar.  Uma empresa concessionária de um serviço público tem, no mínimo, o dever de informar e o de entreter – e não o direito de manipular.

Infelizmente, na maioria dos casos, Liberdade de Imprensa não representa Liberdade de Informação!

O principal problema não é o que se diz, e sim o que não se explicita – o não dito, a linguagem não verbal, que induz  à conclusões estudadas.  Em nenhum momento você ouvirá uma rede de televisão dizer, com todas as palavras: gente, o mundo está perdido; não vale a pena se meter.  Isso – e muito mais – é dito sem palavras, começando com a escolha das notícias e a forma como elas são apresentadas.

Estendendo o exemplo, vemos que na mídia impressa – e, no caso em questão, na “mídia virtual” – um dos velhos truques utilizados é a disparidade entre a manchete – seja de capa, ou não – e o conteúdo imediatamente associado.  Nascida no seio dos jornais impressos – quando ainda não havia internet – as manchetes funcionam como a mensagem que um veículo de imprensa deseja expressar.  É um resumo, e são vistas pelos leitores como uma síntese do que está acontecendo de mais importante no dia.  E são percebidas como a imprensa – não como O Globo, Zero Hora ou Notícias Populares.

Uma das funções primordiais das manchetes são o de atrair o leitor para a aquisição do impresso (seja jornal ou revista).  Faz parte da chamada de capa, também, as fotos – e, em tempos recentes, infográficos e ilustrações.  É uma forma – quando mal utilizada – ainda mais perniciosa de passar informação, pois o que se vê atua de forma diferente do que se lê.  As imagens atuam como símbolos, arquétipos, se fixando no fundo de nossas mentes.  Não se diz que uma imagem vale mais do que mil palavras?  Vale, sim, estimado leitor, porque as imagens são emblemáticas; elas falam e significam coisas, por si só.  Não é a toa que se faz faculdade de jornalismo  – que inclui o fotojornalismo.  As notícias são coroadas por fotos memoráveis, escolhidas a dedo, que transmitem a mensagem que se deseja.  Não é a toa, por exemplo, que nunca se vê a imagem do candidato José Serra nos jornais, com o dedo no nariz – uma das suas atitudes mais estranhas e mais comuns.  Procure na internet, prezado leitor, e a encontrará em blogs, somente.  A grande mídia, que o defende, não deseja mostrar essa face.  É o filtro, estúpido!

Pois bem: quantas vezes não vemos uma manchete de capa apontando um fato grave, importante ou apenas interessante para, minutos depois, decepcionar-nos com o conteúdo, após a compra do jornal, descobrindo que a notícia não era exatamente aquela que se alardeava?

Como por exemplo numa manchete um pouco mais antiga, da época da chamada crise nos aeroportos, dada em uma publicação dedicada a concursos públicos: “Vagas para controladores de vôo – contratação imediata”.  Alguns reais depois, descobre-se que é necessário inscrever-se em um concurso público para a Força Aérea – concurso esse, cuja inscrição estava apenas prevista, a julgar pela dezena de anúncios de apostilas e cursinhos intensivos que tomavam a parte inferior da página.

Dando um fictício (?) exemplo, funciona da mesma forma, quando uma manchete alardeia: “Petrobrás opera com várias plataformas enferrujadas”.  Ao lado, a foto de uma estrutura caindo aos pedaços, sobre o mar.  O leitor passante – aquele que não vai comprar o jornal, só lerá a manchete e, se estiver na internet, não clicará sobre ela para ler o corpo da matéria -, já recebeu a mensagem que o dono do jornal quer passar (sim, o dono: é ele quem decide a linha seguida pela pauta!).  Dessa maneira, várias mensagens espoucam na mente dos leitores, de forma não verbal – ou seja, são percepções que ficam gravadas no nosso subconsciente através da associação da manchete e das imagens: O Governo é ineficiente; a Petrobrás é mal-administrada; meu Deus, eles operam com esse material podre?  Isso não existe nas empresas privadas; Poxa, que chato, nada muda; Ainda bem que existe esse jornal, que me conta a verdade…

Comprando o jornal e lendo a matéria, nota-se, com algum esforço e prática, o filtro atuando: um sindicato fez a denúncia (não foram informações apuradas diretamente), e a quantidade de plataformas que justifica o termo várias da reportagem são… duas! (entre, quem sabe, oitenta plataformas!).   Contudo, a reportagem omite que ambas encontram-se… desativadas!!

São esses pequenos truques de quem considera que tem o direito e o dever (sim, eles pensam assim) de intermediar e filtrar a informação a que temos acesso.  Sim, repetimos – eles pensam assim.  Inclusive estão incomodados com a idéia do Estado – esse ente a quem outorgamos o nosso poder – falar diretamente a nós, cidadãos, sem intermediação.  Pretendem eles atuar como intermediários do que deve ser a expressão do poder popular?

Não prezado leitor; não pretendem.  O fazem, há séculos. Mas agora gritam e esperneiam, porque a Petrobrás, o Palácio do Planalto, nós e você, leitor, temos blogs.  Afinal, quem precisa da imprensa?  Mais especificamente, desse tipo de imprensa, que ofende nossa inteligência?  Para quê?  Apenas para nos manipular?

Que todos possamos, através da internet, reaprender e exercitar a capacidade de pesquisa, de filtro, de garimpar a verdade através do cruzamento de múltiplas referências.  Isso feito, poderemos tirar nossas próprias conclusões – e não as conclusões que querem que tiremos!

Por fim, saiba, estimado leitor: vale a penas se importar, sim.  Vale a pena não só sonhar, mas lutar para ver o sonho realizado.  Foi com uma pequena mudança de direção que o nosso amado Brasil chegou onde chegou, e temos tudo para não apenas prosseguir no mesmo caminho, mas como ajudar a corrigir sua rota, através da democracia representativa e das informações transparentes, por meio da rede, que o governo Lula nos apresenta, e que certamente será continuado através de um eventual – mas cada vez mais provável, obrigado – governo Dilma.

As perspectivas para nosso futuro são fantásticas.  Com cada vez mais pessoas conectadas à internet, o comércio eletrônico irá certamente explodir, gerando mais e mais empregos.  As informações deverão circular livremente, e teremos muito trabalho ao instruir os recém chegados.  Os cidadãos deverão ter o hábito de pesquisar e fiscalizar, eles mesmos, as ações de seus governos, em cada uma das esferas (Federal, Estadual, Municipal), e acompanhar seus representantes.  Uma previsão mais que óbvia: haverá um boom na área de logística.  É melhor nos prepararmos, todos nós.

É o sonho brasileiro, tão longamente atrasado por interesses escusos, que bate à sua porta!  E ele é feito por nós – todos nós, sem excluir ninguém, sem deixar ninguém para trás! O estimado leitor é chamado à ação: tente! Se interesse! Se informe – e informe!  Diga alô para o mundo, compartilhe, dialogue, pergunte – e pergunte de novo, se necessário -, entenda, explique.

Vale a pena!

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Leia também:

Carta Maior: falta futuro para os barões da mídia

Eurico Vianna: da sociedade vertical à sociedade horizontal

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Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?

Da série “Desmontando Inverdades: o e-mail da Ata da Petrobrás”

Conheça:

Blog do Planalto

Blog da Petrobrás – Fatos e Dados

Por Maurício Thuswohl(*) no Carta Maior.  O original pode ser lido aqui, e os grifos, em negrito, são nossos.

Realizado nos dias 19 e 20 de agosto, o 8º Congresso Brasileiro de Jornais foi revelador do momento pelo qual passam os principais conglomerados de comunicação no Brasil. A começar pelo próprio tema, “Jornalismo e Democracia na Era Digital”, o evento organizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) no Rio de Janeiro foi uma prova viva de que as poucas famílias que controlam os principais jornais do país vêm tendo muitos motivos para se preocupar desde que as novas mídias eletrônicas entraram em cena.

O principal tema de discussão entre os cerca de 700 empresários e profissionais do setor foi a gratuidade do conteúdo jornalístico na internet, curiosamente considerada por muitos dos presentes como “um entrave à democracia”. A própria ANJ, no texto de abertura do congresso, já antecipava sua posição a esse respeito: “O bom jornalismo, que difunde as informações de credibilidade e as opiniões que os cidadãos necessitam para fazer as suas escolhas, resulta de investimentos e deve ser adequadamente remunerado”.

Não é à toa que, este ano, a maior estrela do congresso organizado pelos donos da mídia no Brasil foi o jornalista Robert Thomsom, editor do Wall Street Journal. O jornal dos Estados Unidos se tornou o case de maior sucesso em termos de venda de conteúdo pago via internet. Durante sua palestra, o “guru” não decepcionou: “Precisamos urgentemente voltar ao que era antes. Voltar ao básico, em que as pessoas apreciam o conteúdo jornalístico o suficiente para pagar por ele”, disse.

Outras questões debatidas no congresso foram o fim da Lei de Imprensa e o fim da obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício da função de jornalista, destacados como “importantes avanços” pela presidente da ANJ, Judith Brito, que também é diretora-superintendente do Grupo Folha.

Única novidade do congresso, a ANJ apresentou um plano de autorregulamentação do setor, a partir da criação de um conselho dentro da própria associação. A idéia, no entanto, não conta com o entusiasmo sequer do vice-presidente da ANJ, e também vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho: “A autorregulamentação é um princípio muito bom, mas a atividade jornalística é carregada de subjetividades”, disse.

“Perigo na AL”

O grande momento do congresso, no entanto, foi o painel “O Futuro da Democracia e o Jornalismo”, que reuniu o diretor de redação da Folha de SP, Otávio Frias Filho, e o sociólogo e professor da USP Demétrio Magnoli, um daqueles intelectuais que, segundo a ANJ, “difunde as opiniões que os cidadãos necessitam”. Neste debate, a sociedade brasileira foi alertada para o perigo que constitui “a formação de joint-ventures entre companhias de telecomunicação e governos populistas” para controlar a difusão de informações: “Tal perigo ronda, em especial, a América Latina”, afirmou Magnoli.

O sábio neoliberal disse mais: “Vem sendo difundida a teoria de que os jornais são como partidos que fazem parte de um jogo político. Ela surge numa época em que volta a idéia de que o Estado deve falar diretamente às pessoas, evitando a mediação. Essa teoria política dá base a um projeto de jornalismo estatal em curso na América Latina, buscando criar uma imprensa alternativa, principalmente nos meios eletrônicos”.

Frias, por sua vez, estendeu a outros continentes o leque de culpados pela “guinada antidemocrática” no jornalismo mundial: “Vladimir Putin, Ahmadinejad, Chávez, Rafael Corrêa e Evo Morales representam uma erupção de governantes autoritários e populistas que, embora mantendo a aparência de democracia, manietam os poderes Judiciário e Legislativo, além de buscar controlar a imprensa”, disse.

“Conferencismo”

Os candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) passaram, em momentos diferentes, pelo 8º Congresso Brasileiro de Jornais. Os três presidenciáveis ratificaram a Declaração de Chapultepec, documento firmado em 1994 no México durante uma conferência hemisférica sobre liberdade de imprensa organizada pelos grandes empresários do setor.

Curiosamente, no mesmo dia em que passou pelo congresso da ANJ, Serra deu declarações públicas acusando o governo Lula: “Nos últimos anos, têm havido diversas tentativas de cercear a liberdade de imprensa no Brasil”, disse o tucano, que também fez críticas à 1ª Conferência Nacional de Comunicação, classificada como “parte de um processo de conferencismo pago com o dinheiro público”.

Em resposta a Serra, o ministro Franklin Martins divulgou uma nota pública na qual afirmou que o tucano “faz uma acusação grave e descabida” ao governo: “A imprensa no Brasil é livre. Ela apura – e deixa de apurar – o que quer e publica – e deixa de publicar – o que deseja. Opina – e deixa de opinar – sobre o que bem entende. Todos os brasileiros sabem disso. Diariamente, lêem jornais, ouvem noticiários de rádio e assistem a telejornais que divulgam críticas, procedentes ou não, ao governo. Jornalistas e veículos de imprensa jamais foram incomodados por qualquer tipo de repressão ou represália”, diz a nota.

Orquestra

Os ataques orquestrados ao governo e aos “inimigos da liberdade de imprensa” continuaram nestes últimos dias nos maiores jornais do país com a cobertura do XVI Encontro do Foro de São Paulo, evento do qual participam 54 organizações políticas de esquerda da América Latina e do Caribe. Fazendo referência ao documento final do encontro, que pede a democratização dos meio de comunicação, o jornal O Globo publicou matéria com o singelo título “PT e grupo da AL apóiam controle da mídia”.

Percebe-se pela postura adotada, seja nas páginas de seus veículos ou no congresso da ANJ, que os barões da mídia no Brasil, acossados em seu próprio domínio, começam a atirar para todos os lados em uma clara demonstração de que não sabem mais para onde ir. Qualquer semelhança com a campanha do candidato a presidente por eles apoiado não é mera coincidência. E pensar que, logo após o congresso da ANJ, foi realizado em São Paulo o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que reuniu cerca de 300 blogueiros em defesa da liberdade de expressão, da democratização da comunicação e da universalização da banda larga no Brasil. Como se vê, apesar das preocupações conservadoras, ninguém pode deter o futuro.

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Leia mais em:

Eva Golinger: o financiamento de Washington a jornalistas

Eurico Vianna: da sociedade vertical à sociedade horizontal

Mais um que acorda!

Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?

(*) Maurício Thuswohl é jornalista

Publicado originalmente no Vi o Mundo.  O original pode ser lido aqui.

“Caros Blogueiros,

Moro atualmente fora do Brasil e tenho acompanhado à distância, e graças aos Blogueiros e à internet, as atualidades políticas e culturais do Brasil. Graças a essa façanha da blog-esfera brasileira no fortalecimento da mídia alternativa, pessoas como eu podem se manter atualizadas sem ter que se submeter, e na verdade à contragosto, à agenda política da grande mídia. Com interesse especial tenho acompanhado também o ‘Encontro dos Blogueiros Progressistas’, razão pela qual resolvi compartilhar uma fonte que, acredito, pode colaborar com o papel democratizador da informação exercido pelo blogs.

Clay Shirky, autor e pesquisador sobre internet e mídia social, no seu livro Here Comes Everybody: How Change Happens When People Come Together, [Aí vem todo mundo: Como as mudanças acontecem quando as pessoas se unem*] editado pela Penguin Books (2008) anuncia uma revolução em todo campo institutional de nossas sociedades. E só é uma revolução, como ele mesmo diz, se alguém sair perdendo. Em relação à realização de tarefas e resolução de problemas, essa mudança, que já está em andamento, vai minar o poder de instituições hierárquicas e enrigecidas e empoderar grupos cooperativos frouxamente associados. Acho que vale a pena conferir a utilidade para o contexto de luta dos blogs brasileiros. O sítio de palestras TedTalks.com disponibiliza uma apresentação do autor para download. Com legendas em português a palestra Institutions versus Collaboration (aqui) resume bem os assuntos tratados no livro.

Estudando a revolução causada pelas novas tecnologias nas instituições em geral, Shirky aponta o jornalismo como uma das classes onde a mudança é mais evidente. Ele, analisa, por exemplo, a intercessão entre a ‘blog-esfera’ e o jornalismo, e a questão do blogueiro ser, ou não, um jornalista — para ele essa não é a questão mais importante. Para ele importa mais entender como, por meio de baixo custo e novas tecnologias, a ‘amadorização’ na veiculação de informações termina por extrapolar a exclusividade da classe profissional. Achei dois de seus insights muito válidos, não só para os blogueiros, mas para todos os progressistas.

Primeiramente, no tocante ao jornalismo, a queda radical dos custos operacionais e a maneira como as mídias sociais mudam o cenário. Shirky afirma que essas novas tecnologias invertem o padrão ‘filtre primeiro e publique depois’, para o ‘publique primeiro e filtre depois’. Em sua análise, essa mudança tira das mãos dos ‘grandes’ editores o poder de decisão sobre o que é pauta (ou ao menos o relativiza), e passa a valorizar o julgamento do leitor, na medida em que este, por meio dos blogs, começa a redefinir a pauta da grande mídia. Um viés inovativo para o entendimento das mudanças tão faladas atualmente. Uma leitura genial e bem instrutiva, valendo, portanto, para todas as pessoas interessadas em desenvolver e aprimorar padrões mais cooperativos e horizontais de ação coletiva.

Outro insight importante é o papel dos novos meios de comunicação social na alteração dos padrões de formação, manutenção e operação de grupos sociais. Os novos meios, facilitando o compartilhamento de informações, a cooperação e a ação coletiva, interferem no equilíbrio entre a abordagem institutional, inerentemente exclusiva, segundo ele, mas predominante até o momento, e a abordagem colaborativa, mais democrática, mas até recentemente desprovida de tecnologias que a apoiassem.

Shirky, no entanto, alerta que “a questão aqui, não é que ‘isso é maravilhoso’ ou que vamos ver uma transição de abordagens exclusivamente institucionais para abordagens exclusivamente cooperativas. Vai ser muito mais complicado que isso. Mas o ponto é que será um reajuste maciço. E já que podemos vê-lo com antecedência e sabemos que está chegando, meu argumento é essencialmente: nós podemos muito bem nos preparar melhor para ele”.

Eurico Vianna

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Leia mais em:

Liberdade de Imprensa ou Liberdade de Informação?

Mais um que acorda!

O palpite togado de um golpe improvável

O que significam as palavras da vice-procuradora da República, Sandra Cureau, afirmando que, devido à quantidade de irregularidades, “a candidatura Dilma Rousseff caminha para ter problema já no registro e, se eleita, já na diplomação”?

Gilson Caroni Filho(*), na Carta Maior – via Vi o Mundo.

A temperatura da disputa política, agitada com os recentes programas partidários, traz ao primeiro plano uma movimentação que, dependendo dos desdobramentos, pode ser ridícula ou inquietante: a nova direita, tal como a antiga, parece o homem que, acordado, age como se dormisse, transformando em atos os fragmentos de um longo e agitado sonho no qual ele ainda é o principal ator, com poderes para interromper qualquer possibilidade de avanço institucional.

O sonho-delírio do bloco neoudenista insiste em não aceitar a disputa democrática, reitera a disposição em deixar irresolvidos conflitos fundamentais, antecipando o fracasso de qualquer debate político. Seu ordenamento legal não se propõe a garantir o mesmo direito a todos, ampliando o Judiciário e racionalizando as leis. Deseja uma democracia que só existe no papel, com instituições meramente ornamentais que dão um tom barroco às estruturas de mando.

Inconformada com a derrota que se anuncia em pesquisas de intenção de voto, a classe dominante se esmera em repetir ações que um dia lograram êxito. Tornam-se cada vez mais frequentes as ações combinadas de articulistas de direita e membros do Judiciário. Acreditando que a história permite repetições grotescas, multiplicam-se editoriais, artigos, entrevistas com vice-procuradoras e ministros do TSE que acreditam estar criando condições superestruturais para um golpe contra a candidatura de Dilma Rousseff. Se ainda podemos encontrar pouquíssimos comentários políticos de diferentes matizes, é inegável a homogeneidade discursiva dos “especialistas” em jornalismo panfletário. E eles se repetem à exaustão.

No entanto, o erro de cálculo pode ser surpreendente. Confundir desejo com realidade tem um preço alto quando se pensa em estratégia política. Ao contrário de 1964, não faltam às forças do bloco democrático-popular, o único capaz de impedir de retrocessos, organização e direção. Os movimentos sociais, e esse não é um pequeno detalhe, não mais se organizam a partir do Estado, como meros copartícipes de governos fracos e ambíguos. Estruturados no vigor das bases, acumulando massa crítica desde o regime militar, os segmentos organizados contam, hoje, com experiências suficientemente amadurecidas para deslegitimar ações e intenções golpistas junto a expressivos setores da opinião pública.

Rompendo as alternativas colocadas pelas elites patrimonialistas que apoiam José Serra, as forças progressistas dispõem de plataforma política para não permitir que a democracia brasileira venha a submergir no pseudolegalismo que se afigura em redações e tribunais.

Nesse sentido, o que significam as palavras da vice-procuradora da República, Sandra Cureau, afirmando que, devido à quantidade de irregularidades, “a candidatura Dilma Rousseff caminha para ter problema já no registro e, se eleita, já na diplomação”? Nada mais que identidade doutrinário-ideológica com o que há de mais reacionário no espectro político brasileiro. Inexiste no palpite da doutora Sandra um pensamento jurídico que se comprometa com os anseios democráticos da sociedade brasileira.

Nem que fosse por mera hipótese exploratória, seria interessante que o Judiciário se pronunciasse sobre o conteúdo da informação televisiva, em especial a que é produzida pela TV Globo. Quando uma emissora monopolística, operando por meio de concessão pública, editorializa seu noticiário e direciona a cobertura para favorecer o candidato do PSDB, o que podemos vislumbrar? Desrespeito a uma obrigação constitucional? Abuso de poder político e econômico? Ou um exemplar exercício de “liberdade de imprensa”?

São questões candentes quando, antes de qualquer coisa, o custo da judicialização da vida pública partidariza algumas magistraturas. Sem se deixar intimidar com as pressões togadas, a democracia só avança através de pactos que permitam abrir a sociedade às reivindicações e participação social de setores recém-incluídos. A candidatura de Dilma Rousseff expressa essa possibilidade. Do lado oposto, sob pareceres e editoriais que se confundem tanto no estilo quanto no conteúdo, reside a quimera de um golpismo cada vez menos provável.

(*) Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

Até aqui, o texto de Gilson Caroni.

Na verdade, o tal “golpe branco” Não é tão fácil assim. Eles sabem disso. Além da memória de 64, ainda viva no imaginário coletivo, os obstáculos são os seguintes:

a) A Força popular. Basta uma voz convocando o povo às ruas, e o povo irá!! Temos diversos exemplos de mobilizações de massa recentes, por motivos muito menos críticos: passeatas e mobilizações pelos Royalties do petróleo, o entusiasmo do povo pela vitória da candidatura brasileira nas olimpíadas e na copa do mundo, só pra citar alguns.  O povo não vai aceitar. Há que se convencer, ainda por cima, dezenas de governadores fiéis ao Governo Lula, que fariam uma grita gigantesca convocando as massas. Estão desafiando o mesmo povo que elegeu e reelegeu Lula, e hoje se congratula pela medida acertada.  Eles hoje têm acesso a computadores, carro, TVs LCDs, e estão inflacionando o mercado imobiliario, em busca da casa própria. Esqueçam: o povo não deixa, mesmo!!!

b) A força empresarial. Centenas de milhares de empresas foram e são beneficiadas com a expansão do crédito pelos bancos públicos. Estes empresários não querem correr o risco de um retrocesso que, por exemplo, terminasse por engessar o Banco do Brasil, o BNDES, a CEF, em prol de um movimento privatista ou, mesmo, para dar mais espaço e poder de fogo a outras instituições financeiras. O BB, por exemplo, foi o banco que arrastou a concorrência atrás de si, rumo à derrocada das taxas de juros (que ainda são altas para os padrões internacionais, eu sei) e ao aumento do volume de crédito concedido. Estamos falando principalmente das micro, média e pequenas empresas, justamente as que são responsáveis pela grande massa de empregos gerados com a eficaz política governamental de Lula. Não tenham dúvida: patrões influenciarão fortemente seus empregados a vestirem a camisa contra essa boçalidade institucional, e sob risco do retorno da sanha privatista.

c) A visibilidade do Brasil no exterior, e a massa de nações que viriam em defesa de Lula. Ainda mais agora, que o jogo está delineado; que o Brasil ousou afrontar – corretamente – os EUA, demonstrando que na verdade “o Pit Bull é Lassie”, seriam colossais as suspeitas de influência da máquina imperialista estadunidense sobre o processo democrático brasileiro.  Os demais países que compõem o BRIC, o Irã, a Turquia, inúmeros países africanos, quem sabe os árabes, Chávez, Evo, Fidel… enfim, Lula fez amigos no mundo todo – virão em seu (nosso!) socorro.  E quem vai dizer que não interessaria, além do mais, ao bloco socialista – leia-se, China e Rússia – assegurar-se que os ianques não recuperem a influência sobre o Brasil, através de um eventual governo serrista, acintosamente submisso?

d) A internet. Independente do plano nacional de banda larga, cresce geometricamente a quantidade de pessoas com acesso a internet no Brasil, mesmo discada.  São novos tempos: a informação circula cada vez mais livremente, as vendas de jornais e revistas caem de forma colossal, e a desconfiança do eleitorado em relação ao PIG é unânime, geral e irrestrita. O povo não acredita mais no Jornal Nacional, na Veja, na Exame, no Estadão, na Folhinha… As denúncias da mídia contra Lula são tão comuns, que passamos os olhos direto sobre elas, dando-lhe a verdadeira importância: a de porta voz de uma elite egoísta em que so ela saía ganhando.

É impossível não lembrar que o “golpe branco” teve seu laboratório em Honduras – patrocinado pelos neocons americanos.  Mas aqui não é Honduras.

Aqui é o Brasil.

Porque a datafolha pisou na bola

Do Blog do Nassif – Por Benedito Júnior

“Está errado o diretor do Datafolha. Uma amostra viesada será sempre uma amostra viesada, independente da ponderação posterior. Ao ampliar a base da amostra em São Paulo em relação aos demais Estados, o instituto criou viés. A única possibilidade de evitar distorção nesse caso é assegurar-se de que os municípios selecionados são representativos da opinião do eleitorado nacional – coisa que obviamente instituto nenhum pode fazer.

Existem soluções pontuais, como por exemplo a sugerida aqui de tomar apenas aquelas cidades cuja votação dos candidatos em 2006 foi semelhante àquela apurada em todo o país. Ainda assim, nada asseguraria que os eleitores selecionados atenderiam à esse critério de “equidade”.

Existe uma razão pela qual os institutos de pesquisa buscam ouvir uma quantidade de eleitores proporcional ao eleitorado de cada região e é justamente a tentativa de reduzir o viés equalizando as margens de erro para cada Estado. O instituto não pode assegurar que os eleitores ouvidos sejam representativos da opinião nacional, mas ao menos ele ainda poderá alegar que buscou construir uma amostra mais homogênea possível e isso é o que importa no final. Muito mais importante que a veracidade dos resultados de uma pesquisa de opinião é a sinceridade metodológica da mesma. Pois para a primeira condição existe a margem de erro a ser ponderada, enquanto para a segunda não há nenhuma desculpa aceitável.

A amostra do Datafolha não é homogênea, e isso prejudica sua análise, não importa a desculpa arranjada pelo instituto para isso. Ao alterar sua metodologia de coleta de dados, a análise tornou imprestável a comparação de resultados com pesquisas anteriores do próprio Datafolha pois introduziu divergências entre as margens de erro das populações dos Estados pesquisados. Essa discrepância não é trivial nem pode ser sanada satisfatoriamente com ponderação posterior. Não é “marreteando” os dados após coletá-los de forma errada que o Datafolha alcançará um resultado crível em sua pesquisa.

Se o Datafolha houvesse se limitado a informar a intenção de voto em cada Estado separadamente, não haveria problema algum com a alteração da base amostral. Mas ao introduzir conscientemente a comparação com uma pesquisa anterior de metodologia distinta, o instituto pisou na bola. E as justificativas apresentadas por seu diretor seriam até risíveis, não se tratasse, infelizmente para a democracia, do caso de um instituto de pesquisa enfrentando uma grave crise de credibilidade perante a sociedade brasileira.”

O texto acima refere-se à pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 17, que mostra o pré-candidato do PSDB à presidência, José Serra, com 38% das intenções de voto, e a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, com 28%.  Menos de 48 horas depois, a blogosfera derruba por terra a confiabilidade dos seus resultados, lançando dúvidas sobre os métodos do instituto.

Houve tempo em que não era assim.  As pesquisas eleitorais conseguiam exercer grande influência sobre o eleitorado.   Atualmente, os grupos que pretendem manipular a opinião pública por meio de pesquisas eleitorais  vêm tendo sérias dificuldades.

O que mudou?

Pensamos, primeiramente, que aumentou o que poderíamos denominar de porosidade da comunicação.  A internet democratizou o acesso à informação, e potencializa a velocidade com que ela circula.  Tais são as barreiras que dificultam o processo de manipulação da população.  Qualquer passo mal calculado pode ser perigoso.  Qualquer tentativa insidiosa ou manipuladora está sujeita a ser devassada, dissecada,  desmontada e ridicularizada – em pouquíssimo tempo, diga-se de passagem.

Porque esse fenômeno?

Porque a internet apresenta um novo paradigma: ela não se apresenta, não se impõe.  Ela é um meio, não um fim.  E é fácil perceber isso.  Quantas vezes você, leitor, logo após conectar – ou, mesmo depois -, ficou parado em frente ao teclado, olhando para a tela, arrastando o mouse de um lado para outro, tentando decidir o que iria fazer primeiro, onde iria?  E sua autocrítica lhe faz questionar: seria, de sua parte, falta de foco?

Não.  É que a internet é algo completamente diferente do que estamos acostumados, em termos de ferramenta para comunicação.   Repetimos: ela não se impõe.  Não é como a TV, que tenta, o tempo inteiro, controlar quem segura o controle remoto.  Para expressar bem essa sensação, usando uma figura de linguagem, daremos, de bandeja, uma dica interessante para os fabricantes de televisões e computadores:  se estes aparelhos falassem, o que diriam ao ser ligados?

A TV diria: “Boa noite.  Não mude de canal. Siga minhas instruções. Lhe direi o que deve fazer!”

O computador diria: “Boa noite. O que você quer fazer? Onde quer ir?  Fique à vontade, não tenha pressa!  Quando decidir, é só digitar o endereço.”

Consequentemente, essa tecnologia mudou nosso comportamento.  Com o acesso à informação amplamente facilitado, não existindo nenhum filtro que possa ser imposto de forma incontornável, destinado a manter o status quo – como acontece na televisão -, aumentou nossa responsabilidade sobre a qualidade da informação que desejamos – ou não – apreender.  Foi isso o que dissemos aqui.  Primeiro, demora-se um tempo para se acostumar com tanta liberdade.  Em um segundo momento, descobre-se que liberdade traz a responsabilidade de, nós mesmos, filtrarmos o conteúdo.  Dessa forma, hoje, o filtro é seu, nosso – cada qual precisa regular o firewall de sua mente.

Há mais um aspecto a ser considerado: a população está mais, muito mais escolada, e está anestesiada pela euforia de um novo Brasil, que queria, há muito, conhecer – e que nunca chegava: vivia eternamente no futuro.  Mais respeitado, por si mesmo e pelos outros, aqui dentro, e lá fora; mais orgulhoso, com oportunidade para todos e sem deixar ninguém para trás.

Esse Brasil está aí.  Ele é real, e ele foi construído por nós, com o nosso voto.  É isso o que o brasileiro sempre buscava: que seu voto lhe fizesse justiça.  E justiça foi feita.  Essa é a democracia representativa, plural.

Muitos, só agora, dizem: o Brasil pode mais.

Errado.

O Brasil pôde mais!

A questão crucial é que o povo sabe disso.  Sabe qual lado desagradou com sua preferência.  E sabe quando é esse lado que se manifesta, mesmo que seja de forma sutil, subliminar, tentando inutilmente minar sua confiança e demonstrar que não valeu a pena.

Valeu a pena, sim! E na hora “H”, o povo saberá distinguir entre quem nunca teve a chance, mas lhe fez feliz, de quem teve tantas chances, mas nada fez.

Afinal, conhecem-se as árvores pelos seus frutos.

(Pelo menos, as árvores que dão frutos…)

É inconcebível a forma como a imprensa tenta subestimar nossa inteligência.

Age, principalmente, certos de que não somos dotados de senso crítico.  Talvez porque ela própria, a chamada “grande imprensa”, dos grandes oligopólios de comunicação, tente e consiga, por vários meios, manter a maioria de nós alienados da realidade que nos cerca.

Como conseguem isso?  É fácil responder: a televisão está recheada de entretenimento! E fazemos eco a Zeitgeist, que diz:

“A última coisa que os homens por detrás da cortina querem, é um público bem informado e consciente, capaz de fazer pensamento crítico.  Esta é a razão pela qual existe um contínuo e fraudulento Zeitgeist via religião, mídia de massa e sistema educacional.  Procuram mantê-lo distraído como uma infantil bolha de sabão. E estão fazendo um trabalho excelente.”

Big Brother, programas de auditório, programas de entrevistas de celebridades, novelas, telejornais, desenhos animados, enlatados de baixa qualidade… tudo é feito propositalmente para nos emburrecer, nos distrair.

De carona nessa onda manipulativa, via de regra, grandes colunistas cunham termos como “Patrulheiros da Lama”, “Esquerdistas”, “Petralhas”, “Socialistas”, “Comunistas” e, quiçá, “terroristas”.

Parecem se esquecer que a grande maioria de nós, somos simplesmente o povo, e gostamos de ser lembrados por nossos governantes.  Mais que gostamos, exigimos – visto que o poder, de nós emana (ou deveria…).

Em nossa época um fenômeno se apresentou: nós, o povo, experimentamos colocar no poder um de nós.  E para desespero geral das elites e do poder dominante, do estabilishmment… está dando certo!!

Ao examinar os porquês dessa conquista, podemos concluir com segurança que a força da mídia já não é tão relevante assim, na era internet.  O povo sabe em quem ou em quais instituições pode e deve confiar, pelo simples critério bíblico: conhece-se as árvores pelo seus frutos.

À imprensa tem cabido o papel de sempre causar sensações de intranquilidade e demonstrar o quanto o mundo que nos cerca é corrupto, falível e decrépito.  Cumpre esse papel há séculos.  E só ingênuos acreditam em sua isenção ou sua suposta “transparência”, que deveria nortear suas ações.

Por motivos econômicos, políticos ou mesmo pela fogueira das vaidades; por interesses egocêntricos, ou simplesmente porque estão a serviço de projetos imperialistas de outras nações, os homens de imprensa não pensam em seu povo.

Há tempos espalha-se pelo mundo a teoria de que democracia forte, precisa de uma imprensa livre.

Para alguns, o papel de uma imprensa livre é o de proporcionar transparência e informação ao cidadão, para facilitar, a esse cidadão, a fiscalização do Estado, dos Governos, dos representantes que elegeu.

A chamada “imprensa livre”, assim, passou a ser chamada de “o quarto poder”.  Um poder que seria temido, transparente, amante da democracia, correto, investigativo, sempre ético.

Será?

Ainda que isto fosse verdade; ainda que a imprensa não fosse defendida por inúmeros autores em obras controversas, como instrumento de manipulação do povo; como poderia o povo decidir por meio de empresas privadas, que escolhem quais notícias devem ser divulgadas?  Que escolhem como essas notícias devem ser interpretadas?  Que manipulam as informações?

Estaremos errados ao afirmar isso?

O Quarto poder

Você já ouviu falar nessa expressão? Conforme a Wikipédia:

“O quarto poder é uma expressão criada para qualificar, de modo livre, o poder da mídia ou do jornalismo em alusão aos outros três poderes típicos do Estado democrático (Legislativo, Executivo eJudiciário).

Essa expressão refere-se ao poder da mídia quanto a sua capacidade de manipular a opinião pública, a ponto de ditar regras de comportamento e influir nas escolhas dos indivíduos e por fim da própria sociedade.

Sobre o tema existe um filme assim nomeado em português, mas com título original “Mad City”. O filme discute o poder da mídia sobre a opinião pública, fazendo uma espécie de jogo com as emoções. O filme fala do poder e da farmácia de manipulação da mídia para favorecer os interesses de terceiros, e em busca da conquista de audiência.

No Brasil, por exemplo, já é possível perceber que a sociedade, em muitas situações, já confia mais nessa instituição do que nos 3 (três) poderes do Estado.

Uma boa leitura para entender como isso funciona no Brasil é através da série de artigos escritos pelo jornalista Luis Nassif, sobre a revista Veja.”

Bom, quem desejar conhecer o excelente blog do Luis Nassif, clique aqui, ou veja as referências ao fim do post.  Tendo conhecido, então, o significado da expressão “O Quarto Poder”, podemos retomar nosso raciocínio.

A imprensa conta com técnicas, modelos e métodos consagrados, profissionais, técnicos.  Mas a imprensa não é detentora, por si só, do ofício jornalismo.  A imprensa, portanto, é uma instituição composta por empresas do segmento de informação; portanto, de jornalismo.  E o que é jornalismo?  Novamente com a palavra, a Wikipédia:

“Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais. Jornalismo é uma atividade de Comunicação.”

Nota-se aí que, entre a informação pura, simples e crua, e os leitores, ouvintes ou telespectadores, há um profissional que “lida” com “notícias, dados factuais e divulgação de informações”.  Cabe aos jornalistas, também, “(…) redigir, editar (…)” informações sobre eventos atuais.

Em outras palavras: um intermediário.  Traduzindo de forma mais simples, a Imprensa poderia ser caracterizada como: “Empresas privadas que coletam, redigem, editam e divulgam informações”.

A questão principal, é que aceitar esse modelo significa aceitar a existência de intermediários, que têm acesso a todas (ou quase todas) as informações; contudo, decide quais, e de que forma, devem ser publicadas.  A informação não chega às mãos do leitores de forma crua, isenta, pura; ela passa por edição, diagramação, cortes e acréscimos.  Os leitores, por sua vez, não têm o menor controle do que desejam e precisam saber; dependem desses “intermediários”.

Derruba-se, dessa forma, a tese do “quarto poder”, e outras mais falsas ainda, como “uma democracia forte necessita de uma imprensa livre”.  Se o cidadão, de fato, precisa ter acesso a todas as informações para formar opinião e decidir, enquanto eleitor, sobre o governo que elegeu, ele não pode depender de intermediários que decidirão o quê ele precisa saber, e quando ele precisa saber.

Os cidadãos, os eleitores, primeiramente precisam ter acesso a meios de comunicação que lhe permitam escolher, no momento mais adequado para eles, quais informações desejam ter acesso.  E os Governos, precisam ser transparentes.

O meio de comunicação mais adequado para essa finalidade, não é outro, senão a internet.

Por meio da internet, você está tendo acesso a esta opinião, emitida por pessoas comuns, iguais a você.  Terá acesso, ainda, a centenas de milhares de outros blogs, sites e portais.  Muitos com informações corretas, muitos com mentiras, muitos com informações erradas, inverídicas.

Aumenta, portanto, sua responsabilidade: é você, e não um intermediário (jornal, empresa jornalística, revista, TV, rádio), que tem que decidir se deve ou não confiar nas informações a que está tendo acesso.  Você, então, obriga-se a cruzar dados, pesquisar em locais diferentes o mesmo assunto, e mesmo consultar sua própria razão, para saber se o que lê lhe parece mesmo razoável.  Descobre, então o que é preciso: criticidade.

A internet, então – ela sim – é um instrumento imprescindível para a democracia.  Desde que, claro, todos os cidadão tenham acesso a ela.  O que ainda está longe de acontecer em nosso país.  Apenas pessoas de um determinado poder aquisitivo têm computadores com internet em sua própria residência.  Outra parcela menor tem acesso à internet no trabalho, na escola ou mesmo em “lan-houses” e tele-centros criados pelo Governo e algumas empresas públicas e privadas. e espalhados pelo país.

Por outro lado, a expansão da internet depende do aumento da infra-estrutura (cabos, fios, redes, antenas) em vários locais distantes do país, locais estes onde o acesso não existe, pelo fato de depender de empresas privadas de comunicação, que não se interessam por desenvolver e disponibilizar a internet em vários lugares.  Alegam, para isso, que essa expansão, em alguns lugares, é inviável (economicamente, é claro).

É por isso que o Governo lançou o PNBL – Plano Nacional de Banda Larga.  Sua intenção é facilitar e garantir o acesso da internet a todas as pessoas do país.  Ao Governo, enquanto promotor da verdadeira democracia, interessa que todos os cidadãos tenham acesso a internet, de forma facilitada.  Onde as empresas privadas não puderem ou não quiserem investir, lá estará uma empresa estatal, para investir e facilitar a chegada da internet.

Somente então poderemos comemorar não a desnecessária liberdade de imprensa, e sim a desejada liberdade de informação.  Garantindo a todos, o acesso a internet.

Apoiamos o PNBL, do Governo Federal.  Que venha, e venha rápido!

Essa matéria tende a ter mais desdobramentos.  Fiquem atentos.

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Links Relacionados:
Blog do Luis Nassif
Wikipédia Brasil